quarta-feira, março 16, 2011

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

.
Recordo:

Este é o espaço em que,
habitualmente,
faço algumas incursões pelo mundo da História.
Recordo factos,
revejo acontecimentos,
visito ou revisito lugares,
encontro ou reencontro personalidades.
Relembro datas que são de boa recordação, umas;
outras, de má memória.
Mas é de todos estes eventos e personagens que a História é feita.
Aqui,
as datas são o pretexto para este mergulho no passado.
Que, por vezes,
ajudam a melhor entender o presente
e a prevenir o futuro.
.
.

ESTAMOS NA QUARTA-FEIRA DIA 16 DE MARÇO DE 2011 (MMXI) DO CALENDÁRIO GREGORIANO

Que corresponde ao
Ano de 2764 Ab Urbe Condita (da fundação de Roma)
Ano 4707 a 4708 do calendário chinês
Ano 5771 a 5772 do calendário hebraico
Ano 1432 a 1433 do calendário islâmico

Mais:
DE ACORDO COM A TRADIÇÃO, COM O CALENDÁRIO DA ONU OU COM A AGENDA DA UNESCO:
De 2003 a 2012 - Década da Alfabetização: Educação para Todos.
de 2005 a 2014 - Década das Nações Unidas para a Educação do Desenvolvimento Sustentável.
de 2005 a 2015 - Década Internacional "Água para a Vida".

Por outro lado
2011 é o ANO EUROPEU DO VOLUNTARIADO

e

é, também, o ANO INTERNACIONAL DA QUÍMICA

.
.

Alguns dos eventos que hoje se comemoram

.
.
Foi há 37 anos (1974), um SB: tentativa frustrada de golpe militar, desencadeado por uma coluna que saiu do Regimento de Infantaria das Caldas da Rainha, sob o comando do capitão Armando Marques Ramos, e que foi neutralizada pelas forças governamentais. Américo Tomás era o PR. Marcelo Caetano o PM. Paulo VI (262º), o papa reinante.


A primeira reunião do embrionário movimento que havia de derrubar a ditadura deu-se em Bissau na TR dia 21 de Agosto de 1973.
Menos de três semanas (20 dias) depois, e já em Portugal, numa reunião de oficiais das Forças Armadas, realizada no DM dia 9 de Setembro de 1973, certo que a partir dum pretexto reivindicativo de carácter corporativista, nasceu o Movimento de Capitães, embrião do MFA, com a assinatura de 400 oficiais do quadro no activo.
Ao cabo e ao resto o que se pretendia, mesmo, era dar o safanão final que deitasse por terra um regime em ruínas, contrariando as teses integracionistas da direita radical do que se autodenominou Congresso dos Combatentes do Ultramar. (Passe a blague: a única e mais importante coisa com que aquele congresso se não preocupou foi com as suas vítimas: os “ultramados”, quer entre a população indígena, quer entre a população branca!)

Um toque dos exageros em que a direita mais radical se envolveu e do desnorte cada vez mais evidente do Governo está no ataque da população branca da Beira (Moçambique) aos militares aí estacionados em Janeiro de 1974.

De realçar é o tão curto lapso de tempo decorrido entre o despoletar da magna ideia (o derrube do regime, nos tais idos de Agosto de 73) e a execução do golpe, (na festiva QI 25.04.74): cerca de oito meses, apenas, depois. Mas oito meses de muita discussão, de alguns sacrifícios, de muito risco, de grande e impressionante amadurecimento de tão responsável e histórica decisão.

Passemos uma sintética vista de olhos pelos acontecimentos que, nesse ano de 74, precederam o glorioso dia 25 de Abril, onde se falará, como é evidente, com mais algum desenvolvimento, da data que hoje se comemora:
- SX 22.02.74: ia a gestação do fenómeno com seis meses decorridos e é publicado o livro de Spínola, “Portugal e o Futuro”que, conquanto não envolvesse qualquer arrojado projecto foi o suficiente para abanar o regime, particularmente o seu líder, Marcelo Caetano.
- 12 dias depois, na TR 05.03.74, numa reunião de cerca de 200 oficiais dos três ramos das Forças Armadas, em Cascais, no atelier do arq. Braula Reis, é pela primeira vez abordada a possibilidade do fim da guerra colonial e o estabelecimento de um regime democrático, mediante o derrube da ditadura. Nessa reunião é aprovado o documento programático «O "Movimento" das Forças Armadas e a Nação», apresentado pelo Major Melo Antunes.
Outra novidade dessa reunião de Cascais é a participação, pela primeira vez, de ex-oficiais milicianos que aderiram ao Movimento.
- decorridos três dias, na SX 08.03.74, e na sequência da reunião de Cascais (não esqueçamos que a PIDE já estava a par do que se passava, embora eu creia que não muito profundamente) algumas das figuras de proa do Movimento são transferidas pelo Governo, com o óbvio objectivo de enfraquecer o Movimento: os capitães Vasco Lourenço e Carlos Clemente para os Açores, Antero Ribeiro da Silva para a Madeira e David Martelo para Bragança. Dois apontamentos de curiosidade: o Capitão Clemente é levado à força para o aeroporto, mas elementos do Movimento conseguem raptar e esconder os capitães Vasco Lourenço e Ribeiro da Silva.
No dia imediato,
- SB 09.03.74, os Capitães Vasco Lourenço e Ribeiro da Silva decidem apresentar-se no Quartel-general da Região Militar de Lisboa, na companhia do Capitão Pinto Soares: são os três detidos e enviados para a Casa de Reclusão Militar da Trafaria.
- Dois dias depois, na SG 09.03.74, Marcelo Caetano, num golpe de teatro, pede a demissão em carta dirigida a Américo Tomás, como que assumindo responsabilidade pelo livro de Spínola acabado de sair nas bancas. É claro que teve a manifestação de confiança do Presidente que não aceitou a demissão.
Mais: numa encenação própria de qualquer ditadura, três dias depois, na QI 14.03.74, Marcelo recebe Oficiais-generais dos três ramos das Forças Armadas, acção com que se pretendia mostrar ao Mundo (que tanto o contrariava) lealdade e apoio ao Governo; e que, ao fim e ao cabo, tudo estava sob controlo. Marcelo Caetano afirmou em agradecimento, talvez com pouca convicção: «O país está seguro de que conta com as suas Forças Armadas e em todos os escalões destas não poderão restar dúvidas acerca da atitude dos seus comandos»(!). Foi a chamada manifestação da “Brigada do Reumático”.
Mas a essa “chamada” não responderam os então chefe e vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, respectivamente generais Costa Gomes e Spínola. Donde, obviamente,
- a respectiva demissão, no dia imediato, na SX 15.03.74.
A reacção do Movimento (e agora somos chegados ao evento que hoje se comemora) não se fez esperar, e no dia seguinte, no SB 16.03.74 dá-se uma tentativa de golpe militar contra a situação. Mas a que só respondeu o Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha, que marcha sobre Lisboa. Há quem afirme ter sido a ala afecta ao General Spínola que, em reacção às demissões e transferências levadas a cabo, levou por diante esta acção de forma precipitada e sem planificação adequada.
Melhor: há, de facto, duas versões sobre esta acção do 16 de Março: «Numa das versões, terá sido uma tentativa de os seguidores do general Spínola assumirem o controlo do Movimento das Forças Armadas, impedindo os capitães de o liderarem e evitando radicalismos com que não concordavam. Noutra versão, teria sido, pelo contrário, uma manobra para afastar os spinolistas.»
Não sei. E até pode acontecer que tudo se deva a uma terceira hipótese…
A verdade é que os capitães do RI 5 tomaram, nessa madrugada, o comando do quartel e decidiram avançar sobre Lisboa, sob o comando do capitão Armando Ramos.
Mas era evidente que o golpe iria falhar, por falta de coordenação ou por outra razão, conduzindo à prisão de 200 militares, de entre os mais envolvidos no Movimento e no derrube do regime.

Relativamente a este assunto as agências noticiosas distribuíram a seguinte nota: «Na madrugada de sexta-feira para sábado, alguns oficiais em serviço no Regimento de Infantaria 5, aquartelado nas Caldas da Rainha, capitaneados por outros que nele se introduziram, insubordinaram-se, prendendo o comandante, o segundo comandante e três majores e fazendo em seguida sair uma Companhia auto transportada que tomou a direcção de Lisboa.
O Governo tinha já conhecimento de que se preparava um movimento de características e finalidades mal definidas, e fácil foi verificar que as tentativas realizadas por alguns elementos para sublevar outras Unidades não tinham tido êxito.
Para interceptar a marcha da coluna vinda das Caldas foram imediatamente colocadas à entrada de Lisboa forças de Artilharia 1, de Cavalaria 7 e da GNR. Ao chegar perto do local onde estas forças estavam dispostas e verificando que na cidade não tinha qualquer apoio, a coluna rebelde inverteu a marcha e regressou ao quartel das Caldas da Rainha, que foi imediatamente cercado por Unidades da Região Militar de Tomar».
“Após terem recebido a intimação para se entregarem, os oficiais insubordinados renderam-se sem resistência, tendo imediatamente o quartel sido ocupado pelas forças fiéis, e restabelecendo-se logo o comando legítimo. Reina a ordem em todo o País».
“O coronel Ferreira da Silva, na altura do golpe o principal instigador da saída dos militares do Regimento de Infantaria 5 (actualmente, Escola de Sargentos das Caldas da Rainha), admitiu ter telefonado para o R15 (Tomar) informando que a sua unidade iria avançar sobre Lisboa, com ou sem outras adesões, provocando a saída precipitada da unidade em direcção a Lisboa.”
Já em Lisboa, foi mesmo um elemento do MFA, o coronel, digo Capitão Monge, quem, percebendo inequivocamente que o golpe iria fracassar (tal o aparato de forças que a aguardavam), foi ao encontro da coluna militar mandando-a dar meia volta e regressar à base. O que aconteceu.

