quarta-feira, agosto 27, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 18

horse race
(cartoon de Gary Varvel - Maio2008)

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Parece haver quem esteja interessado em
«qualquer coisa chocante que faça recordar
aos poucos que votam
que é mais importante o medo do que a esperança!...»

(Fernando, na mensagem abaixo)
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Queiramos ou não, situemo-nos numa área mais independente ou mais propensa à defesa das perspectivas e soluções de qualquer das duas grandes áreas da política, a verdade é que o mundo não é indiferente às grandes opções que se debatem nos “states”, num momento destes.
O “nosso enviado especial”, o Fernando, porque se encontra de férias (e parece que em trabalho), entre nós, não tem, de momento, a mesma facilidade de acompanhar estas surpreendentes presidenciais.
Aguardamos que ele – baterias carregadas e assuntos pessoais resolvidos – volte ao seu posto de observação,
in loco, e continue a mandar-nos as Obama News a que nos habituou, de forma a temperarmos o que os media, mais ou menos sensacionalistamente, nos vão oferecendo.
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Ele próprio nos dá conta do que se passa.
Vejamos.
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Obama News - 20080825 -
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Férias, verão e guerra fria...
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Caros amigos,
O meu regresso aos EUA estava previsto para o dia 22 de Agosto. Por razões profissionais e pessoais prolongarei a minha estadia aqui até ao final de Setembro. Por esta razão não será possível enviar-vos as Obama News com o mesmo espírito com que o fiz desde o início das Primárias: fornecer-vos uma informação diferente (mais correcta e actualizada) do que a que recebem através dos grandes meios de comunicação.
A minha presença nos EUA permite-me o contacto com pessoas envolvidas no processo e com meios de informação independentes e não enfeudados a grandes interesses. Por exemplo, é diferente saber da Convenção Democrática aqui (mesmo utilizando a web) e lá.
Durante este período de férias e verão os aspectos mais interessantes do que se tem passado pelo mundo parecem ter sido: 1. O início da II Guerra Fria; 2. Os primeiros Jogos Olímpicos com a China em primeiro lugar na lista das medalhas de ouro; 3. A manutenção da crise económica global.
Nos EUA as eleições presidenciais continuam a ocupar tempo de antena com muita desinformação à mistura.
As sondagens continuam a dar um empate técnico. A esmagadora maioria dos jornalistas, usam-nas, não para informar e formar, mas para vender notícias. Ignoram que o sistema eleitoral americano não está preparado para eleições muito disputadas (a margem de erro do sistema é superior a pequenas diferenças no número de votos), escondem o facto de não haver eleições directas e, portanto, não fazer sentido falar de resultados nacionais, quando o que interessa é saber quantos delegados do colégio eleitoral são eleitos em cada Estado (há 8 anos o Gore teve mais 500 mil votos do que o Bush mas perdeu as eleições por causa das trapalhadas eleitorais na Florida), desprezam os outros candidatos (especialmente Nader, que rouba votos a Obama, e o Partido Libertário, que os rouba a McCain), valorizam (e deturpam) quando lhes convém certos assuntos em detrimento de outros (aborto, boatos de caserna, medos, ignorâncias, etc), não consideram o erro sistemático de todas as sondagens provocado por estarmos perante universos eleitorais diferentes (desde que as Primárias começaram há mais de 4 milhões de novos eleitores).
A campanha eleitoral vai entrar na fase decisiva. Depois das Convenções dos principais Partidos haverá debates e as mais diversas disputas. Se o jogo fosse limpo até se poderia falar de um processo livre e democrático. Mas não o será. A sujidade já começou há muito tempo, principalmente pelo lado, como é costume, do Partido Republicano. Depois de andarem anos a preparar-se para combater a Clinton, tiveram de ajustar os arsenais à nova situação.
Mas já aí está o livro contra Obama (do mesmo autor que fez o mesmo, com sucesso, há 4 anos atrás, contra Kerry). Parece valer tudo... até arrancar olhos. Não me espantaria que, no cúmulo do desespero, passem das palavras aos actos e "alguma coisa aconteça"... Um atentado "terrorista", um assassinato (que será carpido com lágrimas de crocodilo), qualquer coisa chocante que faça recordar aos poucos que votam que é mais importante o medo do que a esperança!...
Um abraço para todos,
fernando

quarta-feira, agosto 06, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 17

Bush visto pelo cartoonista ABatista
"ainda tenho uma semanitas para estroinar..."





Um agudo sentimento patriótico, roçando o chauvinismo, e, mais que isso, um sobranceiro sentido de domínio como se todo o orbe fizesse parte do seu império – é nota comum, em raros casos com algum tempero, do americano médio.
Barack Obama será uma dessas raras excepções nalgumas perspectivas de encarar a vida.
O senador do Illinois tem uma experiência vivida bastante caldeada de credos e civilizações.
O candidato democrata mereceu – traço bem visível – a compreensão e o apoio unânime de todos que, na América ou no mundo, põem acima de todos os valores e no centro de todas as atenções O HOMEM.
Mas – é preciso não esquecer – Obama é... Americano. “Fervorosamente” americano, não obstante o sangue fresco que lhe corre nas veias ou o moldou (pai negro africano, mãe branca americana e padrasto indonésio). Digamos ser esse o seu calcanhar de aquiles: um indesmentível americanismo. (Basta pensar na sua abordagem do candente e intrincado problema que é o médio Oriente).

Deixo-vos com a brevíssima mensagem do Fernando, de há dois dias atrás, de SG 04AGO08, data em que Obama fez 47 anos.







apesar de tudo, BO reúne muitos consensos
e é uma esperança



A Night of Blues for Barack -
Thank You and Important Links

- assunto da mensagem recebida por Fernando, a que ele abaixo se refere


Caros amigos,
Estou em Portugal mas vou recebendo noticias de quem trabalha para melhorar a democracia no outro lado do mar.
Aqui vai um exemplo.
Aproveitem para ver o vídeo seguinte:
www.johnkantor.com/kizmet
Um abraço a todos,
fernando


terça-feira, julho 15, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 16

John Sherffius, «Boulder Daily Camera»
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Um probleminha insignificante tem-me impedido de acompanhar, como desejaria, a minha caixa de correio electrónico.

Daí que só hoje me tenha apercebido deste “telegrama” mandado pelo “nosso enviado especial” às eleições nos states, que recebi no passado dia 5 do corrente…

Pedindo desculpa aos eventuais interessados nestas crónicas pela minha involuntária demora, deixo-vos, sem mais demoras, com o nosso amigo Fernando (que a estas horas já estará em Portugal, de férias) e as suas informações acerca de certos dados e aspectos complementares do importante acto eleitoral que interessa e cria suspense em todo o mundo.

