quinta-feira, dezembro 09, 2010

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I. UM REGRESSO ESPERADO

Mais de dois anos após a última, regresso ao formato inicial das postagens deste blogue, do n&r. Durante estes dois anos não o abandonei; fiz, antes, algumas (poucas) incursões neste sítio, embora não respeitando o molde inicial – repito.
E voltei para o retomar com alguma assiduidade. E essa assiduidade terá a ver com várias questões, entre elas a importância que dou a certos eventos e o tempo necessário para, sobre eles, fazer uma pesquisa mais ou menos aturada, e para lhe dar forma. Tal assiduidade não deve ser entendida como qualquer periodicidade fixa. Porque não é essa a minha intenção. É uma participação ao sabor dos temas e do tempo de os poder tratar. Assim, tanto posso postar, aqui, uns tantos dias seguidos como com alguns (espero que não muito longos) espaços.
Espero conseguir fazer reviver este projecto que, curiosamente, teve algum êxito. Como espero que ele continue a ter a relativa procura que nunca deixou de ter, e a agradar como suponho que agrada a alguns visitantes assíduos.
Até sempre.


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II. MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

Recordo:

Este é o espaço em que,
habitualmente,
faço algumas incursões pelo mundo da História.
Recordo factos,
revejo acontecimentos,
visito ou revisito lugares,
encontro ou reencontro personalidades.
Relembro datas que são de boa recordação, umas;
outras, de má memória.
Mas é de todos estes eventos e personagens que a História é feita.
Aqui,
as datas são o pretexto para este mergulho no passado.
Que, por vezes,
ajudam a melhor entender o presente
e a prevenir o futuro.


Estamos na QI 09DEZ10 do calendário gregoriano

QUE, DE ACORDO COM O CALENDÁRIO DA ONU SE SITUA NA:
- Década para Redução Gradual da Malária nos Países em Desenvolvimento, especialmente na África (ano 2001 a 2010).
- Segunda Década Internacional para a Erradicação do Colonialismo (ano de 2001 a 2010).
- Década Internacional para a Cultura da Paz e não Violência para com as Crianças do Mundo (ano de 2001 a 2010).
- Década da Alfabetização: Educação para Todos (ano de 2003 a 2012).
- Década das Nações Unidas para a Educação do Desenvolvimento Sustentável (ano de 2005 a 2014).
- Década Internacional "Água para a Vida" (ano de 2005 a 2015).

Além de que hoje se comemora o
. Dia Internacional Contra a Corrupção
E o
. Dia Nacional da Tanzânia.
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Nesta dia,
há 445 anos, em 1565 : morreu o papa Pio IV (224º). Em Portugal decorria a regência do Cardeal D. Henrique (até que o seu sobrinho neto, “o reizito” (António Sérgio) D. Sebastião, neto de seu irmão, D. João III, atingisse a maioridade – que era, neste caso, aos 14 anos, o que viria a acontecer daí a 2 anos)

há 402 anos, em1608 nasceu John Milton, poeta inglês. Reinava em Portugal Filipe II (19º) e pontificava Paulo V (233º)

há 369 anos, em1641 morreu Anthony Van Dyck, pintor flamengo. Reinava em Portugal D. João IV (21º) e na Igreja de Roma pontificava Urbano VIII (235º)

há 304 anos, em 1706 morreu D. Pedro II (23º) que reinou de 1683 a 1706 e a quem sucede o filho D. João V. Pontificava Clemente XI (243º)

há 156 anos, em 1854 : morreu o escritor Almeida Garrett. Regência de D. Fernando II, até que seu filho D. Pedro V (31º) atinja a maioridade. Pontificava Pio IX (255º).

há 109 anos, em 1901 : nasceu o escritor José Rodrigues Miguéis. Reinava D. Carlos (33º). No Vaticano pontificava Leão XIII (256º).