“Ainda quanto ao 16 de Março, Otelo revelou que o major Casanova Ferreira procurou aliciar unidades militares, sobretudo, os pára-quedistas e a Escola Prática de Cavalaria de Santarém. Contudo, estas recusaram participar face à fragilidade do plano. Casanova Ferreira não desarmou, acreditando que, mesmo sem plano, “basta sair uma unidade para saírem todas as outras atrás.”
O adiamento da revolta proposto por Otelo e aceite por Casanova, seria, contudo, contrariado pelo capitão Virgílio Varela que não acatou a ordem de desmobilização. Os militares do RI 5, apesar das dúvidas que os assaltavam, como foi testemunhado nesta conferência, neutralizaram o seu comandante e saíram em direcção a Lisboa. O 16 de Março estava na rua. Uma aparente derrota, mas um excelente ensaio para a grande vitória do mês seguinte.”
Perante o fracasso desta operação ficaram incumbidos o Major Otelo e os capitães Vasco Lourenço e Vítor Alves (uma das mais proeminentes figuras do MFA) da direcção do Movimento e de uma acção convenientemente planificada.
- Oito dias após, no DM 24.03.74, reúne-se pela derradeira e decisiva vez, clandestinamente, a Comissão Coordenadora do MFA, em casa do Capitão Candeias Valente, onde se decide que o golpe militar derrubador do regime se verificasse entre 22 e 29 de Abril seguinte e que o responsável pelo “Plano Geral das Operações” fosse o Major Otelo Saraiva de Carvalho.
- Quatro dias depois, na QI 28.03.74, e manifestando indisfarçável mal estar, Marcelo aparece na RTP fazendo a última “Conversa em Família”, de que deixo uma nota do seu esclarecimento, de que ele sabia que o Mundo o não aceitava, mas em que esperava (?!) que os portugueses acreditassem:

Derradeira Conversa em Família


- Menos de um mês depois, no DM 21.04.74 é aprovada a versão definitiva do Programa do MFA; e
- no dia seguinte, na SG 22.04.74, concluído o "Plano Geral das Operações: Viragem Histórica", as unidades militares afectas ao MFA ficam à espera do início da operação. Por decisão de Otelo é escolhido o Regimento de Engenharia N.º 1 na Pontinha, para instalar o Posto de Comando das operações.
- No dia imediato, TR 23.04.74, “Otelo Saraiva de Carvalho comunica que as operações militares se iniciariam às 03.00h do dia 25 de Abril e entrega, a capitães mensageiros, sobrescritos fechados contendo as instruções para as acções a desencadear na noite de 24 para 25, com a senha "Coragem" e contra-senha "Pela Vitória" e um exemplar do jornal Época, como identificação, para as Unidades participantes.”
- Enfim, na QA 24.04.74, “o jornal República, em breve notícia, chama a atenção dos seus leitores para a emissão do programa "Limite" dessa noite, na Rádio Renascença.”
Na mesma data Otelo Saraiva de Carvalho faz chegar às mãos do General Spínola a “Proclamação ao País do Movimento das Forças Armadas Portuguesas” para ser lido no dia seguinte.
Ainda na QA dia 24.04, pelas 22 horas começam a reunir-se os elementos do MFA no Posto de Comando, instalado no Regimento de Engenharia N.º 1, na Pontinha: os Tenentes-Coronéis Lopes Pires e Garcia dos Santos, os Majores Otelo Saraiva de Carvalho, Sanches Osório e Hugo dos Santos, o Capitão-Tenente Victor Crespo e o Capitão Luís Macedo.
Quase uma hora depois, às 22:55, Os Emissores Associados de Lisboa transmitem a canção "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, primeiro sinal do MFA, confirmando que tudo corria bem.
Por fim, às 00:25 da QI 25 de Abril de 1974, a canção "Grândola, Vila Morena", composta e interpretada por Zeca Afonso, era transmitida na Rádio Renascença, a emissora católica portuguesa, como segunda senha de sinalização da Revolução dos Cravos e como sinal para confirmar o desencadeamento, já verificado, das operações da revolução.

Vítor Alves – uma das mais eminentes figuras do MFA foi quem substituiu Otelo Saraiva de Carvalho no comando das Operações no Quartel da Pontinha, cerca das 16 horas do dia da revolução e foi ainda o redactor do primeiro comunicado do MFA, divulgado à população, no 25 de Abril.

(fontes: diversas, designadamente o blog Aventar, CITI/Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e um trabalho de “Mapa das Ideias” para a CM de Odivelas)
.
.
.
.

Foi há 18 anos (1993), uma TR: morreu em Lisboa, aos 69 anos, Natália Correia (1923-1993), açoreana, poetisa, romancista, ensaísta e pintora. Era Mário Soares o PR. Pontificava João Paulo II (264º).
Foi directora da revista “Vida Mundial”.
Entre outras, refira-se a sua obra “Dimensão Encontrada”, 1º edição, Edição da Autora, 1957. E também “O Sol nas Noites e o Luar nos Dias”, nºs I e II, Edição Projornal, 1ª edição, 1993.
Foi, também, deputada. Pelo PSD.
Natália Correia era um espírito franco, aberto, alegre, nada conservador, liberal. E a propósito trago à colação uma das suas pertinentes e bem-humoradas “intervenções” na Assembleia da República quando se discutia a legalização do aborto. Numa dessas sessões o infeliz deputado do CDS João Morgado teve uma não menos feliz e polémica intervenção ao afirmar que, em abono da sua tese de proibição do aborto, o acto sexual visava apenas a procriação.
Claro que Natália Correia não ia deixar escapar um momento destes sem o pôr em causa e sem o cobrir de ridículo. E, pouco depois, já circulava pelas bancadas da Assembleia, para gáudio de todos, o seguinte

“«O acto sexual é para ter filhos»
- disse ele
Um poema de Natália Correia
a João Morgado (CDS)


«O acto sexual é para ter filhos – disse com toda a boçalidade, o deputado do CDS no debate anteontem sobre a legalização do aborto. A resposta em poema, que ontem fazia rir todas as bancadas parlamentares, veio de Natália Correia. Aqui fica:

«Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! –
uma vez. E se a função
faz o órgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
Ficou capado o Morgado.»


In Diário de Lisboa, 5 de Abril de 1982”
(e transcrito no II daqueles volumes de “O Sol nas Noites e o Luar nos Dias”, a págs 195)

quarta-feira, março 09, 2011

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

Recordo:

Este é o espaço em que,
habitualmente,
faço algumas incursões pelo mundo da História.
Recordo factos,
revejo acontecimentos,
visito ou revisito lugares,
encontro ou reencontro personalidades.
Relembro datas que são de boa recordação, umas;
outras, de má memória.
Mas é de todos estes eventos e personagens que a História é feita.
Aqui,
as datas são o pretexto para este mergulho no passado.
Que, por vezes,
ajudam a melhor entender o presente
e a prevenir o futuro.
.
.

ESTAMOS NA QUARTA-FEIRA DIA 09 DE MARÇO DE 2011 (MMXI) DO CALENDÁRIO GREGORIANO

Que corresponde ao
Ano de 2764 Ab Urbe Condita (da fundação de Roma)
Ano 4707 a 4708 do calendário chinês
Ano 5771 a 5772 do calendário hebraico
Ano 1432 a 1433 do calendário islâmico

Mais:
DE ACORDO COM A TRADIÇÃO, COM O CALENDÁRIO DA ONU OU COM A AGENDA DA UNESCO:
De 2003 a 2012 - Década da Alfabetização: Educação para Todos.
de 2005 a 2014 - Década das Nações Unidas para a Educação do Desenvolvimento Sustentável.
de 2005 a 2015 - Década Internacional "Água para a Vida".

Por outro lado
2011 é o ANO EUROPEU DO VOLUNTARIADO

e

é, também, o ANO INTERNACIONAL DA QUÍMICA

.
.

Sublinhemos três efemérides que hoje se comemoram:

.

Foi há 932 anos (09.03.1074), um DM: O papa Gregório VII (157º na sucessão a contar com S. Pedro), eleito em meados do ano anterior, excomungou todos os padres casados.
Gregório VII fora frade beneditino. Foi, por excelência, o representante das pretensões temporais do papado medieval. Deu os primeiros passos para a codificação da legislação eclesiástica e foi por insistência sua que o celibato dos padres se tornou COSTUME (ao cabo e ao resto nada mais que isso) na Igreja católica.
Portugal, por essa época, ainda não existia. Cerca de onze anos depois, "por notável coincidência, no mesmo dia em que S. Gregório VII agonizava em Salerno, o rei Afonso VI de Leão conquistava aos mouros a cidade de Toledo (25.05.1085)" (Pe Miguel Oliveira, História Eclesiástica, pág 69).
Ora, Afonso VI era não só rei de Leão como também de Castela – donde a designação de Imperador - e foi o pai de D. Teresa (mãe de D. Afonso Henriques), logo, avô do nosso primeiro rei.
E, já agora, esse mesmo Afonso VI era neto de Afonso V, rei de Leão (m. 1027), porque filho de sua filha D. Sancha, que casou com Fernando de Castela (Fernando Magno - que morreu em 1065) e que levou como dote exactamente o reino de Leão.
Portanto, o nosso primeiro monarca, D. Afonso Henriques, era neto de Afonso VI e trineto de Afonso V. Explicando melhor, temos a seguinte ordem genealógica (mais próxima do início da nacionalidade portuguesa): Afonso V » D. Sancha » Afonso VI » D. Teresa » D. Afonso Henriques.
.
.
.

