sexta-feira, fevereiro 17, 2006

TROPAS AMERICANAS E BRITÂNICAS TORTURAM IRAQUIANOS


1. A mim não me surprendem as provadas e documentadas torturas praticadas por americanos e ingleses no Iraque.

Nada.

Surpreende-me é a surpresa (?) de alguns surpresos.

2. “Primeira detenção no caso dos alegados abusos de soldados de soldados britânicos no Iraque” – anuncia-se em gordas letras nos media.

Antes de mais, como se se tratasse da retomada de um processo de actuação humanitária relativamente a prisioneiros de guerra, como se se tratasse de desvios a tal processo e à intenção dos seus mentores e condutores (hierarquias militares), desvios praticados sponte sua pelos militares de primeira linha.

De todo o modo – ainda e também como quem quer pôr asas e, daí, lavar as mãos – diz-se nesse anúncio: “alegados abusos”…

A ousadia dos políticos da actualidade (na sua generalidade – digo-o com tristeza) escapou ao próprio Maquiavel e aos Bórgias dos dissolutos séculos XV e XVI.

Sabemos que numa grande massa de soldados se encontra de tudo: desde os pacifistas, que não conseguiram resistir e foram mobilizados a contra-gosto; aos que, convicta e fervorosamente, alinham de boa vontade nessa mesma mobilização, ocasião para darem largas aos seus instintos xenófobos e racistas.

De qualquer maneira, sabemos que as intruções que receberam não foram as do capelão do exército, nem apontavam para comportamentos, já não digo humanitários, mas civilizados. Nem são as “Obras de Misericórdia”, que lhes incutem, nem os ensinamentos dos virtuosos padres que nos antecederam.

Por outro lado, que tem a ver um anónimo Salud Ahmud com a situação que o leva a ser torturado?

Punir o soldado Peter ou o “nosso primeiro” Michael não é castigar o verdadeiro culpado.

3. Talvez nem só a mim me tenha ocorrido, com esta divagação um célebre episódio nosso: a celebérrima operação Nó Górdio, no planalto central de Moçambique, quando era comandante das forças terrestres dessa colónia o general Kaúlza de Arriaga. Um ultra, como todos sabemos.

Desencadeada a operação com as forças militares e com a sempre empenhada e entusiasta participação da PIDE, em 01 de Julho de 1970, não obstante o genocídio levado a efeito, dizimadas e varridas do mapa populações e povoações inteiras, a “orgulhosa” operação saldou-se num tremendo fiasco militar com a sua cessação pouco mais de um mês depois…

Se as mais altas esferas militares em Lisboa, ao tempo, decidissem (impensável, bem sei, mas vamos supor) abrir um inquérito aos acontecimentos, pela selvajaria praticada, seria legítimo que fosse o soldado Carlos F. ou o furriel Diamantino S. a serem penalizados pelos acontecimentos?

Nos confortáveis e refrigerados gabinetes dos responsáveis, sempre corre tudo bem.

Não há que saber.

Nem que fingir.

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