domingo, abril 03, 2005
CAVACO DESISTE, SANTANA AVANÇA
Foi a minha peta do primeiro de Abril, claro.
JOÃO PAULO II – O PAPA DO ECUMENISMO
Os últimos tempos de vida do Papa João Paulo II (264º papa, a contar com S. Pedro) foram como que uma lamparina bruxuleante. Às 21:37 locais de ontem (20:37 em Lisboa), essa luz tremeluzente extinguiu-se. Apagou-se, serenamente.
O Papa João Paulo II – que o século conheceu como Karol Jòzef Wojtyla – conquanto que um papa polémico, foi um homem ouvido e respeitado.
Em matéria de doutrina e de moral, João Paulo II foi por muitos considerado um conservador. Para alguns terá sido mesmo retrógrado - recordem-se, por exemplo, as suas posições anacrónicas (ele que numa das suas primeiras declarações como papa prometera ser um homem deste tempo) relativamente ao uso do preservativo, e não obstante o drama grave e mundial que é a sida (para ele a sexualidade correctamente entendida também compreendia a castidade) e a polémica em que, a propósito, se envolveu com os bispos espanhóis. Como a posição que agressivamente tomou relativamente ao aborto – cuja defesa comparou a decisões nazis.
Escandaloso foi, também, o apoio que velada ou expressamente deu ao ditador chileno, general Pinochet.
Foi, contudo, um viajante incansável, um mensageiro do Evangelho que levou a todos os cantos do mundo nas suas visitas a mais de 130 países. Acção cujos frutos parecem ser confirmados pela “Der Spiegel” que calcula que o número de católicos, no mundo, durante o seu pontificado, tenha passado de 750 milhões para mil milhões.
Teve uma multifacetada experiência de vida, tendo vivido, nomeadamente, a guerra e tendo sido operário.
E antes de se fazer padre – o que só aconteceu depois de ter feito o liceu – foi, designadamente, desportista (de várias disciplinas), actor de teatro e dramaturgo.
Aliás, a sua actividade de dramaturgo prolongou-se até aos seus 40 anos: escreveu peças de teatro em 1939, 1940, 1950 e 1960.
Também em 1939 escreve um livro de poesia, “Salmos renascentistas”, que não publica.
Mas a sua actividade intelectual versaria, também, uma extensa obra de erudição, produzindo obras de índole filosófica e teológica, trabalhos de análise e reflexão e ensaios.
O seu último livro de memórias, “Memória e Identidade”, dado à estampa em 23 de Fevereiro último, tem sido objecto de forte polémica.
Uma das suas maiores e mais importantes prioridades foi o diálogo ecuménico, que promoveu durante o seu longo pontificado (o 3º mais longo da história da Igreja, depois do de S. Pedro e do de Pio IX), até que a imparável doença de Parkinson quase o imobilizou.
Consciente da História da Igreja, como da História da Humanidade, reconheceu os “erros do passado”, pedindo perdão por todas as perseguições e injustiças praticadas ao longo dos séculos por quantos tinham obrigação de servir a Igreja.
Já um seu antecessor, o generoso e corajoso papa Pio VII (251º) – que dobrou o séc XVIII para o XIX - se mostrara desfavorável ao rigor das penas aplicadas pela Inquisição, atribuindo-se-lhe, a propósito, as seguintes palavras: "A lei de Deus não é como a lei dos homens; traz consigo suavidade e persuasão. A perseguição, o desterro, os cárceres são os meios de que se valem os falsos profetas e os falsos doutores".
Matéria em que claramente se demarcaram do seu não muito longínquo predecessor (de um) e sucessor (do outro), Pio IX (255º) - cujo polémico e difícil pontificado perdurou por longos quase 32 anos - que negava a liberdade de fé, de consciência e de culto aos outros credos e eliminava toda a ideia de tolerância, sustentando, ainda, que o pontífice não podia nem devia reconciliar-se com o progresso, o liberalismo e a civilização moderna, ideias cujo pico é atingido, em Dezembro de 1864, na Encíclica “Quanta Cura” e no tristemente célebre índex que se designava simplesmente por “Syllabus” (ou mais exactamente: “Syllabus completens praecipuos nostrae aetatis errores”).