há 101 anos, em 1909 nasceu António Pedro, escritor e artista plástico português. Decorria o curto reinado de D. Manuel II (34º) e a Igreja de Roma era dirigida por Pio X (257º) – ver desenvolvimento, mais adiante.

há 93 anos, em 1917, as forças britânicas tomaram Jerusalém aos turcos, durante a I Guerra Mundial. Presidente da República portuguesa era Bernardino Machado (3º) e Presidente do Ministério era (pela 2ª vez) Afonso Costa, agora pela União Sagrada. Aos destinos da Igreja romana presidia Bento XV (258º). Presidente dos EUA era Woodrow Wilson (28), do Partido Democrata. Reinava o 63º rei do Reino Unido, Jorge V, avô de Isabel II e o governo britânico era chefiado por David Lloyd George, do P Liberal.

há 23 anos, em 1987, os primeiros mártires da Intifada surgem quando, na Faixa de Gaza, as patrulhas israelitas atacam os campos de refugiados em Jabaliya. Os EUA tinham na Presidência Ronald Reagan (40º) do P Republicano. No Reino Unido reinava Isabel II (66º) e o governo de S. Majestade era dirigido pela Dama de Ferro, Margaret Thatcher do P Conservador. Portugal tinha na Presidência da República Mário Soares (4º), do PS, e na chefia do Governo Aníbal Cavaco Silva, do Partido Social-Democrata. Pontificava João Paulo II (264º).

há 18 anos, em 1992 O quadro de Goya, A Tourada, foi comprado por 12,2 milhões de marcos pelo Getty Museum da Califórnia. Portugal tinha na Presidência da República Mário Soares (4º), do PS, e na chefia do Governo Aníbal Cavaco Silva, do Partido Social-Democrata. Pontificava João Paulo II (264º). Nos EUA era Presidente (41º) George H. W. Bush, do P Republicano.

há 16 anos, em 1994 Em Maputo, Mário Soares, na qualidade de Presidente da República, assistiu à tomada de posse de Joaquim Chissano como presidente de Moçambique. Na chefia do Governo estava Aníbal Cavaco Silva, do Partido Social-Democrata. Pontificava João Paulo II (264º)

há 8 anos, em 2002 Jimmy Carter recebe o Prémio Nobel da Paz. Presidia à República portuguesa Jorge Sampaio (5º), à igreja de Roma, João Paulo II (264º), e era Presidente dos EUA (43º) George W. Bush pelo P Republicano


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ANTÓNIO PEDRO

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NOTA BIOBIBLIOGRÁFICA

O meio familiar, que foi seu berço, viu-o nascer na Cidade da Praia, há 101 anos, em 09.12.1909, e viu-o crescer em Caminha, frequentando, então, um colégio jesuíta na Galiza. Seguiu-se o liceu em Coimbra e, de novo, em Cabo Verde, para depois experimentar as faculdades de Letras e de Direito, em Lisboa. Mas, insatisfeito, o seu espírito subversivo fê-lo rumar a Paris aos 25 anos (1934), onde chegou a estudar no Instituto de Arte e Arqueologia da Universidade de Sorbonne.
Com forte ligação ao teatro, foi director do Teatro Apolo (Lisboa) em 1949 e director, figurinista e encenador do Teatro Experimental do Porto entre 1953 e 1961.

Envolvido com surrealistas, assinou com Kandinsky, Picabia e Duchamp o Manifesto Dimensionista e uma década depois expunha com Max Ernst, Miró e Picasso na Surrealist Diversity, em Londres. Foi o seu pendor surrealista que o trouxe de Inglaterra, onde fora, ao lado de Fernando Pessa, uma voz portuguesa na BBC, na II Grande Guerra, entre 1944 e 1945, onde foi crítico de arte e cronista, e de regresso a Lisboa, participa na 1.ª Exposição Surrealista da capital, com Mário Cesariny e outros.
Incansável e irrequieto espírito, António Pedro só viria a parar por curto espaço de 8 anos (1953-1961) no Porto, onde dirigiu o Teatro Experimental (TEP), desenvolvendo uma nova experiência de teatro no nosso País.
Nos anos 60 regressou definitivamente à sua casa de família e à sua oficina de cerâmica de Moledo, onde morreria a 17.08.1966.
Grande parte da sua obra como pintor perdeu-se aquando dum incêndio no seu atelier.

