sexta-feira, fevereiro 24, 2006

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA


Este é o espaço em que,

habitualmente,

faço algumas incursões pelo mundo da História.

Recordo factos, revejo acontecimentos,

visito ou revisito lugares,

encontro ou reencontro personalidades.

Datas que são de boa recordação, umas;

outras, de má memória.

Mas é de todos estes eventos e personagens que a História é feita.

Aqui,

as datas são o pretexto para este mergulho no passado.

Que, por vezes,

ajudam a melhor entender o presente

e a prevenir o futuro.

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Respondendo a uma interrogação,

continuo a dar relevo ao papado.

Pela importância que sempre teve para o nosso mundo ocidental.

Sobretudo, mas não só, nos últimos séculos.

Os papas sempre foram,

para muitos, figuras de referência,

e para a generalidade, figuras de relevo;

por vezes, e em diversas épocas, de decisiva importância.

Alguns

(vários)

não pelas melhores razões.

Mas foram.

DE ACORDO COM O CALENDÁRIO DA ONU:

1997/2006 - Década Internacional para a Erradicação da Pobreza.

2001/2010 - Década para Redução Gradual da Malária nos Países em Desenvolvimento, especialmente na África.

2001/2010 - Segunda Década Internacional para a Erradicação do Colonialismo.

2001/2010 - Década Internacional para a Cultura da Paz e não Violência para com as Crianças do Mundo.

2003/2012 - Década da Alfabetização: Educação para Todos.

2005/2014 - Década das Nações Unidas para a Educação do Desenvolvimento Sustentável.

2005/2015 - Década Internacional "Água para a Vida".

2006 Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação.

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NOTA: hoje acontece - o que julgo irá repetir-se - que algumas efemérides vão só sucintamente referidas. Desta vez não me foi possível ir mais além.

Entre deixar apenas, dessas, uma breve memória, ou não deixar notícia nenhuma, optei pela primeira hipótese.

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Decorreram 1703 anos (terá sido a 24.02.303), o que de acordo com o actual calendário terá caído numa QA: Galério ordena, por édito, a perseguição dos cristãos. De Portugal, nem projecto, ainda, se falava. Mas a Lusitânia já existia de há muito. Augusto, recordo, já antes, no séc I, a tinha dividido em quatro distritos ("conventus"): Mérida, Beja, Braga e Santarém…

(Daí eu trazer sempre à colação os imperadores romanos).

Pontificava o papa Marcelino (29º) que era romano, e foi eleito em 30.06.296, e que suportou, no seu pontificado, violentas perseguições movidas pelo imperador Diocleciano aos cristãos.

Caio (ou Gaio) Galério Valério Maximiano – aliás Caius (ou Gaius) Galerius Valerius Maximianus – era, desde 293, um dos tetrarcas que governavam o império romano. Era césar, juntamente com Constâncio I (Constâncio Cloro), pai de Constantino, sendo, na ocasião, augustos, Diocleciano (com uma filha do qual casou) e Maximiano.

Tetrarquia:

sistema de governo criado por Diocleciano:

atendendo à enorme extensão do Império, ao número e à magnitude dos problemas,

o imperador dividiu-o em Império Ocidental e Império Oriental,

sendo superiormente dirigida, cada uma dessas metades,

por um Augusto (imperador sénior) e um César (imperador júnior).

Reportando, naturalmente, este àquele.

Galério arquitectou a renúncia dupla de Diocleciano e Maximiano (305) e, com Constâncio I, tornou-se augusto. Conseguiu que seu sobrinho Maximino (Caio Galério Valério Daia) e o seu amigo Severus II (Flávio Valério Severo), fossem nomeados césares, na formação do novo governo tetrarca.

Galério tornou-se assim imperador do Oriente, a quem reportava seu sobrinho, o césar Maximino, que era governador dessa metade do império.

Seguiu-se o descalabro e o descrédito das entidades máximas que dirigiam o império, que chegaram a ter de se confrontar com sete pretendentes àqueles cargos, cada qual com o seu exército.