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Caros amigos,
1. Dois Partidos!?...
Uma das questões que caracteriza a política americana tem a ver com a tradição, que dura desde 1856, de haver dois partidos que a monopolizam. Há quem lhe chame o "sistema dos dois partidos únicos". Será que o sistema já se esgotou, está a terminar, ou ainda vai perdurar mais algum tempo?
2. Sondagens da CNN de ontem [03JUL]...
Obama - 46%; McCain - 43%; Nader - 6%; Barr - 3%. O aspecto interessante desta sondagem é a de não permitir tirar conclusões ou acalmar os ânimos. A diferença entre os dois principais candidatos constitui, praticamente, um empate técnico. E os resultados dos outros dois são superiores a essa diferença.
3. Outros candidatos...
Para além de Barack Obama e de John McCain, há, pois, dois candidatos que poderão conseguir votações significativas: Ralph Nader e Bob Barr. Também, Chuck Baldwin. Mas, para além destes, há e haverá mais candidatos.
4. Ralph Nader...
Nader, que já se candidatou cinco vezes para a Presidência dos EUA, talvez seja a figura política mais conhecida. Foi o primeiro americano de origem árabe a candidatar-se à Presidência. A família tem origem no Líbano e ele fala, para além de árabe e inglês, mais cinco línguas. Os assuntos que mais o preocupam são os direitos do consumidor, o humanismo, o meio ambiente e a governação democrática. É um activista contra a chamada guerra do Iraque. Formou-se em direito pelas universidades de Princeton e Harvard. É advogado, escritor e activista político. Candidata-se com Matt Gonzalez (Vice-Presidente).
Foi muito falado o resultado que teve na Florida em 2000. Bush ganhou (!!??) a Al Gore por 537 votos e conseguiu, assim, a maioria no colégio eleitoral de que necessitava para conseguir ser eleito Presidente. Nader teve 97 421 votos e, destes, uma parte significativa teria votado Al Gore. Se Nader não tivesse sido candidato, diz-se, a história dos últimos anos dos EUA (e, talvez, do mundo) teria sido diferente.
Perguntado, no princípio deste ano, por Tim Russert (jornalista senior da MSNBC, recentemente falecido, e responsável pelo programa semanal
Meet the Press) sobre a possibilidade de vir a contribuir, novamente, para a vitória do candidato "republicano", respondeu: "Claro que não! Se este ano os Democratas não conseguem derrotar os Republicanos, o melhor que têm a fazer é considerarem-se terminados, "fecharem a loja" e emergirem ou renascerem com uma forma diferente". A tradução, livre, é da minha responsabilidade. Not a chance. If the Democrats can't landslide the Republicans this year, they ought to just wrap up, close down, and emerge in a different form.
5. Bob Barr...
Candidata-se pelo Partido Libertário (
Libertarian Party) com Wayne Allyn Root (Vice-Presidente). Foi membro da U.S. House of Representatives (Parlamento), entre 1995 e 2003, como candidato do Partido Republicano, na Georgia. No entanto, as suas origens foram bem diferentes: enquanto estudante, foi membro dos Young Democrats of America e um activista contra a guerra do Vietnam. Mais tarde, através do Young Republican Club, aproxima-se do Partido Republicano. Formou-se em Relações Internacionais pela University of South California (1970). Entre 1971 e 1978 foi funcionário da CIA.
Como membro do Congresso foi considerado, em 2002, como um dos mais conservadores. Foi descrito como "o ídolo dos que defendem o uso das armas, combatem o aborto e odeiam o IRS; o ídolo da direita". Contudo, afastou-se progressivamente de Bush e dos "republicanos" ao criticar, depois do 11 de Setembro, as políticas contra a privacidade dos cidadãos e as liberdades cívicas. Veio a aderir ao Partido Libertário.
Se Nader "rouba" mais votos a Obama, é provável que Barr "roube" mais a McCain.
6. Chuck Baldwin...
Candidata-se pelo Constitution Party com Darrel Castle (Vice-Presidente). Este ex-membro do Partido Republicano é pastor da Igreja Baptista, formado em teologia e dono de uma rádio-local.
Crítico de Bush, defendeu a reabertura das investigações sobre os atentados de 11 de Setembro, acreditando que o "Movimento pela Verdade do 11 de Setembro" (9/11 Truth Movement) tem o direito de ver investigadas as suas teses sobre a teoria da conspiração, que consideram a possibilidade do governo dos EUA ter estado envolvido na preparação desses ataques.
Saiu do Partido Republicano em 2000 por considerar a dupla Bush/Cheney demasiado liberal.
Em 2004 foi candidato a Vice-Presidente pelo Constitution Party sob a plataforma "Deus, Família e República" (lembram-se do "Deus, Pátria e Família"?). Definiam-se contra o aborto, as mulheres no serviço militar e a chamada guerra do Iraque.
Em 2007 apoiou a candidatura de Ron Paul (um dos candidatos do Partido Republicano): "Os republicanos conservadores só têm uma escolha em 2008 - o congressista Ron Paul, do Texas!" Com a derrota de Paul nas Primárias Republicanas, decidiu candidatar-se pelo seu partido.
7. Outros candidatos...
Para além destes cinco candidatos haverá, pelo menos, mais onze...
7.1. Green Party...
Elegerão o seu candidato na Convenção que se vai realizar entre os dias 10 e 13 de Julho, em Chicago, Illinois. São conhecidos quatro candidatos a candidato: Jesse Johnson (West Virginia), Cynthia McKinsey (Georgia), Kent Mesplay (California) e Kat Swift (Texas).
7.2. New American Independent Party...
Frank McEnulty (California). Ainda não se conhece o candidato a Vice-Presidente.
7.3. Party for Socialism and Liberation...
Gloria La Riva (California) e Eugene Puryear (Washington D.C.).
7.4. Prohibition Party...
Gene Amondson (Washington) e Leroy Pletten (Michigan).
7.5. Socialist Party...
Brian Moore (Florida) e Stewart Alexander (California).
7.6. Socialist Workers Party...
Roger Calero (Nicaraguan American) e Alyson Kennedy (New Jersey).
7.7. Independent...
John Taylor Bowles, National Socialist, nazi, o "Candidato dos Brancos".
7.8. Independent...
Jackson Kirk Grimes, United Fascist Union, fascista.
7.9. Independent...
Alan Keynes, antigo embaixador de Ronald Reagan.
7.10. Independent...
Frank Moore, artista, escritor, pintor e músico. Candidata-se com Susan Block (Vice-Presidente).
7.11. Independent...
Kelcey Wilson, candidato da "transparência".
...
Caros amigos,
Espero que tenham gostado de receber esta informação. Dá que pensar...
Por hoje é tudo.
Estou na madrugada do dia 4.
Amanhã irei partir para Portugal, onde permanecerei até ao dia 22 de Agosto.
Talvez nos encontremos...
Um abraço a todos.
Boa noite e boa sorte.
fernando
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quarta-feira, julho 02, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 15

Dan Wasserman, «The Boston Globe»: lied-in-vain



Isso… Nunca (respondo ao raciocínio do sr McCain)

O “nosso enviado” especial deve ter sabido que as últimas movimentações da campanha - a união de esforços que a candidata democrata derrotada quis oferecer ao nomeado candidato do partido – foram por nós acompanhadas.

Seria interessante, no entanto, que tivéssemos, também, uma perspectiva de um observador interno, que conhece os meandros e os bastidores da campanha.

O Fernando, contudo, preferiu partilhar connosco a sua reflexão acerca de um trágico (e sintomático, naturalmente) acontecimento passado numa sala de espera de um hospital, transmitido pelas televisões, que uma indiscreta e infatigável câmara não parou de transmitir para um auditório atónito (e surpreendido?) pelo inacreditável.

Mas “oiçamos” o nosso amigo


NOTA – as imagens, são por mim escolhidas e “pescadas” na net. (Hoje, três conceituados cartoonistas)






Bob Gorrell, «Creators Syndicate Inc.»



Obama News - 20080701 -
numa sala de espera de um hospital


Caros amigos,
Podia falar-vos do General que disse que ter-se sido prisioneiro na guerra do Vietnam não significa que se possa ser um bom Presidente. Disse o óbvio e foi criticado!...
Podia referir o discurso de Obama de ontem sobre patriotismo ou o de hoje sobre fé. Como está a atingir o tradicional eleitorado do Partido Republicano...
Podia sublinhar os custos crescentes com gasolina, os aumentos de preços dos produtos alimentares, os empréstimos que as pessoas não podem pagar, o desemprego, os crimes diários...

Boligan, «El Universal»
(“... os custos crescentes com gasolina, os aumentos de preços dos produtos alimentares, os empréstimos que as pessoas não podem pagar, o desemprego…”)


...
Mas, hoje, dia 1 de Julho de um ano do século XXI, todos vimos nas televisões a cena que se passou numa sala de espera de um hospital.
No país em que, diz-se, há os melhores cuidados de saúde.
Uma mulher cai da cadeira e fica no chão a estrebuchar.
No canto da sala há uma câmara que filma.
Uma hora.
Ninguém lhe mexe.
E a câmara continua.
Ninguém se incomoda.
E a câmara, sempre a mesma, regista.
Ninguém se preocupa.
Só a câmara parece perceber.
Há outros doentes na sala de espera.
E nada fazem.
Há guardas (vê-se, pelo menos um, através da incansável câmara).
Que nada fazem.
E a câmara continua a filmar.
A mulher estendida no chão, entre duas cadeiras.
Uma hora.
E nada acontece.
A não ser a morte desta doente.
Que tinha ido ao hospital para tentar sobreviver.
...
Podia falar-vos dos sorrisos dos candidatos, das propostas dos candidatos, dos disparates dos candidatos...
Podia referir como são parciais os imparciais comentadores televisivos...
Podia dizer-vos que, por cada hora de tv, há mais de meia hora de publicidade...
...
Mas hoje não é possível.
Estou aqui sentado perante mim próprio e o computador que me acompanha e não consigo escrever sobre essas coisas.
Nem os crimes e os presos e os polícias e alguns ladrões me levam a colocar pontos nos is.
Porque a imagem que a câmara nos obriga a ver continua viva e presente, inesquecível.
Uma pobre máquina colocada ali por outras razões.
Testemunha de acusação do ser humano a que pertenço.
Dedo acusador a cada um dos que ali estava.
Denúncia silenciosa e fria dos guardas, dos enfermeiros, dos médicos.
Todos tinham, certamente, outras coisas importantes para fazer.
Uma mulher estendida no chão, de barriga para baixo, uma hora.
Quando a foram ajudar estava morta.
...
Podia enviar-vos fotografias de manifes, de cartazes, de promessas...
Podia partilhar dúvidas e ansiedades...
Podia gritar, ao menos, que estou vivo, porque vejo e leio e ouço e tento aprender...
...
Mas hoje só é possível este lamento.
Esta infinita tristeza de ser pessoa.
Como as pessoas vivas que a câmara, ininterruptamente, filmou.
A olharem para a pessoa que morria.
...
Não consigo outra coisa que não seja enviar-vos estas frases.
Esta revolta que vem dos meus tempos de menino.
Quando vi, numa rua de Moçâmedes, um cipaio (polícia preto) a chicotear um preto e a traçar-lhe as costas com traços de sangue que não esqueço.
Esta revolta que vem dos meus tempos de adolescente.
Quando, no Liceu Camões, se era castigado por se correr.
Esta revolta que vem dos meus tempos de juventude.
Quando comecei a perceber, no Técnico, que não havia liberdade.
Esta revolta que vem dos meus tempos de maturidade.
Quando, em Caxias, senti todos os medos do mundo.
...
A revolta perante o silêncio dos que não querem ver, ou ler, ou ouvir, ou aprender.
Custa-me ouvir as vozes do passado.
Mas o que custa mais é assistir à passividade dos que não compreendem que o futuro é também deles.
Os silêncios das maiorias sempre foram o maior suporte das violências das minorias.
Não havia câmaras.
Apenas a memória dos que sofreram.
...
Hoje, dia 1 de Julho, havia uma câmara.
A única coisa viva naquela sala.
Onde o cheiro a morte irá permanecer.
...
Um abraço para todos.
Boa noite e boa sorte.
fernando