Dado que todos os media não param de dar informação acerca da vida do romano pontífice que acaba de partir, vou registar, apenas, alguns dados curiosos:
Datas, de entre as mais destacáveis:
- 18.05.1920: nasce
- 04.05.1939: conclui o liceu (aos 18 anos), com as seguintes classificações: Muito Bom: comportamento, religião, polaco, alemão, latim, grego e desporto; Bom: história e físico-química.
- 1942: faz-se seminarista clandestino e estuda, secretamente, filosofia e teologia.
- 01.11.1946: ordenado padre (26 anos)
- 1948: doutoramento em teologia com a mais alta distinção e com louvor.
- 28.09.1958, com 38 anos: consagrado bispo pelo papa Pio XII.
- 13.01.1964, com 43 anos: nomeado, por Pio XII, arcebispo de Cracóvia.
- 26.06.1967, com 47 anos, é sagrado cardeal pelo papa Paulo VI
- 16.10.1978, aos 58 anos, é eleito papa.
Línguas que dominava: além do polaco, latim, grego, hebraico, russo, francês, inglês, alemão, espanhol, holandês e, já depois de ser papa, o italiano.
Frases e atitudes: “Pensamento e profundidade nunca exigem muitas palavras. Quanto mais profundo é o pensamento, tanto menos precisa de palavras” – quando estudante em Roma, em 1946.
“Deus pode penetrar nas mentes dos homens mesmo nas situações mais adversas e apesar dos sistemas e regimes que recusam a sua existência” – sobre os regimes comunistas, nos anos 70.
“Não tenham medo. Abram as vossas portas a Cristo” – sua primeira declaração ao subir ao trono de Pedro. E várias vezes repetida.
Em 79, às autoridades comunistas da Polónia: “não se pode excluir Cristo da história”.
“Ninguém deve pretender que as mudanças na Europa de Leste se deviam fazer segundo o modelo ocidental. Isso é contrário às minhas convicções mais profundas” – a Gorbachev, em 1989.
“Depois da derrocada histórica do comunismo, não hesitaria em formular sérias dúvidas sobre a validade do capitalismo” – na primeira visita à Rússia, em 1993.
“Os defensores do capitalismo têm tendência para fechar os olhos, a todo o custo, às boas coisas realizadas pelo comunismo” – na mesma visita à Rússia.
Na ONU, em 1995: “A fé em Cristo não nos impele para a intolerância. Pelo contrário, obriga-nos a cativar o próximo através de um diálogo respeitoso.”
“Que Cuba se abra ao mundo e que o mundo se abra a Cuba” – aquando da sua visita a Cuba, em 1998.
Em 1999, exorta o regime de Fidel de Castro a respeitar a liberdade religiosa e os direitos humanos.
Lutou contra os excessos do capitalismo e da sociedade de consumo, a opressão e o ateísmo de Estado.
Dentro de três semanas são 121 os cardeais eleitores que vão estar reunidos em conclave, na Capela Sistina, para elegerem o 265º papa, o sucessor de João Paulo II (dos quais eleitores os maiores grupos são os italianos – 20 – e os norte-americanos – 11).
O mais novo deles é o cardeal Peter Erdo, de 52 anos, húngaro, nascido em 25.06.1952.
sexta-feira, abril 01, 2005
MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA
Foi há 574 anos (1431), Domingo de Páscoa: morreu D. Nuno Álvares Pereira, aos 70 anos, na sua cela do seu convento do Carmo. Nascido em Cernache do Bonjardim, em 24.06.1360, cedo começou a servir como escudeiro na corte de D. Fernando e foi armado cavaleiro por D. Leonor Teles. Desempenhou importante acção nas cortes de Coimbra, em 1385, onde o Mestre de Avis foi aclamado rei, com o nome de D. João I. Ficou memorável, pela sua tática e estratégia, a vitória conseguida sobre os castelhanos, em número muito superior às nossas forças militares, em Aljubarrota, em 14.08.1385, castelhanos que voltou a destroçar, no mesmo ano, em Valverde.