Artista plástico, ceramista, escritor, dramaturgo, encenador, crítico, cronista, “surrealista e tudo”, poeta e teatrólogo, ficcionista, ensaísta, novelista, romancista, escultor, fundador da primeira galeria de arte moderna em Portugal, director de uma revista de vanguarda: Variante; cenógrafo, figurinista, teorizador, pedagogo, tradutor, director artístico, desenhista, caricaturista, jornalista (imprensa, rádio e televisão), António Pedro foi ainda editor e organizador de cortejos históricos.

“Espírito multifacetado e aberto a quase todas as experiências da criação artística, distinguiu-se sobretudo nos campos da pintura e do teatro (como dramaturgo e como encenador, nomeadamente no Teatro Experimental do Porto, cuja sala tem hoje o seu nome). A sua actividade literária alargou-se ao comentário radiofónico, que praticou na B.B.C. durante a 2ª Guerra Mundial. “Fortemente marcado por uma adesão extremamente inteligente ao Surrealismo, de que foi um dos introdutores em Portugal e um dos principais expoentes, António Pedro fez parte do Grupo Surrealista de Lisboa (1947). Foi director da revista "Variante", colaborador de inúmeras revistas e jornais, organizou o 1º salão de Independentes de Lisboa (em colaboração com Diogo de Macedo) em 1930, e participou em variadas exposições em Lisboa, Paris, Londres, e no Brasil. Como ceramista, desenvolveu apreciável actividade em Moledo e Viana do Castelo.” (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, 20 vols., secretariado por MAGALHÃES, António Pereira Dias; OLIVEIRA, Manuel Alves, 1ª ed., Lisboa, editorial Verbo, vol.14, 1973, pp.1588-1589)

“Em Paris, entre 1934 e 1935, evoluiu, no domínio da poesia, de uma estética próxima do decadentismo, para uma expressão poética que recupera a vertente vanguardista do modernismo e que se aproxima do dimensionismo, (…) e redige a sua primeira peça teatral, Comédie en un Acte , texto de nítida influência pirandelliana. Ligando-se a meios artísticos e intelectuais de vanguarda, assinou, juntamente com artistas ligados aos movimentos surrealista e dada europeus, como M. Duchamp, Kadinsky, Delaunay, Picabia, Miró, entre outros, o Manifeste Dimensioniste. Apenas uma Narrativa, de 1942, é considerada uma das primeiras manifestações do surrealismo em Portugal.”
“Em Londres, entre 1944 e 1945, como correspondente português na BBC, participou nas actividades do grupo surrealista de Londres.”
De regresso a Portugal, integrou o Grupo Surrealista de Lisboa, publicando, no segundo número dos Cadernos Surrealistas , o Proto-Poema da Serra de Agra.”

