sexta-feira, julho 08, 2005

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

2005/2015 - Década das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.
2005 - Ano Internacional do Microcrédito. Ano Internacional da Física (aprovado pela UNESCO)
Feriado Municipal de Chaves.
Dia da Marinha.

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Foi há 508 anos (1497), era um SB: a armada de Vasco da Gama parte de Belém, em Lisboa, para a sua viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia. Reinava D. Manuel (14º). Pontificava Alexandre VI (214º), o célebre Rodrigo Bórgia.

Vasco da Gama (1468-1524), responsável pela descoberta do caminho marítimo para a Índia, em jovem ainda tentou uma carreira eclesiástica, chegando a receber a tonsura clerical em 1480. Respeitado como navegador experiente, e encarregado por D. João II de várias missões no mar, foi o homem escolhido por D. Manuel I para comandar a armada que viria a estabelecer o caminho marítimo para a Índia. A possibilidade de seguir esta rota marítima tinha já sido antevista, após Bartolomeu Dias, na sua viagem de 1486, ter ultrapassado o cabo da Boa Esperança.

A expedição de Vasco da Gama foi então cuidadosamente preparada e, no dia 8 de Julho de 1497, partiu do Restelo, composta por um navio de transporte (que deveria ser destruído no caminho), a caravela Bérrio e as naus São Gabriel e São Rafael, ambas construídas expressamente para esta viagem. Vasco da Gama seguiu na expedição comandando a nau São Gabriel, enquanto o seu irmão mais velho, Paulo da Gama, comandava a nau São Rafael. A tripulação era constituída por cerca de 170 homens, dos quais apenas um terço regressaria a Portugal.

Vasco da Gama acumulava funções de capitão-mor da expedição e funções diplomáticas: era portador de cartas de D. Manuel I para o samorim (título aí utilizado pelo respectivo rei) de Calecute, com quem o monarca pretendia estabelecer as primeiras relações na Índia.

Aí chegado em Maio de 1498, Vasco da Gama não pôde, porém, levar a cabo as suas missões, já que os mercadores muçulmanos lhe levantaram diversos obstáculos, impedindo o estabelecimento de relações diplomáticas e comerciais estáveis. Não possuindo meios militares para se impor, o navegador iniciou, nesse mesmo ano, uma atribulada viagem de regresso, que resultou na perda de grande parte da tripulação (devido ao escorbuto) e da nau São Rafael. O seu próprio irmão, doente, morreu ao chegarem à ilha Terceira, em Julho de 1499.

Só em finais de Agosto de 1499 desembarcou em Lisboa, tendo sido recebido por D. Manuel I com vários privilégios e mercês honoríficas pelos serviços prestados ao reino.

Partiu novamente para a Índia em 1502, acompanhado por uma armada de 15 naus e com o objectivo de assegurar o domínio definitivo das águas do Malabar. Tornou tributário o rei de Quíloa, castigou o rei de Calecute, pelos entraves antes colocados por este, assinou alianças com os reis de Cochim e Cananor, conseguindo, antes do seu regresso, em 1504, assegurar o domínio isolado dos portugueses no oceano Índico.

Novos privilégios o aguardavam à sua chegada a Lisboa. D. Manuel I tornou-o conde da Vidigueira e D. João III nomeou-o vice-rei da Índia, com amplos poderes sobre aquele território. A sua última viagem para a Índia teve início nos princípios de 1524, com o objectivo de pôr cobro às desordens que comprometiam a presença portuguesa. Acabou por morrer no dia 25 de Dezembro de 1524, em Cochim, vítima de uma grave doença. O seu corpo, inicialmente sepultado na capela-mor desta localidade, foi mais tarde trasladado para a Vidigueira.

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Completam-se hoje 384 anos (1621), era uma QI: nasceu, em Château-Thierry, Jean de la Fontaine, escritor francês. Em Portugal reinava Filipe III (20º). Já pontificava, desde recentemente, Gregório XV (234º).
La Fontaine (1621-1695), a partir de 1656, viveu basicamente em Paris. Foi amigo dos dramaturgos Molière e Racine. Entre as suas obras incluem-se Fábulas (1668-94) e Contos (1665-74), um conjunto de contos espirituosos e obscenos em verso. O material que serviu de base às suas famosas Fábulas não foi inventado pelo poeta, mas sim retirado de Esopo. No entanto, La Fontaine enriqueceu imenso estas fábulas simples e deu-lhes uma importante dimensão didáctica. Apreciadas a diferentes níveis, continuam ainda a fazer parte, desde a infância até à idade adulta, da cultura de importantes homens de letras como André Gide ou Paul Valéry que, em pleno século XX, fizeram renascer a boa reputação de La Fontaine. O autor conhecia bem os clássicos da Antiguidade como Homero, Platão, Plutarco, Virgílio, Horácio e Ovídio. Os seus escritores italianos preferidos eram Boccaccio, Machiaveli, Ariosto e Tasso. A escrita de La Fontaine foi profundamente influenciada por inúmeros escritores franceses dos séculos XVI e XVII.

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Aconteceu há 382 anos (1623), que foi num SB: morre Gregório XV (234º). Sucede-lhe Urbano VIII, eleito em 06.08. Em Portugal decorria o reinado de Filipe III (20º).

Gregório XV, que o mundo conhecera como Alessandro Ludovici, foi papa de 1621 a 1623 (quase 2 anos e meio). Deve-se-lhe o sistema de voto secreto nas eleições dos papas. Foi ele que canonizou Sto Inácio de Loiola, S. Francisco Xavier, S. Filipe de Neri e Sta Teresa de Ávila.

Em 28.01.1621 morreu Paulo V (233º). Aos 09.02 é eleito Gregório XV (234º).

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Foi há 296 anos (1709), era uma SG: terminou o império sueco, com a derrota das tropas suecas de Carlos XII, pelas de Pedro, o Grande.

Em Portugal reinava D. João V (24º). Decorria o pontificado de Clemente XI (243º).
Carlos XII viveu entre
1748 e 1818.

Filho do rei sueco Afonso Frederico foi nomeado regente depois da morte do seu irmão Gustavo III (1792) e durante a menoridade do sobrinho Gustavo IV. Em 1809 tornou-se rei da Suécia depois de Gustavo IV ser deposto por uma revolta. O seu reinado pautou-se sobretudo pela assinatura da paz com a Rússia, através da qual cede a Finlândia, e com a França. Conquistou a Noruega, anexando-a aos seus territórios, altura em que foi eleito rei da Noruega (1814). Escolheu para seu sucessor o general francês Bernadotte.

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Completam-se hoje 183 anos (1822), era uma SG: morreu Percy Bysshe Shelley, poeta inglês. Em Portugal reinava D. João VI (27º). Pontificava Pio VII (251º).
O poeta lírico inglês, Shelley, viveu de 1792 a 1822 e foi a principal figura do movimento romântico. Expulso da Universidade de Oxford pelas suas atitudes ateístas, lutou durante toda a sua vida contra a religião e pela liberdade política. Este facto reflecte-se nos primeiros poemas de sua autoria, como Queen Mab (1813), um poema que tinha como tema a liberdade política.

Nascido perto de Horsham, no Sussex, foi educado na escola de Eton e no University College, em Oxford, de onde foi expulso por ter colaborado na elaboração de um panfleto: The Necessity of Atheism (1811).

Em 1818, altura em que vivia em Itália, Shelley concebeu a tragédia The Cenci, a sátira sobre Wordsworth, Peter Bell the Third (1819) e o drama lírico Prometheus Unbound.

Em Julho de 1822, Shelley afogou-se quando o seu barco, que navegava perto de Viareggio, se afundou.

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Foi há 173 anos (1832), era um DM: em Portugal, as tropas liberais desembarcam na praia do Mindelo. Reinava D. Miguel (29º). Pontificava Gregório XVI (254º).

Trata-se de um dos episódios das guerras liberais do sec. XIX, já várias vezes abordadas.

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Foi há 169 anos (1836), era uma SX: nasceu Joseph Chamberlain, estadista britânico. Em Portugal já reinava D. Maria II (30º). No vaticano prosseguia o pontificado de Gregório XVI (254º).
Chamberlain
(1836-1914), político britânico e reformista, a partir de 1874 dedicou-se integralmente à política, adoptando pontos de vista radicais e participando activamente nos assuntos locais. Em 1876 foi eleito para o parlamento e associou-se ao grupo republicano liderado por Charles Dilke, o mais esquerdista dos membros do partido liberal. O ponto alto do seu período radical foi alcançado com o programa onde defendia, entre outras coisas, educação gratuita, impostos proporcionais e minifúndios com «três acres de terra e uma vaca», o que viria a ser reprovado. Em 1886 demitiu-se do governo devido à política de Gladstone para a Irlanda, tendo liderado a revolta dos unionistas liberais. Como secretário de estado para as colónias no governo conservador de Salisbury, Chamberlain foi responsável pelas relações com os boers até ao início da guerra, em 1899.

