quarta-feira, março 16, 2005

OBSERVATÓRIO DO CUSCAS: BRITNEY SPEARS CHEIRA MAL DOS PÉS?

O “Pessoas” (página mundana do Público, diária) de há dias relatava:
«Há alguns meses atrás, os passageiros de um voo no qual viajava a cantora norte-americana Britney Spears terão sido obrigados a reclamar que a loira se voltasse a calçar, diante do persistente e desagradável odor que tomou conta do avião a partir do momento em que a diva da música pop se descalçou.»

E lança mesmo “a suspeita de que a cantora não seja uma grande aficionada da higiene…”

Pode lá ser?!
A moça, que é tão talentosa (a todos os títulos…) e tão (des)compostinha!...
Não dá para acreditar…
Pois: quem vê caras… e etc… não vê pés.
Se fosse assim o ditado, o povo, como sempre, teria razão.


OS MEUS DESTAQUES

«Parece que a primeira medida política verdadeiramente significativa do novo Governo do eng. Sócrates foi fazer coincidir - através de prévia revisão constitucional - o referendo sobre a chamada "Constituição europeia" com as eleições autárquicas, provavelmente no início de Outubro deste ano. Em minha opinião, é um mau começo. (…)
Em primeiro lugar, porque a coincidência entre os dois actos eleitorais esvazia e mistifica totalmente qualquer tentativa de debate sério sobre a questão europeia e as várias posições que acerca dela se confrontam. (…)
Fugir aos referendos em matéria europeia é uma das [estratégias] mais solidamente subsistentes do bloco central no nosso sistema político. (…)
Será politicamente aceitável que se reveja a Constituição (que proíbe a coincidência dos referendos com os actos eleitorais) para permitir esta manipulação grosseira da vontade dos eleitores? Ou seja, para realizar precisamente o que ela visa impedir?
Em segundo lugar, a verificar-se esta coincidência de votação, ela abre um precedente de consequências imprevisíveis: daqui para o futuro tenderá a não haver referendos sem ser pendurados em actos eleitorais e, se os houver, arriscam-se a ter resultados totalmente esvaziados de participação e significado. Pior do que isso só o infindável horizonte de possibilidades manipulatórias que se oferece aos governos em geral, habilitados constitucionalmente a colar os referendos que tiverem por convenientes a uma consulta eleitoral. (…)
o Governo do eng. Sócrates vai usar a maioria absoluta no parlamento a favor da maioria social pela mudança e pela revogação das políticas da direita, ou contra ela?»

Fernando Rosas (Público, 16 MAR 05)

«"Para a Câmara do Porto, basta um contabilista. E para isso já lá temos um."»
Eduardo Prado Coelho, citando José Lello (id, id)

«Cabo Verde pode e deve integrar a União Europeia. Adriano Moreira teve a ideia, Mário Soares há muito defende a ligação de Cabo Verde aos arquipélagos do Atlântico, como os Açores, a Madeira ou as Canárias numa recuperação do mito da Macaronésia.»
Maria Jorge Costa (A Capital, 16 MAR 05)

«É urgente que o choque cultural de que falava Teresa de Sousa no Público [ontem, 15/03], centrando-se no que este significaria em termos da relação cidadãos-Estado, chegue também aos partidos e permita a alteração [das] lógicas mesquinhas, de umbigos e vistas curtas. Que os partidos possam deixar de ser plataformas de caça ao poder, todos divididinhos em quintais e respectivas comadres, para se tornarem lugares ao mesmo tempo mais afirmativos e mais transparentes onde a linguagem das ideias e dos ideais se sobreponha à mera contabilidade dos tachos.»
Jacinto Lucas Pires (id, id)

«Não há político com tanta sorte e tanto azar e não há português mais teimoso. Por este andar, vamos discutir o futuro de Santana Lopes mesmo quando ele não tiver futuro. (…)
No futuro de Santana, que os jornalistas e comentadores estão obrigados a ler nas estrelas, está ainda uma passagem por Paris e outra por Belém (palácio). Como o próprio diz, sobre o futuro dele, cada um pode dizer o que quiser.»