A partir dos fins dos anos 40, dedicou-se quase exclusivamente à actividade teatral, desempenhando um papel fundamental na renovação do teatro português. Depois de uma experiência frustrada com o grupo Companheiros do Pátio das Comédias, fundou e dirigiu, entre 1953 e 1962, o Teatro Experimental do Porto, construindo espectáculos que contribuíram para a divulgação de grandes nomes da dramaturgia contemporânea, portugueses e estrangeiros, como Miller, Ionesco, Bernardo Santareno. Os textos dramáticos que escreveu, destinados às companhias que dirigiu, incluem a referida Comédia em um Acto , em duas versões, portuguesa e francesa; um exercício coral adaptado do romance tradicional português Reginaldo ; uma farsa para fantoches, O Lorpa ; e três grandes peças: Desimaginação, Antígona e Andam Ladrões Cá em Casa , a todas sendo comum "um agudo sentido da convenção teatral, deliberadamente assumida como tal e levada às últimas consequências, muito característico [...] do teatro pós-pirandelliano e da nossa dramaturgia experimental dos anos 40." (Luís Francisco Rebello, - pref. a Teatro Completo de António Pedro, Lisboa, 1981, p. 19).
“Deixou o seu nome ligado ao movimento surrealista português, assinando, logo em 1930, o Manifesto do I Salão dos Independentes. Fundou a 1ª galeria de arte moderna em Lisboa (Galeria UP, 1932), fez parte do Grupo Surrealista fundado em 1947 e colaborou na 1ª Exposição Surrealista em Lisboa (1949). Viveu em Paris, no Brasil e em Londres, fixando-se definitivamente em Moledo do Minho em 1951. Dirigiu o Teatro Experimental do Porto desde 1953 e realizou para a RTP, nos últimos anos de vida, vários programas.” (Nota bibliográfica da Biblioteca Nacional)

Juntamente com Almada Negreiros (1893-1970) foram os mais multifacetados criadores portugueses do século XX, embora a multidisciplinaridade de Almada fosse menos extensa, conquanto mais polémica, mais exuberante e, geralmente, mais aplaudida.
Autor de um “romance” (Apenas uma Narrativa), que provocou uma ruptura na literatura portuguesa, o único português a assinar o “Manifesto Dimensionista” (Paris, 1936) principal introdutor do surrealismo em Portugal, voz da liberdade para Portugal, através da BBC, na II Guerra Mundial, artista gráfico, polemista e cidadão, António Pedro foi sobretudo o homem do teatro, encontrando teatralidade em todas as outras vertentes em que interveio.


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Intervenção artística em Caminha

Criação de Painel de Azulejos, decoração da fachada e de interiores para o BAR DO JOÃO, uma intervenção artística de pendor cultural





Romance da Móia-Móia

Escrito para Cantiga de Cegos, em Setembro de 1951 Neste clip, também, – “Rapto na paisagem povoada” – 1946 – óleo sobre tela 121×122cm col.CAM – FCG, Lisboa e Banda sonora: Excertos de Sonata No. 14, “Moonlight”, Op. 27, No. 2 Beethoven
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segunda-feira, novembro 02, 2009

A PESCA DO BACALHAU NOS IDOS DE 60

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o lugre Santa Maria Manuela.


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O vídeo abaixo foi enviado como anexo a um mail por F. Sousa Marques (SM), há já algum tempo. Trata-se de um filme produzido no Canadá acerca da pesca do bacalhau à linha pelos portugueses, neste caso com o lugre Santa Maria Manuela, em 1966, que um amigo americano lhe enviara.
No texto da mensagem que SM dirigia, em inglês, a amigos americanos e portugueses residentes nos EUA, ele recordava os tempos que então se viviam em Portugal: decorria (1926/1974) o regime de Salazar (o amigo e confrade ideológico de Hitler, Franco e Mossulini), a ditadura cerceadora das liberdades democráticas, sustentada por um partido único e defendida por uma polícia política que perseguia feroz e implacavelmente os democratas que se lhe opunham, prendendo-os e torturando-os já que os considerava “inimigos” e “traidores”. E mais lembrava aí, SM, que o povo era pobre e estava condenado a trabalhar, a emigrar e a sofrer, com a complacência da Igreja que estava aliada ao regime.

A música do filme é o “fado”, a canção tipicamente nacional que se prende com a alma e o destino dos portugueses. E sublinha que o filme glorifica “os nossos antepassados ilhavenses”, região essa, nortenha, das cercanias do Porto, donde provinha a maioria das tripulações dos bacalhoeiros.