Em 1906 ficou incapacitado devido a um problema grave de saúde. Chamberlain foi uma das mais vivazes figuras da política britânica, e o seu monóculo e orquídea tornaram-no um dos favoritos dos cartoonistas políticos.

Teve um continuador na carreira política, mas que enveredou por outros caminhos: Joseph Austen Chamberlain

(1863-1937), político conservador britânico, filho mais velho de Joseph Chamberlain.

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Completam-se hoje 166 anos (1839), era uma SG: nasceu John D. Rockefeller, milionário norte-americano. Em Portugal prosseguia o reinado de D. Maria II. Continuava o pontificado de Gregório XVI.
John Davison Rockefeller (1839-1937), aliás, foi o primeiro bilionário americano. Fundou a Standard Oil em 1870. Em 1882, detinha o controlo de 90% das refinarias norte-americanas. No ano de 1913 fundou a filantrópica instituição denominada Fundação Rockefeller, bem no centro de Nova Iorque, à qual o seu filho John Davison Rockefeller Jr. (1874-1960) dedicou toda a sua vida.

As actividades exercidas pela Standard Oil Trust desencadearam o tumulto em desfavor dos monopólios e, em 1890, contra a passagem da antimonopolista Lei Sherman. O monopólio foi dissolvido em 1892 e só em 1899 foi reorganizado como companhia por acções. Em 1911, o Supremo Tribunal inviabilizou a companhia.

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Completam-se hoje 165 anos (1840), era uma QA: nasceu o jurista e político Manuel de Arriaga. Ainda reinava D. Maria II. E ainda pontificava Gregório XVI (254º).
Manuel de Arriaga Brum da Silveira (1840-1917) nasceu na Horta, Açores. Foi presidente da República Portuguesa entre 1911 e 1915

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1865), exerceu advocacia em Lisboa e foi professor de inglês no ensino liceal. Foi deputado a partir de 1882, e propagou os seus ideais republicanos, tendo contribuído para o advento da República. Foi preso em 1890, durante uma manifestação, e fazia parte do directório republicano quando se deu a revolta de 31 de Janeiro de 1891.

Após a revolução de 1910, foi eleito presidente da República portuguesa, tendo-se tornado o seu primeiro presidente constitucional. Renunciou em 1915, em consequência de um movimento revoltoso que se opunha à ditadura de Pimenta de Castro, consentida pelo presidente. Presidiu ao país num período conturbado, sofrendo as dificuldades de conciliar partidos e ideais opostos.

Foi ainda autor de contos e poemas reveladores de um pendor romântico e publicou volumes de textos políticos e discursos: O Partido Republicano e o Congresso e A Irresponsabilidade do Poder Executivo no Regime Monárquico Liberal, entre outros.

Em Setembro de 2004, os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.

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Completam-se hoje 116 anos (1889), era uma SG: nasceu, em Lisboa, Damião Peres, professor universitário e historiador. Reinava D. Luís (32º). Pontificava Leão XIII (256º).

Damião Peres formou-se em letras, foi professor da Universidade do Porto e depois da Faculdade de Letras de Coimbra. Dedicou ao ensino quase quatro décadas da sua vida.

Dirigiu uma célebre História de Portugal (chamada de Barcelos, editada entre 1928 e 1937) em colaboração com E. Cerdeira. Para além de importantes trabalhos de conjunto sobre a formação de Portugal e os descobrimentos, foi um grande erudito e etnógrafo. Fundou a Revista de Estudos Históricos e organizou as colecções de numismática do Museu Nacional do Porto e da Casa da Moeda de Lisboa. Entre as obras publicadas encontram-se História dos Descobrimentos (1943) e História dos mais Belos Castelos de Portugal (1970).

Morreu em 1976.

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Foi há 93 anos (1912), era uma SG: em Portugal, a cidade de Chaves resiste ao cerco das forças monárquicas vindas de Espanha que pretendem restaurar a monarquia, abolida em 5 de Outubro de 1910. Decorria o mandato presidencial do Dr Manuel de Arriaga. Pontificava Pio X (257º).
Chaves foi fundada pelo imperador romano Flávio Vespasiano, em 78 a.C. com o nome de Aquae Flaviae. Foi conquistada aos mouros por D. Afonso III de Leão e fazia parte do Condado Portucalense, entregue ao conde D. Henrique.

Chaves foi palco de alguns importantes acontecimentos na nossa história.

Já antes deste que hoje se comemora, em 1837, foi ali assinada a convenção de Chaves, que pôs termo à chamada «revolta dos marechais»: Saldanha depois de ser, episodicamente, ministro da guerra e chefe de governo, liderou em 1837, com o duque da Terceira, uma revolta contra a governação setembrista (revolta dos marechais). Derrotado, viu-se obrigado a citada convenção.

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Faz hoje 80 anos (1925), foi numa QA: nasceu, em Santarém, Joaquim Veríssimo Serrão, professor universitário e ensaísta português. Era PR Manuel Teixeira Gomes. Pontificava Pio XI (259º)

Professor universitário e historiador português natural de Santarém. Formado em ciências histórico-filosóficas (1948), seguiu, durante anos a carreira docente universitária e dirigiu o Centro Cultural Português da Fundação Gulbenkian em Paris (1967-1972).

Regressado a Portugal, voltou à cátedra.

Membro de várias instituições e associações históricas, recebeu os prémios Alexandre Herculano (1954) e D. João II (1965).

Entre as obras que publicou, contam-se Itinerários d'el-Rei D. Sebastião (1963-1964), O Rio de Janeiro no Século XVI (1965), A Historiografia Portuguesa, Doutrina e Crítica (1972-1974), História de Portugal (1977-1990), História das Universidades (1983) e Marcello Caetano, Confidências no Exílio (1985).

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Foi há 79 anos (1926), era QI: em Portugal, golpe de estado depõe o general Gomes da Costa do seu cargo de Presidente da República. Na chefia da Igreja estava Pio XI (259º).
Manuel de Oliveira Gomes da Costa (1863-1929) durante muitos anos dedicou-se à sua carreira militar.

Em 1921 iniciou a sua carreira política, candidatando-se pelo partido reformista. Pressionado para chefiar o movimento militar que se propunha terminar com a anarquia política vigente, em Maio de 1926 lançou, em Braga, o grito «Às armas, Portugal!». Assumiu a Presidência da República a 17 de Junho mas, vítima de vários jogos de poder, foi deposto a 9 de Julho. Em Outubro de 1926 foi promovido a marechal.

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Foi há 75 anos (1930), era uma TR: é aprovado o Acto Colonial, base programática e legal de uma política colonial essencialmente imperial e centralista. Carmona cumpria o seu 1º mandato por eleição. O governo da Igreja estava confiado ao papa Pio XI (259º).

A estrutura do edifício da ditadura ia-se compondo. Agora era o Acto Colonial, instrumento legal que, nas colónias, impunha uma política autoritária e centralista.

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Foi há 41 anos (1964), era uma QA: inauguração do aeroporto do Funchal. Era PR o almirante Américo Tomás. Decorria o pontificado de Paulo VI (262º).

Estas eram as oportunidades de Américo Tomás cumprir a mais “nobre” missão que lhe era atribuída: cortar a fita de uma inauguração.

Por vezes, em circunstâncias tais, oferecia-nos uma daqueles brilhantes improvisos a que nos habituara. Por mero esquecimento, estou seguro, a Academia não publicava tais discursos, mas eles eram, em grande parte, transcritos na secção “factos e documentos” da Seara Nova – como creio que já tive a oportunidade de recordar – para gáudio de todos nós, como verdadeiras pérolas do anedotário nacional.

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Foi há 38 anos (1967), era um SB: morreu Vivien Leigh, actriz inglesa. Em Portugal ainda era PR o almirante Américo Tomás. No Vaticano pontificava Paulo VI (262º).
Vivian Mary Hartley (1913-1967) era uma actriz inglesa de origem indiana. Estreou-se em 1934 como actriz de cinema e, no ano seguinte, actuou nos palcos de Londres e Nova Iorque. Artista de grandes capacidades dramáticas, tornou-se uma das maiores estrelas de Hollywood. Conquistou dois Óscares na categoria de melhor actriz pelos papéis de Scarlett O'Hara, nesse clássico que se intitulava Gone with the Wind/E Tudo o Vento Levou (1939), em que contracenou com Clark Gable, e de Blanche du Bois, em A Streetcar Named Desire/Um Eléctrico Chamado Desejo (1951). Foi casada com o actor inglês Laurence Olivier entre 1940 e 1960, tendo contracenado com o marido na peça Antony and Cleopatra (1951).

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Foi há 31 anos (1974), era uma SG: é criado o COPCON / Comando Operacional do Continente. Era PR Spínola. Paulo VI (262º) era o soberano pontífice.

Essa estrutura militar foi chefiada por Otelo Saraiva de Carvalho.

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Completam-se hoje 15 anos (1990), foi num DM: morre a actriz e empresária teatral Amélia Rey Colaço. Cumpria o seu 1º mandato o Dr Mário Soares. Já decorria o longo pontificado de João Paulo II (264º).