Paulo Baldaia (DN, 16 MAR 05)

«A violação de direitos fundamentais manifesta-se na prisão por tempo indefinido e sem culpa formada de suspeitos de terrorismo, a quem é negado advogado. Qualquer um pode ser considerado suspeito, sem hipótese de se defender. É o reino da arbitrariedade, aceite por supostos adeptos do Estado limitado. Há também o recurso à tortura. Rumsfeld aprovou métodos de interrogatório contrários à Convenção de Genebra, tratado que Washington não aplica aos suspeitos de terrorismo, apesar de se dizer em guerra contra os terroristas. E os EUA não só mantêm prisioneiros clandestinos, fora de qualquer controlo judicial, como enviam presos para países onde a tortura é corrente. Disse o general americano responsável pela prisão de Abu Grahib (onde até havia crianças) "Não me importo se estamos a prender 15 mil civis inocentes. Estamos a ganhar a guerra."»
Francisco Sarsfield Cabral (id, id)

«Santana Lopes guia-se pela luz dos holofotes e pelas câmaras dos telejornais das oito. Isto leva a que, enquanto faz os seus números de sapateado, pise minas, esfrangalhe aliados e dinamite o crédito político que lhe resta.Atrás de si só já tem as “santanetes” e alguém que tornou a paciência num culto: Carmona Rodrigues. O regresso de Santana à Câmara mostra como ele já não vê, não ouve e demora demasiado tempo a falar.O problema dos políticos é quando só já jogam à cabra-cega com os «yesmen». Legalmente pode voltar a ocupar o lugar. Como atitude política será um desastre.»

Fernando Sobral (Jornal de Negócios online, 16 MAR 05)

«Santana Lopes entrou ontem na CML, pelas 11 da manhã.
Na véspera tinha reocupado a chamada residência oficial do presidente da Câmara, em Monsanto, com um almoço de trabalho que se prolongou até meio da tarde, durante o qual terá explicado ao presidente em exercício que queria de volta a cadeira do poder. Muito provavelmente vai agora requisitar de novo seguranças e batedores. E é assim: Santana Lopes habituou-se a um estilo de vida, rodeado de mordomias e honrarias, para o qual demonstrou que tem tanta apetência como incompetência. E o Estado parece ter assumido que tem o dever de sustentar o estilo de Santana Lopes.»

João Paulo Guerra (Diário Económico, 16 MAR 05)

ANEXOS ( DE E-MAIL) COM INTERESSE


Nas mensagens de email, aparece muita coisa sem grande (às vezes nenhum) interesse.

Mas aparecem também anexos muito interessantes. Alguns espectaculares, mesmo; verdadeiras obras de arte.

Vou trazê-los para aqui. Porque não?

Penso não correr riscos (relativamente a alguns deles). Dado que tudo circula livremente na net e o blogue não tem quaisquer objectivos comerciais…

Vamos a isto.

Este chegou hoje.

É espectacular, como podem ver.

«SHOW!!!!

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Eis aqui uma bela demonstração de como se desenhar uma mulher de dentro para fora. Literalmente. É só aguardar um pouco que o desenho de um artista russo começará a ser feito.

http://fcmx.net/vec/v.php?i=003702 »

terça-feira, março 15, 2005

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA



Foi há 154 anos (1851), um SB: nasce Carolina Michaïlis de Vasconcelos, professora universitária e romanista lusófila portuguesa de origem alemã. Reinava D. Maria II. Pontificava Pio IX (255º).

Foi há 89 anos (1916) : uma QA: constitui-se o chamado governo de “União Sagrada”: Afonso Costa cede o seu lugar na chefia do executivo ao evolucionista António José de Almeida. Era Bernardino Machado o PR. E Bento XV (258º), o papa.