Ora, Galério insistiu junto dos outros tetrarcas que seria de interesse público acabar com o cristianismo e partiu para a destruição de edifícios e livros (303) e, no ano seguinte, institui a pena de morte contra os seus praticantes.

Os cristãos tinham tido uma época de relativa paz durante uma parte do reinado de Diocleciano. Mas as perseguições recomeçaram após aquele édito de Galério, o que incluiu a destruição das suas casas para impedir que se organizassem para reacções insurreccionais.

Porém, pouco antes de morrer (30.04.311) publicou um édito de tolerância para com os cristãos, na esperança de os cativar, ele que anteriormente os perseguira cruel e violentamente e sempre fora um activo partidário do paganismo.

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Terão passado 538 anos (1468), e a ser assim, foi numa QA: pensa-se que terá morrido nesta data o alemão Johann Gutem­berg, inventor da imprensa. No Sacro Império Romano-Gernânico reinava o imperador Frederico III (1439-1493). Em Portugal reinava D. Afonso V (12º). No Vaticano pontificava Paulo II (211º).

"A invenção da imprensa é o maior acontecimento da história.

É a revolução mãe...

é o pensamento humano que larga uma forma e veste outra...

é a completa e definitiva mudança de pele dessa serpente diabólica, que,

desde Adão,

representa a inteligência."

Victor Hugo

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Foi assim que esse grande vulto das letras registou em Nossa Senhora de Paris, em 1831, quase quatro séculos depois da descoberta de Gutemberg, o impacto e a revolução que terá representado o novo engenho entre a gente letrada e culta da época.

Hoje, alguns não podem deixar de esboçar um sorriso, com tal avanço.

Aquela observação de V. Hugo foi feita a curtíssima distância, no tempo, (onde é que ele o imaginava!) do gérmen de revolução muito maior ainda: o computador mecânico seria concebido por Charles Babbage em 1835. Mas nunca passou de um mero projecto, até mais de um século depois, até que, em 1943, Thomas Flowers construiu o Colossus, o primeiro computador electrónico.

Mas situemo-nos na época. A imprensanunca foi um invento pacífico. Desde os seus começos, a nova arte de imprimir livros provocou temores de toda ordem, pois, para muitos, o livro saído de um prelo, e não da tinta de um monge escriba, tornou-se uma força subversiva, capaz de abalar a fé e de reduzir a autoridade da igreja”.

O primeiro livro impresso pela oficina de Gutemberg foi a Bíblia.

Não obstante (pois isso podia, para tantos, significar um bom presságio), «abrindo a janela do seu claustro, o arcediago dom Cláudio Frollo, apontado o dedo para o imponente edifício da Igreja de Notre Dame de Paris, emoldurada a sua frente por uma noite de estrelas, com a mão sobre um livro, disse ao seu visitante, o doutor Jean Coictier, médico de Luis XI: Ceci tuera cela, "isto há-de matar aquilo" - o livro acabará com a igreja! Mesmo ele sendo um homem de cultura, um apaixonado alquimista, suas palavras denotavam tristeza, porque, afinal, dom Cláudio era um sacerdote e lamentava com aquele gesto o princípio do fim do seu mundo, o da Galáxia Teológica»

Mais recentemente, «as profecias deram para prognosticar o fim da palavra impressa, anunciando para todos os cantos o desaparecimento da Galáxia de Gutemberg» (apud site EducaTerra)

Se até à altura da revolução de Gutemberg o papel era raro, hoje, séculos depois, o mesmo papel é cada vez menos utilizado nesta área. Temos cada vez mais “livros” electrónicos.

Aliás, já em 1945 Vannevar Bush, que dirigia um centro de pesquisa e desenvolvimento científico, nos EUA, descreve um dispositivo chamado Memex "no qual um indivíduo armazenaria todos os seus livros, registos e comunicações", afirmando, mesmo, que "conteúdos de jornais, livros, revistas e artigos, poderiam ser visionados ou comprados a partir de um grande repositório de informações”.

