quinta-feira, fevereiro 24, 2011

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

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Recordo:

Este é o espaço em que,
habitualmente,
faço algumas incursões pelo mundo da História.
Recordo factos,
revejo acontecimentos,
visito ou revisito lugares,
encontro ou reencontro personalidades.
Relembro datas que são de boa recordação, umas;
outras, de má memória.
Mas é de todos estes eventos e personagens que a História é feita.
Aqui,
as datas são o pretexto para este mergulho no passado.
Que, por vezes,
ajudam a melhor entender o presente
e a prevenir o futuro.
ESTAMOS NA QUINTA-FEIRA DIA 24 DE FEVEREIRO DE 2011 (MMXI) DO CALENDÁRIO GREGORIANO

Que corresponde ao
Ano de 2764 Ab Urbe Condita (da fundação de Roma)
Ano 4707 a 4708 do calendário chinês
Ano 5771 a 5772 do calendário hebraico
Ano 1432 a 1433 do calendário islâmico

Mais:
DE ACORDO COM A TRADIÇÃO, COM O CALENDÁRIO DA ONU OU COM A AGENDA DA UNESCO:
De 2003 a 2012 - Década da Alfabetização: Educação para Todos.
de 2005 a 2014 - Década das Nações Unidas para a Educação do Desenvolvimento Sustentável.
de 2005 a 2015 - Década Internacional "Água para a Vida".

Por outro lado
2011 é o ANO EUROPEU DO VOLUNTARIADO
e
é, também, o ANO INTERNACIONAL DA QUÍMICA

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Ora

Foi há 1708 anos, a 24.02.303 (terá sido numa QA, de acordo com o calendário actual), que Galério ordenou, por édito, a perseguição dos cristãos.
De Portugal, nem de projecto, ainda, se falava. Mas a Lusitânia já existia de há muito. Augusto, recordo, já antes, no séc I, a tinha dividido em quatro distritos ("conventus"): Mérida, Beja, Braga e Santarém…

Pontificava o papa Marcelino (29º) que era romano e foi eleito em 30.06.296 suportando, no seu pontificado, violentas perseguições movidas pelo imperador Diocleciano aos cristãos.
Caio (ou Gaio) Galério Valério Maximiano – aliás Caius (ou Gaius) Galerius Valerius Maximianus – era, desde 293, um dos tetrarcas que governavam o império romano. Era césar, juntamente com Constâncio I (Constâncio Cloro), pai de Constantino, sendo, na ocasião, augustos, Diocleciano (com uma filha do qual casou) e Maximiano.

César (em latim: Caesar) é um título atribuído a uma pessoa de dignidade imperial. Sua origem está no nome de Caio Júlio César. Na sua forma original, o título foi usado no Império Romano, no Império Bizantino e no Império Otomano. A variante "Czar" foi utilizada no Império Búlgaro (913-1018, 1185-1442), na Bulgária (1908-1946, no Império Russo e na Sérvia (1346-1371). No Império Austríaco, Império Austro-Húngaro e Império Alemão, o título teve a forma de kaiser (do grego Καίσαρ (Kaisar). No uso comum, o termo pode ser usado como sinónimo de imperador. Na acima mencionada tetrarquia de Diocleciano, César era um título que correspondia aos imperadores juniores, assistentes dos Augustos, imperadores seniores.
César (Caesar), foi um título concedido aos 11 primeiros imperadores romanos, cuja origem remete ao nome de Caio Júlio César, que os precedeu.


Tetrarquia:
sistema de governo criado por Diocleciano:
atendendo à enorme extensão do Império, ao número e à magnitude dos problemas,
o imperador dividiu-o em Império Ocidental e Império Oriental,
sendo superiormente dirigida, cada uma dessas metades,
por um Augusto (imperador sénior) e um César (imperador júnior).Reportando, naturalmente, este àquele.

Galério arquitectou a renúncia dupla de Diocleciano e Maximiano (305) e, com Constâncio I, tornou-se augusto. Conseguiu que seu sobrinho Maximino (Caio Galério Valério Daia) e o seu amigo Severus II (Flávio Valério Severo), fossem nomeados césares, na formação do novo governo tetrarca.
Galério tornou-se assim imperador do Oriente, a quem reportava seu sobrinho, o césar Maximino, que era governador dessa metade do império.


Seguiu-se o descalabro e o descrédito das entidades máximas que dirigiam o império,
que chegaram a ter de se confrontar com sete pretendentes àqueles cargos,
cada qual com o seu exército.


Ora, Galério insistiu junto dos outros tetrarcas que seria de interesse público acabar com o cristianismo e partiu para a destruição de edifícios e livros (303) e, no ano seguinte, institui a pena de morte contra os seus praticantes.

Os cristãos tinham tido uma época de relativa paz durante uma parte do reinado de Diocleciano. Mas as perseguições recomeçaram após aquele édito de Galério, o que incluiu a destruição das suas casas para impedir que se organizassem para reacções insurreccionais.
Porém, pouco antes de morrer (30.04.311) Galério publicou um édito de tolerância para com os cristãos, na esperança de os cativar, ele que anteriormente os perseguira cruel e violentamente e sempre fora um activo partidário do paganismo.
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Passaram 543 anos (24.02.1468), e foi numa QA (segundo o actual calendário): pensa-se que terá morrido nesta data o alemão Johann Gutem­berg, inventor da imprensa. No Sacro Império Romano-Gernânico reinava o imperador Frederico III (1439-1493). Em Portugal reinava D. Afonso V (12º). No Vaticano pontificava Paulo II (211º).

"A invenção da imprensa é o maior acontecimento da história.
É a revolução mãe...
é o pensamento humano que larga uma forma e veste outra...
é a completa e definitiva mudança de pele dessa serpente diabólica, que,
desde Adão,
representa a inteligência."
Victor Hugo

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Foi assim que esse grande vulto das letras registou em Nossa Senhora de Paris, em 1831, quase quatro séculos depois da descoberta de Gutemberg, o impacto e a revolução que terá representado o novo engenho entre a gente letrada e culta da época.

Hoje, alguns não podem deixar de esboçar um sorriso, com tal avanço.

Aquela observação de V. Hugo foi feita a curtíssima distância, no tempo, (onde é que ele o imaginava!) do gérmen de revolução muito maior ainda: o computador mecânico seria concebido por Charles Babbage em 1835. Mas nunca passou de um mero projecto, até mais de um século depois, até que, em 1943, Thomas Flowers construiu o Colossus, o primeiro computador electrónico.

Mas situemo-nos na época. A imprensa “nunca foi um invento pacífico. Desde os seus começos, a nova arte de imprimir livros provocou temores de toda ordem, pois, para muitos, o livro saído de um prelo, e não da tinta de um monge escriba, tornou-se uma força subversiva, capaz de abalar a fé e de reduzir a autoridade da igreja”.

O primeiro livro impresso pela oficina de Gutemberg foi a Bíblia.

Não obstante (pois isso podia, para tantos, significar um bom presságio), «abrindo a janela do seu claustro, o arcediago dom Cláudio Frollo, apontado o dedo para o imponente edifício da Igreja de Notre Dame de Paris, emoldurada a sua frente por uma noite de estrelas, com a mão sobre um livro, disse ao seu visitante, o doutor Jean Coictier, médico de Luis XI: Ceci tuera cela, "isto há-de matar aquilo" - o livro acabará com a igreja! Mesmo ele sendo um homem de cultura, um apaixonado alquimista, suas palavras denotavam tristeza, porque, afinal, dom Cláudio era um sacerdote e lamentava com aquele gesto o princípio do fim do seu mundo, o da Galáxia Teológica»
Mais recentemente, «as profecias deram para prognosticar o fim da palavra impressa, anunciando para todos os cantos o desaparecimento da Galáxia de Gutemberg» (apud site EducaTerra)

Se até à altura da revolução de Gutemberg o papel era raro, hoje, séculos depois, o mesmo papel é cada vez menos utilizado nesta área. Temos cada vez mais “livros” electrónicos.
Aliás, já em 1945 Vannevar Bush, que dirigia um centro de pesquisa e desenvolvimento científico, nos EUA, descreve um dispositivo chamado Memex "no qual um indivíduo armazenaria todos os seus livros, registos e comunicações", afirmando, mesmo, que "conteúdos de jornais, livros, revistas e artigos, poderiam ser visionados ou comprados a partir de um grande repositório de informações”.
E nos anos 80 de 1900, o mercado de enciclopédias viu os “livros” electrónicos terem um real progresso e sucesso com a publicação das versões electrónicas das enciclopédias em CD-ROMs.

Entre nós, há uns escassos 25/30 anos,
ainda não havia telemóveis, nem cartão de débito/crédito,
a net era ainda uma miragem,
do homebanking nem se falava,
DVD’s nem se sabia o que era, etc., etc., etc.…

Às duas por três… É aquilo a que se assiste!

A revolução tecnológica foi muito mais arrasadora em termos de reflexos na Economia. Mas a revolução da imprensa não creio que venha a ser completamente obnubilada (na História) pela revolução tecnológica. Como o nome de Bill Gates não conseguirá fazer esquecer o de Gutemberg.

Será ousado, ou desadequado, afirmar que o gérmen (vá, um dos gérmenes) da revolução tecnológica (do choque tecnológico, hélas!) está na invenção da imprensa?

Johann Gensfleish von Gutemberg, no entanto, não terá sido o único nome ligado à invenção da tipografia. Contudo foi o mais projectado (mediático, diríamos hoje).

Pensa-se que Gutemberg terá nascido em Mainz, na Alemanha, cerca do ano de 1400. Sabe-se que se exilou em Estrasburgo, por razões políticas. Regressado a Mainz, calcula-se que aí terá falecido, e pobre, em 24FEV1468.
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Passaram-se 475 anos (24.02.1536), e segundo o actual calendário foi numa QI: nasceu Ippolito Aldobrandini, que viria a ser o papa Clemente VIII. Em Portugal reinava D. João III (15º). Pontificava Paulo III (220º).