Amélia Rey Colaço, aliás, Amélia Schmidt Lafourcade Rey Colaço Robles Monteiro, nasceu num meio aristocrático (era filha do pianista e compositor Alexandre Rey Colaço, professor de música do rei D. Manuel, e de Alice Lafourcade Schmidt). Em 1920, casou com o actor Robles Monteiro, de quem teve uma filha, a actriz Mariana Rey Monteiro. Inicialmente destinada à carreira musical, o teatro tornou-se uma vocação irresistível para Amélia Rey Colaço, tendo começado por participar em pequenos recitais de poesia. Em 1917, estreou-se como actriz no Teatro da República (actual Teatro São Luís), na peça Marianela, de Pérez Galdós, obtendo um enorme sucesso. Em 1921, como protagonista de Zilda, de Alfredo Cortez, inaugurou, no Teatro de São Carlos, uma nova companhia teatral, a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro, que constituiu um símbolo do teatro português e cuja existência se manteve até 1974, altura em que foi suspensa.

A vida de Amélia Rey Colaço confunde-se com a história da companhia, pois ao longo dos 53 anos de duração da empresa (a maior parte dos quais como concessionária do Teatro Nacional D. Maria II), a actriz assumiu-se como a alma mater do teatro português. Inteligente e culta, conhecedora da literatura dramática portuguesa e estrangeira, apaixonada pelos grandes clássicos, interessada nas correntes dramatúrgicas contemporâneas, conseguiu, apesar da censura do Estado Novo, levar à cena nomes como Lorca, Harold Pinter e Eugène Ionesco. Empenhou-se na criação de um repertório nacional e na divulgação de textos arrojados para a época, sem nunca esquecer os novos autores portugueses (contribuiu para a afirmação de José Régio, Luís Francisco Rebelo, Bernardo Santareno e Miguel Franco). Chamou pintores prestigiados para colaborar consigo, como Raul Lino, Almada Negreiros e Eduardo Malta, e revelou novos actores como Raul de Carvalho, João Villaret, Eunice Muñoz, Carmen Dolores, Maria Barroso, João Perry, Rogério Paulo, Lurdes Norberto, Varela Silva e João Mota.

Como empresária, soube elevar a dignidade da actividade teatral e como encenadora, destacou-se pela atitude de pedagoga. (BU)

Foi uma Senhora, e um dos nomes grandes do teatro. Contam-se-lhe numerosos êxitos, entre eles As Árvores Morrem de Pé. “Foi sobretudo a sua versatilidade como actriz, a sua entrega, a sua generosidade e sua energia inesgotável que fizeram dela uma figura cimeira do teatro português até à sua retirada dos palcos em 1985, com a peça El-Rei Sebastião, de José Régio. Um dos seus últimos trabalhos foi na série de televisão Gente Fina É Outra Coisa (1982).”

Foi galardoada com diversos louvores e condecorações. Deixou publicado o livro Vinte anos no Teatro Nacional (1949). Colaborou com Vítor Pavão dos Santos, na fundação do Museu do Teatro. Morreu com 92 anos de idade.

Em 1998 (ano em que se comemorou o centenário do seu nascimento), a actriz foi objecto de uma grande homenagem no Teatro Nacional D. Maria II, onde tem desde então um busto, criado por Lagoa Henriques. (BU)

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Foi há 11 anos (1994), era uma SX: morreu Kim Sung II, chefe de Governo da Coreia do Norte desde 1948.

Durante seis séculos, o território correspondente à Coreia esteve sob protecção da China. Em 1592, os japoneses invadiram e conquistaram parte da Coreia. A disputa pelo território prolongou-se até ao século XX, entre o Japão, a URSS e a China. A República Democrática e Popular da Coreia foi formada a partir da delimitação da zona situada a norte do paralelo 38, ocupada pelas tropas soviéticas, após a rendição do Japão em 1945. A URSS instalou no poder um «Comité Executivo do Povo Coreano», onde entravam comunistas coreanos treinados pelos soviéticos, ainda antes de a Coreia do Norte ter sido proclamada uma República Popular, em 1948, sob a liderança do Partido dos Trabalhadores da Coreia, e com Kim Il Sung na presidência. As restantes forças soviéticas retiraram-se do país em 1949.

Em 1950, a Coreia do Norte invadiu em larga escala a Coreia do Sul, com o intuito de unificar a península coreana. Assim começou a Guerra da Coreia, que durou três anos e terminou num empate, após a intervenção de tropas das Nações Unidas apoiadas pelos EUA (que apoiava a Coreia do Sul) e de tropas da China (que apoiava a Coreia do Norte). A fronteira entre o norte e o sul, situada no paralelo 38, foi restabelecida pelo acordo de armistício celebrado em Julho de 1953, tendo sido criada uma zona tampão desmilitarizada e patrulhada pela ONU. A Coreia do Norte nunca aceitou este acordo, mantendo as suas intenções de reunificação

Internamente, os anos que se seguiram a 1948 foram sinónimo de desenvolvimento económico, segundo os moldes de planificação socialista.

O crescimento económico da Coreia do Norte ficou, contudo, muito aquém do observado na rica e mais populosa Coreia do Sul. No que diz respeito à política externa, a Coreia do Norte adoptou uma posição neutral no conflito sino-soviético, assinando um tratado de amizade e assistência mútua com a China em 1961, ao mesmo tempo que recebia ajuda económica e militar da URSS. A Coreia do Norte permaneceu em grande parte imune à onda de reformas pluralistas ou de socialismo de mercado que inundou os outros países comunistas a partir de 1987.

Durante a década de 80, a política da Coreia do Norte passou a ser dominada pela questão da sucessão, tendo Kim Il Sung procurado nomear o seu filho, Kim Jong Il, como o único herdeiro. Em 1992, Kim Jong Il substituiu o seu pai no cargo de comandante supremo das forças armadas. Todavia, houve alguns elementos do Partido dos Trabalhadores e das Forças Armadas que se opuseram aos propósitos de sucessão invocados por Kim.

O colapso do comunismo na URSS privou a Coreia do Norte de um considerável auxílio militar e económico, não tendo a China conseguido preencher a lacuna. A Coreia do Norte foi forçada a rever a sua estratégia de isolamento, procurando atrair ao seu país o investimento estrangeiro, sobretudo dos japoneses.

Quando Kim Il Sung morreu, sucedeu-lhe o seu filho, Kim Jong Il, no papel de líder nacional.

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quarta-feira, julho 06, 2005

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

2005/2015 - Década das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.
2005 - Ano Internacional do Microcrédito. Ano Internacional da Física (aprovado pela UNESCO)
Dia mundial da Cooperação.
Dia Nacional do Malawi.
Dia Nacional das Comores.

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Aconteceu há 816 anos (1189), era uma QI: Ricardo Coração de Leão, Ricardo I, sucedeu a seu pai, Henrique II, no trono britânico. Em Portugal reinava D. Sancho I (2º). O romano pontífice era Clemente III (174º).

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Aconteceu há 470 anos (1535), era uma TR: Thomas Morus é decapitado por traição, na Tower Hill, em Londres. Em Portugal decorria o reinado de D. João III (15º). Em Roma pontificava Paulo III (220º).
Tomás Morus, que foi escritor e político inglês, nasceu em 1478. Estudou grego, latim, francês, teologia e música em Oxford e direito no Lincoln's Inn, em Londres, sendo influenciado pelos humanistas John Colet e Erasmo, de quem se tornou amigo. Com assento no parlamento desde 1504, tornou-se protegido de Henrique VIII, a partir de 1509. Foi membro do conselho privado desde 1518 e presidente da Câmara dos Comuns em 1523. Armado cavaleiro em 1521, tornou-se ministro da justiça, a partir de 1529, com a queda do cardeal Wolsey, demitindo-se após o corte de relações de Henrique VIII com o papa. Em 1534 recusou-se a fazer o juramento de supremacia de Henrique VIII como chefe da Igreja e, após um ano de encarceramento na Torre de Londres, foi executado. Entre as obras de Tomás Morus contam-se Utopia (1516), um clássico indispensável, que o autor escreveu em latim, que esboça uma sociedade ideal e perfeita; Dialogue, em inglês, (1528), uma tese teológica contra o líder da Reforma, Tyndale; e História de Ricardo III. Foi também patrono de artistas entre os quais Holbein (que chegou a ser
pintor oficial da corte inglesa). Morus foi canonizado em 1935, por Pio XI (259º).

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Foi há 452 anos (1553), era uma QI: Maria I sobe ao trono, tornando-se a primeira rainha reinante de Inglaterra. Em Portugal reinava D. João III (15º). Na suprema direcção da Igreja estava Júlio III (221º).
Maria I, conhecida como Maria Tudor ou Bloody Mary (1516-1558), era a filha mais velha de Henrique VIII e Catarina de Aragão (que antes fora sua cunhada, viúva dum seu irmão). Maria I ocupou o trono após a morte de Eduardo VI, apesar da conspiração para colocar Lady Jane Grey no trono.