E nos anos 80 de 1900, o mercado de enciclopédias viu os “livros” electrónicos terem um real progresso e sucesso com a publicação das versões electrónicas das enciclopédias em CD-ROMs.

Entre nós, há uns escassos 20 anos,

ainda não havia telemóveis, nem cartão de débito/crédito,

a net era ainda uma miragem,

do homebanking nem se falava,

DVD’s nem se sabia o que era, etc., etc., etc.…

Às duas por três… É aquilo a que se assiste!

A revolução tecnológica foi muito mais arrasadora em termos de reflexos na Economia. Mas a revolução da imprensa não creio que venha a ser completamente obnubilada (na História) pela revolução tecnológica. Como o nome de Bill Gates não conseguirá fazer esquecer o de Gutemberg.

Será ousado, ou desadequado, afirmar que o gérmen (vá, um dos gérmenes) da revolução tecnológica (do choque tecnológico, hélas!) está na invenção da imprensa?

Johann Gensfleish von Gutemberg, no entanto, não terá sido o único nome ligado à invenção da tipografia. Contudo foi o mais projectado (mediático, diríamos hoje).

Pensa-se que Gutemberg terá nascido em Mainz, na Alemanha, cerca do ano de 1400. Sabe-se que se exilou em Estrasburgo, por razões políticas. Regressado a Mainz, calcula-se que aí terá falecido, e pobre, em 24FEV1468.

Mas veja uma síntese de mais alguma informação sobre Gutemberg.

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Passaram-se 470 anos (24.02.1536), foi numa QI: nasceu Ippolito Aldobrandini, que viria a ser o papa Clemente VIII. Em Portugal reinava D. João III (15º). Pontificava Paulo III (220º).

1536 foi o ano em que:

- a pedido do nosso rei, o papa instituiu a Inquisição em Portugal através da bula Cum ad Nihil Magis (23.05);

- Calvino fundou o calvinismo.

- morre o humanista holandês Erasmo (12.07).

Clemente VIII (231º), tinha sido advogado e foi papa de 9 de Fevereiro de 1592 até à sua morte, a 05.03.1605.

Clemente, segundo consta, só mesmo de nome. Que o cognome, segundo os relatos que nos chegam, mais apontam para o implacável.

Foi ele, por exemplo, que, em 17 de Fevereiro de 1600, condenou à morte na fogueira o dominicano Giordano Bruno, que ousou pôr em causa dogmas ou “verdades indiscutíveis” como o da Santíssima Trindade e da virgindade de Maria - este, claro, só proclamado como dogma por Pio IX (255º) pela bula Ineffabilis Deus, de 08.12.1854.

(Claro que, um dia, Giordano Bruno abandonou as vestes dominicanas).

Em 1602, Clemente VIII, com a bula "Incrustabile Divine", fundou a Propaganda, como ficou conhecida a Congregação para a Propagação de Fé ("Congregatio de Propaganda Fide").

Também foi Clemente VIII que, Em 1596, reeditou o Índice de Livros Proibidos, Index Librorum Prohibitorum, instituído em 1559, no Concílio de Trento (1545-1563), presidido pelo papa Paulo IV (223º), por coincidência no ano da sua morte (ele que estava próximo de se tornar octogenário quando eleito em 1555), e quem se deve a reorganização da Inquisição, criada por Paulo III (220º).

A censura de certas obras cuja leitura “punha em risco” a fé e a doutrina cristã foi uma prática cuja idade quase se confunde com a da própria Igreja.

Os índices expurgatórios ou relação dos livros condenados pela Igreja, muitas vezes sintetizados na palavra index, recrudesceram com a invenção da imprensa e com a divulgação das doutrinas fracturantes [quem é que hoje resiste a este termo, ao botar faladura ou escrevinhação?] da ortodoxia católica, a começar pela luterana.

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Seria caso para dizer
– perdoe-se-me a prosaica comparação –
que a Igreja adoptara, então, como seu,
o lema, de hoje, de um dos bons blogues da nossa “praça”
(“Grande Loja do Queijo Limiano”),
que reza:

“Não deixe que a Verdade estrague uma boa história”.