1536 foi o ano em que:
- a pedido do nosso rei, o papa instituiu a Inquisição em Portugal através da bula Cum ad Nihil Magis (23.05);
- Calvino fundou o calvinismo.
- morre o humanista holandês Erasmo (12.07).

Clemente VIII (231º), tinha sido advogado e foi papa de 9 de Fevereiro de 1592 até à sua morte, a 05.03.1605.

Clemente, segundo consta, só mesmo de nome. Que o cognome, segundo os relatos que nos chegam, mais apontam para o implacável.
Foi ele, por exemplo, que, em 17 de Fevereiro de 1600, condenou à morte na fogueira o dominicano Giordano Bruno, que ousou pôr em causa dogmas ou “verdades indiscutíveis” como o da Santíssima Trindade e da virgindade de Maria - este, claro, só proclamado como dogma por Pio IX (255º) pela bula Ineffabilis Deus, de 08.12.1854.
(Claro que, um dia, Giordano Bruno abandonou as vestes dominicanas).

Em 1602, Clemente VIII, com a bula "Incrustabile Divine", fundou a Propaganda, como ficou conhecida a Congregação para a Propagação de Fé ("Congregatio de Propaganda Fide").
Também foi Clemente VIII que, Em 1596, reeditou o Índice de Livros Proibidos, Index Librorum Prohibitorum, instituído em 1559, no Concílio de Trento (1545-1563), presidido pelo papa Paulo IV (223º), por coincidência no ano da sua morte (ele que estava próximo de se tornar octogenário quando eleito em 1555), e quem se deve a reorganização da Inquisição, criada por Paulo III (220º).

A censura de certas obras cuja leitura “punha em risco” a fé e a doutrina cristã foi uma prática cuja idade quase se confunde com a da própria Igreja.
Os índices expurgatórios ou relação dos livros condenados pela Igreja, muitas vezes sintetizados na palavra index, recrudesceram com a invenção da imprensa e com a divulgação das doutrinas fracturantes [quem é que hoje resiste a este termo, ao botar faladura ou escrevinhação?] da ortodoxia católica, a começar pela luterana.

Seria caso para dizer
– perdoe-se-me a prosaica comparação –
que a Igreja adoptara, então, como seu,
o lema, de hoje, de um dos bons blogues da nossa “praça”
(“Grande Loja do Queijo Limiano”),
que reza:
“Não deixe que a Verdade estrague uma boa história”.

Em 1543, surgia um primeiro catálogo de obras proibidas, do papa Paulo III (220º), em Veneza, e, em 1546, o mesmo era feito em Lovaina, e logo noutras cidades e países europeus. E até em Portugal surge, logo de seguida, o primeiro índice condenatório, redigido com a supervisão do cardeal D. Henrique, irmão do monarca então reinante, D. João III (15º), no ano da graça de 1547, por sinal o mesmo em que se estabeleceu definitivamente a Inquisição em Portugal. Doze anos depois, em 1559, foi promulgado o primeiro Index geral da Santa Sé, o aludido Index Librorum Prohibitorum que se manteve em vigor até 1900, ano em que foi substituído.

De sublinhar é que obras de renomados cientistas, filósofos, escritores, enciclopedistas e até pensadores tenham pertencido a esta lista. Por exemplo, Galileu, Copérnico, Erasmo, Espinosa, Locke, Berkeley, Diderot, Pascal, Hobbes, Descartes, Montesquieu, David Hume, Kant, Dumas (pai e filho), Voltaire, V. Hugo, Zola, Stendhal, Flaubert, Anatole France, Balzac e Sartre. Para só citar alguns.

E recordo que o Index Librorum Prohibitorum de 1551 incluía já sete das obras de Gil Vicente.


Voltando atrás, ainda em Portugal – e paralelamente – com Pombal, a abolição da censura eclesiástica levou a que fosse a Real Mesa Censória, sob a autoridade da coroa, a fiscalizar a publicação de obras laicas e religiosas, tendo como missão uma reforma do aludido índice. Posteriormente, em 1821 – já com D. João VI (27º) -, com o fim da Santa Inquisição, passou a ter força de lei, em Portugal, apenas o Índice Romano da Congregação do Santo Ofício, que sofreu várias revisões até 1948.

Mas o último, publicado pela Santa Sé, foi o de Pio XI (com a designação do antigo Índex librorum…) em 1938.

O índice foi abolido apenas em 1966 com o papa Paulo VI.

O concílio Vaticano II, apoiando-se numa declaração sobre a liberdade religiosa, retirou o valor jurídico do documento em 1967.
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É inevitável fazer a ponte.

Mas mais importante (não estou certo que seja mais… São todas muito importantes, naturalmente), mas dizia eu, mais importante que a da Popaganda terá sido a Congregação para a Doutrina da Fé, a mais antiga das nove congregações da Cúria Romana, um dos órgãos do Vaticano. Antes chamara-se “Congregação da Inquisição da Igreja Católica Romana”.

A Congregação para a Doutrina da Fé foi fundada pelo Papa Paulo III, em 21 de Julho de 1542, com o objectivo de defender a Igreja da heresia. É historicamente relacionada com a Inquisição.

Até 1908 era denominada como Sacra Congregação da Inquisição Universal quando passou a se chamar Santo Ofício. Em 1967, uma nova reforma durante o pontificado de Paulo VI mudou para o nome actual.

O actual Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé é o arcebispo americano de San Francisco, William Joseph Levada, de 68 anos, desde Maio de 2005, nomeado pelo papa Bento/Benedito XVI. Assim, o actual censor oficial do Vaticano sucedeu, nesse cargo, ao Cardeal Joseph Ratzinger (que o foi de Novembro de 1981 a Abril de 2005), actual papa reinante.

Mas, bem vistas as coisas, nem é surpreendente que a igreja católica romana tenha praticado a censura. É uma característica comum nas religiões: muitas a exerceram e/ou continuam a exercer.
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Completam-se hoje 429 anos (24.02.1582), e foi num SB: o calendário gregoriano foi promulgado pelo papa Gregório XIII (226º), substituindo o calendário juliano. Em Portugal reinava Filipe I (18º).

Eras e calendários.
Em tempos mais recuados, as datas referidas pelos cronistas peninsulares respeitavam à era de César ou hispânica ou gótica. A partir, no entanto, de D. João I (lei de 15.07.1422), é estabelecido que se passem a referir os anos da era cristã. Para tanto, e sendo necessário fazer a conversão daqueles (era de César) a estes (era cristã), essa conversão faz-se subtraindo 38 anos à era de César, encontrando-se, assim o correspondente ano da era cristã.
No entanto, vigorava o calendário juliano

O ano 1 da era cristã corresponde ao ano 753 (da fundação) de Roma.

Reza a lenda que
os gémeos Rómulo e Remo
eram filhos do deus Marte e de Réia Sílvia.
Foi o avô deles, o rei Numitor,
que lhes deu ordem para fundar uma cidade nas margens do Tibre,
que veio a chamar-se Roma (ano de 753 a.C.).
Conta-se, também, que após a fundação da cidade houve um conflito entre os irmãos para decidir quem seria o rei:
foi aí que Rómulo matou Remo,
tornando-se o primeiro rei de Roma.


"A era hispânica, ou de César, ou safarense, como os árabes diziam, foi abolida em 1422 em Portugal, adoptando-se oficialmente a era de Cristo pelo cálculo pisano, que faz coincidir o ano I com o 39 da era hispânica, de forma que a redução das datas da moda antiga faz-se eliminando trinta e oito anos. A reforma cronológica data de 1422 da era de Cristo (ou 1460 da era de César).
A era cristã fora já anteriormente adoptada em outros estados do que hoje chamamos Espanha: em 1350 no de Aragão, em 1383 no reino unido de Castela-Leão. Havia, porém, várias eras cristãs; a da Encarnação, a do Nascimento e a da Ascensão; havendo além disso o cálculo pisano e o florentino. Pelo primeiro, o nascimento de Cristo é o primeiro dia do ano I; pelo segundo o ano I só começa um ano depois do mesmo nascimento. Para a concordância das datas os dois cálculos diferem pois de um ano.
(Cfr Oliveira Martins/OM, Os Filhos de D. João I, nota 14, pág 21 - que neste passo se socorre de J. P. Ribeiro)

E continua, O. M.:
"Eis aqui o texto da lei nas Orden. afon., VI, 66.
«ElRey Dom Joham de famosa e excellente memoria em seu tempo fez Ley em esta forma que se segue:
I - Manda ElRey a todolos Taballiaães e Escripvaães do seu Regno e Senhorio que daqui em diante todolos contrautos e escripturas que fezerem ponham Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, assi como ante soyam a poer Era de César: e esto lhes manda que façam assi sob pena de privaçom dos Offícios.
II - Poblicado foi assi o dito Mandado do dito Senhor na Cidade de Lixboa per mim Philipe Affonso Loguo-Tenente do Escrivam de Chancellaria nos Paaços d'ElRey perante Diego Affonso do Paão ouvidor na sua Corte que sia em audiencia, aos vinte e dous d'Agosto Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesu Christo de mil quatro centos vinte e dous annos.
III - E vista per nos a dita Ley, mandamos que se guarde como em ella, hé contheudo».
(cfr Oliveira Martins, id, 22).

Isto, no respeitante a eras – já atendendo ao calendário juliano.

Outra era a matéria específica dos calendários.