A história conta-se em breves palavras: Lady Jane Grey (1537-1554) era bisneta de Henrique VII e tinha forte apoio junto de Eduardo VI, neto do mesmo Henrique VII, e filho de Henrique VIII (e de sua 3ª mulher, Jane de Seymour). Eram, pois, parentes. Eduardo VI foi persuadido, portanto, por uma facção, a ignorar a pretensão ao trono de suas irmãs consanguíneas Maria (filha do 1º casamento de seu pai) e Isabel (I), (filha do 2º casamento do pai, com Ana Bolena). À morte de Eduardo, que ocorreu em 6 de Julho de 1553, Grey aceitou a coroa, sendo proclamada rainha quatro dias depois (foi rainha durante 9 dias – de 10 a 19JUL1553). Mas Maria, embora católica, contava com o apoio popular e acabou por subir ao trono a 19 de Julho, sendo então proclamada rainha. Lady Jane Grey acabaria por ser executada em Tower Green, no ano seguinte, em 1554.

Pelos vistos, na história de Inglaterra o episódico reinado de Lady Grey, não entra em linha de conta. Considerando-se a subida ao trono de Maria I nesta data de 06.07.1553, que foi quando seu meio-irmão (irmão consanguíneo) faleceu.

Maria I, como católica devota, obteve a restauração da supremacia papal e autorizou a perseguição dos protestantes. Em 1554 casou com Felipe II de Espanha (Filipe I de Portugal) o que provocou a supremacia da política espanhola face aos interesses ingleses. Sem descendentes, foi sucedida pela sua meia-irmã (irmã consanguínea, em bom rigor) Isabel I, filha do mesmo Henrique VIII e de sua 2ª mulher, Ana Bolena.

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Faz hoje 247 anos (1758), era uma QI: é eleito Clemente XIII (248º), que é entronizado em 16JUL seguinte. No trono de Portugal estava D. José (25º).

Clemente XIII sucede a Bento XIV, que morreu em 03.05 anterior.

O veneziano Carlos Rezzonico foi papa, com o nome de Clemente XIII, de 1758 a 1769 (pouco mais de 10 anos e meio). Ainda este papa não tinha subido ao trono e já se verificava a luta entre o conde de Oeiras (depois marquês de Pombal) e os jesuítas. E o clima chegou ao corte de relações diplomáticas entre o Governo de Portugal e a Santa Sé, desde 1760. Relações que só foram restabelecidas no pontificado de Clemente XIV.

Clemente XIII morreu a 02FEV1769. Sucede-lhe Clemente XIV, o italiano Lourenço Ganganelli, papa de 1769 a (1774) (pouco mais de 5 anos). E avanço um pouco neste novo papado pelas ligações que tem com a nossa história.

Uma das primeiras preocupações de Clemente XIV, o novo papa, terá sido a de restabelecer as relações com o governo de Portugal. E, relativamente ao contencioso com os jesuítas, Clemente XIV (249º), em 21.07.1773 [QA], após 4 anos de luta, publicou o breve Dominus ac Redemptor mediante o qual dissolve a Companhia de Jesus. Sem, contudo, a condenar.

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Aconteceu há 209 anos (1796), que foi numa QA: nasceu Nicolau I, czar da Rússia. Em Portugal D. Maria I estava afastada da governação, por incapacidade. Até esse ano, seu filho D. João (VI) assumiu os negócios de Estado em representação da soberana, ainda viva. Mas a partir desse ano, assumiu mesmo a regência do reino, até ao passamento da rainha. Pontificava Pio VI (250º).

Nicolau I foi czar da Rússia a partir de 1825. Despótico e autoritário, reprimiu severamente a revolta das sociedades secretas em 1825, instituiu uma polícia política, proibiu a divulgação de ideias estrangeiras, controlou a imprensa e as universidades e publicou as «leis de ferro» que regulavam a censura. Desenvolveu a indústria e os caminhos-de-ferro. As suas ambições nos Balcãs conduziram à guerra com a Turquia (1827-1829), reprimiu a revolução polaca de 1830 e entrou na Guerra da Crimeia (1853-1856). Morreu, entretanto, no decurso dessa guerra, em 1855.

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Completam-se hoje 134 anos (1871), o que aconteceu numa QI: morreu, aos 24 anos, Castro Alves, escritor brasileiro. Em Portugal decorria o reinado de D. Luís (32º). E o pontificado de Pio IX (255º).

O poeta António Frederico de Castro Alves tinha um futuro promissor, mas morreu muito jovem. Nem por isso, porém, deixou de contar entre os nomes grandes da literatura do país irmão.

Estudante de Direito em Recife, o autor rapidamente se destacou como poeta, empolgado pelos ideais liberais e abolicionistas da mocidade académica daquela época. Depois de abandonar a capital pernambucana, juntamente com a actriz portuguesa Eugénia Câmara, por quem se apaixonara, tendo escrito, para ela representar, o drama Gonzaga ou a Revolução de Minas, publicado postumamente em 1875. Pouco depois, rompeu com a amante, mergulhando numa crise de melancolia.

Em fins de 1869, tratou da edição de Espumas Flutuantes (1870), ainda publicado em vida, já que no ano seguinte morria, vítima de tuberculose.

Castro Alves, o último grande poeta do Romantismo brasileiro, distinguiu-se pela sua vertente lírica, tanto amorosa como naturalista, representada nas obras Espumas Flutuantes (1870) e Hinos do Equador, publicados na edição das Obras Completas de Castro Alves (1921), organizada por Afrânio Peixoto, que contem traduções e paráfrases de grandes nomes da literatura mundial, bem como textos de carácter épico-social, muitas vezes marcados pelo abuso das antíteses e hipérboles, o que já não sucede nas suas composições de carácter autobiográfico, em que expõe os seus êxtases e desalentos amorosos.

O talento oratório deste poeta ficou registado, sobretudo, na sua poesia abolicionista, inspirada pela adesão a uma causa social e humanitária de candente actualidade.

Transformou o escravo numa figura romanticamente trágica, impondo-o assim à atenção de uma sociedade insensível para com os aspectos desumanos da escravidão, de que são exemplo as obras A Cachoeira de Paulo Afonso (1876), longo poema narrativo, em que o amor de dois escravos é ilustrado tragicamente, de modo a acentuar a iniquidade do regime, e Os escravos (1883).

Em 1863 – ano em que se apaixona por Eugénia Câmara – publica os seus primeiros versos abolicionistas, “A Canção do Africano”.

Em 1871 regressa a Salvador da Baía, apaixona-se pela cantora Agnese Trinci Murri, agrava-se a sua tuberculose e morre nesta data.

Dele diria Machado de Assis: “Achei uma vocação literária cheia de vida e robustez, deixando antever nas magnificências do presente as promessas do futuro”.

Também, em Lisboa, Eça de Queirós ao ler a um amigo o poema “Aves de Arribação”

« (...) Às vez quando o sol nas matas virgens
A fogueira das tardes acendia...
(...)»

Comentará: “Aí está, em dois versos, toda a poesia dos trópicos”.

Em Portugal (nesses idos de 1871) estávamos no ano das Conferências do Casino, e de nomes grandes da nossa literatura que as promoveram e/ou nelas participaram, como Adolfo Coelho, Antero de Quental, Augusto Soromenho, Augusto Fuschini, Eça de Queirós, Germano Vieira Meireles, Guilherme de Azevedo, Jaime Batalha Reis, Oliveira Martins, Manuel Arriaga, Salomão Sáraga, Teófilo Braga. E de outros mais, como, Júlio Dinis, Ramalho Ortigão e Rebelo da Silva.

«Agripino Grieco, brasileiro, crítico de língua afiada. Sobre o que viu e ouviu [acerca de Castro Alves] tem, obviamente, uma opinião. Definitiva, como são todas as suas:

- Castro Alves não foi um homem, foi uma convulsão da natureza.»

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Completam-se hoje 112 anos (1893), era uma QI: morreu o escritor francês Guy de Maupassant, com cerca de 43 anos. Em Portugal reinava D. Carlos (33º). Dirigia os destinos da Igreja Leão XIII (256º).

Maupassant nasceu na Normandia, em 1850.

Representante do Naturalismo, é considerado como o maior contista francês. Após o sucesso alcançado com Boule de Suif, a colaboração do autor na imprensa começou a ser muito requisitada. Assim, deixa o seu trabalho no ministério e passa dois anos a escrever artigos para dois jornais: Le Gaulois e Gil Blas.

Gustave Flaubert foi o seu mentor. Acompanhou-o, encorajou-o a desenvolver o seu trabalho e foi graças a ele que Maupassant se tornou um grande escritor.

“A sua forma de escrever, dramática e concentrada, a sua clareza, talvez ilusória, o seu gosto pela concisão, o seu interesse pela realidade simples asseguraram a sua presença e a sua familiaridade”.