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Em 1543, surgia um primeiro catálogo de obras proibidas, do papa Paulo III (220º), em Veneza, e, em 1546, o mesmo era feito em Lovaina, e logo noutras cidades e países europeus. E até em Portugal surge, logo de seguida, o primeiro índice condenatório, redigido com a supervisão do cardeal D. Henrique, irmão do monarca então reinante, D. João III (15º), no ano da graça de 1547, por sinal o mesmo em que se estabeleceu definitivamente a Inquisição em Portugal. Doze anos depois, em 1559, foi promulgado o primeiro Index geral da Santa Sé, o aludido Index Librorum Prohibitorum que se manteve em vigor até 1900, ano em que foi substituído.

De sublinhar é que obras de renomados cientistas, filósofos, escritores, enciclopedistas e até pensadores tenham pertencido a esta lista. Por exemplo, Galileu, Copérnico, Erasmo, Espinosa, Locke, Berkeley, Diderot, Pascal, Hobbes, Descartes, Montesquieu, David Hume, Kant, Dumas (pai e filho), Voltaire, V. Hugo, Zola, Stendhal, Flaubert, Anatole France, Balzac e Sartre. Para só citar alguns.

E recordo que o Index Librorum Prohibitorum de 1551 incluía já sete das obras de Gil Vicente.

Voltando atrás, ainda em Portugal – e paralelamente – com Pombal, a abolição da censura eclesiástica levou a que fosse a Real Mesa Censória, sob a autoridade da coroa, a fiscalizar a publicação de obras laicas e religiosas, tendo como missão uma reforma do aludido índice. Posteriormente, em 1821 – já com D. João VI (27º) -, com o fim da Santa Inquisição, passou a ter força de lei, em Portugal, apenas o Índice Romano da Congregação do Santo Ofício, que sofreu várias revisões até 1948.

Mas o último, publicado pela Santa Sé, foi o de Pio XI (com a designação do antigo Índex librorum…) em 1938.

O índice foi abolido apenas em 1966 com o papa Paulo VI.

O concílio Vaticano II, apoiando-se numa declaração sobre a liberdade religiosa, retirou o valor jurídico do documento em 1967.

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É inevitável fazer a ponte.

Mas mais (não estou certo que seja mais… São todas muito importantes, naturalmente), mas dizia eu, mais importante que a da Popaganda terá sido a a Congregação para a Doutrina da Fé, a mais antiga das nove congregações da Cúria Romana, um dos órgãos do Vaticano. Antes chamara-se “congregação da Inquisição da igreja católica romana”.

A Congregação para a Doutrina da Fé foi fundada pelo Papa Paulo III, em 21 de Julho de 1542, com o objectivo de defender a Igreja da heresia. É historicamente relacionada com a Inquisição.

Até 1908 era denominada como Sacra Congregação da Inquisição Universal quando passou a se chamar Santo Ofício. Em 1967, uma nova reforma durante o pontificado de Paulo VI mudou para o nome actual.

O actual Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé é o arcebispo americano de San Francisco, William Joseph Levada, de 68 anos, desde Maio de 2005, nomeado pelo papa Bento/Benedito XVI. Assim, o actual censor oficial do Vaticano sucedeu, nesse cargo, ao Cardeal Joseph Ratzinger (que o foi de Novembro de 1981 a Abril de 2005), actual papa reinante.

Mas, bem vistas as coisas, nem é surpreendente que a igreja católica romana tenha praticado a censura. É uma característica comum nas religiões: muitas a exerceram e/ou continuam a exercer.

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Completam-se hoje 424 anos (24.02.1582), foi um SB: o calendário gregoriano foi promulgado pelo papa Gregório XIII (226º), substituindo o calendário juliano. Em Portugal reinava Filipe I (18º).

Eras e calendários.