Os mais primitivos calendários de que a História nos dá notícia, são o hebreu e o egípcio. Ambos tinham um ano civil de 360 dias.
Depois de muitas reformas, por volta do ano 5000 a.C. os egípcios estabeleceram um ano civil invariável de 365 dias, conservando a tradicional divisão em 12 meses de 30 dias, e 5 dias adicionais no fim de cada ano.

Gregório XIII, depois de um longo estudo (cinco anos) - em que um dos cientistas consultados foi o nosso matemático e cosmógrafo Pedro Nunes (1502-1578) - decretou (neste dia em 1582, repito) a reforma do calendário juliano, adoptando-se, a partir de então, o actual - que, por isso, se diz calendário gregoriano. Em síntese (e de uma forma necessariamente grosseira, já que nós - o vulgo - não entendemos os respectivos fundamentos científicos), a questão a resolver era acertar, o mais possível, a diferença - que se vinha acentuando - entre o ano civil e o ano natural.
Antes de mais, tenha-se em conta que o calendário que se reformava já era velho de muitos séculos: era o calendário Juliano, estabelecido em 46 a. C. por Júlio César, e para a introdução do qual encomendou um estudo ao astrónomo grego Solsígenes, da Escola de Alexandria! Calendário que entraria em vigor no ano seguinte: 45 a. C.

Mas o calendário estabelecido pela equipa de Solsígenes era um calendário quase perfeito como reconheceu a equipa nomeada por Gregório XIII

Recordo que os romanos tiveram um diferente calendário. Uma das suas particularidades era a de que os dias 15 de Março, de Maio, de Julho e de Outubro, assim como os dias 13 dos outros meses, eram designados por “idos”.

Calendário, esse (juliano), que a equipa designada pelo papa Gregório XIII, para o reformar (e de que fazia parte um importante astrónomo, Clavius), considerou baseado num sistema quase perfeito.
O calendário juliano era um calendário solar que procurava sintonizar o calendário com as quatro estações do ano. Assim, César impôs que o ano fosse constituído por 12 meses com duração pré-determinada e a adopção de um ano bissexto de quatro em quatro anos.

Consta que no ano anterior ao uso do calendário juliano, foram introduzidos mais dois meses, de 33 e 34 dias, entre Novembro e Dezembro, além dum outro que se seguiu ao de Dezembro, com 23 dias.
Ou seja, aquele ano teve 445 dias, distribuídos por 15 meses. Foi o ano mais longo de sempre – a que se chamou o ano da confusão.

Foi então abolido o calendário lunar dos decênviros (decênviro: cada um dos dez magistrados da República Romana encarregados de codificar as leis –
cfr Infopédia) e adoptou-se o calendário solar, conhecido por Juliano, de Júlio César, que começou a vigorar no ano 709 de Roma (45 a.C.), mediante um sistema que devia desenrolar-se por ciclos de quatro anos, com três comuns de 365 dias e um bissexto de 366 dias, a fim de compensar as quase seis horas que havia de diferença para o ano trópico.
Durante o consulado de Marco António, reconhecendo-se a importância da reforma introduzida no calendário romano por Júlio César, foi decidido prestar-lhe justa homenagem, perpetuando o seu nome no calendário, de maneira que o sétimo mês, Quintilis, passou a chamar-se Julius.
Também no ano 730 de Roma, o Senado romano decretou que o oitavo mês, Sextilis, passasse a chamar-se Augustus, porque durante este mês começou o imperador César Augusto o seu primeiro consulado e pôs fim à guerra civil que desolava o povo romano. E para que o mês dedicado a César Augusto não tivesse menos dias do que o dedicado a Júlio César, o mês de Augustus passou a ter 31 dias.

Assim, para a equipa constituída pelo Papa Gregório XIII para reformar o calendário, a questão a resolver, era a seguinte: para facilitar os cálculos, atribuiu-se ao ano (natural) a extensão de 365 dias e 6 horas. Assim - e de novo para facilitar as coisas - considerava-se que o ano (comum) tinha apenas aqueles 365 dias. Logo, as seis horas que restavam, em cada ano, eram a justificação do acréscimo de um dia, de quatro em quatro anos (ano bissexto).
Porém, o ano natural não tinha mais 6 horas que o ano civil: na realidade aquele tinha a mais que este, apenas 5h 48m 46s. Desta forma, quando, para facilitar cálculos, se entra em linha de conta com aquelas 6 horas, estamos a considerar mais 11m e 14s do que o que deve ser. O que, ao fim de 4 anos, soma quase 45 minutos.

O que a equipa nomeada por Gregório XIII, para se debruçar sobre este assunto, concluiu, foi que nesse ano de 1582 a acumulação daqueles 11m e 14s já somava 10 dias completos.
A reforma gregoriana tinha por finalidade fazer regressar o equinócio da primavera a 21 de Março e desfazer o erro de 10 dias já existente. Para isso, a bula mandava que o dia imediato à quinta-feira 4 de Outubro fosse designado por sexta-feira 15 de Outubro. Como se vê, embora houvesse um salto nos dias, manteve-se intacto o ciclo semanal.

E para que o sistema se aproximasse o mais possível da realidade, determinou-se que os anos de 1700, 1800 e 1900 fossem comuns, e não bissextos, como seria natural. E que a partir daí, a cada três anos seculares comuns se seguisse um ano (secular) bissexto. Nesta ordem de ideias, 2000 foi bissexto; mas 2100, 2200 e 2300 deverão considerar-se comuns.
No fundo, e em resumo, digamos que a regra a respeitar, a partir de então (1582) é a seguinte: o ano é bissexto se for divisível por 4. Porém, no que aos anos seculares respeita, estes só são bissextos se divisíveis por 400.

O calendário gregoriano foi, pois, promulgado pelo Papa Gregório XIII a 24 de Fevereiro do ano 1582 para substituir o calendário juliano. Em alguns países, como em França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e também em Portugal e em Espanha - onde o mesmo rei detinha as duas coroas: Filipe I - esta determinação foi cumprida de imediato. Ou seja: esta determinação foi objecto de disposições legais internas (de cada país) nesse sentido.

Nos países protestantes a recusa foi mais longa. O erudito francês Joseph Scaliger, pelas suas críticas, contribuiu para organizar a resistência. "Os protestantes, dizia Kepler, preferem antes estar em desacordo com o Sol do que de acordo com o Papa".

Noutros, só mais tarde isso aconteceu. Os últimos países a adoptar o calendário gregoriano foram a Turquia, em 1926 e a China, em 1929. Continua hoje, contudo, este calendário, a não ser o único (subsiste, por exemplo, o calendário muçulmano), mas é o calendário dominante em todo o mundo. Por razões óbvias.
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quarta-feira, fevereiro 09, 2011

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

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Recordo:

Este é o espaço em que,
habitualmente,
faço algumas incursões pelo mundo da História.
Recordo factos,
revejo acontecimentos,
visito ou revisito lugares,
encontro ou reencontro personalidades.
Relembro datas que são de boa recordação, umas;
outras, de má memória.
Mas é de todos estes eventos e personagens que a História é feita.
Aqui,
as datas são o pretexto para este mergulho no passado.
Que, por vezes,
ajudam a melhor entender o presente
e a prevenir o futuro.



ESTAMOS NA QUARTA-FEIRA DIA 9 DE FEVEREIRO DE 2011 (MMXI) DO CALENDÁRIO GREGORIANO

Que corresponde ao
Ano de 2764 Ab Urbe Condita (da fundação de Roma)
Ano de 4707/08 do calendário chinês
Ano de 5771/72 do calendário hebraico
Ano de 1432/33 do calendário islâmico

A ONU designou o ano de 2011 como O ANO INTERNACIONAL DA QUÍMICA E DAS FLORESTAS.
Mas o ano de 2011 é ainda O ANO EUROPEU DO VOLUNTARIADO

Mais:

DE ACORDO COM A TRADIÇÃO, COM O CALENDÁRIO DA ONU OU COM A AGENDA DA UNESCO:
De 2003 a 2012 - Década da Alfabetização: Educação para Todos.
de 2005 a 2014 - Década das Nações Unidas para a Educação do Desenvolvimento Sustentável. É, ainda, a segunda década internacional para os Povos Indígenas do Mundo.
de 2005 a 2015 - Década Internacional "Água para a Vida".

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O conflito armado no Sudeste Asiático que ficaria conhecido como Guerra do Vietname - a que os vietnamitas chamam Guerra Americana - durou de 1959 até 30.04.1975. Nela se confrontaram, dum lado, a República do Vietname (Vietname do Sul), do outro, a República Democrática do Vietname (Vietname do Norte) e a Frente Nacional para a Libertação do Vietname (FNL). O envolvimento dos EUA ao lado do Vietname do Sul, que já vinha de trás, desde Eisenhower e Kennedy, foi reforçado com o envio de 500 mil homens (fuzileiros) por ordem de Johnson dessa longínqua Terça-feira 9 de Fevereiro de 1965, há 46 anos.
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Mas apesar do seu imenso poderio militar os norte-americanos sucumbiram, sendo obrigados à retirada em 1973, na sua quase totalidade, e na sua totalidade em 1975, quando os tanques norte-vietnamitas rebentam os portões do palácio presidencial e o tomam. Dá-se, então, a reunificação do Vietname, para em 1976 se tornar oficialmente na República Socialista do Vietname.

A guerra foi aterradora e de uma violência indescritível.