Foi aos trinta anos, em 1880, que nasceu para a escrita. Em dez anos publicou poesia, peças, mais de 300 contos, romances, cerca de 200 crónicas. Esta produção supõe que Maupassant tenha escrito no mínimo duas páginas por dia durante dez anos. Mas as viagens, os amores, as doenças não permitiram esta regularidade: a lição de Flaubert Travailler, Travailler, o sentido de organização da sua carreira e principalmente a escolha dos géneros breves, explicam parcialmente o seu percurso.

De entre a sua vasta obra, refiram-se alguns títulos:

La Main d'écorché (1875), L'Histoire du vieux temps (1879), Le Papa de Simon (1879), Une fille (1880), Mademoiselle Fifi (1882), Une vie (1883), Clair de lune (1883), Au soleil (1884), Miss Harriet (1884), Les Sœurs Rondoli (1884), Bel-Ami (1885), Contes du jour et de la nuit (1885), Mont-Oriol (1887), Le Horla (1887), Pierre et Jean (1888), La Main gauche (1889), La Vie errante (1890), L'Inutile Beauté (1890), Notre cœur (1890), Musotte (1891). (BU).

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Aconteceu há 103 anos (1902), foi num: nasceu, em Braga, o escritor Tomás de Figueiredo. Reinava o nosso penúltimo rei D. Carlos (33º). No Vaticano pontificava Leão XIII (256º).

Licenciado em Direito, a partir de 1960, dedicou-se exclusivamente à actividade literária. A sua obra, dispersa pela poesia, romance e peças de teatro, foi várias vezes premiada. Tomaz de Figueiredo tem como obras mais importantes A Toca do Lobo (1947), Nó Cego (1950), Uma Noite na Toca do Lobo (1952), A Procissão dos Defuntos (1954), Guitarra (1956), Conversa com o Silêncio (1960), A Gata Borralheira (1961), Dom Tanas de Barbatanas (1962), Vida de Cão (1963), Tiros de Espingarda (1966) e Viagens no Meu Reino (1968). Na opinião de António José Saraiva e Óscar Lopes, Tomaz de Figueiredo foi um dos melhores ficcionistas portugueses.

Morreu, com cerca de 68 anos, em 1970. (BU).

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Terá acontecido há 77 anos (1928), era uma SX: o primeiro filme sonoro, Lights of New York, é apresentado no Strand Theatre na cidade de Nova Iorque. Em Portugal, a esse tempo, já era PR o general Carmona, desta vez eleito em 28.03 último. A eleição era, por esses tempos, uma insignificante e irrelevante formalidade (a estrutura cimeira da ditadura é que ditava nestas matérias). Dentro em pouco, seria, decidida e decisivamente Salazar quem punha e dispunha em matéria de organização cimeira do Estado. Carmona era, por isso, o “vitalício” Presidente da República, para o que tinha dado e continuava a dar sobejas provas.

Mas era de cinema que falávamos. E não dum “filme”.

Passemos, pois, em revista um pouco da história do cinema. Neste caso, indo aos “fenícios”, e ficando por lá. Nas raízes.

Os primeiros filmes animados foram exibidos em 1890. Thomas A. Edison convenceu James J. Corbett (1866-1933), campeão mundial de boxe entre 1892 e 1897, a reproduzir um combate de boxe frente à câmara. Os irmãos Lumière, na França, Latham, nos EUA, e R. W. Paul (1869-1943), em Inglaterra, entre outros, começaram por fazer pequenos documentários sobre assuntos quotidianos: por exemplo, a entrada de um comboio numa estação ou pessoas à saída de uma fábrica, como La Sortie des Usines de Lyon (1896), mostrado pela primeira vez em Lyon. Em 1902, Georges Méliès, realizador francês, assinou a mais antiga história de fantasia - A Trip to the Moon - e, em 1903, Edwin Porter realizou para a produtora de Thomas Edison The Great Train Robbery, uma história de recorte dramático orçada em 100 dólares e cuja apresentação internacional iria render mais de 20 mil dólares. (BU).

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Completam-se hoje 70 anos (1935), foi num SB: nasceu, duma família de camponeses pobres, no Tibete, Tenzin Gyatso, 14º Dalai Lama, líder espiritual tibetano. Em Portugal cumpria o general Carmona, desde recentemente, o 2º dos seus 4 mandatos sucessivos (o último dos quais só não cumprido porque morreu). Na suprema direcção da igreja romana estava Pio XI (259º).
O Dalai Lama é um monge budista e o líder espiritual tibetano. Foi, ainda, dirigente político do Tibete desde 1940 até 1959.

O budismo tibetano crê que cada Dalai Lama é uma reencarnação do seu predecessor e também de Avalokitesvara (bodhisatva).

Avalokitesvara, no budismo Mahayana,
é um dos mais importantes bodhisatvas,
considerado a personificação da compaixão.
É, também, um dos companheiros do Buda Amida.
Na China e no Japão, a versão feminina deste avatar
(designação genérica das encarnações divinas na teologia birmânica)
é mais popular, sendo conhecida, respectivamente, por Kuan Yin e Kwannon.

Bodisatva
no budismo Maayana, é alguém que busca a iluminação,
com o objectivo de ajudar todos os seres vivos.
Um bodisatva pode aceder ao nirvana.
No entanto, ele opta voluntariamente por renascer,
até que todos os seres vivos tenham alcançado aquele estado.
Os bodisatvas são considerados intercessores, a quem os crentes oram para alcançar a redenção.

Iluminação
, neste contexto (no budismo) é o termo usado para traduzir o sânscrito bodhi,
percepção da realidade do mundo, ou da não realidade do eu,
e a consequente libertação do sofrimento (sânscrito duhkha).
É a porta para o nirvana. Filosoficamente, o termo designa o conhecimento intelectual da verdade.
Tal contemplação da verdade radica nas teses platónicas,
designadamente apresentadas nas obras Carta 7ª e Républica.

Nirvana
, segundo o budismo,
é o estado de perfeita serenidade alcançado através da erradicação de todos os desejos.
Para alguns budistas, isto significa uma completa aniquilação,
enquanto para outros representa a dissolução do eu no infinito.

No século XV, quando o cargo foi criado, o Dalai Lama era um título puramente religioso. O 5.o Dalai Lama (1617-1682) unificou politicamente o Tibete, e assumiu os poderes tanto temporais como espirituais.

O termo Dalai Lama é um título que significa «oceano de sabedoria». Foi atribuído pelo imperador mongol Altan Khan em 1578 ao terceiro Dalai-Lama, Sonam Gyatso (os seus dois predecessores receberam este título postumamente).

Dalai Lama é também o título do segundo posto na hierarquia da ordem do mosteiro de Gelugpa. Tenzin Gyatso foi escolhido para ser o 14.o Dalai Lama, em 1937, com 2 anos de idade.

O Dalai Lama é a mais alta autoridade espiritual de todas as escolas tibetanas, que é o único movimento budista assim hierarquizado. Ocupa, simultaneamente, uma função política: chefe do governo tibetano. A sua residência, o Potala, foi também, o centro administrativo do país até 1959, data em deixou o país devido à ocupação chinesa.

Tenzin Gyatso em Fevereiro de 1940 foi entronizado em Lhasa, onde recebera uma formação religiosa e espiritual completa. Refugiou-se temporariamente no estrangeiro, entre 1950 e 1951, quando os chineses invadiram o Tibete e, em Março de 1959, quando uma revolta local contra a ocupação chinesa foi esmagada, empreendeu uma dramática fuga de Lhasa para a Índia, instalando-se, desde então, em Dharmsala, no Punjab. No exílio, continuou a campanha para a autonomia política do seu país.

Os chineses prometeram retirar-lhe a proibição de viver no Tibete na condição de cessar os seus apelos à independência. O seu representante, o Panchen Lama, colaborou com os chineses, mas não conseguiu obter a protecção dos monges. Na verdade, o Dalai Lama limita-se a reivindicar a autonomia política interna e a cessação da penetração chinesa forçada no Tibete, preocupando-se, sobretudo, com o bem-estar dos muitos tibetanos que com ele fugiram para o exílio.

Em 1963, o Dalai Lama apresentou «um projecto de constituição democrática pelo seu país e, em 1992, comprometeu-se a renunciar a qualquer autoridade política e histórica na condição de o “Tibete restituir a independência do Tibete”» [Sic!, no original].

Em 1989, recebeu o Prémio Nobel da Paz, pela sua acção não violenta face à ocupação chinesa.

Em 1999, foi lançado Um Guia para a Vida da autoria do Dalai Lama juntamente com Howard C. Cutler.

O Dalai Lama vive, actualmente, em Dharamsala, uma cidade do norte da Índia. O Dalai Lama é considerado em todo o mundo um exemplo de paz.

Para o Dalai Lama, o budismo não é um dogma nem uma religião, mas sim um modo de vida dentro da paz, da alegria e da sabedoria. Dá especial importância à responsabilidade universal e à interdependência dos indivíduos e das nações na realização da bondade essencial da natureza humana. Desde há muitos anos que o Dalai Lama viaja incansavelmente, para ensinar a paz a sabedoria e a alegria.