quinta-feira, junho 26, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 14




Já chegaram ontem, mas só hoje me dei conta deles: dois mails do meu contacto, nesta matéria, acerca das última reportagem do “nosso enviado especial” às presidenciais dos States deste ano (o primeiro mail) e ainda para enviar um vídeo de recentes declarações do Senador do Illinois (hoje confirmado como o candidato democrata às mesmas presidenciais), na sede da sua Campanha, em Chicago, ao seu staff e voluntários (2ª mensagem).
Algumas das novidades (como o do aparente deslize do Director Estratégico da candidatura McCain, Charlie Black [a ironia do acaso e das palavras!...], assim como da “volta” que o Senador do Arizona, deu ao episódio), já são do nosso conhecimento, mas são aqui apresentadas numa diferente perspectiva e com outro realismo.
Só a título de parêntesis, pela sua actualidade, hoje o Público traz um artigo do Prof Carlos Ferreira dos Santos acerca da, já muito badalada, proposta de McCain de introdução de uma
gas tax hollidays, que veio marcar mais uma cisão nas perspectivas dos dois candidatos democratas acerca da matéria dos impostos sobre os combustíveis, por um lado, e o ambiente, do outro, em que Obama “deu mostra de maior bom senso” do que a Senadora Clinton.
Mas o nosso amigo Fernando não deixará, quase de certeza, de nos contar algo acerca do assunto.
Ainda só mais uma nota acerca da segunda mensagem (abaixo: II.): retirei várias repetições que ela continha. Porque meras repetições, logo evitáveis; e para não tornar a postagem tão “pesada”. Não se tratando, pois, de nenhuma espécie de censura.
E, sem mais, vamos às mensagens:



I.
Obama News - 20080623 -
1. Politizar o medo; 2. As dívidas de Clinton


Caros amigos,
Envio hoje breves notas e reflexões relativas a dois assuntos muito diferentes mas que fazem parte do complexo puzzle eleitoral americano.
1. POLITIZAR O MEDO
1. Charlie Black é o Director Estratégico da candidatura McCain (chief campaign strategist). À revista Fortune disse o seguinte: "Um ataque terrorista no solo americano representaria certamente uma grande vantagem para o candidato do Partido Republicano". Charlie Black é também um dos três membros do staff da candidatura de McCain que, no passado, estiveram ligados ao célebre caso Enron, uma empresa que faliu estrondosamente e que lezou muitos milhares de apostadores da Bolsa (muitos de vós lembram-se certamente dessa história).
2. Certamente disse o que pensava, dizendo no entanto o que nunca deveria dizer. Por aqui há uma expressão muito utilizada quando se fala de uma grande surpresa que é preparada para Outubro, umas semanas antes das eleições presidenciais (que, tradicionalmente, se realizam na primeira terça-feira de Novembro): "A primeira regra da Surpresa de Outubro é não falar da Surpresa de Outubro".
3. Charlie Black não se limitou a expressar esse pensamento. Explicou com o exemplo do atentado que levou à morte, no Paquistão, a candidata da oposição Benazir Bhutto. Também poderia ter falado do atentado de Madrid (10 bombas e 191 mortos), três dias antes das eleições gerais de 2004 em Espanha e que foi aproveitado pelo Primeiro-Ministro no poder, José María Aznar, para acusar a ETA, mesmo quando havia provas de que se tratava de um atentado terrorista não organizado pela ETA.
4. Quando um jornalista perguntou a McCain qual o significado das palavras do seu Director de campanha, respondeu: "Não posso imaginar porque terá dito isso. Não é verdade". Depois foi a vez de membros da candidatura afirmarem que o Sr. Black não se recordava de ter dito aquilo à Fortune. Mas o próprio Charlie Black veio, mais tarde, "lamentar profundamente os seus comentários". Como referiu o jornalista Keith Olberman (msnbc - Countdown): "Black lamenta profundamente ter dito aquilo que os seus colegas de campanha afirmaram que ele não se recordava de ter dito"!!!
5. Para lá da enormidade do erro e da brutalidade do disparate o que se torna claro é o seguinte
:
a) Alguém (o director da candidatura, ainda por cima!) disse o que, dentro da própria candidatura e no meio dos "círculos geralmente mais bem informados", já se sabia que constava: um certo desejo que acontecesse qualquer coisa em Outubro, umas semanas ou uns dias antes de 4 de Novembro. Pela segunda vez (recorde-se o acidente de Hillary Clinton quando referiu o assassinato de Robert Kennedy para justificar a sua manutenção na campanha das Primárias até à Convenção Democrática de Agosto) se fala de "qualquer coisa que possa vir a acontecer" e que possa interferir na campanha eleitoral...
b) Em muitos países, é prática comum politizar as questões de segurança nacional. Por aqui, quem o costuma fazer é o Partido Republicano porque, de certa maneira, encarna a política crua e dura da chamada "defesa dos interesses americanos". A candidatura McCain limita-se a, sem imaginação, repetir velhos slogans. O drama para eles é que os americanos consideram que as questões mais importantes são a crise da economia, o fim (e não a continuação) da chamada guerra do Iraque, o problema da saúde, a crise da habitação, o desemprego. Só depois disso é que se preocupam com a segurança interna. Como é que os Republicanos conseguirão fazer com que este passe a ser o assunto que mais afecta os eleitores de Novembro?
c) A política do medo tem imperado, principalmente depois dos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001. À conta disso a administração Bush montou a campanha que permitiria a invasão do Iraque e a sua reeleição em 2004. Amedrontar os eleitores e condicionar-lhes o voto é uma estratégia muito bem sabida e aplicada e que, no passado, deu óptimos resultados para quem dela beneficia. Também não é novidade que é coisa sabida há muito e aplicada nos mais diversos países. Muitos outros exemplos se podem recordar. Lembro-me da história que a minha avó me contava dos tempos de Sidónio Pais. Uma certa noite bateram à porta uns senhores que perguntaram pelo meu bisavô. Ela disse que ele ainda não tinha chegado e que eles entrassem para o esperar. Foi o que fizeram. Passou tempo e nada. Eles estavam com pressa. Tinham outras missões para cumprir. À saída prometeram voltar. Depois de saírem e da minha avó ter a certeza que o pai poderia estar a salvo, informou-o (ele estava escondido lá em casa!) e permitiu que ele fugisse e andasse a monte para não ser apanhado. Foi assim que o velho maçon escapou à morte certa...
d) O "terrorismo", mesmo quando não actua, paira como uma ameaça. Para além disso, como prova de força e influência, pode ser utilizado para condicionar os cidadãos e os eleitores. As suas forças escondidas são aproveitadas pelos que, afinal, precisam dele para continuar a fazer o chorudo negócio da guerra. Uma simbiose a que é preciso pôr fim. Só possível se houver uma política global capaz de, para lá de o combater com eficácia, enfraquecer a sua base de apoio, que bebe, por sua vez, das injustiças que grassam pelo mundo, dos extremos de riqueza e miséria, da propagação da ignorância, dos mil e um graves problemas que permanecem por resolver.
2. AS DÍVIDAS DE CLINTON
1. Hillary Clinton suspendeu, como se sabe, a campanha eleitoral para as Primárias. Não a deu por terminada. Suspendeu-a até à Convenção.
2. Dentro de dois dias aparecerá lado a lado com Obama na campanha eleitoral para as Presidenciais de 4 de Novembro. Curiosa e significativamente a sua primeira acção de campanha irá concretizar-se em New Hampshire, num local onde empataram nas Primárias, uma pequena town chamada Unity (Unidade), em que cada um deles teve, exactamente, 107 votos.
3. Termina assim o período de dúvida e interrogação. Lado a lado irão continuar até 4 de Novembro. A própria carreira política da senadora depende disso. Poderá ser Vice-Presidente ou não. Neste momento, o que interessa é que estarão no mesmo combate.
4. Para trás ficam umas Primárias que fizeram História. E ficam muitas histórias por contar. Principalmente as que explicam a derrota de uma candidata que, no final de 2007, uns dias antes das Primária começarem: a) tinha 80% de probabilidade de ganhar; b) contava com o apoio da maioria do Partido Democrático (militantes, votantes e "aparelho"); c) tinha mais fundos e mais dadores de peso; d) tinha um afamado marido ex-Presidente; e) tinha "experiência" e ambição (uma enormíssima ambição pessoal); f) contava com 60% de mulheres no seu universo eleitoral; g) durante mais de 8 anos alargara laboriosamente os seus lobbies e influências (junto de governadores e sindicatos, de jornalistas e religiosos, de representantes das mais diversas raças, a nível nacional e internacional); h) etc...
5. A sua campanha foi, no entanto, em muitos aspectos, um exemplo do que se não deve fazer. Será certamente analisada, se não por académicos e especialistas, por mim próprio, a seu devido tempo. Limito-me, neste momento, a falar do desastre da sua gestão financeira. Quem gere assim uma campanha, como poderá gerir uma barca destas?
6. Hillary Clinton tem dívidas a credores (até final de Abril) que ultrapassam os 9,5 milhões de dólares. Para além disso, ela própria, emprestou, à campanha, 11,4 milhões. A dívida global ultrapassará os 22 milhões. Precisa de ajuda.
7. No seu site da campanha continua a apelar aos seus apoiantes. Um enorme ractângulo vermelho com a palavra CONTRIBUTE apela aos que a apoiaram. Mas, pelo vistos, isso não chega. Mesmo que estejam lá as seguintes frases: "Você e Hillary podem escrever em conjunto o próximo capítulo da história da América. Ao ajudarem-nos a pagar o défice da nossa campanha, estará, também, a ajudar Hillary a eleger um Presidente Democrata e a aumentar a nossa maioria no Congresso (nota: realizar-se-ão, em simultâneo, eleições para o Congresso). Estarão a tornar possível que ela trabalhe arduamente nos assuntos que a si lhe interessam."
8. Obama não pode ajudar. Está impedido por lei: não pode transferir fundos da sua campanha para outra qualquer campanha, mesmo do seu próprio Partido. As receitas da sua campanha, da sua campanha são. A única coisa que poderá fazer é apelar a que os seus apoiantes vão carregar no botão CONTRIBUTE do site de Hillary. Mas ele próprio tem de contar com as despesas dos próximos meses e com as necessidades do próprio Partido.
9. Mesmo que sejam candidatos a Presidente e a Vice-Presidente, as receitas que recolherem não poderão servir para cobrir défices das Primárias. Trata-se de outra campanha que deverá ter contas próprias.
10. Hillary vai ter de resolver o problema até à Convenção, altura em que tem de fechar as contas e apresentar os resultados. Se até lá conseguir pagar aos credores (mais de 10 milhões de dólares), ainda lhe faltará resolver o problema dos seus próprios empréstimos (11,4 milhões). Se não conseguir recolher os fundos necessários, as contas serão fechadas e ela terá direito a receber, apenas, 250 mil dólares.
11. Aqui está. A campanha de Hillary foi suspensa. Será encerrada com o fecho das contas.
...
Um abraço para todos.
Boa noite e boa sorte.
fernando