Da esquerda para a direita e de cima para baixo: ofensiva do Tet;
fuzileiros embarcam nos helicópteros Huey na frente de combate;
massacre de civis em My Lai; soldados incendeiam vilarejo vietnamita
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um bombardeiro norte-americano B-52 bombardeando cidades no Vietname do Norte
durante a Operação Linebacker II, em Dezembro de 1972.
Esta foi a última grande ofensiva americana na guerra,
antes que os Acordos de Paz de Paris fossem assinados
outra imagem duma guerra sem tréguas



O total de vítimas da Guerra do Vietname entre os anos de 1964 até 1975 é impreciso, oscilando entre 1 milhão e meio a dois milhões de vietnamitas mortos, entre civis e militares, para além de milhões de feridos. Já do lado americano, dos dois milhões e trezentos mil homens que aí serviram terão morrido aproximadamente 60 000 soldados e ficado feridos pouco mais de 300 000Durante o conflito, enquanto as tropas do exército do Vietname do Norte travaram uma guerra convencional contra as tropas norte-americanas e sul-vietnamitas, as milícias da FNL (a cujos elementos os americanos chamavam "vietcongs") menos equipadas e treinadas, lutaram numa guerra de guerrilha na região, usando as selvas do Vietname, espalhando armadilhas mortais aos soldados inimigos (como alguns túneis subterrâneos, não contínuos, num total de uns 250 km), enquanto os Estados Unidos se armaram de grande poder ofensivo, em artilharia e aviação de combate, para destruir as bases inimigas e impedir suas ofensivas.

Os famosos túneis de “Cu Chi”, em plena floresta tropical (a cerca de 70 km de Saigão e com uma extensão de cerca de 120 km), como outros noutras zonas, fizeram a diferença no teatro de operações no Vietname, “ferramenta sábia e inteligente” que foi utilizada pelos estrategos vietnamitas contra as tropas norte-americanas.
“Os combatentes vietnamitas, com tipo físico franzino diante dos soldados americanos de estatura e envergadura muito superior, souberam explorar esta vantagem marcante” (in Portal de S Francisco - Geografia do Vietname), o que lhes permitiu camuflar e ocultar seus pequenos grupos de combate em verdadeiros “bunkers” subterrâneos, locais onde jamais os americanos ousaram pisar, sem sérias e graves consequências (mortes inclusive), muitos menos penetrar.



imagem de uma entrada/saída do túnel de Cu Chi (normalmente bem camuflada, claro)

segmento de um corredor do túnel de Cu Chi


uma armadilha (de várias do mesmo género, espalhadas pela floresta de Cu Chi)
que consiste num fosso relativamente profundo, naturalmente bem camuflado,
cujo fundo está cheio de altos espetos de ferro


Além do mais, e a acrescer ao seu maior porte de estatura e envergadura, os soldados americanos lutavam em terreno muito irregular e adverso, como adverso era o clima que tinham de suportar. Mais ainda, os americanos carregavam sempre consigo uns 30 quilos, entre material de guerra, acessórios e mantimentos. Bem ao contrário, mais pequenos, leves e sem transportarem grandes pesos, os vietcongs, bem conhecedores do terreno e habituados ao clima, moviam-se com toda a facilidade.

Vietcongs munidos apenas da sua arma deslocam-se numa patrulha


Os americanos desencadeiam, pois, missões de busca e destruição com o uso de bombardeios maciços, designadamente com armas químicas. Mas não lograram evitar a derrota estrondosa. Foi com os Acordos de Paz de Paris em 1973 que se efectuou a retirada das tropas norte-americanas do país do conflito. Mas a guerra prosseguiu com a luta entre o norte e o sul do Vietname dividido, terminando em 30 de Abril de 1975, com a invasão e ocupação comunista de Saigão, hoje cidade de Ho Chi Minh (simbolizada pela entrada dos tanques norte-vietnamitas no palácio presidencial), e a rendição total dos exércitos sul-vietnamita e norte-americano.
Para os Estados Unidos, a Guerra do Vietname resultou na maior confrontação armada em que o país já se viu envolvido, e a derrota provocou a 'Síndrome do Vietname' nos seus cidadãos e na sua sociedade, causando profundos reflexos na sua cultura.
O Paralelo 17N foi a linha de demarcação militar provisória e desmilitarizada entre o Vietname do Norte e o Vietname do Sul estabelecida pela Conferência de Genebra de 1954, que pôs fim à Guerra da Indochina.
A cidade de Hué (a uma hora e dez minutos de voo de Hanói) devia ser a localidade mais importante abaixo do paralelo 17, e já, portanto no Vietname do Sul.

Hué tinha sido a capital do país na era imperial. Nesta cidade se encontra uma fortaleza muralhada, com um palácio no seu interior, constituindo a Cidade Imperial de Hué, capital do reino, idealizada como uma cópia da Cidade Proibida dos imperadores chineses em Pequim, na China. Em 1993, a Cidade Imperial de Hué foi classificada pela UNESCO como Património da Humanidade. A cidade fica a 108 km a Norte de Danang, grande baía que acolhia a base naval dos EUA e que se localizava estrategicamente mais ou menos no centro do país, como um todo.
Um pouco a Sul de Danang (30 km) fica a antiga cidade de Hoi An. E a 990 km fica Saigão.

Uma curiosidade microclimática:
O Vietname é percorrido, de Norte a Sul, por uma cadeia de montanhas que correm no interior geralmente em paralelo com a costa do mar da China. Mas, no percurso de Hué/Danang, e já relativamente próximo desta cidade, atravessa-se uma montanha que, ao contrário das outras, corre perpendicularmente à costa.
E a peculiaridade que pretendo recordar e referir é a de uma zona dessa montanha onde existe um nevoeiro eterno. É durante umas escassas centenas de metros do percurso ziguezagueante que se atravessa essa zona de nevoeiro relativamente denso e permanente. Feito este percurso num cair de tarde encontramo-nos, invariavelmente, num ambiente absolutamente surreal. São uma imagem e uma envolvência inesquecíveis. Uma experiência única.

E muitas mais são as imagens inesquecíveis deste país que se trazem na memória desde a belíssima baía de Halong, declarada Património Mundial pela Unesco em 1994 (a 170 km de Hanói, no golfo de Tonkim – mar da China), a escassos km da China, no Norte, até ao extremo Sul do país (3 450 km de costa).




imagens recentes da baía de Halong, semeada de 3 000 ilhas e ilhéus escarpados,
raramente acessíveis, salvo uma ou duas ilhotas muito visitadas
pelos turistas que percorrem as suas enormes e antiquíssimas grutas

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«EUA enviam primeiras forças de combate para o Vietname


O Presidente dos EUA Lyndon Johnson ordena, a 9 de Fevereiro de 1965, o envio de um batalhão de 3500 fuzileiros para proteger a base aérea americana de Da Nang, no Vietname do Sul. Cumpria assim as recomendações do seu secretário da Defesa, Robert McNamara, que reclamara uma escalada militar naquele país. “Já chega!”, terá exclamado Johnson, quando foi informado que a guerrilha do Vietcong tinha montado uma operação contra o complexo americano de Pleiku, alguns dias antes. No ataque, foram mortos oito soldados americanos, feridos mais de cem e destruídos dez aviões. O destacamento do US Marine Corps Hawk marca o início do envolvimento americano no terreno, no Vietname. O Pentágono aprova ainda a Operação Dado Flamejante, o bombardeamento de um campo militar no Vietname do Norte por jactos americanos estacionados a bordo do USS Ranger. A decisão de Johnson foi apoiada pelo Reino Unido e pela Austrália e criticada pela China e União Soviética, que ameaçaram intervir se os Estados Unidos reforçassem a sua presença militar na região – em Moscovo,
milhares de manifestantes, liderados por estudantes chineses e vietnamitas, atacaram a embaixada americana. O Presidente não fez nenhuma declaração pública sobre a decisão. Mas as sondagens demonstraram o apoio dos americanos ao envolvimento na guerra.»
(transcrito duma local do P2 do Público intitulada “foi no passado (…)”
Guerra do Vietname/fotogaleria e comentários (fonte BBC Brasil.com – com transcrições, adaptações e notas ao correr da pena)


soldado americano
”Durante dez anos, a Guerra do Vietname dominou as manchetes dos jornais americanos e do resto do mundo.
Descrita por vários presidentes dos Estados Unidos como um acto contra a propagação do comunismo, o país ajudou o Vietname do Sul com dinheiro, armas e soldados.
O objectivo era derrotar o norte comunista, liderado por Ho Chi Minh, e libertar os vietnamitas do que era considerado tirania.”(Fotos: AP)

batalha
O envolvimento dos EUA na guerra do Vietname redundou num enorme fracasso, não obstante terem chegado a manter 500 mil soldados no terreno. Em 1973 os EUA suspenderam as ofensivas e retiraram todas as tropas de combate do Vietname do Sul, mantendo aí, apenas, alguns militares enquanto a guerra prosseguia entre o Norte e o Sul.
Mas, quando em 30.04.1975 tanques norte-vietnamitas invadiram e tomaram o palácio presidencial em Saigão, a guerra terminava e os americanos voltaram para o seu país para remoer uma pesada derrota que nunca conseguiram digerir.

guerrilha
”Do ponto de vista de um fotojornalista, a Guerra do Vietname foi única.Com acesso praticamente irrestrito aos campos de batalha, muitos fotógrafos mostraram a guerra de modo nunca antes visto.Apesar da tecnologia, este foi um confronto de guerrilhas com muitas batalhas, permitindo que momentos intensos fossem registados.”