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um velho "lobo do mar" consertando as redes,
caricatura de Zé Penicheiro

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“Hoje somos um país diferente, embora nem por isso um diferente povo. Contudo, esforçamo-nos por algo de melhor: melhor liderança, melhor ensino, melhor saúde, melhor nível de vida” – prosseguia SM, que rematava: “Estou certo de que vão gostar deste filme: ele trata de sobrevivência…”

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Recordo-me, como todos os que nasceram até meados da década de 40 do século passado, sobretudo os que viviam em Lisboa, do cerimonial religioso de grande pompa e circunstância que era a bênção dos bacalhoeiros e respectivas tripulações, nos Jerónimos (de que o pequeno vídeo abaixo mostra imagens), nos idos de 60. O que demonstra, uma vez mais, o importante esteio que a Igreja representava para o regime.

É um documento histórico que eu gostei de ver.

Mas antes, vejamos um resumo da história e da dura faina da pesca do bacalhau contada na 1ª pessoa pelo “Gaspar”, o bacalhau mascote do museu marítimo de Ílhavo.

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a captura do "fiel amigo"
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Melhor do que quaisquer palavras que eu pretendesse acrescentar para sintetizar a história da pesca do bacalhau pelos portugueses, ao longo da sua longa História, e para descrever essa dura faina, é esse documentário que precede o filme.
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Documentário de uns 7 minutos para um vídeo de cerca de um quarto de hora.

Ouçamos então, primeiro, o “Gaspar”


Depois vejamos o vídeo

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sexta-feira, outubro 16, 2009

COLÓNIA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

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planta histórica de Colónia do Santíssimo Sacramento




Está um pouco esquecida, mas faz parte da gesta nacional a fundação da Colónia do Santíssimo Sacramento por Manuel Lobo, a mando superior, por razões de estratégia: a sua localização e papel defensivo, face a Buenos Aires, então nas mãos dos espanhóis e seu reduto.




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mapa político do Uruguai (depois de 1777)


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Colónia do Sacramento, no Sudoeste do Uruguai, é banhada e envolvida pelas águas serenas do Rio da Prata e embalada pelos acordes “picados” do bandoneón, trazidos pela brisa das bandas do Sul.


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Actualmente, Colónia do Sacramento é uma pequena cidade do Uruguai, capital do departamento de Colónia que, recordo, foi fundada pelo português Manuel Lobo, em 1680, com o nome de Colónia do Santíssimo Sacramento.
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Dista 177 Km de Montevideu e 45 de Buenos Aires, que lhe fica em frente, do outro lado do rio da Prata.
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Em 1995 foi declarada património histórico e cultural da humanidade pela UNESCO.






o remanso do porto de abrigo





como do colorido da cidade…


… e dos seus pitorescos cantos…

… e recantos




e ainda da amálgama de estilos e materiais de construção…


como esta janela…


e acolhedores recônditos como este … A cidade surpreende-nos a cada instante.


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O, hoje, departamento de Colónia do Sacramento passou do domínio espanhol ao português, sucessiva e alternadamente, durante perto de 100 anos. Donde a mescla, por exemplo, de tipos arquitectónicos de origem lusa ou espanhola.

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mais recantos…



ruas…



esquinas…



calçadas em suaves degraus…



ou a direito, com edifícios pintados…



ou em pedra


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Colónia do Sacramento é a capital do distrito de Colónia que tem uma área de pouco mais do que 6000 Km2 e uma população de pouco mais de 119 000 habitantes (uma área equivalente ao nosso distrito de Portalegre e, curiosamente, o mesmo número de habitantes).


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Faz parte “obrigatória” dum roteiro cultural ou meramente turístico da cidade, um passeio pelo "casco antiguo" (zona histórica), a cuja particularidade acresce a exuberância da sua flora, de cujo périplo se destacam a visita à Igreja Matriz, a mais antiga do Uruguai, hoje reconstruída e convertida em Basílica da Santíssima Trindade, em cujo interior se diz poder apreciar-se o que é descrito como um show de luz e som


vista do centro histórico desde o cimo do farol: entre frondosa e luxuriante vegetação e, ao fundo, ligeiramente sobre a direita…



... entre denso arvoredo, as duas torres da matriz…



… hoje Basílica do Santíssimo Sacramento



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e um passeio pelo ex-libris da cidade, a celebrada Calle de los Suspiros, uma rua tipicamente portuguesa (com um manifesto toque de ruralidade das habitações).