Em tempos mais recuados, as datas referidas pelos cronistas peninsulares respeitavam à era de César ou hispânica ou gótica. A partir, no entanto, de D. João I (lei de 15.07.1422), é estabelecido que se passem a referir os anos da era cristã. Para tanto, e sendo necessário fazer a conversão daqueles (era de César) a estes (era cristã), essa conversão faz-se subtraindo 38 anos à era de César, encontrando-se, assim o correspondente ano da era cristã.

No entanto, vigorava o calendário juliano

O ano 1 da era cristã corresponde ao ano 753 (da fundação) de Roma.

Reza a lenda que
os gémeos Rómulo e Remo
eram filhos do deus Marte e de Réia Sílvia.
(O episódio da loba é sobejamente conhecido)
Foi o avô deles, o rei Numitor,
que lhes deu ordem para fundar uma cidade nas margens do Tibre,
que veio a chamar-se Roma (ano de 753 a.C.).
Conta-se também que após a fundação da cidade, houve um conflito entre os irmãos para decidir quem seria o rei,
foi aí que Rómulo matou Remo,
tornando-se o primeiro rei de Roma.

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"A era hispânica, ou de César, ou safarense, como os árabes diziam, foi abolida em 1422 em Portugal, adoptando-se oficialmente a era de Cristo pelo cálculo pisano, que faz coincidir o ano I com o 39 da era hispânica, de forma que a redução das datas da moda antiga faz-se eliminando trinta e oito anos. A reforma cronológica data de 1422 da era de Cristo (ou 1460 da era de César).

A era cristã fora já anteriormente adoptada em outros estados da Espanha: em 1350 no de Aragão, em 1383 no reino unido de Castela-Leão. Havia, porém, várias eras cristãs; a da Encarnação, a do Nascimento e a da Ascensão; havendo além disso o cálculo pisano e o florentino. Pelo primeiro, o nascimento de Cristo é o primeiro dia do ano I; pelo segundo o ano I só começa um ano depois do mesmo nascimento. Para a concordância das datas os dois cálculos diferem pois de um ano.(Cfr Oliveira Martins/OM, Os Filhos de D. João I, nota 14, pág 21 - que neste passo se socorre de J. P. Ribeiro)

E continua, O. M.: "Eis aqui o texto da lei nas Orden. afon., VI, 66.

«ElRey Dom Joham de famosa e excellente memoria em seu tempo fez Ley em esta forma que se segue:

I - Manda ElRey a todolos Taballiaães e Escripvaães do seu Regno e Senhorio que daqui em diante todolos contrautos e escripturas que fezerem ponham Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, assi como ante soyam a poer Era de César: e esto lhes manda que façam assi sob pena de privaçom dos Offícios.

II - Poblicado foi assi o dito Mandado do dito Senhor na Cidade de Lixboa per mim Philipe Affonso Loguo-Tenente do Escrivam de Chancellaria nos Paaços d'ElRey perante Diego Affonso do Paão ouvidor na sua Corte que sia em audiencia, aos vinte e dous d'Agosto Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesu Christo de mil quatro centos vinte e dous annos.

III - E vista per nos a dita Ley, mandamos que se guarde como em ella, hé contheudo». (cfr Oliveira Martins, id, 22).

Isto, no respeitante a eras – já atendendo ao calendário juliano.

Outra era a matéria específica dos calendários.

Os mais primitivos calendários de que a História nos dá notícia, são o hebreu e o egípcio. Ambos tinham um ano civil de 360 dias

Depois de muitas reformas, por volta do ano 5000 a. C. os egípcios estabeleceram um ano civil invariável de 365 dias, conservando a tradicional divisão em 12 meses de 30 dias e 5 dias adicionais no fim de cada ano.

Gregório XIII, depois de um longo estudo (cinco anos) - em que um dos cientistas consultados foi o nosso matemático e cosmógrafo Pedro Nunes (1502-1578) - decretou, em 1582, a reforma do calendário juliano, adoptando-se, a partir de então, o actual - que, por isso, se diz calendário gregoriano. Em síntese (e de uma forma necessariamente grosseira, já que nós - o vulgo - não entendemos os respectivos fundamentos científicos), a questão a resolver era acertar, o mais possível, a diferença - que se vinha acentuando - entre o ano civil e o ano natural.