Decorreram 555 anos, foi a 9 de Março de 1451, uma TR: nasceu Américo Vespúcio, navegador italiano ao serviço da Espanha. Em Portugal reinava D. Afonso V (12º). Na cátedra de Pedro sentava-se Nicolau V (208º).
Américo Vespúcio nasceu no mesmo ano em que se crê que tenha nascido Cristóvão Colombo e um ano antes de ter nascido Leonardo da Vinci.
Seu nome foi dado ao novo continente descoberto por Cristóvão Colombo, a América.
Em 1505, o rei Fernando, o Católico, concedeu-lhe a cidadania castelhana.

Recapitulando a matéria – e porque vem a propósito: Cristóvão Colombo partiu do porto andaluz de Palos, a 3 de Agosto de 1492, com três pequenos navios, o Niña, o Pinta, e o navio almirante, por ele comandado, o Santa Maria, com a intenção de chegar à Índia (que ele pensava atingir rumando a Ocidente, atravessando o Atlântico). Mas a viagem terminaria na América… (A equipa de assessores de D. João II, nesta matéria, é que tinha razão).

«Ao cair a noite de 11 de Outubro
D. Cristóvão pensa ter visto ao longe uma luzinha.
Mas cala, ajoelha-se e reza.
Amanhã será o fim do prazo prometido.
Possa ele ser amparado pelo que seu Anjo da Guarda...
Às duas da madrugada de 12 de Outubro,
mas a lua a cintilar sobre as ondas, do alto da Pinta um gajeiro grita:
- Terra, aleluia, agora é terra, é mesmo terra!
Realmente a palidez de um areal.
Mais ao longe colinas e montes, sombreado.
Trinta e três dias de viagem. Chega a alvorada e desembarcam.
Ajoelham-se na praia. Benzem-se, oram, contrição.
Um povo desnudo e pacífico contempla-os. Os corpos cor do cobre, os olhos rasgados. Não será Cipângu. Não será Catai ainda.
Mas certamente a Ásia, certamente a Índia.
D. Cristóvão aponta, define: - Índios ! São índios !
O Anjo assopra-lhe que tem razão.
(…)
Primeira ilha da Ásia recém descoberta por Ocidente!
Como se chama ? O Anjo assopra e D. Cristóvão dá-lhe o nome de S. Salvador.
Está perto do continente [um novo continente que virá a ser chamado América, porque será Américo Vespúcio o primeiro a divulgar as aventuras que nele viveu – esclarece o autor], sabe disso. Irá pisá-lo mais tarde, numa próxima viagem».
(Excertos de Vidas Lusófonas, Online, de Fernando Correia da Silva)
Índio, indígena ou nativo americano são nomes dados aos habitantes da América antes da chegada dos europeus, e os seus descendentes actuais. O termo "índio" provém do facto de que Cristóvão Colombo, quando chegou à América, estava convencido de que tinha chegado à Índia, haja em vista que o gentílico espanhol para a pessoa nativa da Índia é índio, e dessa maneira chamou os povos indígenas que ali encontrou. Por essa razão também, ainda hoje se refere às ilhas do Caribe como Índias Ocidentais.
Porém, a hipótese mais aceite e verosímil para a sua origem é que os primeiros habitantes da América tenham vindo da Ásia atravessando a pé o Estreito de Bering, no final da idade do gelo, há 12 mil anos.


Vê-se aqui a evolução do trecho de terra que ligava o nordeste asiático às Américas. A teoria mais aceite para a origem dos ancestrais dos povos ameríndios, é a de que eles seriam povos nómadas caçadores-colectores (logo, situando-se, no tempo, entre os 2,5 milhões de anos a.C. e 10 000 a.C.) que atravessaram a pé este trecho que ligava o continente asiático à América e uma vez na América, foram migrando em direcção ao sul. Uma das etnias ameríndias que tem mais parentesco com os povos do nordeste asiático são os esquimós.

Explicitando melhor, até recentemente, a interpretação mais largamente vencedora, baseada nos achados arqueológicos, era de que os primeiros humanos nas Américas teriam vindo numa série de migrações da Sibéria para o Alasca através de uma língua de terra chamada Beríngia, que se formou com a queda do nível dos mares durante a última idade do gelo, entre 24 e 9 mil anos atrás. (Imagem e anotação da Wikipédia)
.
.
.
.
Estão decorridos 493 anos (09.03.1513), foi numa QA: Giovanni di Lorenzo de Medicis é eleito papa, escolhendo o nome de Leão X. Em Portugal reinava D. Manuel (14º).

A subida ao trono de D. Manuel I foi um
autêntico caso de pura e rara fortuna
para a qual contribuíram bem diferentes situações:
na realidade nada faria prever que, ao nascer em Alcochete no último de Maio de 1469,
D. Manuel viesse a ser Rei de Portugal.
Vejamos:
A linhagem normal sucessória (digamos assim) que começara no filho primogénito
(porque varão) de D. Duarte, D. Afonso V,
e se transmitira ao filho do Africano, o príncipe perfeito, D. João II,
foi aqui interrompida, por falta de sucessor legítimo.
Efectivamente, D. Afonso V, que ficara viúvo com menos de 24 anos,
morreu 25 anos depois sem ter casado de novo nem ter tido mais filhos.
D. João II teve, de facto um filho, D. Afonso, que morreria,
já casado mas sem filhos, muito novo, em 1491,
num desastre de cavalo na Ribeira de Santarém.
Por outro lado, D. João II morreu também muito novo (com 40 anos)
e tinha apenas uma irmã que seguira a vida religiosa (Santa Joana Princesa).
Ou seja, no momento da sucessão ao trono (Outubro de 1495)
houve necessidade, de recorrer a outra linhagem,
à do segundo filho de D. Duarte, D. Fernando, 2º duque de Viseu que,
porém, também perecera antes daquela data, em 1470.
Assim, seria na descendência de D. Fernando que recairia a herança do trono.
Mas, o mais curioso é que, da sua vasta prole masculina,
todos os filhos de D. Fernando, à excepção do mais novo, D. Manuel
(D. João, D. Diogo, D. Duarte, D. Simão e D. Dinis),
morreram até 1484.
Quem poderia, pois, prever na data do nascimento do duque de Beja
- o mesmo D. Manuel -
que ele, fora da linha normal sucessória
e, mesmo aventando a mais remota hipótese de sucessão da linha secundária,
ocupando um longínquo sétimo lugar, viria a ser rei de Portugal?
Tirando os casos de D. Afonso Henriques e de D. João IV,
D. Manuel viria, mesmo, a ser o único rei que não era filho de rei
(aliás, não contando com D. Sebastião,
que não sendo, também, filho de rei era, contudo, neto
– de D. João III, tal como D. Manuel era neto de D. Duarte –
com uma diferença entre ambos:
é que D. Sebastião sucedeu naturalmente ao avô, enquanto que o Venturoso, não.
Este sucedeu ao primo – e cunhado – D. João II)
- Colecção Reis de Portugal, do Círculo de Leitores, XIV, D Manuel I, de João Paulo Oliveira e Costa,2005, pág 25

Voltando ao fio da meada, curiosamente, quer o papa quer o monarca português morreram em datas muito próximas: Leão X a 01.12.1521, D. Manuel, onze dias depois, a 12.12.
Leão X (217º), era filho de Lourenço de Medicis, o Magnífico. E como sabemos, Lourenço reunia na sua corte uma notável plêiade de artistas, filósofos, humanistas, homens de letras e de ciências, tornando-se o mais generoso dos mecenas.
Os Médicis deram à Igreja 3 papas: o acabado de referir Giovanni L. de Medicis, Leão X (217º), que foi papa de 1513 a 1521; Júlio de Médicis, que adoptou Clemente VII (219º), contemporâneo do nosso rei D. João III, cujo pontificado decorreu de 1523 a 1534; por fim Leão XI (232º), Alexandre Otaviano de Médicis (1535–1605), cujo pontificado – no tempo em que reinava em Portugal Filipe II – apenas durou 26 dias, de 1 a 27 de Abril de 1605. Há, porém, quem considere um quarto papa Médicis, o Papa Pio IV (1559-1565), nascido Giovanni Angelo de Medicis, de pais modestos, que nem pertenceriam ao ramo principal da família, mas que adoptou o seu brasão.

Mas recuemos um pouco: em síntese diremos que Salvestro de Médicis (1331-1388), obscuro ditador de Florença, expulso e desterrado em 1382, assim como Averardo Bicci de Medicis, também pouco abastado, terão sido dois dos fundadores da que se tornaria famosa família de banqueiros de Florença.
João de Bicci de Médicis (1360–1429), filho daquele Averardo, banqueiro, foi quem restaurou a fortuna da família que se tornou a mais rica da Europa, e este é que é geralmente apontado como o fundador da poderosa e famosa família dos Médicis. Mas seu filho, Cosme de Médicis (Cosmo, o Velho (1389–1464), é que costuma ser considerado o fundador da dinastia política dos Médicis.
Poderemos, contudo, recordar outros Médicis renomados que ocuparam vários tronos na Europa, além dos mencionados que passaram pela cadeira pontifícia. Entre os primeiros contam-se Lourenço de Médicis (Lourenço, o Magnífico (1449–1492), governante de Florença durante a Idade de Ouro da Renascença; Cosme I de Médicis (Cosimo I, o Grande: 1519–1574), primeiro Grão-Duque das Toscana; Catarina de Médicis (1519–1589), Rainha de França, mulher de Henrique II; Maria de Médicis (1573–1642), Rainha e Regente de França e Francesco I de Medicis, Grão-Duque da Toscana, filho de Cosimo I, a quem sucedeu como regente em 1564 casou com Joana de Áustria de quem teve 7 filhos. Joana foi a filha mais nova de Fernando I, Sacro Imperador Romano e Ana da Boémia e da Hungria. Pelo casamento, ela era a princesa da Toscana Grande e mais tarde a Grã-Duquesa da Toscana. Uma de suas filhas foi a já mencionada e famosa Maria de Médicis , a segunda mulher do rei Henrique IV de França.