Daí o imenso material fotográfico trazido para os meios de comunicação e que hoje enchem as paredes do Museu da Resistência - o antigo palácio presidencial da cidade de Ho Chi Minh (ex-Saigão, antiga capital do Vietname do Sul).

riscos
O acesso “estranhamente” irrestrito de fotógrafos significava riscos como significava uma crescente opinião pública contra a guerra e contra a intervenção dos EUA. Sem qualquer treino ou preparação militar, indefesos, os fotógrafos eram vítimas mais expostas aos riscos da guerra. Donde que mais de 135 fotógrafos de todos os lados foram dados como mortos ou desaparecidos.
Aqui, o fotógrafo da AP Huynh Thanh My cobre um batalhão vietnamita estacionado no enorme delta do rio Mekong, cerca de um mês antes de ele ter sido morto em combate, em 10 de Outubro de 1965.
imagens
Esta é uma das tais imagens que mudaram a opinião pública – imagem de Kim Phuc, uma menina então com 9 anos, que deu volta ao mundo, do fotógrafo Nic Ut. E uma das que estão expostas no Palácio da Resistência ou da Reunificação.
”Em 8 de Junho de 1972, um avião do Vietname do Sul acidentalmente lançou sua carga de napalm no vilarejo de Trang Bang.Com suas roupas em chamas, Kim Phuc fugiu do vilarejo com a família, para ser transportada para um hospital. Ela sobreviveu e hoje mora nos Estados Unidos.”
execução

Esta é outra das fotos mais famosas do conflito. De Eddie Adams mostra o general vietnamita do sul Nguyen Ngoc Loan executando um oficial vietcong com um tiro na cabeça.
Estas últimas são duas das mais famosas fotos da guerra que estão entre as centenas delas que cobrem as paredes duma enorme sala no primeiro piso do actual Palácio da Resistência ou da Reunificação, onde antes fora o Palácio presidencial, em Saigão (hoje cidade de Ho Chi Minh), no Vietname do Sul.
A imagem mudou a percepção do público sobre a guerra e perseguiu o general Nguyen Ngoc Loan até sua morte.
Esta foto da Associated Press, ganhou um prémio Pulitzer em 1969 pelo seu
fotógrafo Eddie Adams.
Também foi realizado uma película deste evento:
general Nguyen Ngoc Loan shoots a Vietcong soldier.
Esta imagem e este vídeo documentam bem a violência da Guerra do Vietname.

helicópteros

“Esta foi a primeira guerra que usou helicópteros.
As tropas podiam ser deslocadas rapidamente para qualquer lugar no país, fazendo com que os soldados participassem de mais combates do que na Segunda Guerra Mundial.
Esta foto de helicópteros do Exército americano atirando contra soldados vietcongs perto da fronteira cambojana lembra filmes de Hollywood...”

violência

”...mas de perto, o "glamour" da guerra desaparece. Um paraquedista ferido do 101º batalhão lidera uma evacuação de helicóptero pela selva para resgatar feridos durante uma patrulha de cinco dias em Hué, Vietname do Sul, em 1968.”


mortos

Corpos de fuzileiros americanos encontram-se semi-enterrados na colina 689, a Oeste de Khe Sanh, em 1968, no Vietname do Sul, mas na área do paralelo 17N. Este cerco de Khe Sanh foi uma das mais longas e sangrentas batalhas da guerra.

o horror da guerra espelhado nesta imagem da batalha de Khe Sanh
(imagem que não é da fotogaleria que estamos a acompanhar), retirada da Net
perto do fim

A retirada americana verificou-se em 1973, mas a guerra prosseguiu por mais dois anos.
Já perto do fim, esta mulher carrega a filha ferida para longe das batalhas.

Tanque norte-vietnamita invadiu o Palácio Presidencial
em Saigão que significou a queda do Vietname do Sul
e decretava o fim da guerra. 30/04/1975.
Foto: AP
(não da mesma fotogaleria que vínhamos acompanhando)

No dia 30 de Abril de 1975, soldados do Exército norte-vietnamita entraram em Saigão, no Vietname do Sul, ocuparam e dominaram o palácio presidencial e assumiram o controle do país.

”Os últimos militares americanos buscaram segurança no telhado de sua embaixada.Muitos dos vietnamitas do sul que trabalharam com os EUA temeram por suas vidas, mas muitos mais correram às ruas para ver os tanques.

No ano seguinte, uma vez realizada a reunificação dos dois Estados, seria proclamada a República Socialista do Vietname. E Saigão passaria a denominar-se cidade de Ho Chi Minh.”

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quinta-feira, janeiro 27, 2011

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

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Recordo:

Este é o espaço em que,
habitualmente,
faço algumas incursões pelo mundo da História.
Recordo factos,
revejo acontecimentos,
visito ou revisito lugares,
encontro ou reencontro personalidades.
Relembro datas que são de boa recordação, umas;
outras, de má memória.
Mas é de todos estes eventos e personagens que a História é feita.
Aqui,
as datas são o pretexto para este mergulho no passado.
Que, por vezes,
ajudam a melhor entender o presente
e a prevenir o futuro.
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ESTAMOS NA QUINTA-FEIRA DIA 27 DE JANEIRO DE 2011 (MMXI) DO CALENDÁRIO GREGORIANO

Que corresponde ao
Ano de 2764 Ab Urbe Condita (da fundação de Roma)
Ano de 4707/8 do calendário chinês
Ano de 5771/2 do calendário hebraico
Ano 1432-1433 do calendário islâmico

2011 é o ANO INTERNACIONAL DA QUÍMICA


Mais:
DE ACORDO COM A TRADIÇÃO, COM O CALENDÁRIO DA ONU OU COM A AGENDA DA UNESCO:
De 2003 a 2012 - Década da Alfabetização: Educação para Todos.
de 2005 a 2014 - Década das Nações Unidas para a Educação do Desenvolvimento Sustentável.
de 2005 a 2015 - Década Internacional "Água para a Vida".
Como
- hoje é Dia do Holocausto
e
- Dia Mundial dos leprosos
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Algumas efemérides desta data:
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- foi num SB, no ano de 98 d.C., faz hoje 1913 anos, que morreu o imperador romano Nerva.
Marco Coceio Nerva (ou Marcus Cocceius Nerva) nasceu a 8 de Novembro de 30 e foi imperador romano desde 96 d.C. até à sua morte em 98. “Reputado senador esteve ao serviço do Império durante os reinados de Nero, Vespasiano, Tito e Domiciano. Foi recompensado com dois consulados, com Vespasiano em 71 e com Domiciano em 90.”

“Durante o Império Romano, o consulado, despido de poderes verdadeiros, tornou-se uma magistratura puramente honorífica
que exigia do respectivo titular gastos enormes na realização de jogos,
mas ainda abria caminho para alguns cargos efectivos”

Sendo Domiciano assassinado a 18 de Setembro de 96, o senado, no dia seguinte elegeu e aclamou um de seus membros, Nerva, imperador. Embora se desconheça grande parte da sua vida, Nerva é considerado pelos historiadores antigos como um imperador sábio e moderado, interessado no bem-estar económico (…). Esta opinião foi confirmada pelos historiadores modernos, um dos quais, Edward Gibbon, chama a Nerva e aos seus quatro sucessores, os "cinco bons imperadores".

O período da história de Roma compreendido entre os anos 96 e 180
é conhecido como a era dos Cinco Bons Imperadores.
Durante as administrações imperiais de Nerva (96 a 98), Trajano (98 a 117), Adriano (117 a 138), Antonino Pio (138 a 161) e Marco Aurélio (161 a 180),
Roma desfrutou de relativa paz e prosperidade política, militar e económica,
tendo, então, atingido o seu auge.

A adopção de Trajano como herdeiro, por parte de Nerva, pôs termo à tradição dos anteriores imperadores de nomearem algum dos seus parentes como filho adoptivo, caso não lhes sucedessem os seus próprios filhos. Como novo monarca, Nerva jurou restaurar os direitos que foram abolidos ou simplesmente desprezados durante o reinado de Domiciano. Contudo, a sua administração enfrentou problemas financeiros e foi caracterizada pela sua falta de habilidade para tratar com a classe militar. Daí uma rebelião da guarda pretoriana em 97 que quase o forçou a adoptar o popular Trajano como herdeiro e sucessor, mas acabou por falecer de morte natural a 27 de Janeiro de 98. À sua morte foi sucedido pelo seu filho adoptivo, Trajano.

Marco Úlpio Nerva Trajano (ou Marcus Ulpius Traianus) (53-117)
nasceu em Itálica (actual Santiponce), na Bética, no sul da Hispânia,
perto de Híspalis (hoje Sevilha) em 53 d.C.
Foi imperador romano de 98 a 117.

(Em parte transcrito, em parte adaptado da Wikipédia)
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- Foi há 255 anos (numa TR, em 1756): nasceu, em Salzburgo, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), compositor clássico austríaco.
Mozart é unanimemente considerado um dos mais brilhantes compositores de todos os tempos, tendo criado dezenas de peças entre sinfonias, sonatas e óperas nos seus, apenas, 35 anos de vida.
O compositor revelou “uma extraordinária precocidade enquanto criança e um notável virtuosismo e genialidade enquanto adulto”.
Realmente, ensinado pelo pai, Leopold Mozart (1719-1787), aos três anos já tocava cravo e começou a compor aos cinco anos uma grande quantidade de obras, totalizando 27 concertos para piano, 23 quartetos de cordas, 35 sonatas para violino e 41 sinfonias de que se salientam as três últimas, compostas em 1788: Sinfonias n.º 39, n.º 40 e n.º 41 ("Jupiter").
Das suas óperas destacam-se Idomeneo (1780), O Rapto no Serralho (1782), As Bodas de Fígaro (1786), Don Giovanni (1787), Così Fan Tutte (1790) e A Flauta Mágica (1791).
“Tal como a música de Haydn, a de Mozart assinala o ponto alto do período clássico na pureza da melodia e da forma”.
A carreira de Mozart começou quando foi levado com a sua irmã, Maria Anna , numa série de tournées entre 1762-79, pela Áustria, Holanda, França, Inglaterra e Itália. Já então tinha começado a compor. Entre 1772 e 1781 foi mestre da orquestra da corte do arcebispo de Salzburgo, e a partir de 1782 radicou-se em Viena, onde se entregou a “uma penosa carreira de pianista de concerto, compositor e professor por conta própria que lhe trouxeram uma fama duradoura mas uma grande precariedade financeira”.
“O seu Requiem, que ele deixou inacabado, foi completado por um aluno”.