Por volta de 1411 iniciou a construção do convento do Carmo,
Foi há 190 anos (1815), um SB: nasceu Otto von Bismarck, primeiro chanceler do império alemão. Em Portugal decorria a regência de D. João (VI). Pontificava Pio VII (251º).
Foi há 132 anos (1873), uma TR: nasceu Sergei Vassilievich Rachmaninov, maestro, pianista e compositor russo. Em 1917 deixou a Rússia, vivendo, primeiro, na Suiça e depois nos EUA, onde viria a morrer, em 1943, com cerca de 70 anos,
Foi há 76 anos (1929), uma SG: nasceu o escritor checo, naturalizado francês, Milan Kundera. A obra que projectou Kundera internacionalmente foi A Insustentável Leveza do Ser (1984). Outros títulos seus (e traduzidos na nossa língua): A Imortalidade (1990), A Lentidão (1995), A Identidade (1997) e A Ignorância. Para Kundera, o romancista, não sendo historiador ou profeta, é um “explorador da existência”. A questão política é uma constante na sua obra. Carmona era o PR de então
Foi há 66 anos (1939), um SB : fim da guerra civil de Espanha com a vitória das forças nacionalistas lideradas pelo general Francisco Franco. Em Portugal decorria o longo mandato do General Carmona. Aos destinos da Igreja presidia o papa Pio XII (260º), desde os começos de Março.
Foi há 59 anos (1946), uma SG: nasceu Sue Townsend, a criadora de Adrian Mole, assistente social e escritora. Em Portugal era Carmona o PR de então. Pio XII (260º) era o papa.
Foi há 57 anos (1948), uma QI: início do bloqueio soviético a Berlim. Em Portugal decorria o mandato presidencial de Carmona. E era papa Pio XII (260º)
Foi há 9 anos (1996): morreu o actor e declamador Mário Viegas com 47 anos. Era PR o Dr Jorge Sampaio. Decorria o pontificado de João Paulo II (264º).
CARTA “ESCRITA” EM 2070
Acerca da dramática falta de água – que já começa a ser uma ameaça séria – alguém imaginou a seguinte carta, “escrita” não no próximo milénio, nem no próximo século, mas já daqui a 65 anos. Trata-se de um impressionante “testemunho” que não andará muito longe da realidade - documento extraído da revista biográfica "Crónicas de los Tiempos" de Abril de 2002.
Importa parar. E reflectir. E atender aos apelos.
Ano 2070 acabo de completar os 50, mas a minha aparência é de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres mostravam as sua formosa cabeleira. Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água. Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA ÁGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais se podia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes a quantidade de agua indicada como ideal para beber era oito copos por dia por pessoa adulta.
Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado porque as redes de esgotos não
se usam por falta de água.
A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não tem a capa de ozono que os filtrava na atmosfera, imensos desertos
constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte.
A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com agua potável em vez de salário.
Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressequidade da pele uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar água, o oxigénio também está degradado por falta de árvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.
O governo até nos cobra pelo ar que respiramos.
funcionam com energia solar, não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade média é de 35 anos.
Em alguns países ficam manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército, a água voltou-se um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui em troca, no há árvores
porque quase nunca chove, e quando chega a registar-se uma precipitação, é de chuva ácida; as estações do ano tem sido severamente transformadas pelas provas atómicas e da industria contaminante do século XX.
Advertiam-se que havia que cuidar o meio ambiente e ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável
que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a agua que quisesse, o saudável que era a gente. Ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a água? Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado, porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente ou simplesmente não tomámos em conta tantos avisos. Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o nosso planeta terra!