Antes de mais, tenha-se em conta que o calendário que se reformava já era velho de muitos séculos: era o calendário Juliano, estabelecido em 46 a. C. por Júlio César, e para a introdução do qual encomendou um estudo ao astrónomo grego Solsígenes, da Escola de Alexandria! Calendário que entraria em vigor no ano seguinte: 45 a. C..

Mas o calendário estabelecido pela equipa de Solsígenes era um calendário quase perfeito como reconheceu a equipa nomeada por Gregório XIII

Recordo que os romanos tiveram um diferente calendário. Uma das suas particularidades era a de que os dias 15 de Março, de Maio, de Julho e de Outubro,

assim como os dias 13 dos outros meses, eram designados por “idos”.

Calendário, esse (juliano), que a equipa designada pelo papa Gregório XIII, para o reformar (e de que fazia parte um importante astrónomo, Clavius), considerou baseado num sistema quase perfeito.

O calendário juliano era um calendário solar que procurava sintonizar o calendário com as quatro estações do ano. Assim, César impôs que o ano fosse constituído por 12 meses com duração pré-determinada e a adopção de um ano bissexto de quatro em quatro anos.

Consta que no ano anterior ao uso do calendário juliano, foram introduzidos mais dois meses, de 33 e 34 dias, entre Novembro e Dezembro, além dum outro que se seguiu ao de Dezembro, com 23 dias.

Ou seja, aquele ano teve 445 dias, distribuídos por 15 meses. Foi o ano mais longo de sempre – a que se chamou o ano da confusão.

Foi então abolido o calendário lunar dos decênviros e adoptou-se o calendário solar, conhecido por Juliano, de Júlio César, que começou a vigorar no ano 709 de Roma (45 a.C.), mediante um sistema que devia desenrolar-se por ciclos de quatro anos, com três comuns de 365 dias e um bissexto de 366 dias, a fim de compensar as quase seis horas que havia de diferença para o ano trópico.

Durante o consulado de Marco António, reconhecendo-se a importância da reforma introduzida no calendário romano por Júlio César, foi decidido prestar-lhe justa homenagem, perpetuando o seu nome no calendário, de maneira que o sétimo mês, Quintilis, passou a chamar-se Julius.

Também no ano 730 de Roma, o Senado romano decretou que o oitavo mês, Sextilis, passasse a chamar-se Augustus, porque durante este mês começou o imperador César Augusto o seu primeiro consulado e pôs fim à guerra civil que desolava o povo romano. E para que o mês dedicado a César Augusto não tivesse menos dias do que o dedicado a Júlio César, o mês de Augustus passou a ter 31 dias.

Assim, para a equipa constituída pelo Papa Gregório XIII para reformar o calendário, a questão a resolver, era a seguinte: para facilitar os cálculos, atribuiu-se ao ano (natural) a extensão de 365 dias e 6 horas. Assim - e de novo para facilitar as coisas - considerava-se que o ano (comum) tinha apenas aqueles 365 dias. Logo, as seis horas que restavam, em cada ano, eram a justificação do acréscimo de um dia, de quatro em quatro anos (ano bissexto).

Porém, o ano natural não tinha mais 6 horas que o ano civil: na realidade aquele tinha a mais que este, apenas 5h 48m 46s. Desta forma, quando, para facilitar cálculos, se entra em linha de conta com aquelas 6 horas, estamos a considerar mais 11m e 14s do que o que deve ser. O que, ao fim de 4 anos, soma quase 45 minutos.

O que a equipa nomeada por Gregório XIII, para se debruçar sobre este assunto, concluiu, foi que nesse ano de 1582 a acumulação daqueles 11m e 14s já somava 10 dias completos.