cartaz do filme Amadeus, de Milos Forman, da autoria de Peter Sís
“Sobre Mozart escreveram-se centenas de livros, todos unânimes sobre o seu génio incomparável. É hoje, sem margem para dúvidas o compositor mais popular da história da música. Prova disso foi o sucesso do filme Amadeus (1984), de Milos Forman. Sobre a sua vida têm-se feito as mais diversas teorias, em especial sobre a sua ligação à maçonaria e sobre as circunstâncias da sua morte, mas todas inconclusivas”.
(Texto transcrito ou adaptado da “Biblioteca Universal”, da “Texto Editores”).
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- Faz hoje 248 anos (foi igualmente numa QI, em 1763) que a capital do Brasil foi transferida de S. Salvador da Baía para Rio de Janeiro.
Salvador (fundada como São Salvador da Bahia de Todos os Santos) é a capital do estado da Baía e primeira capital do Brasil. Os habitantes são chamados de soteropolitanos, gentílico criado a partir da tradução do nome da cidade para o grego: Soterópolis, ou seja, "cidade do Salvador".

imagem de satélite da NASA de Salvador e da Baía de Todos os Santos
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Salvador é uma metrópole nacional com mais de 2,6 milhões de habitantes, sendo a cidade mais populosa do Nordeste e a terceira mais populosa do Brasil. Mas a sua região metropolitana ("Grande Salvador"), tem 3.574.804 habitantes.

Em 1536, chegou à região o primeiro donatário, Francisco Pereira Coutinho, que recebeu a capitania hereditária de El-Rei Dom João III.

Em 29 de Março de 1549 chegam, pela Ponta do Padrão, Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil, e comitiva, em seis embarcações: três naus, duas caravelas e um bergantim, com ordens do rei de Portugal de fundar uma cidade-fortaleza chamada de São Salvador: nascendo assim a cidade de Salvador, capital da colónia. Com o governador vieram nas embarcações mais de mil pessoas. Trezentas e vinte nomeadas e recebendo salários, entre eles o primeiro médico nomeado para o Brasil por um prazo de três anos, Dr. Jorge Valadares, e o farmacêutico Diogo de Castro, seiscentos militares, degredados, e fidalgos, além dos primeiros padres jesuítas no Brasil, como Manuel de Nóbrega.

Duarte da Costa foi o governador-geral que se seguiu a Tomé de Sousa, chegando a 13 de Julho de 1553 e trazendo 260 pessoas, entre elas o filho Álvaro, jesuítas como José de Anchieta, e dezenas de órfãs para servirem de esposas para os colonos.

Mem de Sá foi o terceiro governador-geral, que governou até 1572.
E outros se seguiram, aí, enquanto a Cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos foi a capital e sede da administração colonial do Brasil até 1763.
Museu da Cidade e Casa de Jorge Amado no Centro Histórico de Salvador
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Um dos locais mais importantes, histórica e turisticamente, de Salvador é o Pelourinho, que fica no centro histórico da cidade.
Ora Pelourinho, como sabemos, em sentido amplo, corresponde a uma coluna de pedra localizada normalmente no centro de uma praça, onde eram expostos e castigados os criminosos. No Brasil, e em especial o pelourinho de Salvador, era o local onde se castigavam escravos à chicotada, durante o período colonial. Mas tempos depois, e terminada a escravidão no Brasil, este local da cidade passou a atrair intelectuais e artistas de todos os géneros: cinema, música, pintura, etc., tornando o Pelourinho num centro cultural, chamado, aliás, Centro Cultural do Mundo pela UNESCO que certificou igualmente esse local histórico como Património da Humanidade.

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(fonte: wikipédia)
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- A 27 de Janeiro de 1944, há 67 anos (igualmente a uma QI), terminou o cerco das forças nazis a Leninegrado com um saldo de um milhão de mortos.
«Após 872 dias de bloqueio, os habitantes Leninegrado (hoje São Petersburgo) começaram a sair dos abrigos, no primeiro dia de silêncio desde o Verão de 1941. Os alemães retiravam-se após a ofensiva final das tropas russas do general Leonid Govorov: “a cidade de Leninegrado foi totalmente liberta do bloqueio inimigo e do bárbaro bombardeamento de artilharia a que foi submetida.” Inúmeros edifícios tinham sido destruídos pela aviação e canhões de longo alcance. A população foi o grande alvo. Em vez de tentarem entrar na cidade, os alemães resolveram fazê-la render-se pela fome e pelo fogo. Terão morrido entre 700 mil e um milhão de civis e 150 mil soldados russos, na maioria devido à fome e à doença. Os habitantes comeram pão de serradura de madeira e, até, cadáveres. Leninegrado era a frente Norte da Operação barbarossa, nome de código da invasão da União Soviética pela Alemanha de Hitler, em 22 de Junho de 1941. Da Crimeia a Leninegrado, esta foi a principal frente estratégica da II Guerra Mundial. Começou por ser um êxito táctico e acabou por se tornar na sepultura do III Reich, que na Frente Leste perdeu mais de seis milhões de soldados. O cerco de Leninegrado foi tema de numerosos filmes, livros e da 7ª Sinfonia de Dmitri Shostakovitch, que foi lá composta, no início do bloqueio, em 1941.» (in Público.pt, “No passado dia 27 de Janeiro de 1944”)
Leninegrado sob fogo das tropas de Hitler
homenagem aos soldados que tombaram no cerco à cidade
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A 7ª sinfonia de Shostakovich recorda e louva “os sacrifícios feitos durante a Grande e Patriótica Guerra, como os sobreviventes do Cerco de Leninegrado descrevem a primeira execução desta grande sinfonia” que tem ao piano, nesta apresentação, o próprio compositor.

Quem dirige esta execução daquela sinfonia é o maestro russo (moscovita) Valery Gergiev (1953)
(director da companhia de ópera,
director geral e director artístico do Teatro Mariinsky,
principal maestro da Orquestra Sinfónica de Londres,
principal maestro do Metropolitan Opera
e também director artístico do Festival Noites Brancas em São Petesburgo).

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sábado, janeiro 08, 2011

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

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Recordo:

Este é o espaço em que,
habitualmente,
faço algumas incursões pelo mundo da História.
Recordo factos,
revejo acontecimentos,
visito ou revisito lugares,
encontro ou reencontro personalidades.
Relembro datas que são de boa recordação, umas;
outras, de má memória.
Mas é de todos estes eventos e personagens que a História é feita.
Aqui,
as datas são o pretexto para este mergulho no passado.
Que, por vezes,
ajudam a melhor entender o presente
e a prevenir o futuro.


ESTAMOS NO SÁBADO DIA 8 DE JANEIRO DE 2011 (MMXI) DO CALENDÁRIO GREGORIANO

Que corresponde ao
Ano de 2764 Ab Urbe Condita (da fundação de Roma)
Ano de 4707 e 4708 do calendário chinês
Ano de 5771 e 5772 do calendário hebraico
Ano de 1432 e 1433 do calendário islâmico

2011 é o ANO INTERNACIONAL DA QUÍMICA


Mais:

DE ACORDO COM A TRADIÇÃO, COM O CALENDÁRIO DA ONU OU COM A AGENDA DA UNESCO:
De 2003 a 2012 - Década da Alfabetização: Educação para Todos.
de 2005 a 2014 - Década das Nações Unidas para a Educação do Desenvolvimento Sustentável.
de 2005 a 2015 - Década Internacional "Água para a Vida".
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e este é ainda o
- Dia Mundial da Alfabetização
- Dia Mundial da UNICEF
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Ora

- faz hoje 369 anos que morreu em Florença, numa Quarta, aos 77 anos Galileu Galilei (15.02.1564-08.01.1642), físico, matemático, astrónomo e filósofo, esse enorme génio da história da humanidade, espírito sobredotado e de perene memória como um Leonardo da Vinci, um Isaac Newton ou um Alberto Einstein.
Em Portugal reinava D. João IV (21º), enquanto no Vaticano pontificava Urbano VIII (235º).

Para um dos piores poderes políticos desde sempre exercido em toda a Humanidade – a Igreja da Inquisição – Galileu, já perto do fim dos seus dias, cometeu o crime de à luz da Ciência ter afirmado a verdade: A Terra gira em torno do Sol. Ou, noutra perspectiva, O Sol é o centro do universo conhecido, em torno do qual todas as estrelas e planetas se movem. Crente e temeroso, preso e ameaçado de tortura é apresentado ao tribunal da inquisição por tão ignominioso crime e nefanda heresia.
Mas para os sólidos e independentes critérios objectivos dos venerandos juízes, os cardeais, bispos e padres que exerciam esse poder em nome da Santa MADRE Igreja, o que contava eram as suas inseguras crenças, volúveis opiniões, infundadas certezas, indiscutíveis mas inexplicáveis princípios, verdades absolutas conquanto que sem absoluta comprovação. Imagine-se a leviandade e a leveza como estas criaturas discutiam a história do pensamento – alimentado, posto à discussão e à crítica por múltiplos e destacadíssimos cérebros!
Mas, temente a Deus, Galileu apressa-se a confessar o seu pecado, a esconjurar o seu passado, a retractar-se, a penitenciar-se e a redimir-se de forma humilhante: não, não é o Sol que é o centro do Universo conhecido (rectifica temeroso) mas a Terra (afinal a grande revolução científica do século XVII) - rematando, numa expressão consciente mas talvez não intencional, que, contudo, aos carrascos terá passado despercebida… "
Eppure, si muove
" ("no entanto, move-se").
E aqui cabe recordar que alguém referiu que a personalidade de Galileu tinha um lado sombrio: quando entrava em polémicas científicas, era sarcástico, brutal, de um orgulho desmedido.
Isto, não (ou não tanto), porém, nesta circunstância de idade e de temor reverencial para com os carrascos do Santo Ofício.