II.
VIDEO: Barack speaks to staff



Caros amigos,
Apenas para quem está interessado, aqui vai um email que acabo de receber e um vídeo com uma intervenção que Obama fez, na sua sede, em Chicago, com os colaboradores mais chegados.
(...)


Um abraço,
fernando


---------- Forwarded message ----------
From: Steve Hildebrand, BarackObama.com
Date: Tue, Jun 24, 2008 at 6:03 AM
Subject: VIDEO: Barack speaks to staff
To: Fernando...



Dear Fernando --
I want to share a very special video with you that shows a side of Barack Obama few outside the campaign have seen.
A few days after he became the presumptive Democratic nominee, Barack spoke to campaign staff and volunteers at our headquarters in Chicago.
He shared his personal thoughts about what we had accomplished and outlined the challenging road ahead.
We were all so moved by what Barack had to say that I knew we had to share it with all of you:
In just a few minutes, Barack expressed what this campaign is all about. He reminded us of the challenges we face -- and that our fellow Americans are counting on our success.
That's a message that everyone who believes in this campaign should hear.
And now that we have declared our independence from a broken campaign finance system, what Barack said about building a national movement is more important than ever.
As someone who has donated to this campaign in the past, you need to hear what Barack has to say about facing off against John McCain. The consequences for our country's future are enormous, and we need to build our movement in all 50 states if we are going to compete.
You can inspire a fellow supporter to step up and join this movement by promising to match their first donation. You will double your impact, and you can even choose to exchange a note about Barack's speech and why you've decided to support this campaign.

The stakes in this election couldn't be higher. Help build this movement by supporting our campaign today.
Thanks for everything you do,
Steve

Steve Hildebrand
Deputy Campaign Manager
Obama for America

quinta-feira, junho 19, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 13



Continuemos a acompanhar os mails do Fernando e as suas notas e informações nesta prolongadíssima campanha.




Obama News
- 20080619 -
Algumas notas

Caros amigos,
Um dos objectivos das minhas Obama News (que, neste momento, conta com 75 leitores directos) era e é fornecer-vos informação honesta e actualizada a que, certamente, não poderão ter acesso através dos meios de comunicação de que dispõem.
O facto de me encontrar a viver nos EUA dá-me a vantagem de poder estar, não apenas a assistir, mas a participar.
Por outro lado, tenho procurado estudar tudo isto, tentar perceber, caminhar pela complexidade das coisas e não me satisfazer com aparências, notícias de ocasião, impressões do momento, apoios ou rejeições impensadas, palavras ou frases fora do contexto, distracções várias, provocações, etc.
Outro aspecto enriquecedor desta minha iniciativa é receber comentários, críticas, observações, correcções, perguntas, silêncios, recusas, apoios, abraços... que servem para aprendeer mais e matar algumas saudades.
Por hoje, aqui vão 4 comentários.
1. SONDAGENS DE ONTEM
O aspecto mais significativo das sondagens de ontem eram os valores registados em 3 Estados muito importantes em Novembro: Florida, Ohio e Pennsylvania.
Na Florida Obama ganha a McCain por 4 pontos percentuais. Em Ohio ganha por 6. Na Pennsylvania ganha por 12.
Se estes resultados se confirmassem em Novembro era o suficiente para Obama conseguir a maioria do Colégio Eleitoral que, posteriormente, elegerá o futuro Presidente dos EUA.
A somar a isto há que considerar que Obama continua a consolidar posições nos chamados Estados Azuis (tradicionalmente de maioria do Partido Democrático), enquanto vai ganhando posições nos chamados Estados Vermelhos (tradicionalmente de maioria do Partido Republicano). Poderá admitir-se a hipótese de, em Novembro, Obama ganhar em todos os chamados Estados Azuis e conquistar, ainda alguns Estados tradicionalmente Vermelhos.
2. REUNIÃO DE VOLUNTÁRIOS
Envio 3 fotografias de uma reunião em que estive ontem, ao fim do dia.