Em Novembro de 2001, o Dalai Lama fez uma visita a Portugal de carácter particular. O líder espiritual do budismo tibetano recebeu o grau de doutor «honoris causa» pela Universidade Lusíada do Porto, apadrinhado pelo antigo Presidente da República, Mário Soares. A atribuição desta distinção deveu-se ao seu papel como paladino do ecumenismo e da aproximação das diversas religiões, manifestando um profundo respeito pelas diferentes formas de expressão de fé. (BU-Texto Editores. Diversas entradas).

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Completam-se hoje 68 anos (1937), era uma TR: na sala dos Passos Perdidos do Palácio de S. Bento, o presidente do Conselho, Salazar, responde à homenagem que lhe é prestada por 1 500 oficiais das Forças Armadas. O presidente “vitalício” general Carmona cumpria o 2º dos seus 4 mandatos presidenciais sucessivos, de que só não cumpriria o 4º por ter falecido. Pontificava Pio XI (259º).

As cúpulas do edifício da ditadura não se cansavam de louvar o chefe e de lhe manifestar a sua gratidão “por ter salvo a Pátria”. Eram muito vulgares tais homenagens. Como aconteciam com frequência as manifestações “espontâneas” ao carismático e “providencial” líder… Manifestações minuciosamente organizadas (!!) com transportes colectivos pagos – para as “grandes massas”, entenda-se – a partir de variadíssimos pontos do país.

Tais cúpulas – obviamente agradecidas – precisavam tanto de endeusar o Chefe como tinham necessidade de respirar.

As ditas manifestações eram utilizadas e divulgadas internamente e no exterior, pela máquina propagandística do regime, escamoteando, claro, a cuidadosa organização da sua “espontaneidade” (!?), apresentando-as, antes, ao mundo como se espontâneas fossem na realidade.

O regime vivia dessas ilusões, dessas manifestações, dessas homenagens. Eram a necessária encenação de uma realidade que lhe escapava, mas que persistia em ver assim, como sonhada.

O Chefe sentia nelas (nas tais cúpulas) a gratidão, a reverência, o tributo das “massas” desse “enorme País que ia do Minho a Timor”.

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Faz hoje 59 anos (1946), foi num SB: nasceu, em New Haven, Connecticut, EUA, George W. Bush, presidente dos EUA. Nesse tempo, em Portugal tínhamos ainda na chefia do Estado o “vitalício” PR general Carmona. A igreja romana tinha à sua frente o papa Pio XII (260º).

O polémico e controverso político republicano, 43.º e 44.º presidente dos Estados Unidos da América, filho do ex-presidente George Herbert Walker Bush, apesar de nunca ter tido um bom aproveitamento escolar, candidatou-se à Universidade do Texas e à famosa Universidade de Yale. A Universidade do Texas recusou a sua candidatura mas os conhecimentos do pai, bem como o facto de tanto ele como o avô a terem frequentado, abriram-lhe as portas desta universidade. Apesar de não ter sido um bom aluno, acabou por se licenciar em Direito em 1968. Regressou depois ao Texas, ingressando na Guarda Aérea do Texas, como piloto de aviões, o que o protegeu da ida para o Vietname. Em 1972, pediu transferência para a Guarda Aérea do Alabama, mas antes de completar os anos de serviço pediu autorização para abandonar a Guarda, de forma a poder ingressar na Harvard Business School, onde ingressou em 1973. Dois anos depois, obteve o MBA (Master od Business Administration) em Harvard.

Em 1978, seguindo as pisadas do pai, George W. Bush dedicou-se à prospecção de petróleo e criou uma empresa petrolífera, um desaire em termos económicos, só atenuado pela sua absorção num processo de fusão com outra empresa. Bush foi então escolhido para a presidência da nova empresa que, quatro anos depois, já lidava com sérias dificuldades financeiras.

Assim, de insucesso em insucesso, desiste de lides mais exigentes para se dedicar ao negócio desportivo.

Pelos vistos, não é só neste canto “à beira mar plantado” que o desporto e a política vivem em promíscuas relações.

Para o agora presidente Bush poder concretizar o seu sonho – a presidência da Federação de Basebol, o desporto rei nas terras do tio Sam – foi-lhe sugerido que se tornasse, primeiro, governador do Texas.

Certo que já antes, em 1978, sofrera um desaire na candidatura a um cargo político, mas homem decidido que é (sobretudo para o erro e para o fracasso) avançou mesmo com a candidatura, e desta vez tornou-se governador do Texas, em 1994, cargo para o qual foi reeleito em Novembro de 1998 (um feito inédito). O sucesso de Bush no Texas impressionou o Partido Republicano, que logo decidiu que seria ele o seu candidato presidencial para 2000.

«Com uma imagem francamente negativa perante os americanos, Bush alterou a sua conduta tanto profissional como pessoal, abandonando o álcool completamente, pouco tempo depois do seu 40.º aniversário. Tornou-se mais religioso direccionando-se para a fé metodista. Tornou-se igualmente mais sério profissionalmente, uma mudança provocada pela decisão do seu pai em concorrer às eleições presidenciais de 1988».

A 7 Novembro de 2000, os americanos foram a votos, não conseguindo decidir em 24 horas o próximo presidente dos Estados Unidos. Ao longo de toda a campanha, Al Gore e George W. Bush estiveram separados por uma diferença mínima. As sondagens mostraram os candidatos numa situação de empate técnico, em termos absolutos, a maioria das sondagens dava vantagem a Bush, mas, em alguns Estados, Gore poderia vencer por uma pequena margem. No Estado da Florida, a disputa foi mais renhida, uma vez que este Estado elege só por si 25% dos votos dos 270 dos grandes eleitores. Na noite das eleições, Al Gore foi dado como vencedor no Estado da Florida, para poucas horas mais tarde George W. Bush ser anunciado como vencedor do mesmo Estado. A vantagem de Gore no Colégio Eleitoral era de 267 votos, contra 246 de Bush. A margem era tão estreita que a lei da Florida exigiu a recontagem automática. George W. Bush interpôs um processo judicial para bloquear o pedido de Gore de recontagens manuais. O tribunal rejeitou este pedido e Katherine Harris (secretária de Estado da Florida, republicana) afirmou que a lei do Estado da Florida exigia que os resultados fossem entregues até às 17h do dia seguinte (14 de Dezembro) e que todas as recontagens manuais apresentadas posteriormente seriam rejeitadas.

Gore recorreu para o Supremo Tribunal da Florida, deferindo o seu pedido e dando início às recontagens manuais. O Supremo Tribunal da Florida proibiu Harris de certificar os resultados e o tribunal federal de apelação recusou impedir as recontagens.

Depois de cinco semanas de complicadas batalhas jurídicas, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos declarou Bush o vencedor do Estado da Florida por uma margem de 537 votos.

Vitória discutível, todo o mundo comentou. Mas em casa deles (e não só?!), os americanos é que mandam.

Depois, claro que se seguiram outros sucessos, como o Iraque.
Mas, por ora, vamos ficar por aqui na novela. Pela génese do brilhante político.

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Completam-se hoje 43 anos (1962), era uma SX: morreu William Faulkner, escritor norte-americano, com cerca de 65 anos. Em Portugal decorria o primeiro dos 3 mandatos sucessivos, de 7 anos cada, de Américo Tomás – que não completaria o 3º porque foi deposto pelo 25 de Abril. No Vaticano reinava João XXIII (261º).
William Faulkner, alias, William Cuthbert Falkner (ainda sem o u que depois iria acrescentar ao seu apelido) nasceu em New Albany, no Mississipi, em 1897.

Faulkner inscreveu-se, como voluntário, na Força Aérea do Canadá, mas a I Guerra Mundial terminou sem que fosse chamado a combater. Manteve o gosto pela aviação e chegou a comprar um avião. O seu primeiro romance, Soldier's Pay (1926), tem como tema o regresso à Geórgia de um aviador, veterano de guerra, fatalmente ferido. O seu segundo romance Mosquitoes (1927) é uma corrosiva sátira ao círculo literário de Nova Orleães.

Em 1925, publicou o seu primeiro livro, um volume de versos intitulado The Marble Faun. No ano seguinte, antes de partir para uma viagem à Europa, conheceu, em Nova Orleães, o ficcionista Sherwood Anderson, cuja influência terá sido determinante para o convencer a escrever sobre a realidade que lhe estava mais próxima e que melhor conhecia: a sociedade do Sul dos EUA.

Depois da guerra, regressou a Oxford, no Mississipi, que lhe serviu de modelo para a cidade de Jefferson, no condado de Yoknapatawpha, onde decorre a acção dos seus mais importantes romances.

O terceiro e mais célebre romance deste autor, The Sound and The Fury/O Som e a Fúria (1929), tem como tema o declínio de uma família sulista, contada através de quatro narradores, e que começa com uma narrativa particularmente complexa em monólogo interior. Só foi reconhecido como um dos mais importantes escritores dos Estados Unidos da América após a II Guerra Mundial, sendo-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura em 1950.