Assim, Médicis é o nome da mais célebre família ducal da república florentina. E recordo que foi principalmente Giovanni (de Bicci) de Médicis (falecido em 1429) – o banqueiro mais rico da Itália - o iniciador da grandeza da família, que deixou aos seus dois filhos - (Cósimo e Lourenço) uma herança de riqueza e honrarias nunca até então igualadas.
Com Cosme de Médicis (Cósimo de Medici: 1389-1464), a quem chamaram “Pai da Pátria”, começou a época gloriosa dos Médicis. E com o neto deste, Lourenço, o Magnífico (1449-1492), Florença atinge o apogeu, quer no poder político, como nas realizações artísticas, nas letras, nas artes plásticas.

Voltando aos papas da família Médicis, no dia 21 do mês anterior (Fevereiro de 1513) finara-se o antecessor de Leão X, o papa Júlio II.
Leão X nasceu em Florença, na família Medici, recordo de novo, (João de Médicis de seu nome, como vimos) em 11.12.1475. "Deram-lhe uma educação brilhante. Desde os sete anos recebera grandes benefícios eclesiásticos e aos 12 anos era cardeal." Por morte de Júlio II foi eleito papa, com apenas 37 anos de idade.
Tomou diversas providências em matéria religiosa.
Foi patrono das artes e das letras.
Em política, lutou pela independência da Itália do domínio estrangeiro.
Manteve relações amistosas com o nosso rei D. Manuel I, por mor dos empreendimentos missionários dos portugueses em África e na Ásia.

De início não se apercebeu de todo o perigo e toda a gravidade que envolvia o movimento de Martinho Lutero. Tentou, mesmo, o diálogo com ele, mas acabou por excomungá-lo, pedindo a Carlos V que o prendesse. Era mais um príncipe esclarecido e magnânimo, do que um homem de Igreja zeloso ou um asceta.

Foi a este papa que D. Manuel I enviou a célebre embaixada, em 1514, chefiada por Tristão da Cunha. E por esse motivo Leão X conferiu ao monarca português a Rosa de Ouro e um chapéu e uma espada benzidos por ele na noite de Natal.
Em 1514 criou o bispado do Funchal.

Em 15.04.1516, uma Terça, beatificou a Rainha Santa Isabel, mulher de D. Dinis, a instâncias de D. Manuel, por breve dessa data e “só para Coimbra e seu bispado”. (A mesma Isabel de Aragão seria canonizada em 25.05.1625, pelo papa Gregório XV (234º), no reinado de Filipe III)

Em 1517 elevou ao cardinalato o infante D. Afonso, que contava apenas 8 anos de idade.
Esmiuçando, porque curioso:
o Infante D. Afonso nasceu em 1509. Era filho de D. Manuel I,
que pretendera fazê-lo nomear cardeal aos 3 anos de idade!
Mas o pedido foi indeferido por inconstitucionalidade:
o concílio de Latrão estipulara que não podia ser “dada catedral a menores de 30 anos”.
D. Manuel I conseguiu, no entanto, que o Infante fosse investido no arcebispado de Braga, ainda criança.
E, pouco depois, tendo enviado ao Papa a famosa embaixada de Tristão da Cunha, em 1514,
com as primícias dos descobrimentos
(até um elefante, como nos recordamos todos, fazia parte dessa luxuriante embaixada)
e testemunho de obediência,
acabou por conseguir que o Papa Leão X elevasse a cardeal o Infante D. Afonso,
aos oito anos, em 1517.
Foi o 10º cardeal português.

Segundo Canaveira, Leão X (217º), para encher o Vaticano das obras de arte que tanto apreciava, abusou das indulgências e dividiu para sempre a "christianitas". Foi ele, e não o monge agostinho de Vitemberga (Martinho Lutero), que ele excomungou através da bula Exsurge, de 15.06.1520), o verdadeiro causador da Reforma protestante.

Voltando à arte, uma curiosidade:
diz-se que o qualificativo gótico/gótica, para designar o estilo ou a arte que nascera e se desenvolvera no Norte da França, teve origem numa comunicação de Rafael ao papa Leão X.
Aí era referida a arte gótica num sentido pejorativo, onde gótica equivalia a bárbara - o que se compreende se nos lembrarmos que se vivia, então, o apogeu da Renascença clássica.

A Leão X sucedeu Adriano VI (218º), que era holandês (em termos actuais) e foi o último papa não italiano até João Paulo II (264º), 456 anos depois, o polaco que o século, recentemente, conheceu como Karol Józef Wojtyła (1920–2005), Sumo Pontífice de 16 de Outubro de 1978 até a sua morte em 2.4.2005 (26 anos), a quem sucedeu o cardeal alemão Ratzinger (1927), o pontífice actual, Bento (ou Benedito) XVI.


Uma última nota:
“Leão X (1513-1521) [...] os registos de sua carreira resumem aquele tempo com todas as suas tendências. Ele tinha recebido o chapéu [cardinalício] do papa Inocêncio VIII, na idade de 13 anos – uma condição entre o papa e seu pai, Lourenço, o poderoso governante de Florença – até então contra os pontífices. Leão X, no seu 1° consistório, deu o chapéu a um neto de Inocêncio VIII, o qual era também seu próprio sobrinho, pois – segundo item do pacto – a irmã de João de Médici (Leão X) se tinha casado com o filho natural deste papa.”
(Fonte: HUGHES, Philip. História da Igreja Católica. Dominus Editora S.A. São Paulo, 1962)
.
.
.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

.
Recordo:

Este é o espaço em que,
habitualmente,
faço algumas incursões pelo mundo da História.
Recordo factos,
revejo acontecimentos,
visito ou revisito lugares,
encontro ou reencontro personalidades.
Relembro datas que são de boa recordação, umas;
outras, de má memória.
Mas é de todos estes eventos e personagens que a História é feita.
Aqui,
as datas são o pretexto para este mergulho no passado.
Que, por vezes,
ajudam a melhor entender o presente
e a prevenir o futuro.
ESTAMOS NA QUINTA-FEIRA DIA 24 DE FEVEREIRO DE 2011 (MMXI) DO CALENDÁRIO GREGORIANO

Que corresponde ao
Ano de 2764 Ab Urbe Condita (da fundação de Roma)
Ano 4707 a 4708 do calendário chinês
Ano 5771 a 5772 do calendário hebraico
Ano 1432 a 1433 do calendário islâmico

Mais:
DE ACORDO COM A TRADIÇÃO, COM O CALENDÁRIO DA ONU OU COM A AGENDA DA UNESCO:
De 2003 a 2012 - Década da Alfabetização: Educação para Todos.
de 2005 a 2014 - Década das Nações Unidas para a Educação do Desenvolvimento Sustentável.
de 2005 a 2015 - Década Internacional "Água para a Vida".

Por outro lado
2011 é o ANO EUROPEU DO VOLUNTARIADO
e
é, também, o ANO INTERNACIONAL DA QUÍMICA

.
.
Ora

Foi há 1708 anos, a 24.02.303 (terá sido numa QA, de acordo com o calendário actual), que Galério ordenou, por édito, a perseguição dos cristãos.
De Portugal, nem de projecto, ainda, se falava. Mas a Lusitânia já existia de há muito. Augusto, recordo, já antes, no séc I, a tinha dividido em quatro distritos ("conventus"): Mérida, Beja, Braga e Santarém…

Pontificava o papa Marcelino (29º) que era romano e foi eleito em 30.06.296 suportando, no seu pontificado, violentas perseguições movidas pelo imperador Diocleciano aos cristãos.
Caio (ou Gaio) Galério Valério Maximiano – aliás Caius (ou Gaius) Galerius Valerius Maximianus – era, desde 293, um dos tetrarcas que governavam o império romano. Era césar, juntamente com Constâncio I (Constâncio Cloro), pai de Constantino, sendo, na ocasião, augustos, Diocleciano (com uma filha do qual casou) e Maximiano.

César (em latim: Caesar) é um título atribuído a uma pessoa de dignidade imperial. Sua origem está no nome de Caio Júlio César. Na sua forma original, o título foi usado no Império Romano, no Império Bizantino e no Império Otomano. A variante "Czar" foi utilizada no Império Búlgaro (913-1018, 1185-1442), na Bulgária (1908-1946, no Império Russo e na Sérvia (1346-1371). No Império Austríaco, Império Austro-Húngaro e Império Alemão, o título teve a forma de kaiser (do grego Καίσαρ (Kaisar). No uso comum, o termo pode ser usado como sinónimo de imperador. Na acima mencionada tetrarquia de Diocleciano, César era um título que correspondia aos imperadores juniores, assistentes dos Augustos, imperadores seniores.
César (Caesar), foi um título concedido aos 11 primeiros imperadores romanos, cuja origem remete ao nome de Caio Júlio César, que os precedeu.


Tetrarquia:
sistema de governo criado por Diocleciano:
atendendo à enorme extensão do Império, ao número e à magnitude dos problemas,
o imperador dividiu-o em Império Ocidental e Império Oriental,
sendo superiormente dirigida, cada uma dessas metades,
por um Augusto (imperador sénior) e um César (imperador júnior).Reportando, naturalmente, este àquele.

Galério arquitectou a renúncia dupla de Diocleciano e Maximiano (305) e, com Constâncio I, tornou-se augusto. Conseguiu que seu sobrinho Maximino (Caio Galério Valério Daia) e o seu amigo Severus II (Flávio Valério Severo), fossem nomeados césares, na formação do novo governo tetrarca.
Galério tornou-se assim imperador do Oriente, a quem reportava seu sobrinho, o césar Maximino, que era governador dessa metade do império.