Éramos cerca de 40 pessoas e, por curiosidade, como de costume, dois terços eram mulheres. Outra curiosidade: apenas 4 não eram brancos.
Fez-me recordar o romantismo e a entrega de certos movimentos e iniciativas que começam nos dias difíceis e em que cada um dá o que tem. Desde as lutas clandestinas, às acções mais simples. Nessas alturas não havia (e não há) "tachos" para distribuir ou "penachos" para alguns... Nada era fácil a não ser a entrega voluntária a uma causa em que se acreditava... E, quando chegava a hora da verdade, cada um, por mais isolado que estivesse (nas celas de Caxias ou nas veredas da clandestinidade) sabia que não estava só.
A minha mãe, na sua infinita preocupação de me proteger, dizia: "O que andas a fazer, meu filho!?... Não vês que isto sempre foi assim e será!?... Não compreendes que, sozinho, não poderás mudar o mundo!?"... E eu sem lhe poder dizer que estava acompanhado...
Depois vem a fase da instalação, da rotina, da partilha de poderes (grandes e pequenos), das listas, da continuidade, da reacção ao que é novo e quer agitar, do proteccionismo e da corrupção (muitas vezes, intelectual), do adormecimento, do profissionlismo incompetente mas fiel substituir a militância crítica, do medo, da dependência e de tanta outra coisa que dá vida aos chamados "aparelhos partidários", essas realidades tentaculares que não podem deixar de existir mas que, a maior parte das vezes, perdem a capacidade de renovação e de auto-crítica.
Será, porventura, o que se irá passar por aqui. Poderá, quem sabe, ser excepção.
Mas, o que me interessa, é que neste momento estamos numa fase que antecede a do poder. Mais tarde, se acontecer porcaria, será tempo de voar para lá de outras fronteiras, de olhar para trás e não renegar, de olhar para a frente e continuar à procura de outras utopias.
Estou a viver a fase infantil de um processo democrático mitigado. Imagine-se o que é ter como primeira tarefa conseguir inscrever uns milhões de americanos nos cadernos eleitorais para poderem votar pela primeira vez!!!... Ainda por cima quando eu nem sequer posso votar!...
Para tentar compreender isto comprei ontem um livro intitulado Why Americans Still Don't Vote - And Why Politicians Want It That Way. Os autores são Frances Fox Piven e Richard A. Cloward.
3. O LIVRO DE PIVEN E CLOWARD (capa e contra-capa, tradução da minha responsabilidade)
"Intrigante e perturbador... Uma introdução desafiante e informativa a uma das questões mais graves da política americana actual", T. R. Reid, The Washington Post Book World.
Frances Fox Piven e Richard A. Cloward foram elementos chave da longa batalha para reformar as leis de registo eleitoral que finalmente deu origem ao National Voter Registration Act of 1993 (também conhecida como a lei que motiva ao voto, the motor voter law). Quando a primeira edição foi publicada em 1988, esta batalha estava ainda em curso e o livro representou uma veemente rajada. Demonstrava-se que o século XX tinha assistido a um esforço concertado para restringir o direito ao voto de imigrantes e pretos, através de uma complexa combinação de exigências fiscais, testes de literacia e complicadas exigências no registo de eleitores.
Esta edição completa a história até à actualidade. Analisando os resultados da reforma e utilizando comparações históricas paralelas (de outros países), Piven e Cloward revelam as razões pelas quais nenhum dos principais partidos (quer o Repubicano, quer o Democrático) realizou um esforço concertado para apelar ao registo eleitoral - e, por isso mesmo, porque continua a verificar-se que os Americanos continuam a não votar.
"É difícil ler este livro e não reconhecer que o nosso sistema, se não está completamente "partido", foi historicamente distorcido para favorecer os votantes privilegiados e as influências do voto", Garry Wills, The New York Review of Books.
"Uma importante e fascinante análise", Los Angeles Times Book Review.
"Genuinamente esclarecedor, oferecendo uma fotografia clara aos reformadores do que eles têm pela frente e porquê", Walter Dean Burham, The New Republic.
"Piven e Cloward escreveram um trabalho fundamental para o registo de eleitores e as suas consequências para a nossa política, as nossas eleições e o nosso governo", John W. Douglas, Philadelphia Inquirer.
Frances Fox Piven e Richard A. Cloward são coautores de Regulation the Poor, The Politics of Turmoil, Poor People's Movements e muitos outros livros. Receberam o 2000 American Sociological Association Distinguished Career Award for the Practice of Sociology.
"Intrigante e perturbador... Uma introdução desafiante e informativa a uma das questões mais graves da política americana actual", T. R. Reid, The Washington Post Book World.
4. DECLARAÇÃO DE OBAMA FEITA HOJE
Através do site oficial, Obama anuncia hoje a decisão de não contarem com fundos públicos para o financiamento da campanha eleitoral.
Apela aos seus apoiantes para que enviem pequenas contribuições (5, 10, 25, 50,... dólares). Recorda que conta com o apoio regular de mais de um milhão e meio de americanos que, durante as Primárias, apoiaram financeiramente a sua candidatura.
É um texto interessante. Limito-me a enviar o link para quem estiver interessado.
http://my.barackobama.com/page/community/post/samgrahamfelsen/gG5SPm
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Um enorme abraço para todos,
fernando

segunda-feira, junho 16, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 12

antena de tv digital


O Post Sriptum do Fernando, na crónica que se segue, pela parte que me toca, assentou que nem uma luva.
Dúvidas, incertezas. Não estou certo de que tantas certezas como ele diz...
Mas ao remate dele é irrecusável a nossa compreensão e adesão.
Quando ele fala na vitória de um passo e nas longas estradas que falta percorrer... Antes foram apenas longas e largas estradas que se encontrassem na frente. Mas, e quantas veredas e escarpas não será preciso calcorrear e vencer também?

Deixo-vos com o cronista



a imagem é da revista VEJA, da semana passada, e tinha a seguinte legenda:
no palanque, Michelle é exuberante: negra e vitoriosa


Obama News
- 20080616 -
O mapa eleitoral e
as últimas sondagens da CNN
- ADENDA!