Há muitas lendas sobre o nome desta rua. Uma delas diz que havia ali um bordel famoso, cujas moças arrancavam suspiros dos homens que passavam. Outra diz que era para esta rua que os militares levavam os condenados a morte para que, quando a maré do Rio da Prata subisse, eles se afogassem.
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várias vistas da célebre Calle de los Suspiros, um dos postais mais vistos da cidade


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Fundada em 1680, a cidade foi «tomada de assalto pelo governador de Buenos Aires nesse mesmo ano e restituída pelos espanhóis em 1681. (…) Em 1705, durante a Guerra da Sucessão de Espanha, Sacramento foi abandonada, para ser devolvida mais tarde, em 1715, de acordo com o Tratado de Utreque. (…) Entregue à Espanha em 1750, nos termos do Tratado de Madrid. Em 1753, com a assinatura do Tratado de Paris, a colónia foi restituída à Coroa portuguesa, regressando à posse espanhola com a assinatura do Tratado de Santo Ildefonso em 1777» – cfr Colónia do Sacramento. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-10].
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o arco de S. Pedro e a ponte levadiça, entrada da antiga cidadela






o que resta da antiga muralha da cidadela




o farol (ainda em funcionamento e visitado) e as ruínas do convento de S. Francisco




o farol e as ruínas, vistas de outro ângulo


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As suas principais atracções são, para além do referido Bairro Histórico, a bela orla fluvio-marítima da cidade, o porto, o Real de San Carlos (antiga praça de touros), e ainda as suas ancestrais ruas e alegres moradores.


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a beleza da orla fluvio-marítima, com a ilha de S. Gabriel ao fundo


a mesma vista de outra perspectiva



mais um ângulo do enorme estuário



... e outro ainda



o porto, ao fundo



vista da fachada, reconstruída, da Praça de Touros (o Real de S. Carlos)...



... e das ruínas do seu interior (diz-se que só usado duas vezes)


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A Praça de Touros, hoje em ruínas, fazia parte de um projecto turístico do milionário argentino Nicolás Mihanovich que visava atrair turistas de Buenos Aires, que ficava na outra margem do Rio da Prata, durante os fins-de-semana.
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Inaugurada em 9 de Janeiro de 1910 diz-se que apenas funcionou duas vezes, até que em Fevereiro de 1912 as corridas de touros foram proibidas no Uruguai.


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as ancestrais ruas: um convite ao convívio, à diversão e ao enamoramento


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E são ainda de visita obrigatória os museus português e espanhol.


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fachada do museu português



fachada do museu espanhol


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Outra das características de Colónia do Sacramento (e de todo o Uruguai) é a presença de carros antigos, verdadeiras relíquias, ainda rodando.








rodam ainda por toda a cidade (e todo o país) estas raridades…





... e quando não rodam, posam para a posteridade transformadas em floreiras


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O rio da Prata proporciona paisagens e praias belíssimas que se situam nas suas margens.
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Esclareça-se que as águas do Rio da Prata, numa enorme extensão, até às proximidades do Atlântico, são doces, serenas, tépidas e de um colorido castanho avermelhado em razão dos sedimentos que aí chegam trazidos pelos rios Paraná e Uruguai.







um mar imenso, o Rio da Prata



e as suas características águas castanhas



o Sol poente sobre o Rio da Prata é uma imagem de rara beleza
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O Rio da Prata é o estuário criado pelo encontro do Rio Paraná e do Rio Uruguai. Corre de noroeste a sudeste e mede 2 km de largura no ponto que se toma como origem (local onde desaguam aqueles dois rios). No ponto onde as águas se misturam com as do mar, deixando de ser doces para se converterem no Oceano Atlântico, a sua largura é de 219 km. Por sua vez, a extensão do Rio da Prata, correndo entre o Uruguai e a Argentina, é de cerca de 270 Km.