Seguiu-se o descalabro e o descrédito das entidades máximas que dirigiam o império,
que chegaram a ter de se confrontar com sete pretendentes àqueles cargos,
cada qual com o seu exército.


Ora, Galério insistiu junto dos outros tetrarcas que seria de interesse público acabar com o cristianismo e partiu para a destruição de edifícios e livros (303) e, no ano seguinte, institui a pena de morte contra os seus praticantes.

Os cristãos tinham tido uma época de relativa paz durante uma parte do reinado de Diocleciano. Mas as perseguições recomeçaram após aquele édito de Galério, o que incluiu a destruição das suas casas para impedir que se organizassem para reacções insurreccionais.
Porém, pouco antes de morrer (30.04.311) Galério publicou um édito de tolerância para com os cristãos, na esperança de os cativar, ele que anteriormente os perseguira cruel e violentamente e sempre fora um activo partidário do paganismo.
.
.
.
Passaram 543 anos (24.02.1468), e foi numa QA (segundo o actual calendário): pensa-se que terá morrido nesta data o alemão Johann Gutem­berg, inventor da imprensa. No Sacro Império Romano-Gernânico reinava o imperador Frederico III (1439-1493). Em Portugal reinava D. Afonso V (12º). No Vaticano pontificava Paulo II (211º).

"A invenção da imprensa é o maior acontecimento da história.
É a revolução mãe...
é o pensamento humano que larga uma forma e veste outra...
é a completa e definitiva mudança de pele dessa serpente diabólica, que,
desde Adão,
representa a inteligência."
Victor Hugo

.
Foi assim que esse grande vulto das letras registou em Nossa Senhora de Paris, em 1831, quase quatro séculos depois da descoberta de Gutemberg, o impacto e a revolução que terá representado o novo engenho entre a gente letrada e culta da época.

Hoje, alguns não podem deixar de esboçar um sorriso, com tal avanço.

Aquela observação de V. Hugo foi feita a curtíssima distância, no tempo, (onde é que ele o imaginava!) do gérmen de revolução muito maior ainda: o computador mecânico seria concebido por Charles Babbage em 1835. Mas nunca passou de um mero projecto, até mais de um século depois, até que, em 1943, Thomas Flowers construiu o Colossus, o primeiro computador electrónico.

Mas situemo-nos na época. A imprensa “nunca foi um invento pacífico. Desde os seus começos, a nova arte de imprimir livros provocou temores de toda ordem, pois, para muitos, o livro saído de um prelo, e não da tinta de um monge escriba, tornou-se uma força subversiva, capaz de abalar a fé e de reduzir a autoridade da igreja”.

O primeiro livro impresso pela oficina de Gutemberg foi a Bíblia.

Não obstante (pois isso podia, para tantos, significar um bom presságio), «abrindo a janela do seu claustro, o arcediago dom Cláudio Frollo, apontado o dedo para o imponente edifício da Igreja de Notre Dame de Paris, emoldurada a sua frente por uma noite de estrelas, com a mão sobre um livro, disse ao seu visitante, o doutor Jean Coictier, médico de Luis XI: Ceci tuera cela, "isto há-de matar aquilo" - o livro acabará com a igreja! Mesmo ele sendo um homem de cultura, um apaixonado alquimista, suas palavras denotavam tristeza, porque, afinal, dom Cláudio era um sacerdote e lamentava com aquele gesto o princípio do fim do seu mundo, o da Galáxia Teológica»
Mais recentemente, «as profecias deram para prognosticar o fim da palavra impressa, anunciando para todos os cantos o desaparecimento da Galáxia de Gutemberg» (apud site EducaTerra)

Se até à altura da revolução de Gutemberg o papel era raro, hoje, séculos depois, o mesmo papel é cada vez menos utilizado nesta área. Temos cada vez mais “livros” electrónicos.
Aliás, já em 1945 Vannevar Bush, que dirigia um centro de pesquisa e desenvolvimento científico, nos EUA, descreve um dispositivo chamado Memex "no qual um indivíduo armazenaria todos os seus livros, registos e comunicações", afirmando, mesmo, que "conteúdos de jornais, livros, revistas e artigos, poderiam ser visionados ou comprados a partir de um grande repositório de informações”.
E nos anos 80 de 1900, o mercado de enciclopédias viu os “livros” electrónicos terem um real progresso e sucesso com a publicação das versões electrónicas das enciclopédias em CD-ROMs.

Entre nós, há uns escassos 25/30 anos,
ainda não havia telemóveis, nem cartão de débito/crédito,
a net era ainda uma miragem,
do homebanking nem se falava,
DVD’s nem se sabia o que era, etc., etc., etc.…

Às duas por três… É aquilo a que se assiste!

A revolução tecnológica foi muito mais arrasadora em termos de reflexos na Economia. Mas a revolução da imprensa não creio que venha a ser completamente obnubilada (na História) pela revolução tecnológica. Como o nome de Bill Gates não conseguirá fazer esquecer o de Gutemberg.

Será ousado, ou desadequado, afirmar que o gérmen (vá, um dos gérmenes) da revolução tecnológica (do choque tecnológico, hélas!) está na invenção da imprensa?

Johann Gensfleish von Gutemberg, no entanto, não terá sido o único nome ligado à invenção da tipografia. Contudo foi o mais projectado (mediático, diríamos hoje).

Pensa-se que Gutemberg terá nascido em Mainz, na Alemanha, cerca do ano de 1400. Sabe-se que se exilou em Estrasburgo, por razões políticas. Regressado a Mainz, calcula-se que aí terá falecido, e pobre, em 24FEV1468.
.
.
.
Passaram-se 475 anos (24.02.1536), e segundo o actual calendário foi numa QI: nasceu Ippolito Aldobrandini, que viria a ser o papa Clemente VIII. Em Portugal reinava D. João III (15º). Pontificava Paulo III (220º).

1536 foi o ano em que:
- a pedido do nosso rei, o papa instituiu a Inquisição em Portugal através da bula Cum ad Nihil Magis (23.05);
- Calvino fundou o calvinismo.
- morre o humanista holandês Erasmo (12.07).

Clemente VIII (231º), tinha sido advogado e foi papa de 9 de Fevereiro de 1592 até à sua morte, a 05.03.1605.

Clemente, segundo consta, só mesmo de nome. Que o cognome, segundo os relatos que nos chegam, mais apontam para o implacável.
Foi ele, por exemplo, que, em 17 de Fevereiro de 1600, condenou à morte na fogueira o dominicano Giordano Bruno, que ousou pôr em causa dogmas ou “verdades indiscutíveis” como o da Santíssima Trindade e da virgindade de Maria - este, claro, só proclamado como dogma por Pio IX (255º) pela bula Ineffabilis Deus, de 08.12.1854.
(Claro que, um dia, Giordano Bruno abandonou as vestes dominicanas).

Em 1602, Clemente VIII, com a bula "Incrustabile Divine", fundou a Propaganda, como ficou conhecida a Congregação para a Propagação de Fé ("Congregatio de Propaganda Fide").
Também foi Clemente VIII que, Em 1596, reeditou o Índice de Livros Proibidos, Index Librorum Prohibitorum, instituído em 1559, no Concílio de Trento (1545-1563), presidido pelo papa Paulo IV (223º), por coincidência no ano da sua morte (ele que estava próximo de se tornar octogenário quando eleito em 1555), e quem se deve a reorganização da Inquisição, criada por Paulo III (220º).

A censura de certas obras cuja leitura “punha em risco” a fé e a doutrina cristã foi uma prática cuja idade quase se confunde com a da própria Igreja.
Os índices expurgatórios ou relação dos livros condenados pela Igreja, muitas vezes sintetizados na palavra index, recrudesceram com a invenção da imprensa e com a divulgação das doutrinas fracturantes [quem é que hoje resiste a este termo, ao botar faladura ou escrevinhação?] da ortodoxia católica, a começar pela luterana.

Seria caso para dizer
– perdoe-se-me a prosaica comparação –
que a Igreja adoptara, então, como seu,
o lema, de hoje, de um dos bons blogues da nossa “praça”
(“Grande Loja do Queijo Limiano”),
que reza:
“Não deixe que a Verdade estrague uma boa história”.

Em 1543, surgia um primeiro catálogo de obras proibidas, do papa Paulo III (220º), em Veneza, e, em 1546, o mesmo era feito em Lovaina, e logo noutras cidades e países europeus. E até em Portugal surge, logo de seguida, o primeiro índice condenatório, redigido com a supervisão do cardeal D. Henrique, irmão do monarca então reinante, D. João III (15º), no ano da graça de 1547, por sinal o mesmo em que se estabeleceu definitivamente a Inquisição em Portugal. Doze anos depois, em 1559, foi promulgado o primeiro Index geral da Santa Sé, o aludido Index Librorum Prohibitorum que se manteve em vigor até 1900, ano em que foi substituído.

De sublinhar é que obras de renomados cientistas, filósofos, escritores, enciclopedistas e até pensadores tenham pertencido a esta lista. Por exemplo, Galileu, Copérnico, Erasmo, Espinosa, Locke, Berkeley, Diderot, Pascal, Hobbes, Descartes, Montesquieu, David Hume, Kant, Dumas (pai e filho), Voltaire, V. Hugo, Zola, Stendhal, Flaubert, Anatole France, Balzac e Sartre. Para só citar alguns.

E recordo que o Index Librorum Prohibitorum de 1551 incluía já sete das obras de Gil Vicente.