A reforma gregoriana tinha por finalidade fazer regressar o equinócio da primavera a 21 de Março e desfazer o erro de 10 dias já existente. Para isso, a bula mandava que o dia imediato à quinta-feira 4 de Outubro fosse designado por sexta-feira 15 de Outubro. Como se vê, embora houvesse um salto nos dias, manteve-se intacto o ciclo semanal.

E para que o sistema se aproximasse o mais possível da realidade, determinou-se que os anos de 1700, 1800 e 1900 fossem comuns, e não bissextos, como seria natural. E que a partir daí, a cada três anos seculares comuns se seguisse um ano (secular) bissexto. Nesta ordem de ideias, 2000 foi bissexto; mas 2100, 2200 e 2300 deverão considerar-se comuns.

No fundo, e em resumo, digamos que a regra a respeitar, a partir de então (1582) é a seguinte: o ano é bissexto se for divisível por 4. Porém, no que aos anos seculares respeita, estes só são bissextos se divisíveis por 400.

O calendário gregoriano foi, pois, promulgado pelo Papa Gregório XIII a 24 de Fevereiro do ano 1582 para substituir o calendário juliano. Em alguns países, como em França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e também em Portugal e em Espanha - onde o mesmo rei detinha as duas coroas: Filipe I - esta determinação foi cumprida de imediato. Ou seja: esta determinação foi objecto de disposições legais internas (de cada país) nesse sentido.

Nos países protestantes a recusa foi mais longa. O erudito francês Joseph Scaliger, pelas suas críticas, contribuiu para organizar a resistência. "Os protestantes, dizia Kepler, preferem antes estar em desacordo com o Sol do que de acordo com o Papa".

Noutros, só mais tarde isso aconteceu. Os últimos países a adoptar o calendário gregoriano foram a Turquia, em 1926 e a China, em 1929. Continua hoje, contudo, este calendário, a não ser o único (subsiste, por exemplo, o calendário muçulmano), mas é o calendário dominante em todo o mundo. Por razões óbvias.

Para saber mais veja o trabalho do Director do Observatório Astronómico de Lisboa (Tapada da Ajuda), o Engº Geógrafo Manuel Nunes Marques.

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Foi há 188 anos (1818), numa TR: Frederic Chopin apresentou-se, pela 1ª vez, numa festa, no palácio do príncipe António Radziwill, da Polónia.

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Foi há 164 anos (1842): proclamada a restauração da Carta Constitucional, no Porto. D. Maria II (30º) entrega o Governo ao Duque da Terceira.

Tomada de posse do governo presidido pelo duque da Terceira, mas com o predomínio do ministro do Reino, Costa Cabral. É o começo do "Cabralismo", período que se prolongará até 1846, que tentará reorganizar o estado e reconstruir a economia do País, de um ponto de vista conservador.

É então que Costa Cabral toma conta da pasta do Reino e inicia “importantes” reformas: da instrução e dos estudos médicos; fundação do Teatro Nacional; desenvolvimento da agricultura e da indústria; abertura de estradas...

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Faz hoje 163 anos (1843) nasceu, em Ponta Delgada, Joaquim Teófilo Braga, político, historiador e escritor que foi designado PR para completar o mandato de Manuel Arriaga. Morreu a 28.01.1924, em Lisboa.
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Foi há 111 anos (1895), começou a Guerra da Independência de Cuba, liderada por José Marti.

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Aconteceu há 105 anos (1901): a igreja ortodoxa excomunga o autor de Guerra e Paz, o escritor russo Leon Tolstoi.

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Decorreram 103 anos (1903): os EUA adquiriram a base naval de Guantánamo, que ocupa cerca de 116 Km quadrados na costa sudeste de Cuba.

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Já se passaram 97 anos (1909): em Brighton (Reino Unido), o público assiste pela primeira vez a um filme em cores.
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Estão decorridos 86 anos (1920): Hitler apresenta em Munique os 25 pontos do Partido Operário Alemão.