TRANSCRIÇÕES
«John Bolton é o candidato indicado pelo Presidente Bush, que, após ultrapassadas as resistências do Congresso à nomeação, será o próximo embaixador dos EUA na ONU. John Bolton é o homem que defendeu publicamente que as Nações Unidas não existiam e que qualquer reforma delas só poderia passar por transformar os EUA no único membro permanente do Conselho de Segurança. Para a presidência do Banco Mundial, cuja razão de existência é o financiamento dos países em vias de desenvolvimento, Bush "elegeu" e impôs à Europa o candidato único, Paul Wolfovitz, o grande ideólogo e estratega da missão "humanitária" no Iraque.
A escolha de dois unilateralistas, defensores da supremacia militar, política e moral dos Estados Unidos, para dois organismos por definição multilaterais, só pode indicar, à primeira vista, que Bush continua coerente com a sua visão do mundo, característica de um cowboy do Texas. Mas não: explicam-nos os neoliberais, tão em voga hoje, que a leitura é exactamente a inversa. Trata-se de um cavalo de Tróia ao contrário: escolhendo-se pessoas que têm as ideias e o perfil oposto ao aconselhável, isso só pode significar que elas vão mudar de ideias. O péu9iiissimo é aliado do bom - estratégia genial.»
Miguel Sousa Tavares (Público, 01 ABR 05)
«O que distinguiu Reagan e Thatcher, no seu tempo, foram as suas ideias de ruptura com o statu quo e terem-nas aplicado. Sem receio de, ao mesmo tempo, travarem um feroz combate ideológico. O que tem distinguido as diferentes direitas portuguesas é a sua incapacidade de fazerem o mesmo, isto é, de começarem a discutir ideias que vão contra a corrente. De divergirem. De perceberem que o centro não se ganha estando ao "centro", mas apresentando projectos mobilizadores.»
José Manuel Fernandes (id, id)
«Não vale a pena procurar noutro sítio a explicação do aperto em que estamos. Nem o futuro da direita, da esquerda ou do Governo. O círculo vicioso existe: somos pobres, porque somos pobres. Por outras palavras, somos pobres, porque nos portamos como pobres. Como sair disto? Ninguém sabe. De qualquer maneira, sem primeiro reconhecer a evidência, não saímos.»
Vasco Pulido Valente (id, id)
«Estamos tão concentrados no ruído, que já não conseguimos pensar no indizível.»
Luís Osório (
«Uma vez, já lá vão alguns anos, perguntaram a Martin Scorsese pelos seus objectivos enquanto cineasta, e ele, após longo silêncio, respondeu que a sua maior aspiração passava por conseguir filmar o movimento interior.»
Id (id, id)
«Há seguramente outras actividades, que não as estritamente económicas, das quais depende em maior medida o nosso futuro colectivo, como a educação, a qualificação profissional, a cultura. O problema em todas elas é que não é possível queimar etapas nem forçar os resultados instantâneos. O tempo necessário para avaliar as consequências de uma qualquer mudança de orientação mede-se em décadas.»
«Um plano credível, sustentável e que saiba atrair capitais nacionais e estrangeiros é o que falta para pôr a máquina da produção e do emprego a girar novamente no bom sentido.»
Id (id, id)
As eleições de 20 de Fevereiro lançaram a Direita em pungente desorientação. Perder assim o poder, ela, que se julga ungida de direito divino, é desesperante, convenhamos!
Baptista Bastos (Jornal de Negócios on line, 01 ABR 05)
«O que a Direita tem escrito sobre a Direita é um bocejo, uma tolice, uma inutilidade. Ou o absurdo e abstruso regresso da velha Direitona, mascarada de Direitinha.»
Id (id, id)
ERRAR É HUMANO. PARA OS AMERICANOS, CONTINUAR A ERRAR TAMBÉM
Bartoon de Luís Afonso, do Público de hoje: 01 abr 2005
NOTA:
O BARTOON tem sempre o mesmo endereço informático, embora cada dia com um diferente conteúdo.
Assim, o cartoon só corresponde ao título que o antecede na data desse “post”.