Voltando atrás, ainda em Portugal – e paralelamente – com Pombal, a abolição da censura eclesiástica levou a que fosse a Real Mesa Censória, sob a autoridade da coroa, a fiscalizar a publicação de obras laicas e religiosas, tendo como missão uma reforma do aludido índice. Posteriormente, em 1821 – já com D. João VI (27º) -, com o fim da Santa Inquisição, passou a ter força de lei, em Portugal, apenas o Índice Romano da Congregação do Santo Ofício, que sofreu várias revisões até 1948.

Mas o último, publicado pela Santa Sé, foi o de Pio XI (com a designação do antigo Índex librorum…) em 1938.

O índice foi abolido apenas em 1966 com o papa Paulo VI.

O concílio Vaticano II, apoiando-se numa declaração sobre a liberdade religiosa, retirou o valor jurídico do documento em 1967.
.
.

É inevitável fazer a ponte.

Mas mais importante (não estou certo que seja mais… São todas muito importantes, naturalmente), mas dizia eu, mais importante que a da Popaganda terá sido a Congregação para a Doutrina da Fé, a mais antiga das nove congregações da Cúria Romana, um dos órgãos do Vaticano. Antes chamara-se “Congregação da Inquisição da Igreja Católica Romana”.

A Congregação para a Doutrina da Fé foi fundada pelo Papa Paulo III, em 21 de Julho de 1542, com o objectivo de defender a Igreja da heresia. É historicamente relacionada com a Inquisição.

Até 1908 era denominada como Sacra Congregação da Inquisição Universal quando passou a se chamar Santo Ofício. Em 1967, uma nova reforma durante o pontificado de Paulo VI mudou para o nome actual.

O actual Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé é o arcebispo americano de San Francisco, William Joseph Levada, de 68 anos, desde Maio de 2005, nomeado pelo papa Bento/Benedito XVI. Assim, o actual censor oficial do Vaticano sucedeu, nesse cargo, ao Cardeal Joseph Ratzinger (que o foi de Novembro de 1981 a Abril de 2005), actual papa reinante.

Mas, bem vistas as coisas, nem é surpreendente que a igreja católica romana tenha praticado a censura. É uma característica comum nas religiões: muitas a exerceram e/ou continuam a exercer.
.
.
.
Completam-se hoje 429 anos (24.02.1582), e foi num SB: o calendário gregoriano foi promulgado pelo papa Gregório XIII (226º), substituindo o calendário juliano. Em Portugal reinava Filipe I (18º).

Eras e calendários.
Em tempos mais recuados, as datas referidas pelos cronistas peninsulares respeitavam à era de César ou hispânica ou gótica. A partir, no entanto, de D. João I (lei de 15.07.1422), é estabelecido que se passem a referir os anos da era cristã. Para tanto, e sendo necessário fazer a conversão daqueles (era de César) a estes (era cristã), essa conversão faz-se subtraindo 38 anos à era de César, encontrando-se, assim o correspondente ano da era cristã.
No entanto, vigorava o calendário juliano

O ano 1 da era cristã corresponde ao ano 753 (da fundação) de Roma.

Reza a lenda que
os gémeos Rómulo e Remo
eram filhos do deus Marte e de Réia Sílvia.
Foi o avô deles, o rei Numitor,
que lhes deu ordem para fundar uma cidade nas margens do Tibre,
que veio a chamar-se Roma (ano de 753 a.C.).
Conta-se, também, que após a fundação da cidade houve um conflito entre os irmãos para decidir quem seria o rei:
foi aí que Rómulo matou Remo,
tornando-se o primeiro rei de Roma.


"A era hispânica, ou de César, ou safarense, como os árabes diziam, foi abolida em 1422 em Portugal, adoptando-se oficialmente a era de Cristo pelo cálculo pisano, que faz coincidir o ano I com o 39 da era hispânica, de forma que a redução das datas da moda antiga faz-se eliminando trinta e oito anos. A reforma cronológica data de 1422 da era de Cristo (ou 1460 da era de César).
A era cristã fora já anteriormente adoptada em outros estados do que hoje chamamos Espanha: em 1350 no de Aragão, em 1383 no reino unido de Castela-Leão. Havia, porém, várias eras cristãs; a da Encarnação, a do Nascimento e a da Ascensão; havendo além disso o cálculo pisano e o florentino. Pelo primeiro, o nascimento de Cristo é o primeiro dia do ano I; pelo segundo o ano I só começa um ano depois do mesmo nascimento. Para a concordância das datas os dois cálculos diferem pois de um ano.
(Cfr Oliveira Martins/OM, Os Filhos de D. João I, nota 14, pág 21 - que neste passo se socorre de J. P. Ribeiro)

E continua, O. M.:
"Eis aqui o texto da lei nas Orden. afon., VI, 66.
«ElRey Dom Joham de famosa e excellente memoria em seu tempo fez Ley em esta forma que se segue:
I - Manda ElRey a todolos Taballiaães e Escripvaães do seu Regno e Senhorio que daqui em diante todolos contrautos e escripturas que fezerem ponham Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, assi como ante soyam a poer Era de César: e esto lhes manda que façam assi sob pena de privaçom dos Offícios.
II - Poblicado foi assi o dito Mandado do dito Senhor na Cidade de Lixboa per mim Philipe Affonso Loguo-Tenente do Escrivam de Chancellaria nos Paaços d'ElRey perante Diego Affonso do Paão ouvidor na sua Corte que sia em audiencia, aos vinte e dous d'Agosto Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesu Christo de mil quatro centos vinte e dous annos.
III - E vista per nos a dita Ley, mandamos que se guarde como em ella, hé contheudo».
(cfr Oliveira Martins, id, 22).

Isto, no respeitante a eras – já atendendo ao calendário juliano.

Outra era a matéria específica dos calendários.

Os mais primitivos calendários de que a História nos dá notícia, são o hebreu e o egípcio. Ambos tinham um ano civil de 360 dias.
Depois de muitas reformas, por volta do ano 5000 a.C. os egípcios estabeleceram um ano civil invariável de 365 dias, conservando a tradicional divisão em 12 meses de 30 dias, e 5 dias adicionais no fim de cada ano.

Gregório XIII, depois de um longo estudo (cinco anos) - em que um dos cientistas consultados foi o nosso matemático e cosmógrafo Pedro Nunes (1502-1578) - decretou (neste dia em 1582, repito) a reforma do calendário juliano, adoptando-se, a partir de então, o actual - que, por isso, se diz calendário gregoriano. Em síntese (e de uma forma necessariamente grosseira, já que nós - o vulgo - não entendemos os respectivos fundamentos científicos), a questão a resolver era acertar, o mais possível, a diferença - que se vinha acentuando - entre o ano civil e o ano natural.
Antes de mais, tenha-se em conta que o calendário que se reformava já era velho de muitos séculos: era o calendário Juliano, estabelecido em 46 a. C. por Júlio César, e para a introdução do qual encomendou um estudo ao astrónomo grego Solsígenes, da Escola de Alexandria! Calendário que entraria em vigor no ano seguinte: 45 a. C.

Mas o calendário estabelecido pela equipa de Solsígenes era um calendário quase perfeito como reconheceu a equipa nomeada por Gregório XIII

Recordo que os romanos tiveram um diferente calendário. Uma das suas particularidades era a de que os dias 15 de Março, de Maio, de Julho e de Outubro, assim como os dias 13 dos outros meses, eram designados por “idos”.

Calendário, esse (juliano), que a equipa designada pelo papa Gregório XIII, para o reformar (e de que fazia parte um importante astrónomo, Clavius), considerou baseado num sistema quase perfeito.
O calendário juliano era um calendário solar que procurava sintonizar o calendário com as quatro estações do ano. Assim, César impôs que o ano fosse constituído por 12 meses com duração pré-determinada e a adopção de um ano bissexto de quatro em quatro anos.

Consta que no ano anterior ao uso do calendário juliano, foram introduzidos mais dois meses, de 33 e 34 dias, entre Novembro e Dezembro, além dum outro que se seguiu ao de Dezembro, com 23 dias.
Ou seja, aquele ano teve 445 dias, distribuídos por 15 meses. Foi o ano mais longo de sempre – a que se chamou o ano da confusão.

Foi então abolido o calendário lunar dos decênviros (decênviro: cada um dos dez magistrados da República Romana encarregados de codificar as leis –
cfr Infopédia) e adoptou-se o calendário solar, conhecido por Juliano, de Júlio César, que começou a vigorar no ano 709 de Roma (45 a.C.), mediante um sistema que devia desenrolar-se por ciclos de quatro anos, com três comuns de 365 dias e um bissexto de 366 dias, a fim de compensar as quase seis horas que havia de diferença para o ano trópico.
Durante o consulado de Marco António, reconhecendo-se a importância da reforma introduzida no calendário romano por Júlio César, foi decidido prestar-lhe justa homenagem, perpetuando o seu nome no calendário, de maneira que o sétimo mês, Quintilis, passou a chamar-se Julius.
Também no ano 730 de Roma, o Senado romano decretou que o oitavo mês, Sextilis, passasse a chamar-se Augustus, porque durante este mês começou o imperador César Augusto o seu primeiro consulado e pôs fim à guerra civil que desolava o povo romano. E para que o mês dedicado a César Augusto não tivesse menos dias do que o dedicado a Júlio César, o mês de Augustus passou a ter 31 dias.

