segunda-feira, julho 10, 2006

A “LATA” DE JARDIM


Tem fogachos de separatista, mas sorve do erário público e do governo do Contenente, tanto quanto a vergonha que lhe falta. Ou mais, ainda, melhor visto.

Ainda agora, por exemplo, e em telegrama do Funchal, de Tolentino de Nóbrega, lia-se, hoje, no Público: “O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, escreveu ao primeiro-ministro, José Sócrates, a pedir o apoio da República para a resolução da grave situação financeira que a região atravessa. Jardim, em contradição com a sua ameaça separatista e tese de auto-sustentatibilidade da região que defendeu há um mês no congresso do PSD, apela agora à solidariedade nacional (...)”

Ora aí está: além de separatista é ou não é oportunista (para não empregar expressão mais adequada)?

Dá vontade de lhe responder à boa maneira da Ribeira ou do Bulhão!

No meio do aranzel que costuma levantar, atira-se que nem um lobo aos políticos do contenente e ao poder da República.

Desta vez, esquecendo o seu habitual discurso insolente e histriónico, estende a mão, suplicando “a esmolinha” com aparente humildade, mas, como sempre, capaz de morder o braço de quem lhe acode...

É que, conforme se lê, ainda, no mesmo texto, a Madeira, dentre o conjunto das regiões portuguesas,lidera o ranking dos maiores beneficiários dos recursos financeiros afectados às intervenções estruturais”, embora fique à frente de todas elas na perda de velocidade competitiva.

Esse Contenente a que ele tão frequentemente se refere é o nosso, não o africano, onde o arquipélago geograficamente se situa, e de cujas profundezas, duma qualquer remota tribo, ele parece oriundo.

O sujeito bem manda vários recados para o partido, para o PR e para outros destinatários de cá... Mas ninguém o leva a sério. Alguns – o que ele não sabe interpretar – até conseguem, ainda, rir-se. Os mais sensatos, até acham que seria caso disso, se não se tratasse de matéria triste e grave.

Não sei como – a cegueira, às vezes, não deixa discorrer com a necessária serenidade – mas em declarações aos órgãos da comunicação social, um dia o madeirense Guilherme Silva, figura de destaque do PSD, confessou-se perplexo por AJJ não ter sido proposto para mais altos voos, no partido e a nível nacional (aqui, e explicitamente, à PR).

Na ilha até tem bastante apoio, dado tratar-se do patrão da grande maioria dos seus habitantes, mas a quem não é ele que paga, mas sim o governo da Região ou o do, por ele odiado, do Contenente.

Já o disse aqui um dia, e repito: lá porque a Pérola se situa geograficamente, e em bom rigor, no continente africano, nem por isso os madeirenses mereciam tal sorte, nem tinham de ter a liderá-los um tal Bocassa.

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NOTA: a mencionada atitude de Guilherme Silva é, para mim, a prova provada de que nada, neste Mundo, nos pode já surpreender.

Somos amigos de há muitos anos, mas circunstâncias várias - que não a política – tem-nos afastado de contactos frequentes. Sempre o tive por pessoa sensata (pese embora a sua opção política, matéria em que sempre nos respeitámos), mas aqui (nas tais declarações) o Guilherme foi longe demais no seu arrojo.

E o que mais, ainda, me surpreendeu, foi ter deixado escapar tais declarações sem esboçar o mais ligeiro sorriso!

Nunca virá a acontecer, mas se tal sucedesse, não era a leitura desta escrevinhação que o iria fazer virar-me a cara.

Sorriria, como algumas vezes, por motivos semelhantes, aconteceu depois do 25 de Abril. Nada mais.

Não era desta que nos zangávamos.

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