Caros amigos,
Antes de referir as sondagens, ontem publicadas, pela CNN, umas notas para ajudar quem não conhece o processo eleitoral americano.
Em Anexo envio ficheiro em Excel que pode ser consultado por quem o desejar.
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1. ELEIÇÕES INDIRECTAS
As eleições presidenciais são indirectas. No próximo dia 4 de Novembro não se vai eleger o Presidente, mas um Colégio Eleitoral que, posteriormente, elegerá o Presidente dos EUA.
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2. TRADIÇÃO
É uma tradição que se mantem desde que, em 1789, Washington foi eleito Presidente. Em 1783 tinha sido assinado, pela Inglaterra e pelos EUA, o Tratado de Paz de Paris.
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3. COLÉGIO ELEITORAL
Neste Colégio Eleitoral (composto por 538 delegados) estão representantes de todos os 50 Estados e da capital, District of Columbia, também conhecido por Washington DC.
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4. DELEGADOS NO COLÉGIO ELEITORAL POR ESTADO
A representação de cada Estado é proporcional ao número de habitantes respectivo.
Com 55 delegados: California.
Com 34: Texas.
Com 31: New York.
Com 27: Florida.
Com 21: Illinois e Pennsylvania.
Com 20: Ohio.
Com 17: Michigan.
Com 15: Georgia, New Jersey e North Carolina.
Com 13: Virginia.
Com 12: Massachusets.
Com 11: Indiana, Missouri, Tennessee e Washington.
Com 10: Arizona, Maryland, Minnesota e Wisconsin.
Com 9: Alabama, Colorado e Louisiana.
Com 8: Kentucky e South Carolina.
Com 7: Connecticut, Iwoa, Oklahoma e Oregon.
Com 6: Arkansas, Kansas e Mississipi.
Com 5: Nebraska, Nevada, New Mexico, Utah e West Virginia.
Com 4: Hawaii, Idaho, Maine, New Hampshire e Rhode Island.
Com 3: Alaska, Delaware, District of Columbia, Montana, North Dakota, South Dakota, Vermont e Wyoming.
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5. ESTADOS AZUIS E VERMELHOS E SWING STATES
Tradicionalmente, há Estados que votam, quase sempre, ou no nomeado pelo Partido Democrático, ou no nomeado pelo Partido Republicano.
Chamam-se Azuis os que votam "democrata" e Vermelhos os que votam "republicano".
Aos Estados que, umas vezes têm uma maioria, outras vezes outra, chamam-se os Swing States.
Se analisarmos apenas as eleições de 2000 e 2004, em que foi eleito Bush (contra Al Gore em 2000 e contra John Kerry em 2004), podemos considerar que há 20 Estados Azuis, 29 Vermelhos e 2 Swing States (Iwoa e New Hampshire). Ver o Anexo, para quem está interessado em pormenores.
A tradição tem sido esta, com algumas excepções: Johnson (1964), Nixon (1972), Reagan (1980 e 1984), Bush pai (1988) e Bill Clinton (1996).
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6. A IMPORTÂNCIA DAS SONDAGENS DA CNN DE ONTEM, 15 DE JUNHO DE 2008
Estas sondagens veem confirmar outras que têm sido divulgadas.
Estamos perante a possibilidade de uma alteração profunda do mapa eleitoral americano.
Por força da situação em que se vive (Iraque, crise económica e de valores, etc), mas também por causa das características dos dois candidatos principais (Obama e McCain), um e outro não sendo "candidatos tradicionais" dos respectivos Partidos, ambos podendo recolher votos no centro e, inclusivamente, nos campos adversos.
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7. OS "NOVOS" SWING STATES
Tendo em conta os resultados publicados pela CNN, estamos perante o seguinte cenário (Ver o Anexo).
Estados "Azuis": 15, representando um total de 190 votos no Colégio Eleitoral.
Estados "Vermelhos": 24, representando um total de 194 votos no Colégio Eleitoral.
Swing States: 12, representando um total de 154 votos no Colégio Eleitoral.
Isto é, já não se trata de saber quem ganha Ohio ou a Florida, como aconteceu em 2000 e 2004.
Agora há, pelo menos, 12 Estados em que Obama (ou McCain) podem ganhar: Colorado, Florida, Iwoa, Michigan, Minnesota, Missouri, Nevada, New Hampshire, Ohio, Pennsylvania, Virginia e Wisconsin!
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8. CAMPANHA NACIONAL
Como vos disse, pela primeira vez na história das eleições americanas, a candidatura Obama está a trabalhar (com equipas profissionais e voluntários) em todos os Estados.
A principal tarefa, nos próximos meses, é inscrever o maior número possível de novos eleitores. Esta questão é decisiva porque há 3 ou 4 dezenas de milhões de pessoas que têm capacidade eleitoral mas nem sequer estão inscritas nos cadernos!!! Durante as Primárias as candidaturas de Obama e Clinton conseguiram inscrever mais 3 milhões e meio de novos eleitores...
Outro objectivo que tem sido conseguido é o de mobilizar os jovens que, tradicionalmente, não votam. A política, aqui, é vista como um assunto dos ricos e dos velhos... Sabe-se que a juventude, principalmente universitária, tem participado cada vez mais neste processo eleitoral (a maioria esmagadora apoiando Obama, o fim da guerra e uma nova política energética e de saúde).
Dou o exemplo da Florida em que, em 2000, Bush ganhou (!?) com uma vantagem de 500 votos. Só no County onde vivo (Pinellas County) conseguimos, num mês, inscrever mais de mil novos eleitores e, este fim de semana, conseguimos mais 30. No local onde estive (sábado passado), conseguimos 1 (!), como vos disse no email anterior. Grão a grão enche a galinha o paparrão, dizia a minha avó.
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É pena não estar viva para lhe poder contar esta aventura, em troca das histórias, que sempre ouvia deliciado,
das lutas maçónicas do meu avô e do meu bisavô, do fim da monarquia, da vitória da República, de como sorrir mesmo na adversidade!
É pena que o meu pai não possa ler estes emails! Imagino as perguntas que me faria...
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É pena que haja tanta ignorância neste país e que, tantas vezes, triunfe o medo.
Desta vez é a nossa vez!
Yes We Can!
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Um abraço para todos,
fernando
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PS: Sei que alguns de vós não partilham o meu entusiasmo (principalmente depois das declarações de Obama perante parte do lobby judeu). Não pensem que não partilho as vossas dúvidas e algumas das vossas certezas. Mas eu não resisto a entusiasmar-me, nem que seja para dar um passo, sabendo que há, ainda, longas estradas para percorrer...

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 11

Flórida






O Fernando (chamemos-lhe assim, mais informalmente) mostra-nos hoje mais um “cheirinho” do que são os bastidores dos bastidores de uma campanha...

Um dia de campanha para angariação de novos eleitores, em St. Petersburg, no distrito (condado) de Pinellas, Flórida, não muito longe da cidade de Tampa onde vive o Fernando, no mesmo distrito e Estado.

Já agora remeto para um breve apontamento acerca desta pequena cidade, na
Wikipédia.

Assim localizados, passemos à primeira das duas crónicas mandadas ontem pelo nosso repórter







uma imagem do Fresh Market da Central Avenue da velha St. Petersburg


Obama News
- 20080614 -
porque hoje foi sábado...



Caros amigos,
(recordando Vinicius de Morais)
Porque hoje foi sábado, foi tempo de sair de casa e chegar ao sítio combinado, na hora certa (9 da manhã): o Fresh Market da Central Avenue da velha St. Petersburg.
Porque hoje foi sábado, foi tempo de encontrar outros doze como eu, com camisolas a condizer, garrafas de água para lutar contra o sol e o calor.
Porque hoje foi sábado, foi tempo de partilharmos pranchetas, boletins de registo de eleitores, canetas esferográficas pretas.
Porque hoje foi sábado, foi tempo de perguntarmos às pessoas se estavam registadas, se queriam votar nas próximas presidenciais.
Porque hoje foi sábado, foi tempo de ouvir todo o tipo de respostas e não-respostas, a maioria esmagadora afável, a maioria de apoio (Yes! I'm for Obama!).
Porque hoje foi sábado, foi tempo de conseguir mais um recenseado.
Porque hoje foi sábado, foi tempo de nos despedirmos, às duas da tarde, cinco horas depois da chegada, e prometermos mais sábados como este.
...

O grupo, dirigido por uma das organizadoras da candidatura de Obama, era constituído por 12 pessoas, 8 mulheres e 4 homens, das mais diversas idades mas, por sinal, todos brancos... Sublinho: o grupo foi dirigido por uma mulher e tinha o dobro de mulheres...
Refiro isto para vos ajudar a compreender como é falsa a ideia de os eleitores de Hillary, principalmente as mulheres, não votarem em Obama.
Outro dado que ajuda a reflectir é o seguinte. Votaram, nas Primárias do Partido Democrático, cerca de 35 milhões de pessoas, partilhadas por ambas as candidaturas. Destas, 20 milhões de mulheres e 15 milhões de homens. Se Hillary e Obama tiveram praticamente o mesmo número de votos e se ambos tiveram praticamente o mesmo número de votos de homens, como se explica que ela tenha tido mais votos de mulheres?
A resposta é simples: ambos tiveram mais votos de mulheres do que de homens.
...
O Fresh Market é um daqueles pequenos mercados tradicionais em que se compram bugigangas, fruta e legumes frescos, se comem uns assados e se bebem uns copos.
Organiza-se, aos fins de semana, ao longo de um passeio da Central Avenue de St. Petersburgo.
É frequentado por gente não muito abastada e pobre que vive perto e por pessoas que, vindo de mais longe, procuram o exotismo de panos coloridos, de colares e brincos mais ou menos baratos, de batidos com sabores a frutas tropicais, de vestidos de algodão da Índia, de velas de várias cores e feitios, de cachorros quentes, de petiscos vários que espalham no ar os cheiros característicos das churrascadas, de incensos vários e diversos trabalhos de artistas locais.
No meio de tudo isto, uma das bancadas expunha antigos fatos de guerras falecidas, medalhas com a cruz nazi ou com os símbolos das SS, recordações de certos passados, um busto de Hitler, punhais de vários feitios e diversas histórias, notas do tempo da 2ª Guerra... e, no meio de tudo isto, uma placa de carro a dizer DDR, República Democrática Alemã!
Noutra bancada um cartaz, por entre joias, anunciava: Do not made in China!
...
Todo este trabalho e apenas mais um eleitor! Lá está o lírico do fernandinho, com os seus entusiasmos infantis, a inventar batalhas inesquecíveis!... Dirão alguns dos leitores...
Mas a novidade é que, num mês deste tipo de acções, se conseguiram mais de mil novos eleitores em Pinellas County (o County em que vivo e de que faz parte a cidade de Seminole, onde resido, a de St. Petersburg e outras)!
A novidade é que, pela primeira vez, em Pinellas County, há mais eleitores inscritos no Partido Democrático do que no Partido Republicano!
A novidade é que este trabalho vai continuar até ao último dia em que for possível realizá-lo: um mês antes das eleições de 4 de Novembro!
A novidade é que conservadores, racistas, machões do Partido Republicano e outros que tais, ou estão em pânico, ou à beira de um ataque de nervos, ou já começando a sentir-se resignados perante a avalanche da história!
A novidade é que não pára de crescer o número de voluntários que se propõem ajudar a arranjar mais voluntários e a conseguir mais eleitores! Hoje inscreveram-se mais 3 voluntários para trabalhar connosco...
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Somos a única presença política nas ruas destas cidades. Não se encontra mais ninguém. Os outros estão em casa a ver televisão ou na praia a tostar ao sol.
Nós vamos ouvindo uma ou outra coisa desagradável, curiosamente cada vez menos, mas, em compensação, são muitos os que nos oferecem um sorriso, nos dizem estar connosco, nos dão sugestões de locais para desenvolver a campanha, nos pedem um pin, um autocolante ou um folheto, conversam connosco.
"O que me preocupa", dizia-me a vendedora de um dos stands, "é esta crise... que faz com que as pessoas não tenham dinheiro para me comprar qualquer coisa... é que se eu não vender não tenho dinheiro para comer..."
...
Um grande abraço para todos,
Boa noite e boa sorte,
fernando

sábado, junho 14, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 10




Segue-se o segundo bloco noticioso recebido ontem, do nosso “correspondente” especial.