Passado esse dia, tem que se procurar, no próprio BARTOON, a data a que um outro título e “post” respeitem, através da seta da esquerda, nele bem visível, ao lado do calendário.
CAVACO DESISTE, SANTANA AVANÇA
Telegrama da Lusa acabado de divulgar, mas imediatamente retirado da circulação, confirmava notícia resultante de fuga de informação: Cavaco Silva não avança para as presidenciais e negoceia “pool position” com Santana Lopes, que se apresenta bem colocado para vencer logo à primeira volta!
Instado pela Lusa, Cavaco apenas reiterou que nunca alimentou qualquer tabu, sendo este uma invenção de certos sectores, sobretudo dos media. E confirmou a sua indisponibilidade para avançar na disputa daquela eleição.
Santana Lopes não confirmou nem desmentiu a notícia. Mas deixou entender que se sentia como peixe na água em tal confronto.
Tentado o contacto com os principais partidos representados na AR, todos se recusaram a comentar a bombástica e surpreendente nova.
quinta-feira, março 31, 2005
TRANSCRIÇÕES
«Solicito
Eduardo Prado Coelho (Público, 31 MAR 05)
«Num cenário de maioria absoluta, a pior de todas as oposições, a mais mortal e desgastante, é a oposição interna.»
Luís Osório (
«O governador civil não sendo partidariamente independente, deverá ser politicamente independente.»
Rogério Rodrigues (id, id)
«Vou lá [à Internet], a esse lugar-de-toda-a-ciência-e-nem-por-isso-grande-conhecimento quando me é impossível consultar livros, artigos ou que seja da especialidade (do assunto em apreço).»
Pedro Castro (id, id)
«Qualquer reformista sabe que, para mudar alguma coisa, se deve começar lenta e gradualmente.»
Pedro Adão e Silva (Diário Económico, 31 MAR 05)
domingo, março 20, 2005
INTERMEZZO
OS NÓRDICOS E OS LATINOS
Porquê italianos?
Eu diria antes:
os fleumáticos nórdicos e os temperamentais latinos…
Atenção:
- não esqueça o som
- olhe que são seis filmes… Não é só um.
sábado, março 19, 2005
MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA
Foi há 401 anos (1604), uma SX: nasceu D. João IV, rei de Portugal de
Foi há 201 anos (1804), uma SG: assinado em Lisboa um tratado pelo qual Napoleão reconhece a neutralidade de Portugal durante a guerra entre a França e a Inglaterra. Estávamos na Regência de D. João (VI). Pontificava Pio VII (251º).
Foi há 192 anos (1813), uma SX: nasceu David Livingstone, missionário e explorador escocês. Em Portugal continuava a Regência de D. João (VI). No Vaticano prosseguia o pontificado de Pio VII.
Foi há 116 anos (1889), uma TR: nasce o príncipe D. Manuel (Manuel Maria Filipe
Foi há 87 anos (1918), uma TR: nasceu
Foi há 72 anos (1933), um DM: instauração do Estado Novo por Salazar, ao ser aprovada a nova Constituição Portuguesa. Carmona era o PR. Pio XI (259º), o papa reinante.
Foi há 11 anos (1994), um SB: o jornal Expresso revela que, em 1973, Marcello Caetano estabeleu contactos com o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), a fim de estudar um possível reconhecimento da independência da Guiné. Mário Soares era o PR. No sólio pontifício estava João Paulo II (264º).
“ATÉ QUANDO O SILÊNCIO?”
José Manuel Fernandes faz hoje no Editorial do Público a sua análise, necessariamente sucinta, do programa do governo.
A sua, obviamente: com que muitos estarão de acordo, mas muitos outros, nem por isso.
Mas inquietante é a frase escolhida para destaque do trabalho, bem ao jeito josé-giliano: « A gestão do silêncio pelo Governo, que tão elogiada tem sido, começa a criar a sensação de que existe porque nada há para dizer ou há medo de dizê-lo.»