Foi há 88 anos (1917), uma QI: na Rússia, o czar Nicolau II abdica do trono e o príncipe Grigori Lvov, Paul Miliukov e Alexander Kerensky formam governo. Em Portugal, era Bernardino Machado o PR. No Vaticano pontificava Bento XV (258º).


Foi há 72 anos (1933), uma QA: na Alemanha, Adolfo Hitler, líder nazi, anuncia o início do terceiro Reich, banindo igualmente jornais de tendência esquerdista e a comida judaica. Isto quando em Portugal era PR o general Carmona. E no sólio pontifício estava Pio XI (259º).


Foi há 44 anos (1961), uma QA: a UPA, liderada por Holden Roberto, desencadeia as primeiras acções armadas no Norte de Angola. Em Portugal o PR era o almirante Américo Tomás. Pontificava João XXIII (261º).

Foi há 31 anos (1974), uma SX: demissão dos generais Costa Gomes e Spínola dos cargos de chefe e vice-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, respectivamente; na aparência por lhes ter sido marcada falta na fervorosa manifestação da “brigada do reumático”. Mas efectivamente por mais profundas razões. Enquanto isto, agonizava a ditadura, com o eloquente Américo Tomás na PR, e Marcelo Caetano na chefia do governo. Em Roma pontificava, então, Paulo VI (262º).


Foi há 12 anos (1993), uma SG Mário de Carvalho, operador português de TV radicado nos EUA, é agraciado com o prémio EMI pelas reportagens efectuadas acerca da guerra do golfo. Mário Soares era o PR português. Pontificava João Paulo II (264º).

CITAÇÕES DO PÚBLICO DE HOJE ("Diz-se")


“[No acto de posse] o primeiro-ministro (…) não lamentou a situação, não protestou pelas dificuldades herdadas, não acusou. Todo o seu discurso foi virado para a frente.”
Eduardo Moura
Jornal de Negócios, 14-03-05

“Os portugueses escolheram Sócrates por já não poderem suportar a política de suicidária depressão protagonizada pela coligação de centro-direita e, claro, por rejeição do populista Santana.»
Luís Osório

A Capital, 14-03-05

“Depois das vacuidades eleitorais, chegou a hora de falar verdade. Para que os portugueses mudem de atitude e, a partir daí, seja possível relançar a economia.”
Francisco Sarsfield Cabral
Diário de Notícias, 14-03-05

“Antes do 25 de Abril também diziam que não estávamos preparados para a democracia. A venda exclusiva nas farmácias é algo de jurássico.”
António Rosseau
ibidem


TAP PREVÊ TERCEIRO ANO DE LUCROS EM 2005


«O orçamento da TAP para 2005 aponta para um lucro líquido entre 15 a 20 milhões de euros, semelhante às previsões para 2004, revelou ontem Fernando Pinto. Falando na conferência de imprensa que se seguiu à cerimónia que assinalou a entrada da TAP na Star Alliance” informa Inês Sequeira, no Público.

(…)

"Confiamos que [os resultados] serão positivos", disse [Fernando Pinto] apenas, confirmando que deverão ficar abaixo dos cerca de 15 milhões de euros orçamentados – continua Inês Sequeira. E prossegue: quanto a receitas, o administrador delegado acredita num crescimento das entre seis a oito por cento este ano face aos quase 1,3 mil milhões de euros obtidos no último exercício.

Acrescenta, depois, a jornalista: a TAP vai também expandir a sua frota nos próximos quatro anos, com mais sete aviões previstos até 2008, para um total de 47 aeronaves.»


É um assunto genérico, nacional, que me interessa.
Mas é, também, o bichinho que cá ficou.
Não tenho saudades da Companhia. Mas fiz lá algumas amizades que ainda mantenho.


“AFIRMAÇÕES DE ALGUM REVOLUCIONÁRIO CONTEMPORÂNEO?”