Como em todo o orbe onde acontecem eleições, os profissionais da política lodacenta, da gratuita difamação, da mentira mais descarada, não desarmam. E combater a calúnia (fight the smear) é muito mais difícil do que lançá-la.
Daí a segunda mensagem de ontem





Obama News - 20080613 -
Combater as Sujeiras -
Fight the Smears

Caros amigos,
...
Neste país, mais do que estamos habituados na Europa, em matéria de eleições "vale tudo menos arrancar olhos".
Há legiões de detectives (contratados ou a trabalhar por conta própria), especialistas da desinformação (nas rádios, televisões e jornais), propagandistas de lixo cibernético, empresas de publicidade, falsos "independentes", etc etc etc
Criam-se factos políticos, inventam-se histórias proibidas, vendem-se escândalos sexuais e financeiros, fabricam-se sujeiras, nódoas que por vezes permanecem apesar das mentiras que transportam.
Estas técnicas têm sido utilizadas, desde sempre (ficaram na história porcarias destas utilizadas para eleger os primeiros Presidentes...), por todos os quadrantes mas, muito especialmente, pelos mais fanáticos apoiantes (encapotados ou não) do Partido Republicano.
...
Desde o início das Primárias, a candidatura Obama comprometeu-se publicamente a não utilizar estas métodos. Tem sido fiel a esta postura apesar dos inúmeros ataques deste tipo a que tem sido sujeita.
Com o advento da Internet espalham-se, à velocidade da luz, as mais diversas, ofensivas e mentirosas "notícias" que são utilizadas como instrumentos do combate político desleal e sujo. Todos sabemos, por experiência própria, o que isto é.
Como Obama declarou no dia 3 de Junho "o que nunca ouvirão na nossa campanha é essa espécie de política que usa a religião como uma cunha para nos dividir ou o patriotismo como uma matraca - que olha para os nossos opositores, não como competidores para desafiar, mas como inimigos para endemonizar..."
Mas, uma coisa é não utilizar estes métodos, outra é conseguir responder a eles...
...
Por esta razão, a candidatura Obama criou um site próprio (
Fight the Smears) em que são referidas as mentiras e, em seguida, apresentadas as respectivas respostas.
Começou ontem, rebatendo acusações várias que têm vindo a ser utilizadas e divulgadas pelos mais diversos meios da política suja e dos seus profissionais. Há quem tenha vivido toda a sua vida e construído toda a sua carreira à conta deste tipo de "venda de notícias e informações".
As primeiras mentiras (e as respectivas respostas) lá estão: a) que haverá um vídeo em que a Michelle Obama tem declarações racistas; b) que o Obama não nasceu no território americano (condição para poder ser Presidente); c) que é muçulmano; d) que os livros de Obama contêm declarações racistas incendiárias; e) que Obama não faz o juramento...
No novo site é feito um apelo para que todos se informem e respondam "taco-a-taco" aos comentários que forem ouvindo ou lendo. Nos locais de trabalho, nos lugares públicos, na Internet, nos meios de comunicação social, nos grupos de amigos, etc.
...
Aqui está um exemplo a estudar e a utilizar quando, nós próprios, nas nossas vidas pessoais, profissionais, culturais, políticas... formos confrontados com o mesmo tipo de sujidades...
...
Um abraço,
fernando

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 9

o ícone do radical e imobilizador conservantismo


Ninguém acredita nelas... Mas todos as analisam com atenção: simulando uma atitude depreciativa, os perdedores; fingindo não lhes dar grande relevo, os ganhadores.

Mas a verdade é que, desde que o quarto poder se instalou, as sondagens são (as dignas de crédito) um relativamente importante barómetro da mais generalizada opinião.

Posto isto, passemos às novas mais recentes, enviadas pelo nosso amigo Fernando; e em dois blocos separados, embora seguidos, para amortecer o eventual peso









Obama News - 20080612 -
SONDAGENS


Caros amigos,

Mensalmente, neste país de sondagens, há umas sondagens credíveis publicadas em conjunto pelo Wall Street Journal e pela NBC News.
Podem encontrá-las, por exemplo, se forem ao site da MSNBC/politics.
As anteriores foram publicadas em 30 de Abril. As mais actuais foram publicadas ontem e realizadas no período que se sucedeu à declaração da vitória de Obama nas Primárias (3 de Junho).
Aqui vão os resultados (percentagens) com alguns comentários.
...
1. CASOS EM QUE OBAMA ESTÁ À FRENTE DE McCAIN
Total de eleitores: 47/41. Em Abril era 46/43.
Afro-Americanos: 83/7.
Hispânicos: 62/28.
Mulheres: 52/33.
Mulheres brancas: 46/39.
Católicos: 47/40.
Independentes: 41/36.
Trabalhadores com baixas qualificações: 47/42.
Os que votaram na Hillary nas Primárias: 61/19.
A nota mais importante tem a ver com o voto das mulheres brancas, em que Obama lidera com 46%, contra 39% de McCain. Este grupo é importante porque, tradicionalmente, o candidato do Partido Republicano ganha na categoria "homens brancos" (o que, na minha opinião, desculpem-me o áparte, é uma vergonha!) e, quando ganham na categoria "mulheres brancas", conseguem ganhar as eleições gerais, como foi o caso de Bush em 2000 e 2004.
Isto nada tem a ver com racismo. Tem sim a ver com conservadorismo...

...
2. CASOS EM QUE McCAIN ESTÁ À FRENTE DE OBAMA
Homens brancos: 55/35.
Mulheres suburbanas: 44/38.
As notas importantes são as seguintes. Os homens brancos representaram, nas eleições de 2004, 36% do eleitorado. As mulheres suburbanas representaram 10%. Em conjunto, representaram quase metade dos eleitores! Embora estas percentagens tendam a reduzir-se (com a alteração que tem havido nos cadernos eleitorais, por força do trabalho, fundamentalmente, da candidatura Obama) são universos em que Obama tem dificuldade "em entrar".
...
3. OUTROS DADOS INTERESSANTES
Popularidade de Bush: 28%.
...
54% são por um Presidente que introduza mudanças, mesmo que tenha menos experiência.
42% são por um Presidente com mais experiência e que defenda menos mudanças.
...
59% são por um Presidente que se foque no progresso e a mover a América para a frente.
37% são por um Presidente que proteja o que fez a América grande.
...
48% dizem que Obama vai mudar a América.
21% dizem o mesmo de McCain.
...
54% acreditam que Obama vai ganhar.
30% acham que será McCain.
...
A dupla Obama/Clinton tem 51% de apoiantes.
A dupla McCain/Romney tem 42%.
Nota: a diferença é superior à de Obama e McCain sem a indicação de Vice-Presidentes.
...
Dos potenciais eleitores de Obama:
22% dizem que, se a Hillary for a Vice-Presidente, votarão mais facilmente nele.
21% dizem que se isso acontecer votarão com mais dificuldade.
55% dizem que isso não tem qualquer influência.
Nota: Estas dados são interessantes e, em princípio, serão diluídos no tempo...
...
Um grande abraço para todos,
fernando



sexta-feira, junho 13, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 8




Tenho tido algum (pouco) feedback sobre estas reportagens de alguém, nosso compatriota, que está por dentro desta campanha, que a vive, pensa e com ela vibra, e que nos transmite essa vivência.

Espero que estejam a constituir um bom complemento ao que por cá se lê, ouve e vê, sobre essa dura caminhada que é a eleição do presidente dos EU.

Não estou a falar da bondade, ou não, do processo de eleição.
Estou a constatar uma realidade: uma dura prova para um candidato que se empenhe. E, é evidente, um espectáculo – como tudo o que acontece por lá, em matéria de grandes eventos.

Desta vez, sem mais delongas, a palavra ao nosso cronista.