Galileu leccionou, sobretudo matemática, em Florença, em Pisa e em Pádua. Aqui viveu durante 18 anos (de 1592 a 1610) desenvolvendo as suas pesquisas na área da resistência dos materiais.
Como foi aí e em Florença que desenvolveu os primeiros estudos sistemáticos do movimento uniformemente acelerado e do movimento do pêndulo. Tal como foi então que descobriu a lei dos corpos e ainda princípios, conceitos e ideias precursoras da mecânica newtoniana
Foi ainda por essa época que melhorou significativamente o telescópio refractor e com ele descobriu as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vénus, quatro dos satélites de Júpiter, a que chamou Io, Europa, Ganimedes e Calisto, os anéis de Saturno, as estrelas da Via Láctea.
Em finais do séc XVI foi, cada vez mais, ficando convencido do acerto das teorias de Copérnico sobre a movimentação dos astros (sistema heliocêntrico), mas nas suas aulas continuava a ensinar que a Terra era o centro do Universo e em torno dela giravam planetas e estrelas. “Não tinha medo da Inquisição, ainda, pois nessa época a própria Igreja não dava importância ao assunto. Conforme confessou numa carta escrita a Kepler, datada de 1597, temia o ridículo. E tinha razão. A imobilidade da Terra não era apenas uma teoria defendida pela tradição da escola de Aristóteles, mas sobretudo parecia perfeitamente de acordo com o senso comum. Logo, no entanto, Galileu recebeu o apoio entusiasmado de Johannes Kepler (1571-1630), então no auge do prestígio como matemático imperial na corte de Praga.”
Augurava, no fundo, e no entanto, o que, numa idade mais avançada lhe iria acontecer.

Em 1632, Galileu publicou os Diálogos sobre os dois maiores sistemas do mundo Ptolomeu e Copérnico. Sustentava, pois, a teoria heliocentrista do universo conhecido.

Na Quarta 22.06.1633 a inquisição obriga Galileu, que contava 69 anos, a negar as teorias resultantes do seu Dialogo Sopra i Due Massimi Sistemi del Mondo (1632) e é condenado. Reina em Portugal Filipe III (20º), que em Espanha era Felipe IV. Pontifica Urbano VIII (235º).
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Galileu nasceu no mesmo ano que William Shakespeare (1564- 1616) e no ano em que morreram Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (1475- 1564) e o cardeal-estadista Richelieu; e morreu no ano anterior àquele em que nasceu Isaac Newton (1643-1727).
Foi, aliás, no ano da morte de Galileu (1642) que Rembrandt pintou A Ronda da Noite, talvez o mais representativo dos seus retratos de grupo, quadro de grandes dimensões exposto no Rijksmuseum, em Amesterdão.


Galileu Galilei

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Já agora não esqueçamos que existe dedicado a este “monstro” da Cultura, e em português, um Poema para Galileu, da autoria de Rómulo de Carvalho (aliás António Gedeão), declamado por esse grande diseur que foi Mário Viegas. E recordo tanto mais este poema e essa voz quanto mais essa interpretação do poema foi considerada fabulosa – uma peça onde o Jovem Mário «conseguia transmitir, de forma contagiante, toda a ideia da intolerância e do obscurantismo de que os homens (“a quem Deus dispensou de procurar a verdade”) podem ser capazes»
Fabuloso.


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- Completam-se hoje 93 anos que o presidente dos EU, Woodrow Wilson, apresentou 14 medidas para a paz mundial (guerra 14/18), entre as quais a criação da Sociedade das Nações.
O Presidente americano Woodrow Wilson apresentou os seus Catorze Pontos, propondo a auto determinação dos diversos povos europeus, a redução dos armamentos e a criação da Liga das Nações.
Os 14 pontos foram apresentados na TR 8 de Janeiro de 1918 ao Congresso dos EUA. Na Inglaterra reinava Jorge V, avô de Isabel II; e primeiro-ministro era David Lloyd George, do partido Liberal. Em França decorria o mandato do Presidente Raymond Poincaré e o de Primeiro-Ministro de Georges Clemenceau; na Alemanha imperial reinava o Kaiser Guilherme II e era chanceler o Conde Georg von Hertling. Em Portugal estava na chefia do Estado Bernardino Machado. No Vaticano pontificava Bento XV (258º pontífice romano; a título de referência Bento XVI é o 265º).


Thomas Woodrow Wilson (1856-1924), foi eleito presidente dos Estados Unidos da América por duas vezes seguidas, ficando no cargo de 1912 a 1921. Era membro do Partido Democrata, tendo também sido reitor da Universidade de Princeton e laureado com o Prémio Nobel da Paz em 1919. Gozou até o fim de sua vida da fama de excelente professor.

Conseguiu manter os Estados Unidos afastados da I Guerra Mundial. Em Janeiro de 1918 apresentou ao público os seus «Catorze Pontos», que visavam o justo acordo de paz para todas as partes envolvidas. Na Conferência de Paz de Paris, assegurou a participação da Sociedade das Nações (SDN) nos tratados de paz individualmente acordados, os quais não foram ratificados pelo Congresso, ao que acresceu o facto de os Estados Unidos não aderirem àquela organização.
Natural do estado da Virginia, Wilson assumiu em 1902 o lugar de presidente da Universidade de Princeton e, em 1910, o de governador do estado de Nova Jersey. Em 1912, foi eleito presidente dos Estados Unidos, concorrendo a par com Theodore Roosevelt e William Taft. E foi como tal que pôs em prática a legislação anti-trust e assegurou importantes reformas sociais, facultadas pelo seu programa progressista «Nova Liberdade». Apesar do seu esforço em favor da neutralidade americana durante a primeira Grande Guerra, a campanha alemã dos U-boat (submarinos alemães) obrigou-o, em 1917, a participar na guerra.
Em 1919, vítima de um acidente cardiovascular do qual nunca viria a recuperar, foi obrigado a abandonar a vida pública.

Wilson evitou o quanto pôde a entrada dos EUA no conflito, condenando a Alemanha por este tipo de guerra em 1916.

No último dos seus famosos "Catorze Pontos", Wilson advogava uma "paz justa" e defendia o estabelecimento de novos Estados baseados no direito dos povos à liberdade e à democracia

O presidente americano Woodrow Wilson enviou ao Congresso de seu país, ainda durante a guerra, os "14 pontos" em que propunha medidas para a busca de paz. Na Conferência de Paris, reuniram-se representantes de vários países, a fim de discutir os acordos do pós-guerra; mas as principais decisões foram tomadas por Wilson (Estados Unidos), Lloyd George (Inglaterra) e Clemenceau (França). A Assembleia se iniciou em Janeiro e terminou em Abril de 1918. Apesar das divergências, o acordo foi imposto à Alemanha. No dia 28 de Junho de 1919, na sala de Espelhos do Palácio de Versalhes, o governo alemão assinou o tratado de paz.

Acerca do idealismo americano, veja-se esta reflexão de Vasco Pulido Valente, no Público de 23.01.2005, intitulada «O Homem É Perigoso»: «Em 1917, Wilson também entrou na guerra com a ideia heróica de "tornar o mundo seguro para a democracia". E, sem consultar a Inglaterra e a França, produziu os "catorze pontos" que iam impor esse prodígio. "A Deus bastaram dez", preveniu um cínico. De facto os "catorze pontos" criaram o caos na maior parte da Europa, contribuíram largamente para a emergência do comunismo russo, do nazismo e do fascismo, tornaram inevitável a II Guerra e ainda hoje exigem uma "força de paz" na Bósnia.O idealismo americano trouxe invariavelmente consigo a pior miséria e a pior violência. E atenção: Lincoln, Roosevelt e Truman não pertencem à escola. Para lá da retórica, tinham objectivos limitados. Lincoln manter a União; Roosevelt liquidar Hitler e o império japonês; e Truman não permitir a expansão do comunismo. Wilson, Kennedy e Bush, pelo contrário, partilham a paixão moral e a arrogância do poder, que, em nome da liberdade, sempre destruiu a liberdade. O programa de Bush, agora reiterado na sua definitiva forma, não promete nada de bom. Já o levou ao Iraque, um sarilho sem fim, e não tardará que o leve ao Irão e à Coreia do Norte. O homem passou o limite do senso, da responsabilidade e do realismo. O homem é perigoso.» (Recordo de novo que o controverso e mal-humorado colunista escreveu esta peça em Janeiro de 2005)