Reporto-me ao artigo de hoje, de Sarsfield Cabral, no DN.
E ao texto que transcrevo: «É permitido roubar em caso de necessidade extrema? É. Quando damos aos miseráveis as coisas que lhes são indispensáveis, não lhes fazemos qualquer favor; devolvemos-lhes aquilo que lhes pertence. Afirmações de algum revolucionário contemporâneo? Não. A primeira é de S. Tomás de Aquino, no séc. XIII. A segunda afirmação é ainda mais antiga, do séc. VI, e pertence ao papa S. Gregório Magno. Doutrina confirmada pelo Concílio Vaticano II "Aquele que se encontrar em extrema necessidade tem direito de tomar, dos bens dos outros, o que necessita" (Gaudium et Spes).»

A expressão de S. Gregório Magno - (o papa Gregório I - 64º da sucessão, contando com S. Pedro) de cujo passamento se comemorou há dias (dia 12 deste mês: v/ abaixo Memória do tempo que passa) o 1401º aniversário (foi em 604), que por alguma razão foi cognominado “Grande” e foi elevado à dignidade de santo – essa, sim é arrojada (?!), verdadeira, sem contornos, sem cúmplices rodeios.

Nele não há o sofisma que se encontra em S. Tomás ou na citada Gaudium et Spes: num, lê-se “necessidade extrema”; na outra “extrema necessidade”.

Claro: no “extrema” está o sofisma.

É como quem diz: em remotíssima instância podes invocar o teu “direito”, a excepção que te pode valer.

Até lá… Tem paciência. Conforma-te. “É a vontade insondável de Deus”, como dizem sobretudo certos padres, mas também bispos e doutores da Igreja.

O acento tónico, em tal matéria, nos discursos e nas homilias da igreja, é a caridade, essa parente da sobranceria, do paternalismo, da posição cómoda de quem se sente acima… Não é a caridade-amor, é a caridade-comiseração de quem reconhece ter mais que o outro e lhe pode dar umas migalhas…

Diferente é a solidariedade. Essa passa-se de igual para igual.

Mas a solidariedade não é “pregada”! Ou não é muito “pregada” pelos pastores de almas.

Recentemente escrevia Frei Bento Domingues, na sua página dominical, no Público (06 MAR 05): «Jesus não é um caso errático na crítica ao culto que esconde a opressão dos pobres. Embora radicalizando-a até ao extremo, Jesus insere-se na corrente profética que, em nome de Deus, exige liberdade e justiça na terra

Não será, antes esta, a voz do profeta?


OS MEUS DESTAQUES



«Pedro Santana Lopes deveria ter concretizado ontem, sem drama nem tabu político, uma de três opções: reassumir, suspender ou renunciar ao cargo de presidente da Câmara de Lisboa. A lei é clara mas Santana Lopes não conseguiu evitar a emoção, o suspense, o prolongado silêncio sobre um futuro que podia estar para lá do regresso ao município. À sua maneira...»

Eduardo Dâmaso (Público, 15 MAR 05)


«
O patético silêncio de Santana Lopes foi um acto de irresponsabilidade que o deixa numa situação indefensável. Mesmo que viesse argumentar com a necessidade de clarificar a questão da câmara no plano partidário, ou seja, assumir se é ou não candidato nas próximas autárquicas ou passa o testemunho e, por isso, precisar de mais tempo, nunca seria razoável tal opção. Isso significaria meter as conveniências partidárias à frente das suas obrigações enquanto presidente do município lisboeta, ou seja, subverter por completo o compromisso que assumiu com os eleitores que lhe deram o mandato autárquico.»
Id (id, id)

«O mínimo que se esperaria numa pessoa consciente dos seus deveres enquanto homem com responsabilidades públicas era que tivesse esclarecido imediatamente, logo após a posse do novo Governo no sábado, que reassumia o lugar e que segunda-feira se apresentaria ao trabalho.»
Id (id, id)