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Complementarmente, veja-se um pequeno vídeo de uma reportagem incluída num programa recentemente (já no decurso deste ano) realizado pela RTP2 acerca de AS MARAVILHAS DE PORTUGAL NO MUNDO, neste caso, sobre Colónia do Santíssimo Sacramento, no Uruguai:


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segunda-feira, outubro 12, 2009

«NOBEL DA PAZ PARA OBAMA?»

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Apoiantes de Obama em frente à Casa Branca na ressaca do anúncio do prémio

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Fernando Sousa Marques, há anos radicado nos EUA, enviou-nos por mail, a uns tantos amigos, o seguinte texto, autorizando-nos a divulgá-lo, se assim entendêssemos. Texto, aliás, que é a transcrição de uma sua postagem no blogue de que é autor, desde recentemente, e que se intitula O MUNDO AQUI TÃO PERTO
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As reflexões acerca da atribuição do Nobel - do nosso enviado especial às presidenciais dos EEUU (como por graça eu dizia, então) aqui, nas páginas deste blogue - são as que seguem:
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Acabo de ouvir a curta e significativa intervenção que Obama fez a propósito do prémio Nobel da Paz. Para quem tinha dúvidas, basta reflectir sobre este curto e importantíssimo discurso. É impressionante ouvir falar no "meu período de vida"..., dito por quem tem a vida em risco. Que o mundo bom proteja Obama!
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Quando Guantanamo for encerrada e a invasão do Iraque terminar, ainda faltará resolver a embrulhada do Paquistão/Afeganistão... Entretanto o complexo industrial/militar/político quer mais guerras: Irão e o que mais "estiver a dar"... Obama, que tem, permanentemente, a vida em risco, neste país onde é tão fácil matar, merece o Nobel... que mais poderá fazer o mundo para o apoiar?...
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3
As pessoas que põem em causa esta decisão e acham que é cedo porque Obama nada fez ainda não perceberam a importância de ter eleito Obama para Presidente dos EUA. Orgulho-me de ter participado na campanha, de ter andado na rua a inscrever cidadãos, que nunca tinham votado, nos cadernos eleitorais. A paz faz-se de muitas pequenas/grandes acções...

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Associo-me aos que se regozijaram com a atribuição do Nobel da Paz a Obama. Considerando, igualmente, que é mais um prémio do volte face extraordinário verificado nos EUA, da tenaz vontade do novo presidente em se comprometer com novas medidas tendentes à paz efectiva e às cada vez mais instantes preocupações sociais (a pobreza cada vez mais crescente) e ambientais.
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Certo que alguns, mais friamente não estarão tão entusiasmados assim com este Nobel porque ele se pode transformar num muito embaraçoso problema para o aliado cada vez mais importante do Ocidente: o cariz de bondade do contemplado que lhe está na origem, pode comprometer a eficácia e a persuasão da sua política.
Mas nós os menos dotados de espírito belicista e menos dados a tão frios raciocínios… Qual de nós é que se lembra que Obama é, antes de tudo, o Presidente da maior potência do mundo?
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Porém, e por outro lado, não me sai da cabeça a justificação (conhecida ontem) do Presidente do Comité do Nobel dessa atribuição:
“Num comentário à reacção do polaco Lech Walesa, Nobel da Paz em 1983, que considerou ser demasiado cedo para a distinção ser atribuída a Obama, Jagland, que dirige o comité desde Fevereiro, disse que o Presidente dos EUA poderia recebê-lo "demasiado tarde". "Acompanhamos o espírito do tempo, a necessidade da época", justificou.”
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No fundo é muito isso que a mensagem do Fernando S Marques nos quer transmitir. Atitude que partilho igualmente. Com enorme esperança.



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