Entre as obras posteriores deste autor, que utilizam estruturas extremamente complexas, incluem-se As I Lay Dying/Na Minha Morte (1930), Light in August/Luz de Agosto (1932) e Absalom, Absalom!/Absalão, Absalão! (1936). A estes romances seguiu-se a trilogia menos experimental, The Hamlet (1940), The Town (1957) e The Mansion (1959), que percorre a ascensão da materialista família Snopse.

Em 1962, publicou a sua última obra, The Reivers/Os Ratoneiros. Faleceu no dia 6 de Julho desse ano, em consequência de uma queda de cavalo.

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Foi há 40 anos (1965), era uma TR: o filme dos Beatles A Hard Day’s Night estreia em Londres, com presença real. Isto, quando, em Portugal, a chefia do Estado cabia ao almirante Américo Tomás. E quando, em Roma, pontificava Paulo VI (262º).
“The Beatles”, assim se chamava o grupo inglês que mais revolucionou a música pop (1960-70). Os elementos da banda, todos nascidos em Liverpool, eram John Lennon (1940-1980, guitarra-ritmo e vozes), Paul McCartney (1942-, baixo e vozes), George Harrison (1943-2001, guitarra-solo e vozes), e Ringo Starr (Richard Starkey, de seu verdadeiro nome, 1940-, bateria). Através de canções escritas na sua grande maioria por Lennon e McCartney, os Beatles dominaram a música rock e a cultura pop nos anos 60.

Nos primeiros tempos, os Beatles foram tocando em Liverpool e em Hamburgo, Alemanha. Atingiram o top 30 com o primeiro disco que lançaram Love Me Do (1962); o seguinte, Please Please Me foi número dois. A partir daí, até 1967, todos os singles e álbuns editados chegaram ao número um das tabelas britânicas.

No auge da chamada «beatlemania», foram protagonistas em dois filmes, A Hard Day's Night (1964) – a que se refere esta memória - e Help! (1965), e compuseram a banda sonora do filme de animação Yellow Submarine (1968). Desde o seu lançamento, em 1965, até 1975, a balada Yesterday foi regravada por 1186 músicos ou grupos diferentes. Quando gravaram Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967), utilizando dois gravadores de quatro pistas, os Beatles estavam a antecipar desenvolvimentos tecnológicos posteriores.

Os Beatles foram o primeiro grupo britânico a desafiar o domínio dos norte-americanos sobre o rock and roll, continuando a influenciar a música pop muito para além da sua separação em 1970. Das trinta canções mais frequentemente passadas nas estações de rádio dos Estados Unidos entre 1955 e 1991, treze foram assinadas por elementos dos Beatles que, após a separação, prosseguiram carreiras a solo com diferente sucesso. (Excertos da BU).

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Completam-se hoje 34 anos (1971), foi numa TR: morreu Louis Armstrong, trompetista e cantor norte-americano de jazz. Em Portugal, o Estado Novo estava prestes a desmoronar-se. Ainda era PR o almirante de verbo fluente e palavra fácil, Américo Tomás, de seu nome, autor de notáveis discursos (cujos excertos, de muitos deles, eram transcritos nos “factos e documentos” da Seara Nova, onde se coligia o melhor anedotário político nacional dessa época).

No Vaticano pontificava Paulo VI (262º).
Mas era de Louis Armstrong que nos ocupávamos.

Armstrong morreu dois dias depois de ter feito 71 anos. Assim, basta ver a “memória…” do dia 04.07 para recordar o que de mais importante há a reter desse monstro do Jazz.

Neste momento basta recordar, em síntese que «“Satchmo” (uma alcunha do jazzista) foi o primeiro mais importante solista no Jazz, e um dos que por isso mesmo mais influenciou músicos à sua volta, mas não só. Foi, e é intemporal: apesar de falecido em 1971, a sua influência ainda hoje persiste em muitos músicos de jazz da actualidade, em particular dos trompetistas».

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Foi há 32 anos (1973), era uma SX: morreu Otto Klemperer, maestro alemão, com cerca de 88 anos. Em Portugal, a ditadura e os seus mais altos expoentes, Américo Tomás e, na altura, Marcelo Caetano (Salazar morrera três anos antes, depois de afastado do poder nos dois últimos anos da sua vida, mas morreu convencido de que ainda era o chefe do governo!), o regime, dizia eu, já não duraria um ano.
Otto Klemperer, que nasceu em 1885, tornou-se famoso pelas suas interpretações da música clássica e contemporânea (especialmente de Beethoven e Brahms). Foi Mahler quem o incentivou a seguir a regência. Dirigiu a orquestra de Los Angeles entre 1933 e 1939, e a Orquestra Filarmónica de Londres, a partir de 1959.

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Aconteceu há 26 anos (1979), foi numa SX: a Société d' Encouragement au Progrès distingue o escritor Fernando Namora com a Medalha de Ouro 1979 e os escritores Sophia de Mello Breyner Andresen e Jacinto do Prado Coelho com a Medalha de Vermeil 1979. Na altura era presidente da República o general Ramalho Eanes (1º mandato). E no Vaticano pontificava João Paulo II (264º).
Fernando Namora (1919-1989), natural de Condeixa-a-Nova, formou-se em Medicina, que ainda exerceu alguns anos. Mas a sua grande vocação era a escrita.

Estreou-se com Relevos (1938), livro de poesia ligado ainda às tendências do grupo da Presença. Três anos mais tarde, Terra (também poesia) dava início à publicação do Novo Cancioneiro, órgão do Neo-Realismo, que então começava a afirmar-se. Entretanto, publicara, também em 1938, o romance As Sete Partidas do Mundo (Prémio Almeida Garrett), que marcava já a viragem ao encontro do Neo-Realismo.

Dotado de uma profunda capacidade de análise psicológica, a que se aliou uma linguagem de grande carga poética, foi dos escritores portugueses internacionalmente mais divulgados.

De entre a sua vasta obra destaco quatro títulos: A Noite e a Madrugada (1950), Domingo à Tarde (1961, Prémio José Lins do Rego), Diálogo em Setembro (1966) e Resposta a Matilde (1980).

Para além disso, a sua experiência como médico deu azo a uma obra de grande sucesso - Retalhos da Vida de um Médico (de que saiu um primeiro volume em 1949 e outro, que apresentava já quadros citadinos, em 1963), e que foi adaptada ao cinema, por Jorge Brum do Canto, e, posteriormente, à televisão.

A sua produção poética foi reunida, em 1967, no volume As Frias Madrugadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) era natural do Porto. Frequentou o curso de Clássicas na Faculdade de Letras de Lisboa, “não tendo chegado a concluí-lo, talvez por a sua força poética não caber nos cânones universitários”.

Teve uma intervenção política empenhada (ao lado do seu marido, o advogado Francisco Sousa Tavares), opondo-se ao regime salazarista e também, após o 25 de Abril de 1974, como deputada.

O ambiente da sua infância reflecte-se em imagens e ambientes presentes na sua obra, sobretudo nos livros para crianças.

A sua actividade literária (e política) pautou-se sempre pelas ideias de justiça, liberdade e integridade moral.

Conviveu com nomes da literatura e cultura portuguesas, como Miguel Torga, Ruy Cinatti, Jorge de Sena e Vieira da Silva.

Na lírica, estreou-se com Poesia (1944), a que se seguiram, entre muitos outros, Dia do Mar (1947), O Cristo Cigano (1961), Livro Sexto (1962, Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores) e O Nome das Coisas (1977, Prémio Teixeira de Pascoaes).

Em 1968, foi publicada uma Antologia e, entre 1990 e 1992, surgiram três volumes da sua Obra Poética. Colaborou ainda com Júlio Resende na organização de um livro para a infância e juventude, intitulado Primeiro Livro de Poesia (1993).

Para além do prémio a que se refere esta “memória”, muitos outros recebeu Sophia, nome grande das nossas letras do séc. XX.

Era mãe de Miguel Sousa Tavares, jurista, jornalista e escritor.

Jacinto do Prado Coelho (1920-1984), natural de Lisboa, foi professor universitário e ensaísta.

Desempenhou vários cargos no mundo da cultura.

Tem sido considerado um dos mais completos e versáteis investigadores literários contemporâneos, a ele se devendo numerosas obras de análise, quer de movimentos estéticos, quer de autores, e ainda ensaios sobre teoria literária. Destaca-se também a sua direcção do Dicionário das Literaturas Portuguesa, Galega e Brasileira (1960).

Escreveu, entre outras obras, A Poesia Ultra-Romântica (1944), Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa (1949), e, o seu último livro, Camões e Pessoa, Poetas da Utopia (1984).

A Associação Internacional da Língua Portuguesa instituiu um prémio com o seu nome.

Foi pai de Eduardo do Prado Coelho, igualmente natural de Lisboa, onde nasceu em 1944, doutorado em Românicas, professor universitário, Crítico literário e de cinema, e ensaísta.