«A atitude de Santana Lopes fala por si própria, se ainda faltassem provas, quanto à preparação que não tem para exercer cargos públicos. Falta-lhe preparação e uma condição basilar em democracia: respeito pelos eleitores.»
Id (id, id)

«Se há uma revolução a fazer em Portugal, ela consiste em fazer prevalecer o interesse geral contra os interesses sectoriais e corporativos. E são muitos, estes, desde as associações empresariais aos sindicatos, passando pelos grupos profissionais de elite (ordens profissionais em especial), desde a Igreja Católica e a Opus Dei à maçonaria, desde os magistrados aos militares, desde as universidades às câmaras municipais.»
Vital Moreira (id, id)

«A campanha de Sócrates confirmou o que dizem as sondagens. Guterres ainda não "passa". Cada vez entusiasma menos as bases do PS e isto acentua-se em relação aos simples apoiantes.»
Eduardo Prado Coelho (id, id)

«O direito "a não ser torturado" foi defendido ontem em Genebra pela alta-comissária das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, a canadiana Louise Arbour. No seguimento dos escândalos de abuso de prisioneiros durante a campanha anti-terrorismo liderada pelos Estados Unidos, este direito deverá ser objecto de uma resolução a apresentar pela União Europeia»
Público (id)

«Os dirigentes do PS conotados com a ala esquerda criticam a composição do novo Governo de José Sócrates, por este não reflectir todas as correntes de opinião existentes no partido. Pedro Adão e Silva, ex-membro do Secretariado Nacional, diz que a «grande surpresa» no Governo é a ausência de um «equilíbrio» que reflicta as várias tendências do partido. «José Sócrates, ao formar Governo, apropriou-se de uma autonomia que os resultados eleitorais não lhe deram e que não reflectiu as várias tendências do PS», afirma Pedro Adão e Silva.»
Ana Clara (id, id)

«Dirigentes do PS avisam que vão estar atentos ao Executivo e exigem que José Sócrates concretize as políticas sociais.»
Id (id, id)

«O fenómeno José Mourinho, que considero o treinador mais extraordinário dos últimos trinta anos do futebol mundial, é o típico exemplo de alguém cujas mais-valias se alicerçam naquilo que é mais negativo e perverso no ser humano. Considera o futebol uma guerra onde tudo deve ser feito, inclusive o vender a alma a qualquer diabo visível ou invisível, em função da concretização do objectivo. Ganhar é a sua única essência, mesmo que seja a qualquer preço.»
Luís Osório (A Capital, 15 MAR 05)

«O Inimigo Público, excepcional suplemento do diário Público, trouxe para a imprensa em Portugal a virtude de nos colocar a todos desafios no sentido de melhorar a criatividade nos jornais. Muitas vezes, tornamo--nos escravos das agendas noticiosas e esquecemo-nos de que os jornais são, também, espaços de vida e bandeiras de causas.»
Id (id, id)

«Lembrei-me do país e dos seus políticos. Apesar de o país ser muito pequenino e o número dos seus habitantes reduzido, os dois (os políticos e o país) andam tão devagar que há muitos anos não se cruzam.»
Gonçalo M Tavares

«Lentamente, o grau de exigência dos consumidores aumentou, o conhecimento de facto dos seus direitos cresceu, e há pelo menos uma base de cultura de cidadania que força as empresas prestadoras de serviços a garantir padrões de qualidade razoáveis.»
Pedro Rolo Duarte (DN, 15 MAR 05)

«Na pré-história daquilo a que se chamou "revolução conservadora", nos Estados Unidos, o senador Barry Goldwater, candidato do Partido Republicano à Presidência, contra o democrata Lyndon Johnson (estamos em 1964), tinha um slogan In your heart you know he's right. A campanha do Partido Democrático fez colar em cima dos cartazes e outdoors do candidato republicano uma faixa que dizia, simplesmente, Yes, extreme right. Não se sabe em que medida esta brilhante ideia contribuiu para o resultado, mas o senador do Arizona sofreu uma das maiores derrotas de todos os tempos na história das presidenciais americanas.»
Miguel Freitas da Costa (id, id)


SOCRÁTICOS


Os PS, mormente os socráticos (da actualidade), terão mesmo entendido o líder? Até nas entrelinhas?