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Relativamente a esse ano de 1918 é de assinalar, também:
. em 30MAR: a nova lei eleitoral portuguesa em que é decretado o sufrágio universal;
. em 09ABR: as tropas portuguesas sofrem uma pesada derrota na guerra 14/18, na batalha de La Lys;
. em 29ABR: morre Guilherme Santa-Rita, introdutor e principal dinamizador do movimento futurista entre nós;
. em 02MAI: morre Amadeo de Souza Cardoso, importante representante da geração modernista da pintura no nosso país;
. em 09MAI uma revolta militar coloca Sidónio Pais na Presidência da República;
. em 14JUL: nasce o cineasta sueco Ingmar Bergman;
. em 17JUL: um decreto-lei autoriza as mulheres a exercerem advocacia;
. em 25AGO: nasceu o maestro e compositor norte-americano Leonard Bernstein;
. em 16NOV a Hungria é proclamada uma república, ao tornar-se independente do Império Austro-húngaro;
. em 14DEZ: Sidónio Pais é morto num atentado, na estação do Rossio, em Lisboa.
. em 16DEZ: o almirante João do Canto e Castro, aos 56 anos, é eleito presidente da República pelas duas câmaras do Parlamento, e entrega a chefia do governo ao general Tamagnini de Abreu.
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- Aconteceu há 52 anos, na QI 08.01.1959: Fidel Castro (1926-) entra vitorioso em Havana.
Desmoronado o regime ditatorial de Fulgêncio Baptista, concretizada com a sua fuga em 1 de Janeiro de 1959, Fidel convocou os generais para consolidar a vitória da Revolução e marchou até Havana, onde entrou em 8 de Janeiro. O Governo revolucionário instaurado designou-o primeiramente Comandante em Chefe de todas as forças armadas, terrestres, aéreas e marítimas e depois, em 16 de Fevereiro, Presidente.
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Outras efemérides, em duas linhas, relativamente ao mesmo ano:
. na mesma data o general Charles de Gaule é eleito Presidente da (Quinta) República
. em 19FEV: é garantida a independência de Chipre em acordo assinado pela Grã-Bretanha, Grécia e Turquia.
. em 11MAR: é descoberto o projecto de golpe militar conhecido por “Golpe da Sé”.
. em 28ABR: D. António Ferreira Gomes é condenado ao exílio.
. em 17MAI: é inaugurado, em Almada, o monumento a Cristo—Rei.
. em MAIO: nova tentativa de conspiração militar contra o regime.
. em 13AGO: um incêndio destrói o interior da Igreja de S. Domingos, em Lisboa
. em 29AGO: são promulgadas alterações à Constituição de 1933. Como, entre outras: o presidente da República passa a ser eleito por um colégio eleitoral restrito, onde dominam Salazar e a UN. Na base da mudança, o apoio popular a Humberto Delgado, nas presidenciais do ano anterior, em que apenas a fraude eleitoral garantiu a eleição de Américo Tomás.
. em OUT: Aquilino Ribeiro é processado judicialmente pela publicação do romance Quando os Lobos Uivam.
. em 20NOV: Portugal, Reino Unido, Áustria, Suiça, Dinamarca, Suécia e Noruega constituem a EFTA.
. em 30DEZ: é assinado, em Lisboa, o acto de adesão de Portugal à EFTA (Associação Económica de Comércio Livre).
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- Passam hoje 42 anos que nessa QA 08.01.1969 Marcelo Caetano se apresentou perante as câmaras da RTP para nos oferecer a primeira das suas Conversas em Família.


As Conversas em Família foram o pretexto que Marcelo Caetano, a conselho do seu homem forte na televisão (que na altura se confinava à RTP), Ramiro Valadão, encontrou para dar uma ideia de modernidade e de abertura do regime, aproximando-se do povo, imageticamente.
Não se tratava do anúncio de qualquer primavera política, como chegou a sonhar-se, mais que a confirmar-se, pois que Marcelo Caetano não tinha qualquer cariz de democrata, como ele próprio, mais tarde no exílio, não se cansou de sublinhar em testemunhos de vária ordem.
A primeira Conversa em Família aconteceu naquela já muito distante QA (Quarta-feira) 08.01.1969. O que significa que foi poucos meses depois de indigitado e empossado Chefe do Governo (muito contra-vontade do Presidente Américo Tomás, fanática e fervorosamente devoto de Salazar que, incapacitado, mas ainda vivo, o Presidente se viu dolorosamente obrigado a demitir e substituir – conquanto o velho ditador se imaginasse ainda detentor das rédeas do poder).
Foi pois ainda em vida de Salazar e sob a sua sombra tutelar que pairava sempre entre os artífices e os próceres do regime, que essa Conversa de Marcelo se iniciava assim: “(…) Nem sempre as circunstâncias proporcionam ao chefe do Governo oportunidade para, num discurso, esclarecer o seu pensamento ou elucidar o público sobre problemas correntes”.
“Esclarecer o seu pensamento ou elucidar o público sobre problemas correntes” – não eram, por certo as "ciclópicas tarefas" que Marcelo dramaticamente se referia ter de enfrentar. Mas outras, que ele próprio e a direita mais radical impunha, como a de fazer perdurar uma situação que não era sustentável num país, desenganado e esgotado, que politicamente se esboroava e desfazia ameaçando um colapso eminente. No fundo, a sua incapacidade para “encontrar solução para uma equação política que deveria passar por uma saída para a Guerra Colonial e adopção de um sistema pluripartidário”.
Num estilo que flutuava entre o professoral e o coloquial Marcelo lá ia doutrinando o povo – que, esse, sim, era o seu objectivo com tais conversas.
As Conversas em Família, tanto quanto me recordo, não eram de regular periodicidade.
Aconteciam umas três vezes por ano. Assim, a primeira ocorreu a 08.01.1969 e a última (a 16ª), na QI 28.03.1974. Esta “surgiu num tom amargo como que a adivinhar o fim próximo, falando do triste episódio da sublevação militar das Caldas da Rainha [16 de Março] e do mundo selvagem em que se vivia” – claro que numa linguagem sensibilizadora de um povo sempre cordato e submisso, mas deixando transparecer, inequivocamente a fragilidade do regime e as graves dificuldades que o mesmo enfrentava. 28 dias depois o poder caiu de podre e deu-se o 25 de Abril.
o semblante, agora, no fim, denunciava a dificuldade de evitar o descalabro eminente
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Mas, desse ano de 1969 estão ainda entre as brumas da memória outros eventos. Que destaco resumidamente:
. em 24JAN: morre em Lisboa António Sérgio, ex-oficial da Marinha, pedagogo e ensaísta, fundador da revista Seara Nova;
. em JAN: o PCP cria a ARA (Acção Revolucionária Armada);
. em 03FEV: eleição de Yasser Arafat como líder da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), durante o Congresso Nacional Palestiniano, no Cairo;
. em 05FEV: Eduardo Mondlane, líder da FRELIMO, é assassinado pela PIDE. Foi vítima de uma bomba colocada numa encomenda postal. No ano seguinte sucede-lhe Samora Machel;
. em 10FEV: inicia-se a publicação dos Cadernos GEDOC (Grupo de Estudos e Documentação), pelos padres José Felicidade Alves e Abílio Cardoso, e pelo arquitecto Nuno Teotónio Pereira, abordando criticamente questões ligadas à hierarquia católica.
No ano seguinte serão detidos pela PIDE.
. em 17ABR: Alberto Martins, presidente da Associação Académica de Coimbra, é preso pela PIDE;
. em ABR-MAI, ainda na sequência dos recentes acontecimentos estudantis, o ministro da Educação Nacional, José Hermano Saraiva, manda encerrar temporariamente a Universidade de Coimbra;
. em 15MAI: inauguração, em Lisboa, das novas instalações da Biblioteca Nacional, no Campo Grande.
. ainda 15MAI: inicia-se, em Aveiro, o II Congresso Republicano.
. em SET: trabalhadores da CUF aprovam um documento onde exigem o fim da guerra colonial e a amnistia para os presos políticos.
. em OUT: eleições legislativas. Concorreram algumas personalidades liberais (Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Miller Guerra) nas listas da UN. Pela oposição concorreram a CDE (Comissão Democrática Eleitoral) e a CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática), mas a campanha decorreu no habitual clima de repressão, mantendo-se muito incompletos os cadernos eleitorais, e mantiveram-se as fraudes e a falta de fiscalização.
. em 17NOV: Marcelo Caetano extingue a PIDE e cria, em seu lugar, a DGS (Direcção Geral de Segurança).
.em 29NOV: morre o escritor António Alves Redol.
. em DEZ: a oposição constitui a CNSPP (Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos).

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- Faz hoje 15 anos – foi na SG 08.01.1996: morreu o antigo presidente francês François Miterrand, aos 79 anos.
François Maurice Adrien Marie Mitterrand (1916-1996) detém actualmente o recorde de longevidade (14 anos) na presidência da República Francesa. Foi o primeiro e (até hoje) único presidente da república oriundo do partido Socialista. Foi sob sua presidência que foi abolida a pena de morte na França, em 1981. O seu mandato decorreu de 21.05.81 a 17.5.95. Em Portugal estava a esgotar-se o 2º mandato de “son ami” Mário Soares (a eleição para o primeiro mandato de Jorge Sampaio no mesmo cargo aconteceria 6 dias depois, a 14JAN) e decorria o governo de António Guterres.

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Numa breve resenha é de recordar mais alguns acontecimentos de 1996:
. em 14JAN: 1ª eleição de Jorge Sampaio como Presidente da República;
. em 01MAR: o parlamento aprova a amnistia das FP25 (Forças Populares do 25 de Abril) quanto ao crime de “associação criminosa”;
. ainda em 01MAR: morre o escritor Vergílio Ferreira.
. em 09MAR: Jorge Sampaio toma posse como Presidente da República;
. em 18MAR: morre, em Lisboa, o professor universitário e historiador Jorge Borges de Macedo, com 75 anos;
. em 31MAR: no Congresso do PSD Marcelo Rebelo de Sousa é eleito líder do partido;
. em 01ABR: morre, em Lisboa, o actor e poeta Mário Viegas, com 47 anos;
. em 16JUN: aos 69 anos morre o escritor e professor universitário David Mourão-Ferreira;
. em 17JUL: é instituída, em Lisboa, com a presença do presidente da República Jorge Sampaio, a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe;
. em 13AGO: morre, aos 86 anos, o marechal António de Spínola, autor de “Portugal e o Futuro”, que foi o primeiro presidente da República após o 25 de Abril e que tinha sido comandante-chefe e governador da Guiné-Bissau, e também vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas;
. em 11OUT: o bispo D. Ximenes Belo e Ramos Horta recebem o Prémio Nobel da Paz;
. em 07NOV: declara-se um grande incêndio no edifício-sede da Câmara Municipal de Lisboa;
. em 05DEZ: o centro histórico do Porto é classificado como Património da Humanidade, pela UNESCO.

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