Assim, para a equipa constituída pelo Papa Gregório XIII para reformar o calendário, a questão a resolver, era a seguinte: para facilitar os cálculos, atribuiu-se ao ano (natural) a extensão de 365 dias e 6 horas. Assim - e de novo para facilitar as coisas - considerava-se que o ano (comum) tinha apenas aqueles 365 dias. Logo, as seis horas que restavam, em cada ano, eram a justificação do acréscimo de um dia, de quatro em quatro anos (ano bissexto).
Porém, o ano natural não tinha mais 6 horas que o ano civil: na realidade aquele tinha a mais que este, apenas 5h 48m 46s. Desta forma, quando, para facilitar cálculos, se entra em linha de conta com aquelas 6 horas, estamos a considerar mais 11m e 14s do que o que deve ser. O que, ao fim de 4 anos, soma quase 45 minutos.

O que a equipa nomeada por Gregório XIII, para se debruçar sobre este assunto, concluiu, foi que nesse ano de 1582 a acumulação daqueles 11m e 14s já somava 10 dias completos.
A reforma gregoriana tinha por finalidade fazer regressar o equinócio da primavera a 21 de Março e desfazer o erro de 10 dias já existente. Para isso, a bula mandava que o dia imediato à quinta-feira 4 de Outubro fosse designado por sexta-feira 15 de Outubro. Como se vê, embora houvesse um salto nos dias, manteve-se intacto o ciclo semanal.

E para que o sistema se aproximasse o mais possível da realidade, determinou-se que os anos de 1700, 1800 e 1900 fossem comuns, e não bissextos, como seria natural. E que a partir daí, a cada três anos seculares comuns se seguisse um ano (secular) bissexto. Nesta ordem de ideias, 2000 foi bissexto; mas 2100, 2200 e 2300 deverão considerar-se comuns.
No fundo, e em resumo, digamos que a regra a respeitar, a partir de então (1582) é a seguinte: o ano é bissexto se for divisível por 4. Porém, no que aos anos seculares respeita, estes só são bissextos se divisíveis por 400.

O calendário gregoriano foi, pois, promulgado pelo Papa Gregório XIII a 24 de Fevereiro do ano 1582 para substituir o calendário juliano. Em alguns países, como em França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e também em Portugal e em Espanha - onde o mesmo rei detinha as duas coroas: Filipe I - esta determinação foi cumprida de imediato. Ou seja: esta determinação foi objecto de disposições legais internas (de cada país) nesse sentido.

Nos países protestantes a recusa foi mais longa. O erudito francês Joseph Scaliger, pelas suas críticas, contribuiu para organizar a resistência. "Os protestantes, dizia Kepler, preferem antes estar em desacordo com o Sol do que de acordo com o Papa".

Noutros, só mais tarde isso aconteceu. Os últimos países a adoptar o calendário gregoriano foram a Turquia, em 1926 e a China, em 1929. Continua hoje, contudo, este calendário, a não ser o único (subsiste, por exemplo, o calendário muçulmano), mas é o calendário dominante em todo o mundo. Por razões óbvias.
.
.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

.
Recordo:

Este é o espaço em que,
habitualmente,
faço algumas incursões pelo mundo da História.
Recordo factos,
revejo acontecimentos,
visito ou revisito lugares,
encontro ou reencontro personalidades.
Relembro datas que são de boa recordação, umas;
outras, de má memória.
Mas é de todos estes eventos e personagens que a História é feita.
Aqui,
as datas são o pretexto para este mergulho no passado.
Que, por vezes,
ajudam a melhor entender o presente
e a prevenir o futuro.



ESTAMOS NA QUARTA-FEIRA DIA 9 DE FEVEREIRO DE 2011 (MMXI) DO CALENDÁRIO GREGORIANO

Que corresponde ao
Ano de 2764 Ab Urbe Condita (da fundação de Roma)
Ano de 4707/08 do calendário chinês
Ano de 5771/72 do calendário hebraico
Ano de 1432/33 do calendário islâmico

A ONU designou o ano de 2011 como O ANO INTERNACIONAL DA QUÍMICA E DAS FLORESTAS.
Mas o ano de 2011 é ainda O ANO EUROPEU DO VOLUNTARIADO

Mais:

DE ACORDO COM A TRADIÇÃO, COM O CALENDÁRIO DA ONU OU COM A AGENDA DA UNESCO:
De 2003 a 2012 - Década da Alfabetização: Educação para Todos.
de 2005 a 2014 - Década das Nações Unidas para a Educação do Desenvolvimento Sustentável. É, ainda, a segunda década internacional para os Povos Indígenas do Mundo.
de 2005 a 2015 - Década Internacional "Água para a Vida".

.
.

.
.
O conflito armado no Sudeste Asiático que ficaria conhecido como Guerra do Vietname - a que os vietnamitas chamam Guerra Americana - durou de 1959 até 30.04.1975. Nela se confrontaram, dum lado, a República do Vietname (Vietname do Sul), do outro, a República Democrática do Vietname (Vietname do Norte) e a Frente Nacional para a Libertação do Vietname (FNL). O envolvimento dos EUA ao lado do Vietname do Sul, que já vinha de trás, desde Eisenhower e Kennedy, foi reforçado com o envio de 500 mil homens (fuzileiros) por ordem de Johnson dessa longínqua Terça-feira 9 de Fevereiro de 1965, há 46 anos.
.
Mas apesar do seu imenso poderio militar os norte-americanos sucumbiram, sendo obrigados à retirada em 1973, na sua quase totalidade, e na sua totalidade em 1975, quando os tanques norte-vietnamitas rebentam os portões do palácio presidencial e o tomam. Dá-se, então, a reunificação do Vietname, para em 1976 se tornar oficialmente na República Socialista do Vietname.

A guerra foi aterradora e de uma violência indescritível.


Da esquerda para a direita e de cima para baixo: ofensiva do Tet;
fuzileiros embarcam nos helicópteros Huey na frente de combate;
massacre de civis em My Lai; soldados incendeiam vilarejo vietnamita
.
.

um bombardeiro norte-americano B-52 bombardeando cidades no Vietname do Norte
durante a Operação Linebacker II, em Dezembro de 1972.
Esta foi a última grande ofensiva americana na guerra,
antes que os Acordos de Paz de Paris fossem assinados
outra imagem duma guerra sem tréguas



O total de vítimas da Guerra do Vietname entre os anos de 1964 até 1975 é impreciso, oscilando entre 1 milhão e meio a dois milhões de vietnamitas mortos, entre civis e militares, para além de milhões de feridos. Já do lado americano, dos dois milhões e trezentos mil homens que aí serviram terão morrido aproximadamente 60 000 soldados e ficado feridos pouco mais de 300 000Durante o conflito, enquanto as tropas do exército do Vietname do Norte travaram uma guerra convencional contra as tropas norte-americanas e sul-vietnamitas, as milícias da FNL (a cujos elementos os americanos chamavam "vietcongs") menos equipadas e treinadas, lutaram numa guerra de guerrilha na região, usando as selvas do Vietname, espalhando armadilhas mortais aos soldados inimigos (como alguns túneis subterrâneos, não contínuos, num total de uns 250 km), enquanto os Estados Unidos se armaram de grande poder ofensivo, em artilharia e aviação de combate, para destruir as bases inimigas e impedir suas ofensivas.

Os famosos túneis de “Cu Chi”, em plena floresta tropical (a cerca de 70 km de Saigão e com uma extensão de cerca de 120 km), como outros noutras zonas, fizeram a diferença no teatro de operações no Vietname, “ferramenta sábia e inteligente” que foi utilizada pelos estrategos vietnamitas contra as tropas norte-americanas.
“Os combatentes vietnamitas, com tipo físico franzino diante dos soldados americanos de estatura e envergadura muito superior, souberam explorar esta vantagem marcante” (in Portal de S Francisco - Geografia do Vietname), o que lhes permitiu camuflar e ocultar seus pequenos grupos de combate em verdadeiros “bunkers” subterrâneos, locais onde jamais os americanos ousaram pisar, sem sérias e graves consequências (mortes inclusive), muitos menos penetrar.



imagem de uma entrada/saída do túnel de Cu Chi (normalmente bem camuflada, claro)

segmento de um corredor do túnel de Cu Chi


uma armadilha (de várias do mesmo género, espalhadas pela floresta de Cu Chi)
que consiste num fosso relativamente profundo, naturalmente bem camuflado,
cujo fundo está cheio de altos espetos de ferro


Além do mais, e a acrescer ao seu maior porte de estatura e envergadura, os soldados americanos lutavam em terreno muito irregular e adverso, como adverso era o clima que tinham de suportar. Mais ainda, os americanos carregavam sempre consigo uns 30 quilos, entre material de guerra, acessórios e mantimentos. Bem ao contrário, mais pequenos, leves e sem transportarem grandes pesos, os vietcongs, bem conhecedores do terreno e habituados ao clima, moviam-se com toda a facilidade.

Vietcongs munidos apenas da sua arma deslocam-se numa patrulha


Os americanos desencadeiam, pois, missões de busca e destruição com o uso de bombardeios maciços, designadamente com armas químicas. Mas não lograram evitar a derrota estrondosa. Foi com os Acordos de Paz de Paris em 1973 que se efectuou a retirada das tropas norte-americanas do país do conflito. Mas a guerra prosseguiu com a luta entre o norte e o sul do Vietname dividido, terminando em 30 de Abril de 1975, com a invasão e ocupação comunista de Saigão, hoje cidade de Ho Chi Minh (simbolizada pela entrada dos tanques norte-vietnamitas no palácio presidencial), e a rendição total dos exércitos sul-vietnamita e norte-americano.
Para os Estados Unidos, a Guerra do Vietname resultou na maior confrontação armada em que o país já se viu envolvido, e a derrota provocou a 'Síndrome do Vietname' nos seus cidadãos e na sua sociedade, causando profundos reflexos na sua cultura.
O Paralelo 17N foi a linha de demarcação militar provisória e desmilitarizada entre o Vietname do Norte e o Vietname do Sul estabelecida pela Conferência de Genebra de 1954, que pôs fim à Guerra da Indochina.
A cidade de Hué (a uma hora e dez minutos de voo de Hanói) devia ser a localidade mais importante abaixo do paralelo 17, e já, portanto no Vietname do Sul.