Não estariam, antes, à espera que da mesa do partido, actualmente da mesa do Estado, caíssem umas migalhas, umas aparas?

A revolução tem de começar por aí.

Atenção, José.


O GUERREIRO-MENINO RESSUSCITOU?


Bartoon de Luís Afonso, do Público de hoje: 15 MAR 2005

NOTA:
O BARTOON tem sempre o mesmo endereço informático, embora cada dia com um diferente conteúdo.
Assim, o cartoon só corresponde ao título que o antecede
na data desse “post”.
Passado esse dia, tem que se procurar, no próprio BARTOON, a data a que um outro título e “post” respeitem, através da seta da esquerda, nele bem visível, ao lado do calendário.


O QUE MAIS O SURPREENDE NA HUMANIDADE


À pergunta “que mais o surpreende na humanidade?”, o Buda, na sua grande sabedoria respondeu:

“Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido.”


segunda-feira, março 14, 2005

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA




Foi há 513 anos (1492), uma QA: a rainha de Castela, Isabel I, ordena a expulsão de 1 500 judeus de Espanha, caso estes não se convertam ao cristianismo. Em Portugal reinava D. João II (13º). Pontificava Inocêncio VIII (213).

Foi há 201 anos (1804), uma QA: nasceu Johann Strauss, compositor austríaco, autor do Danúbio Azul. Em Portugal era Regente do reino D. João (VI). Decorria o pontificado de Pio VII (251º).

Foi há 158 anos (1847), um DM: nasceu António F. de Castro Alves, escritor brasileiro. Em Portugal reinava D. Maria II (30º). No sólio pontifício encontrava-se Pio IX (255º).

Foi há 137 anos (1868), nasceu Máximo Gorky, escritor russo, autor de A Mãe. Em Portugal reinava D. Luís (32º). Pontificava Pio IX (255º).

Foi há 126 anos (1879), uma SX: nasceu Albert Einstein, físico alemão. Em Portugal reinava D. Luís (32º). Na cadeira de Pedro sentava-se Leão XIII (256º).

Foi há 122 anos (1883), uma QA: morreu Karl Marx, filósofo alemão, autor do Manifesto do Partido Comunista (1948) e de O Capital. Em Portugal reinava D. Luís. Na cadeira de Pedro sentava-se Leão XIII.

Foi há 100 anos, (1905) nasceu Raymond Aron, publicista, filósofo e sociólogo francês. «Foi um dos pensadores mais lúcidos do século XX e "um filósofo sem príncipe". Foi detestado pela esquerda intelectual na era da hegemonia cultural do comunismo. Nos anos !970, quase todos lhe deram razão.» «Da sociologia às relações internacionais, da universidade ao jornalismo, deixa uma obra marcante e uma escola de pensamento.» (Jorge Almeida Fernandes, Público, 14MAR05). Raymond Aron morreu há 22 anos, em 1983. Em Portugal, quando Raymond Aron nasceu em Portugal reinava D. Carlos (33º). No Vaticano pontificava S Pio X (257º).

Foi há 71 anos (1934), uma QA, morreu João do Canto e Castro, presidente da República entre 1918 e 1919. Carmona era o PR. Pio XI (259º) o papa.


Foi há 67 anos (1938), uma SG: nasceu Glauber Rocha, cineasta brasileiro. O PR em Portugal era Carmona. Sumo pontífice era Pio XI (259º).