PROCESSO CASA PIA
Afinal o processo Casa Pia não tem tantos mistérios assim…
Senão, veja-se o trabalho de Isabel Braga, no Público de hoje,
sob o título
Provedora descreve orgias sexuais nos anos 80
TRANSCRIÇÕES
«Existe na sociedade portuguesa o culto dos homens que nunca mudam. Em geral usamos o termo "coerência" para designar o mais absoluto imobilismo. A esta luz, Salazar e Cunhal são os expoentes nacionais da galeria da coerência. Acresce que a futebolização das mentes leva a que se olhe para quem muda como uma espécie de traidor ao seu clube. Na verdade como nada existe de racional nas razões que levam alguém a declarar-se do Porto ou do Benfica, do Salgueiros ou do Beira-Mar... qualquer mudança de clube só se explica do ponto de vista da traição. Outro caso absolutamente diverso é o das ideias. Jamais entenderei como se pode criticar alguém por mudar de ideologia. Quer dizer que, uma vez feitas as suas escolhas, todo o seu raciocínio deverá ser orientado para justificar o que se pensou anteriormente? O interdito da mudança é um bloqueio do pensamento.
Sendo certo que grande parte destas cogitações sobre a mudança me ocorreram a propósito de Freitas do Amaral nem sequer me parece que se lhe apliquem. Muito francamente, não me parece que Freitas do Amaral tenha mudado. (…)
As ausências são a forma de pressão nos regimes autoritários. Nas democracias há que fazer barulho. O que muda em Freitas do Amaral é a estratégia. O pensamento e a ambição mantêm-se. Infelizmente.»
Helena Matos (Público, 19 MAR05)
«Neste momento não passa de uma banal fugitiva à justiça. Nos próximos tempos se verá se não passa a criminosa condenada. É este o retrato
Sobe e desce (desce) (id, id)
«Discute--se no PS quem deve avançar [para a CML]: se um homem de cultura que sabe fazer contas, se um homem de economia que aprecia a cultura e é culto. Ou seja, entre Manuel Maria Carrilho e Eduardo Ferro Rodrigues. Se, no primeiro, me seduz a cultura, no segundo, respeito a integridade. Lisboa ficará bem servida por qualquer um dos candidatos.»
Luís Osório (
«Acresce (…) que o próximo candidato socialista, e provável vencedor, além de uma câmara praticamente em falência técnica, vai ainda encontrar-se com os mais imprevistos e porventura mais surrealistas sete meses da presidência de uma criatura como Santana Lopes.
É certo que Lisboa vale bem uma missa. Mas também um ror de penitências e castigos, um quotidiano que não desejo a nenhum dos meus amigos.»
Id (id, id)
«FREITAS do Amaral vai ser expulso do Partido Popular Europeu. Segundo fontes daquela «família» europeia, a razão é o facto de Freitas ter aceite fazer parte de um Governo do Partido Socialista, que no Parlamento Europeu integra outro agrupamento político. E a ocasião para o efeito deverá ser a reunião do «bureau» do PPE marcada para 27 de Junho.»
Expresso, 19 MAR 05
«A influência da extrema-direita religiosa na sociedade norte- -americana tem sido sublinhada, em especial, relativamente à política da Administração Bush para o Afeganistão e o Iraque. (…)
A questão fulcral do posicionamento desta nova direita é a sua leitura literal da Bíblia, numa interpretação que deixa o próprio Vaticano em desespero. "Teóricos" como Tim LaHaye ou Jerry Jenkins, através das mais de 1600 estações de rádio ou 250 estações de televisão que possuem, expõem nomeadamente que o Dia do Juízo Final é não apenas uma inevitabilidade como se aproxima a passos largos segundo uma série de "indícios" (que podem ser consultados nos sites da Net com o título geral Rapture). Claro que, chegado o Dia, tudo sucederá como anuncia o livro sagrado os crentes serão salvos e os incréus aniquilados.»
Ruben de Carvalho (DN, 19 MAR 05)