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Foi há 13 anos (1992), era uma SG: em Londres, encontro entre os políticos da Irlanda do Norte e da República da Irlanda, pela primeira vez desde 1921, com o objectivo de estabelecer a autonomia administrativa na província britânica. Nessa altura, em Portugal a chefia do Estado cabia ao Dr Mário Soares (já então no seu 2º mandato). O soberano pontífice era João Paulo II.
A Irlanda é uma ilha que está situada a Oeste da Grã-Bretanha, e está dividida em República da Irlanda (que ocupa o sul, centro e noroeste da ilha, com capital em Dublin) e Irlanda do Norte (que ocupa o nordeste e faz parte do Reino Unido, com capital em Belfast).

Entre 1918 e 1921 existiu uma constante guerrilha contra o exército britânico, em particular por parte do Exército Republicano Irlandês (IRA), fundado por Michael Collins em 1919. Este facto conduziu a uma divisão dentro das forças rebeldes mas, em 1921, o tratado anglo-irlandês resultou na partilha e criação do Estado Livre Irlandês no sul da Irlanda.

Foi há 7 anos (1998), era uma SG: abre o aeroporto de Chek Lap Kok, em Hong-Kong, considerado um dos maiores e mais modernos de todo o mundo. Em Portugal decorria o 1º mandato presidencial do Dr Jorge Sampaio. Pontificava ainda o papa João Paulo II.

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terça-feira, julho 05, 2005

A POBRE CRIATURA


Não sei se haverá algum jornalista, comentador ou analista do “Contenente” que tenha poupado A. J. Jardim.

Salvo, obviamente, Luís Delgado.

A esse, ao cronista-mor da dinastia dos Jardim-Santana-Valentim-Isaltino, ainda não ouvi uma palavra de azedo descontentamento, de séria reprovação, de estampada discórdia.

Desta vez é o Editorial, de hoje, do Público, pela pena do seu director, José Manuel Fernandes. E não se poupa a “mimos”, não se compadece com a criatura, utilizando o verbo adequado, a palavra certeira, o adjectivo apropriado.

«Valerá a pena comentar os dislates de Alberto João Jardim? Não será isso ir exactamente ao encontro do que pretende o soba do Funchal, isto é, propaganda? Depois de tudo o que ao longo dos anos bolsou, sóbrio ou etilizado, mascarado ou engravatado, Jardim nem surpreende. Nem se calhar chega a chocar, pois o hábito enjoa e o homenzinho tornou-se tão insignificante e exótico que já só pelo superlativo da provocação chama a atenção».

Pouco depois acrescenta ainda:

«Demagogo nato, o passo agora dado - que deve ser lido como um estímulo aos instintos mais básicos que levam ao racismo e à xenofobia - mereceu condenação geral, desta vez com a excepção, lamentável, do CDS (que disse "compreender as preocupações de Jardim") (…) e a novidade da condenação da direcção do PSD».

Na realidade, já chega de bojardas. A histriónica criatura devia deixarnos em paz.

Na sua visão tribalista da política, o “soba” devia reservar as suas energias para a sua clientela, que dele directa ou indirectamente depende. E que não são tão poucos como isso!

Não vale a pena desperdiçar mais palavras com tal rês. Com tão apoucada criatura.

Mas já agora recordo o que, recentemente, há cerca de um mês, escrevia nestas páginas. Aqui.


TALVEZ HAJA UM MEIO TERMO


No meu tempo não havia piercings. E as tatuagens eram mais raras. Estas, quase só certos “machos” as tinham e para as exibir com evidente “orgulho”.

Mas algumas modas repetem-se. Ou assemelham-se a outras antigas.

Hoje, os rapazes de brinco e de crista cheia de gel – é o mesmo que a malta do meu tempo de calças à golfe e fixador no cabelame.

Não que houvesse maior sobriedade, antigamente. Só que o preconceito tinha muito mais força.

Nem a moderação (?) do meu tempo, nem a descontrolada exuberância de hoje.

Já, há milénios, diziam os latinos: “in medio virtus est”

“SÍTIO” DO SIM, DO NÃO E DO TALVEZ


Depois do congelamento da matéria da Constituição europeia, tem-se escrito muito menos sobre o assunto.

Mas achei interessante este artigo porque, além de uma síntese da história, faz um ponto da situação.

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A Europa de regresso aos valores

Paulo de Almeida Sande / PÚBLICO / TR 05JUL05

Logo em 1954, a rejeição da Comunidade Europeia da Defesa pela Assembleia Nacional Francesa lançou a então jovem Comunidade do Carvão e do Aço numa crise de que parecia não poder sair. Três anos depois, nasceu a Comunidade Económica Europeia (CEE).
Em 1966, uma crise de grandes proporções deixou a CEE sem Presidência (do Conselho) durante seis meses. Só foi resolvida por um acordo confuso, o "acordo do Luxemburgo", formalizado numa espécie de acta final distribuída aos jornalistas. Três anos depois, iniciava-se o processo de alargamento dos Seis ao Reino Unido, Irlanda e Dinamarca.
Em 1974, a CEE dos Nove enfrentou uma ameaça única: a recém-entrada Inglaterra preparava um referendo nacional para decidir a saída. Num Mundo em plena ressaca petrolífera, a Europa pressentia o fim. Três anos depois, com o Reino unido em torno de um pujante "yes", preparavam-se eleições directas para o Parlamento Europeu e a criação do Sistema Monetário Europeu, ambos concretizados em 1979.
No início da década de 80, com a crise da PAC e as exigências financeiras de que viria a resultar o "rebate" (a devolução de parte da contribuição inglesa para o orçamento comunitário), instalou-se a euro-estagnação. Mas, logo em 1985, Portugal e Espanha assinavam o Tratado de Adesão e Delors apresentava o Livro Branco que viria a estabelecer o Mercado Interno em 1992.
1992 foi, aliás, o ano de todos os desastres: da virtual implosão do SME e do "Não" dinamarquês ao Tratado de Maastricht parecia resultar o fim das ilusões de União Política e Monetária. Três anos mais tarde, contudo, a Europa alargava-se à Suécia, Finlândia e Áustria e iniciava a etapa final para a UEM e o euro.
Que novos caminhos abre então a actual crise constitucional? Sublinhe-se, como pressuposto, que, a não haver Constituição, se mantém em vigor quase tudo aquilo que os adeptos do Não execram. Praticamente todos os seus argumentos dizem tanto respeito à Constituição como aos actuais Tratados. Nalguns casos, aliás, dizem mais respeito a estes do que àquela. A legislação europeia sobrepõe-se à nacional? Sempre assim foi. A União tem várias competências próprias e sonega poderes aos Estados? Sempre teve. O Tratado é longo e confuso, nos seus 448 artigos? Tentem compará-lo com o actual modelo em pilares, cada um de diferente natureza e com artigos que modificam artigos que revogam artigos adoptados em sucessivas revisões (Roma, Acto Único, Maastricht, Amesterdão, Nice).
A utilização de argumentos sobretudo dirigidos ao normativo comunitário actual, tem duas consequências principais: Posiciona o debate no plano da construção europeia original e reconhece que os grandes avanços (recentes) na construção europeia, como os alargamentos, o euro, ou o espaço de liberdade, segurança e justiça, estão a montante do Tratado. Sem verdadeiros argumentos contra a Constituição, e no afã de os inventar, os defensores do "Não" viraram-se - mesmo dizendo o contrário - contra a União original. É fácil comprová-lo: de súbito, está em causa o euro e as perspectivas financeiras, a solidariedade e o mercado, as políticas e o método comunitário.
Claro que tudo pode ser discutido. A Europa não é uma inelutabilidade determinista, mas a Europa tem de começar por ter noção do que está em jogo: cinquenta anos de evolução, de um quase impensável progresso civilizacional, contra os egoísmos nacionais baseados na percepção salvífica de sociedades (as europeias) condenadas a ser para sempre ricas e poderosas. Não são.
E agora? Agora, é preciso discutir o que efectivamente está posto em causa: a construção europeia. E que esse debate, sobretudo por parte de quem acredita na sua importância, seja apaixonado e radical: que se ergam os ideais e se não reneguem os valores. "Falamos de crise. Falemos primeiro de realizações. Quando a Guerra acabou, a Europa estava em ruínas. Hoje, a União Europeia ergue-se como um Monumento ao sucesso político. Quase 50 anos de paz, 50 anos de prosperidade, 50 anos de progresso. Pensem nisso e agradeçam". Pensem nisso, e neste discurso de Tony Blair (certamente insuspeito de eurofilia) perante o Parlamento Europeu.
Está fora de moda lembrar que a Europa é uma garantia contra a guerra. Pouco parecem interessar resultados, salientar a liberdade e a prosperidade de que beneficiamos. Não vale a pena recordar a atracção deste projecto de solidariedade, em que cada povo, sem abdicar dos seus interesses próprios e legítimos, partilha objectivos em prol de um bem maior e persegue uma comunidade de destino. De civilização.
Temos hoje vergonha de exibir as nossas convicções. Somos, como Montesquieu, resignados espectadores do tempo. Pois permitam-me discordar: há vida para lá da crise e a União Europeia, como ontem, saberá fazer das fraquezas criação. Daqui a três anos falamos.
Regente da cadeira de Construção Europeia na Universidade Católica

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