Foi há 31 anos (1974), uma QI: face à contestação da política ultramarina do governo, um grupo de oficiais generais, dos três ramos das Forças Armadas, participou, em S. Bento, numa cerimónia de apoio a Marcelo Caetano (a já ontem referida “brigada do reumático”).Costa Gomes e Spínola, respectivamente chefe e vice-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, foram os grandes ausentes desta cerimónia. E nessa mesma data são demitidos pelo chefe do governo. Américo Tomás era o PR. Paulo VI (262º) era o papa.

Foi há 23 anos (1982), um DM: morreu o poeta e ensaísta João Cochofel, um dos fundadores do Novo Cancioneiro e cuja última obra foi Uma Rosa no Tempo (1970). Era PR o general Ramalho Eanes. João Paulo II (264º) era o papa.

Foi há 22 anos (1983), uma SG: encerramento do "Dossier Camarate", (relativamente à morte de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, por despenhamento do avião em que seguiam com destino ao Porto, logo a seguir à descolagem do aeroporto da Portela, em Lisboa) sem provas de sabotagem, dando-se, pelo procurador-geral da república, o inquérito por concluído. Era PR Ramalho Eanes. Pontificava João Paulo II.

“PORTUGAL DO MINHO A TIMOR”… AINDA?


Em entrevista ao Público e à Rádio Renascença (com João Pedro Henriques, Paulo Magalhães e fotografia de Daniel Rocha – o seu a seu dono), Maria José Nogueira Pinto, falou de várias coisas, por exemplo da “refundação da direita”, “definição de desígnio para Portugal”, “definição do papel do Estado”. A propósito, perguntou: “este país, se não é do Minho a Timor, é o quê”.

(Onde – quando – é que já ouvimos isto?).

A pergunta é, não tenha dúvida, pertinente, senhora doutora: é óbvio e indiscutível que a senhora está desfasada. Completamente.

Ainda não acordou da longa letargia do Estado Novo.

A dada altura, perguntam-lhe: “como é que viu o episódio que foi mandar-se o retrato de Freitas do Amaral para a sede do PS?

A esquerda diz que é uma garotice”, explica. “E fala em branqueamento da história. Quem branqueou a sua própria história foi o professor Freitas do Amaral. (…) Esse episódio só quis dizer que está definitivamente rompida a ligação entre ele e o CDS.

Ó senhora doutora… Por favor!

Que foi uma garotice? Não, não foi a esquerda que disse. Foi todo o mundo, à excepção de dois ou três fervorosos defensores da atitude. Foi toda a gente que é crescida. Entendeu a diferença?

Depois, outra coisa, senhora doutora: então nós não sabemos que a senhora doutora sabe que nós sabemos que a senhora doutora sabe que nós sabemos que o CDS não consegue apagar a história?

Que lhe valha Santo António, São Pedro e São Paulo!


OS MEUS DESTAQUES

«Sócrates entendeu enfatizar a defesa da esfera pública. Ora, assim sem mais explicações, a tese é ambígua, porque se pode inferir um entendimento estatista da esfera pública. Quem estudou direito sabe que a esfera civil privada inclui a subesfera dos direitos de interesse e ordem particular mas também a dos direitos de interesse e ordem pública. Ou seja: na ordem pública cabem direitos e interesses privados. Os direitos de personalidade, por exemplo, fazem tradicionalmente parte da ordem e do direito civil. E pelo facto de a Constituição dever reconhecê-los, garanti-los e protegê-los, não significa que eles tivessem saído da esfera civil em que, "contra" o Estado, se proclamaram e constituíram com a Modernidade. Hoje fala-se muito de cidadania; mas o discurso é ambíguo, porque se pode ser cidadão da civitas e da polis, e as duas coisas são distintas e por vezes opõem-se, como provam as experiências totalitárias. A questão é complexa e conflitual; mas precisamente por isso não deve passar como contrabando ideológico: temos de discutir as coisas aberta e exaustivamente. Temos de saber claramente o que se mete na esfera pública e o que "sobra" para a esfera privada.»
Mário Pinto (Público, 14 MAR 05)