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Foi há 79 anos (24.02.1927), era uma QI: nasceu, em Lisboa, David Mourão-Ferreira. Dera-se no ano anterior o golpe do 28 de Maio. Instalara-se a Ditadura. Carmona já era o Chefe de Estado, qual monarca, até à morte (Abril de 1951). E cumulava, então, essa função com a da chefia do governo. Governo de que Salazar já era ministro das Finanças. Salazar, portanto, “musculava-se”, já, para assumir o poder absoluto. Até ao fim dos seus dias, igualmente. Era uma “república” sui generis. Pontificava o papa Pio XI (259º), cuja mais conhecida encíclica foi a Quadragesimo Anno, de 1931, publicada no quadragésimo aniversário da Rerum Novarum, de Leão XIII. Na sua encíclica “estabeleceu que a Igreja não se submeteria nem ao capitalismo nem ao comunismo”.

Esse distante ano de 1927, em que David Mourão-Ferreira nasceu, foi o ano em que

- o governo criou, junto do Governo Civil de Lisboa, uma polícia especial de informação de carácter secreto (05JAN);

- Jaime Cortesão e Raúl Proença, fundadores do grupo Seara Nova, são demitidos dos cargos de director da Biblioteca Nacional de Lisboa e de director dos serviços técnicos da mesma biblioteca (16FEV);

- sai, em Coimbra, o 1º número da revista de arte e crítica Presença, que perdurará até 1940 e que foi fundada por José Régio, João Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca e Edmundo Bettencourt (10MAR);

- nasceu Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI (16ABR);

- são assaltadas e vandalizadas as instalações do diário A Batalha, por elementos afectos à ditadura militar (06MAI);

- é encerrada a sede da Confederação Geral dos Trabalhadores, na Calçada do Combro (02NOV);

- nasce o líder cubano Fidel Castro (13NOV);

- se realizou, em Lisboa, uma manifestação de estudantes contra a ditadura militar, onde se destacaram alunos da Faculdade de Direito da capital, tendo vários deles sido detidos (01DEZ).

Ou seja, o recém-nascido regime prometia. Ainda tão recente e já quase em velocidade de cruzeiro.

O próprio D. Mourão-Ferreira conheceria, pessoalmente, em 1963, o sabor amargo da ditadura.

“Eu venho de Portugal:
o mesmo é dizer que venho
de longe, do litoral,
e um sabor, no corpo, a sal
definiu meu Fado estranho.
Aqui me tens, donde venho:
eu venho de Portugal...”

(escreveria, mais tarde)

David de Jesus Mourão-Ferreira, viveu uns bem intensos e preenchidos 69 anos (morreu, vai para dez anos, em 16JUN1996): foi poeta, ficcionista, ensaísta, crítico literário, dramaturgo, tradutor e professor universitário.

Há quem o considere um dos nossos maiores poetas da segunda metade do séc XX.

Uma breve biografia e uma pequena colectânea de poesia de David Mourão-Ferreira, com cerca de dez ou onze poemas.

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Faz hoje 17 anos (1989): o governo iraniano sentencia o escritor, nascido na Índia, Salman Rushdie à morte, por causa dos seus Versículos Satânicos.

Pouco antes da sua própria morte (03.06.1989), o Ayatollah Khomeini incita os muçulmanos a assassinarem Salman Rushdie.

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Aconteceu há 15 anos (1991): começa a Guerra do Golfo com uma ofensiva terrestre das forças aliadas contra as tropas iraquianas, no Kuwait, às 01:28, hora de Lisboa, com o avanço de um milhão de soldados e dez mil blindados.

Depois desta grande ofensiva outra viria, em 17.12.1998, a “Operação Raposa do Deserto”:foram quatro dias de bombardeios aéreos dos EUA e do Reino Unido contra o Iraque, com o objectivo de debilitar a capacidade iraquiana de fazer e usar armas de destruição em massa após Bagdad ter sido acusada de interromper a cooperação com os inspectores de armas da ONU.

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Estão decorridos 3 anos (2003): Timor Lorosae (vulgo Timor-Leste) toma o lugar do 115º Estado membro do Movimento dos Não-Alinhados.

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