Hué tinha sido a capital do país na era imperial. Nesta cidade se encontra uma fortaleza muralhada, com um palácio no seu interior, constituindo a Cidade Imperial de Hué, capital do reino, idealizada como uma cópia da Cidade Proibida dos imperadores chineses em Pequim, na China. Em 1993, a Cidade Imperial de Hué foi classificada pela UNESCO como Património da Humanidade. A cidade fica a 108 km a Norte de Danang, grande baía que acolhia a base naval dos EUA e que se localizava estrategicamente mais ou menos no centro do país, como um todo.
Um pouco a Sul de Danang (30 km) fica a antiga cidade de Hoi An. E a 990 km fica Saigão.

Uma curiosidade microclimática:
O Vietname é percorrido, de Norte a Sul, por uma cadeia de montanhas que correm no interior geralmente em paralelo com a costa do mar da China. Mas, no percurso de Hué/Danang, e já relativamente próximo desta cidade, atravessa-se uma montanha que, ao contrário das outras, corre perpendicularmente à costa.
E a peculiaridade que pretendo recordar e referir é a de uma zona dessa montanha onde existe um nevoeiro eterno. É durante umas escassas centenas de metros do percurso ziguezagueante que se atravessa essa zona de nevoeiro relativamente denso e permanente. Feito este percurso num cair de tarde encontramo-nos, invariavelmente, num ambiente absolutamente surreal. São uma imagem e uma envolvência inesquecíveis. Uma experiência única.

E muitas mais são as imagens inesquecíveis deste país que se trazem na memória desde a belíssima baía de Halong, declarada Património Mundial pela Unesco em 1994 (a 170 km de Hanói, no golfo de Tonkim – mar da China), a escassos km da China, no Norte, até ao extremo Sul do país (3 450 km de costa).




imagens recentes da baía de Halong, semeada de 3 000 ilhas e ilhéus escarpados,
raramente acessíveis, salvo uma ou duas ilhotas muito visitadas
pelos turistas que percorrem as suas enormes e antiquíssimas grutas

.
.
«EUA enviam primeiras forças de combate para o Vietname


O Presidente dos EUA Lyndon Johnson ordena, a 9 de Fevereiro de 1965, o envio de um batalhão de 3500 fuzileiros para proteger a base aérea americana de Da Nang, no Vietname do Sul. Cumpria assim as recomendações do seu secretário da Defesa, Robert McNamara, que reclamara uma escalada militar naquele país. “Já chega!”, terá exclamado Johnson, quando foi informado que a guerrilha do Vietcong tinha montado uma operação contra o complexo americano de Pleiku, alguns dias antes. No ataque, foram mortos oito soldados americanos, feridos mais de cem e destruídos dez aviões. O destacamento do US Marine Corps Hawk marca o início do envolvimento americano no terreno, no Vietname. O Pentágono aprova ainda a Operação Dado Flamejante, o bombardeamento de um campo militar no Vietname do Norte por jactos americanos estacionados a bordo do USS Ranger. A decisão de Johnson foi apoiada pelo Reino Unido e pela Austrália e criticada pela China e União Soviética, que ameaçaram intervir se os Estados Unidos reforçassem a sua presença militar na região – em Moscovo,
milhares de manifestantes, liderados por estudantes chineses e vietnamitas, atacaram a embaixada americana. O Presidente não fez nenhuma declaração pública sobre a decisão. Mas as sondagens demonstraram o apoio dos americanos ao envolvimento na guerra.»
(transcrito duma local do P2 do Público intitulada “foi no passado (…)”
Guerra do Vietname/fotogaleria e comentários (fonte BBC Brasil.com – com transcrições, adaptações e notas ao correr da pena)


soldado americano
”Durante dez anos, a Guerra do Vietname dominou as manchetes dos jornais americanos e do resto do mundo.
Descrita por vários presidentes dos Estados Unidos como um acto contra a propagação do comunismo, o país ajudou o Vietname do Sul com dinheiro, armas e soldados.
O objectivo era derrotar o norte comunista, liderado por Ho Chi Minh, e libertar os vietnamitas do que era considerado tirania.”(Fotos: AP)

batalha
O envolvimento dos EUA na guerra do Vietname redundou num enorme fracasso, não obstante terem chegado a manter 500 mil soldados no terreno. Em 1973 os EUA suspenderam as ofensivas e retiraram todas as tropas de combate do Vietname do Sul, mantendo aí, apenas, alguns militares enquanto a guerra prosseguia entre o Norte e o Sul.
Mas, quando em 30.04.1975 tanques norte-vietnamitas invadiram e tomaram o palácio presidencial em Saigão, a guerra terminava e os americanos voltaram para o seu país para remoer uma pesada derrota que nunca conseguiram digerir.

guerrilha
”Do ponto de vista de um fotojornalista, a Guerra do Vietname foi única.Com acesso praticamente irrestrito aos campos de batalha, muitos fotógrafos mostraram a guerra de modo nunca antes visto.Apesar da tecnologia, este foi um confronto de guerrilhas com muitas batalhas, permitindo que momentos intensos fossem registados.”

Daí o imenso material fotográfico trazido para os meios de comunicação e que hoje enchem as paredes do Museu da Resistência - o antigo palácio presidencial da cidade de Ho Chi Minh (ex-Saigão, antiga capital do Vietname do Sul).

riscos
O acesso “estranhamente” irrestrito de fotógrafos significava riscos como significava uma crescente opinião pública contra a guerra e contra a intervenção dos EUA. Sem qualquer treino ou preparação militar, indefesos, os fotógrafos eram vítimas mais expostas aos riscos da guerra. Donde que mais de 135 fotógrafos de todos os lados foram dados como mortos ou desaparecidos.
Aqui, o fotógrafo da AP Huynh Thanh My cobre um batalhão vietnamita estacionado no enorme delta do rio Mekong, cerca de um mês antes de ele ter sido morto em combate, em 10 de Outubro de 1965.
imagens
Esta é uma das tais imagens que mudaram a opinião pública – imagem de Kim Phuc, uma menina então com 9 anos, que deu volta ao mundo, do fotógrafo Nic Ut. E uma das que estão expostas no Palácio da Resistência ou da Reunificação.
”Em 8 de Junho de 1972, um avião do Vietname do Sul acidentalmente lançou sua carga de napalm no vilarejo de Trang Bang.Com suas roupas em chamas, Kim Phuc fugiu do vilarejo com a família, para ser transportada para um hospital. Ela sobreviveu e hoje mora nos Estados Unidos.”
execução

Esta é outra das fotos mais famosas do conflito. De Eddie Adams mostra o general vietnamita do sul Nguyen Ngoc Loan executando um oficial vietcong com um tiro na cabeça.
Estas últimas são duas das mais famosas fotos da guerra que estão entre as centenas delas que cobrem as paredes duma enorme sala no primeiro piso do actual Palácio da Resistência ou da Reunificação, onde antes fora o Palácio presidencial, em Saigão (hoje cidade de Ho Chi Minh), no Vietname do Sul.
A imagem mudou a percepção do público sobre a guerra e perseguiu o general Nguyen Ngoc Loan até sua morte.
Esta foto da Associated Press, ganhou um prémio Pulitzer em 1969 pelo seu
fotógrafo Eddie Adams.
Também foi realizado uma película deste evento:
general Nguyen Ngoc Loan shoots a Vietcong soldier.
Esta imagem e este vídeo documentam bem a violência da Guerra do Vietname.

helicópteros

“Esta foi a primeira guerra que usou helicópteros.
As tropas podiam ser deslocadas rapidamente para qualquer lugar no país, fazendo com que os soldados participassem de mais combates do que na Segunda Guerra Mundial.
Esta foto de helicópteros do Exército americano atirando contra soldados vietcongs perto da fronteira cambojana lembra filmes de Hollywood...”

violência

”...mas de perto, o "glamour" da guerra desaparece. Um paraquedista ferido do 101º batalhão lidera uma evacuação de helicóptero pela selva para resgatar feridos durante uma patrulha de cinco dias em Hué, Vietname do Sul, em 1968.”


mortos

Corpos de fuzileiros americanos encontram-se semi-enterrados na colina 689, a Oeste de Khe Sanh, em 1968, no Vietname do Sul, mas na área do paralelo 17N. Este cerco de Khe Sanh foi uma das mais longas e sangrentas batalhas da guerra.

o horror da guerra espelhado nesta imagem da batalha de Khe Sanh
(imagem que não é da fotogaleria que estamos a acompanhar), retirada da Net
perto do fim

A retirada americana verificou-se em 1973, mas a guerra prosseguiu por mais dois anos.
Já perto do fim, esta mulher carrega a filha ferida para longe das batalhas.

Tanque norte-vietnamita invadiu o Palácio Presidencial
em Saigão que significou a queda do Vietname do Sul
e decretava o fim da guerra. 30/04/1975.
Foto: AP
(não da mesma fotogaleria que vínhamos acompanhando)

No dia 30 de Abril de 1975, soldados do Exército norte-vietnamita entraram em Saigão, no Vietname do Sul, ocuparam e dominaram o palácio presidencial e assumiram o controle do país.

”Os últimos militares americanos buscaram segurança no telhado de sua embaixada.Muitos dos vietnamitas do sul que trabalharam com os EUA temeram por suas vidas, mas muitos mais correram às ruas para ver os tanques.

No ano seguinte, uma vez realizada a reunificação dos dois Estados, seria proclamada a República Socialista do Vietname. E Saigão passaria a denominar-se cidade de Ho Chi Minh.”

.
.

free web counters
New Jersey Dialup