Uma das facetas em perspectiva na exposição [na Biblioteca Nacional de França, comemorando o centenário do nascimento de Jean-Paul Sartre] é o seu empenho político. Está lá o fascínio de Sartre pela América, a par com uma severa crítica da política americana, mas também o combate no Partido Comunista Francês e a ruptura, em 1956, quando os tanques soviéticos esmagam a Primavera de Budapeste. A exposição acompanha o percurso do intelectual que passeia pelo mundo nos anos 60-70, a visitar Che Guevara, Tito, Mao, Nasser, como um embaixador do pensamento de esquerda, e que o leva até Portugal na euforia do 25 de Abril. Mais breve, o período em que Sartre se empenha - se perde, dizem até admiradores - ao lado dos maoistas, na década de 70. Logo depois, o final da exposição, que termina com imagens do espantoso fervor popular no seu funeral, em Paris, a 19 de Abril de 1980.
Ana Navarro Pedro, de Paris (id, id)

«Raymond Aron nasceu há cem anos. Foi um dos pensadores mais lúcidos do século XX e "um filósofo sem príncipe". Foi detestado pela esquerda intelectual na era da hegemonia cultural do comunismo. Nos anos !970, quase todos lhe deram razão.»
Jorge Almeida Fernandes (id, id)


Da sociologia às relações internacionais, da universidade ao jornalismo, deixa uma obra marcante e uma escola de pensamento.
Id (id, id)

«Muito se tem falado de António Vitorino. Ele parece ser o mais em tudo. O mais inteligente, o estratega, o hábil negociador, o competente, o homem por detrás do pano. Não duvido de que seja tudo isso e ainda mais alguma coisa, mas, não nos esqueçamos, estamos a falar de um homem que, visivelmente, não tem de Portugal e dos portugueses uma boa impressão.
Não tem de ser julgado por isso, é apenas um facto. Desconfio dos homens providenciais, os que não erram, os que nos agridem com a sua superioridade moral ou intelectual, os que nunca tendo ganho uma eleição e provado que são úteis para o bem comum enquanto líderes agem como se tivessem tudo a seus pés. Não há liderança nem respeito sem coragem política, disputa de eleições e talento. Vitorino apenas mostrou ter talento.»
Luís Osório (A Capital, 14 MAR 05)

«Tendo em conta a existência de inúmeras pessoas do povo, do clero, e até da nobreza, que nada entendem de motores ou de automóveis, o novo Chefe disse:
– Basta!
E depois de ganhar balanço avançou com a seguinte declaração:
– Basta!
– Isso significa...? – alguém perguntou.
– Significa que já chega – esclareceu o novo Chefe.
– Basta, portanto?
– Exactamente.
É que não lhe parecia suficiente a velha tradição democrática de oferecer carros de diferente qualidade consoante a posição hierárquica do sujeito.
Parecia-lhe importante que, à vista desarmada, mesmo um desconhecedor de marcas, qualidade de arranque e motor, pudesse distinguir um simples director geral de um ministro.»
Gonçalo M Tavares, Ficções do senhor Kraus (id, id)

«A tomada de posse do novo governo mostrou algumas mudanças positivas: estilo directo e claro do PM, fim dos cumprimentos bajuladores, marcação imediata de alguns pontos da agenda política. O problema, contudo, está no tempo e no modo da necessária mudança. O diagnóstico dos principais problemas há muito é conhecido, faltam conhecer quando e como serão tomadas certas decisões.»
Daniel Sampaio (id, id)


«O "PRÍNCIPE NEGRO" DA FINANÇA FRANCESA»


Mais que a fortuna e a projecção social, o carácter.

Dramático. Chocante. Maquiavélico, logo: perverso.
Personagem complicada.

A felicidade e o sucesso não estão onde muitos os buscam.
Mais uma prova.

Vale a pena ler.


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