Obama News - 20080610 –
Florida


Caros amigos,
A propósito do Estado onde vivo aqui vão algumas notas que talvez considerem com interesse.
1. A IMPORTÂNCIA NOS ÚLTIMOS ACTOS ELEITORAIS
A Florida tem sido, em termos eleitorais, um dos pontos chave das últimas eleições presidenciais.
Em 2000, foi declarada a vitória de Al Gore (sobre Bush) e, pouco depois, a de Bush (sobre Al Gore). Depois de uma disputa que meteu recontagem de votos (nunca chegaram a ser recontados 1 milhão e meio de votos) e muita jogada suja por parte do governo de então, liderado pelo irmão de Bush, na altura Governador, Bush foi declarado vencedor com uma vantagem de cerca de 500 votos (o que lhe deu os 27 votos da Florida no Colégio Eleitoral). Esta vitória permitiu-lhe atingir a maioria no Colégio Eleitoral. Como sabem, a vitória num Estado permite que o candidato aí vencedor conte com todos os delegados desse Estado. Nesse ano, Al Gore, a nível nacional teve mais cerca de 500 mil votos populares do que Bush, mas não foi eleito porque, no Colégio Eleitoral teve 260 votos (contra 279 de Bush). Se tivesse ganho a Florida, Al Gore teria sido eleito com 287 (contra 252 de Bush).
Em 2004, Kerry perdeu as eleições na Florida. Uma vez mais, se as tivesse ganho, teria conseguido ser eleito Presidente.
2. O PRIVILÉGIO DE ESTAR A PARTICIPAR
Como tenho escrito, estar a viver estas eleições ao vivo é um privilégio que vocês não têm. Eu tenho aproveitado a ocasião para estudar e aprender e para vos enviar algumas notas, que, porventura, não receberiam através dos habituais meios de comunicação.
Estar a viver na Florida permite-me, para além disso, participar num processo que, também desta vez, pode ser decisivo para a eleição do futuro Presidente dos EUA.
Durante dezenas de anos afirmei, erradamente, que ganhar este ou aquele nestas eleições não alteraria muito o decurso da história. Mas Bush ultrapassou tudo o que é admissível. Há 4 e há 8 atrás foi eleito o que é, quase unanimemente, considerado o pior Presidente da história deste país.
Penso que sabem que não sou membro do Partido Democrático e, muito provavelmente, nunca o serei. Penso que sabem que apoio Obama, não porque esteja de acordo a 100% com tudo o que diz e faz, mas por ser o único Político que me faz revisitar a Política com o gosto com que o tenho feito. E, também eu, sou, desde a primeira hora, um opositor declarado da invasão criminosa do Iraque, a que se chama erradamente "a
guerra do Iraque".
Decidi fazê-lo porque não gosto que a História me passe ao lado. Mais uma vez sou voluntário.
3. A ALTERAÇÃO DO MAPA ELEITORAL
A candidatura Obama anunciou hoje que, pela primeira vez na história de todas as candidaturas de todas as eleições presidenciais nos EUA, irá fazer campanha nos 50 Estados Americanos e terá equipas especializadas permanentes em todos eles.
Este é um facto muito interessante porque, tradicionalmente, há Estados que são considerados Democratas ou Republicanos e em que os candidatos não gastam recursos nem utilizam tempo porque, antecipadamente, já se sabe quem ganha e perde.
Tudo isto tem a ver com alguma coisa de muito importante que poderá vir a acontecer com estas eleições: uma alteração, mais ou menos profunda, do mapa eleitoral americano. Provocada por vários factores, entre os quais assinalo os seguintes: a) as candidaturas (elas próprias); b) o aumento substancial de novos eleitores (por força da inscrição, nos cadernos eleitorais, de milhões de pessoas que, embora com capacidade eleitoral, nunca tiveram direito a voto por não estarem sequer inscritas para votar); c) a alteração qualitativa do próprio eleitorado americano, com relevância para a juventude; d) uma guerra com custos elevadíssimos que foi justificada com mentiras e que agravou os conflitos já existentes no Médio Oriente; e) uma crise económica à beira da recessão; f) o aparecimento de dois candidatos que permitiram acreditar na possibilidade de, pela primeira vez, haver um Presidente dos EUA afro-americano ou mulher; g) umas Primárias Democráticas que motivaram o maior número de pessoas de sempre.
A fraca participação de eleitores e cidadãos nos actos eleitorais americanos é um dos aspectos que tem mitigado o processo democrático neste país. Pense-se no seguinte: se a abstenção é de 50% e se os inscritos são, por exemplo, 75% dos que têm capacidade eleitoral, então, relativamente a todo o universo de potenciais eleitores, têm votado menos de 40% dos cidadãos deste país! Se o Presidente é eleito por pouco mais de metade destes, estamos a falar de alguém que é eleito por cerca de 20% dos cidadãos com capacidade eleitoral e que, a partir daí, diz representá-los a todos!!!
4. ALGUMAS NOVIDADES DA CANDIDATURA OBAMA
Outra questão interessante tem a ver com o facto de não ter havido Primárias do Partido Democrático na Florida (e em Michigan, como se sabe).
Isto tem sido uma vantagem para McCain que desenvolve a sua campanha aqui há mais de um ano e que virá a este Estado pela 19ª vez (desde que a iniciou) na próxima 6ª feira. Segundo as últimas sondagens sobre a intenção de voto, McCain está com uma vantagem, relativamente a Obama, que oscila entre os 10 e os 4 pontos percentuais.
Obama não fez campanha aqui, veio cá duas vezes e virá cá na próxima semana.
Uma das razões da vitória de Bush/Cheney em 2004 foi a campanha porta-a-porta que o seu Partido realizou. Uma das razões da derrota de Kerry/Edwards, nesse mesmo ano, foi a de terem iniciado esse tipo de campanha muito tarde.
A campanha de Obama já arrancou mas, de uma forma decisiva, irá sentir-se a partir do próximo fim-de-semana.
Inscreveram-se como voluntários 150 mil apoiantes. 400 terão formação específica e participarão a tempo inteiro na campanha. A maioria destes é constituída por estudantes e reformados. 61 mil pessoas contribuíram já com pequenas verbas (menos de 200 dólares) e constituem uma sólida e segura base de apoio financeiro. Dezenas de voluntários (staff da campanha), que veem de outros Estados para ajudar, estão a ser instalados em casas de pessoas que contribuem desta forma.
A partir de agora há que recuperar o tempo perdido, procurar inscrever o maior número de pessoas nos cadernos eleitorais, chamar os apoiantes de Hillary Clinton para este trabalho, falar com o maior número possível de pessoas de todos os extractos sociais e profissionais, participar.
5. ALGUNS DADOS SOBRE A FLORIDA
O número de habitantes por km quadrado é, curiosamente, igual à de Portugal: 114.
A população é de cerca de 18 milhões de pessoas.
A taxa de crescimento populacional é a 5ª maior dos EUA.
É o 4º maior Estado em número de habitantes, prevendo-se que, no final da corrente década, ultrapasse o Estado de New York e chegue a 3º (atrás da Califórnia e do Texas).
A principal actividade económica é o turismo (fundamentalmente interno), seguindo-se a agricultura (laranja, principalmente), o sector financeiro e a indústria aeroespacial.
A composição racial da população é a seguinte: 65% brancos; 17% hispânicos; 15% afro-americanos (eram 50% no tempo da escravatura); 2% asiáticos; menos de 0,5% americanos nativos (índios).
Os principais grupos étnicos são: alemães (12%), irlandeses (11%), ingleses (9%), americanos (8%) e italianos (6%).
Em matéria religiosa há 82% de cristãos (54% protestantes e 26% católicos), 4% de judeus, 1% de outras religiões e 13% não-religiosos.
6. UM CHEIRINHO DE HISTÓRIA
O nome teve origem na chegada de Juan Ponce de Léon, em 2 de Abril de 1513, uns dias depois da chamada sexta-feira santa. Pascua Florida é o nome dado pelos espanhóis à celebração cristâ do domingo de Ramos. Ponce de Léon chamou-lhe Florida e assim ficou.
Até 1819 foi colónia espanhola, altura em que foi comprada e anexada aos EUA.
Tornou-se o 27º Estado americano em 3 de Março de 1845.
Em 1861 separou-se dos EUA e juntou-se aos Estados Confederados da América (que defendiam a continuação da escravatura). A principal actividade económica de então era a produção de algodão, completamente dependente do trabalho escravo.
Após a derrota da Confederação na Guerra Civil, em 1865, a Florida foi readmitida nos EUA em 1868, não sem que antes (1866) fosse forçada a abolir oficialmente a escravatura.
Hoje os "novos escravos" são os imigrantes clandestinos que, fundamentalmente, trabalham na agricultura.
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Um abraço para todos.
Boa noite e boa sorte.
fernando

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