quinta-feira, junho 12, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 7

outra peça do museu das comunicações: telex


Trocava impressões com o meu amigo CP que recebe directamente as crónicas (Obama News) da campanha em curso nos States para as presidenciais de Novembro próximo, e mostrava-lhe algum desapontamento acerca de certas declarações do candidato democrata.
O meu amigo, convida-me, então, a “descer mais à terra”... A admitir (talvez por outras palavras - melhores, certamente) que a política consiste numa permanente tentativa de conciliação de interesses, divergentes ou mesmo opostos, de negociações, de recuos, de avanços, de maleabilidades e concessões, de inflexibilidades e conflitos... Que se os políticos influenciam a sociedade, são, igualmente por ela influenciados. E por aí fora.

«Sim, sim – respondi. E continuei: a realidade é a realidade. Ignorar a evidência é o tal tapar o Sol com a raquete de ténis.
Da tal realidade e da tal evidência são um exemplo a súmula da opinião expressa pelo Fernando: «Obama não é um social democrata "de esquerda", nem um comunista do velho ou novo tipo, nem um europeu. É um americano que traz no sangue experiências cruzadas de vários continentes e que estudou nalgumas das melhores escolas e universidades americanas, por entre elites sociais e bem pensantes.»
Pois!
Além do tal discurso da vitória há aquela declaração acerca de Jerusalém... Etc..
Mas (deixa-me sonhar!) insisto: penso que algo está a acontecer ou em vias de acontecer.
Sei lá: dentro de alguns lustros. Talvez algumas (poucas) décadas...
É uma coisa que eu sinto... Qualquer coisa que paira por aí... Que terá de acontecer...
(Embora eu saiba que não vai sobrar para mim, para eu também saborear. Mas os meus filhos e os meus netos merecem melhor que isto que temos...)
Ou não é verdade que "O SONHO COMANDA A VIDA"?...»



Nota: nos EUA o termo caucus ganhou uma específica conotação, pelo que no glossário político daquele país excede o significado comum que tem nos dicionários de inglês.
Para as pessoas que não estejam tão familiarizadas com a diferença, deixo um link para a Wikipédia, acerca do especial significado da expressão nos States: http://pt.wikipedia.org/wiki/Caucus








Obama News - 20080609 -
1. Os nomes e os atrasos de Hillary Clinton;
2. Um artigo sobre Israel.


Caros amigos,
Passa das quatro horas da manhã.
Como não consegui trabalhar durante o dia, sentei-me ao computador depois do jantar e só vou parar agora.
Envio dois textos em anexo.
Peço-vos para os lerem apenas se se sentirem com vontade para o fazer.

1
Um é uma pequena listagem de frases que intitulei "Os nomes e os atrasos de Hillary Clinton". Trata-se de seriar algumas notas que permitam alguma reflexão em torno da personalidade em questão. Já um destes dias invoquei Maquiavel. O poder é um imenso território onde quotidianamente se praticam os mais diversos maquiavelismos. O passado aí está à disposição de quem o quiser estudar. O presente é, por vezes, confuso e enevoado. O futuro é, como sempre inevitável e esclarecedor.
2
Outro é a minha tradução de um texto publicado por um comentador de que gosto muito e que dá pelo nome de Thomas L. Friedman. O título é esclarecedor: Tempo para um Pragmatismo Radical. Trata-se de um desafio à futura administração dos EUA. Num assunto que é de extrema gravidade e delicadeza: a situação no Médio Oriente e a existência dos Estados independentes de Israel e Palestina. É um texto, também, que ajuda a reflectir. A fugir dos noticiários das televisões (incompetentes ou mentirosos) e dos paradigmas que todos nós vamos construindo e não nos deixam ver mais longe.
Para quem quizer ler a versão original envio o link respectivo:

http://www.nytimes.com/2008/06/04/opinion/04friedman.html?ex=1213416000&en=17c40cf27f4348ba&ei=5070&emc=eta1

Um grande abraço para todos.
Boa noite (bom dia para vós) e boa sorte.
fernando


os 2 anexos
- OS NOMES E OS ATRASOS DE HILLARY


Fernando
9 de Junho de 2008



1
No dia 26 de Outubro de 1947, nasceu Hillary Diane Rodham Clinton, filha de Hugh Ellsworth Rodham e Dorothy Emma Howell Rodham.

2
Enquanto estudante era conhecida por Hillary Rodham, nome que manteve, mesmo depois de viver e se casar com Bill Clinton, em 1975, pelo facto de não ter adoptado o nome de família do marido (contra a vontade de ambas as respectivas mães).

3
No início dos anos 80, quando o marido tentava, pela segunda vez, conquistar o lugar de Governador de Arkansas (o que veio a conseguir) ela, para “acalmar” os eleitores desse Estado, passou a intitular-se Hillary Clinton ou Mrs. Bill Clinton.

4
Manteve esses nomes até ao fim do segundo mandato do marido (2000).

5
Mas, quando se candidatou a Senadora por New York (nesse mesmo ano), voltou a mudar de nome. Desta vez passaria a chamar-se Hillary Rodham Clinton. Com esse nome ganhou em 2000 e em 2006, sendo conhecida, a partir de então como a Senadora Hillary Rodham Clinton.

6
É com esse nome que se publica um livro, com a sua biografia e a sua fotografia na capa, que se transforma num best-seller.

7
Em 2007, quando começa a preparar a campanha eleitoral para as Primárias do Partido Democrático, decide mudar de nome e passar a chamar-se “oficialmente” Hillary Clinton (Hillary para os amigos).

8
A sua palavra de ordem para esta campanha é Hillary Clinton (com letras bem grandes) for President (em letras pequenas) que acolhe o nick name de Hillary (com letras grandes) for President (com letras pequenas) no respectico site (
www.hillaryclinton.com).

9
Esta dança de nomes não é fruto do acaso ou de humores variáveis. É, pelo contrário, a permanente utilização de todos os meios possíveis que permitam atingir determinados fins em vista.

10
Por hoje não escrevo mais sobre este assunto. Se alguém me ler, ficará com matéria para reflectir. O que é sempre um exercício aconselhável e muito saudável.

11
Para acrescentar a isto, durante a última semana, há pormenores que, ligados, são também muito indicados para exercitar o pensamento.

12
Na terça-feira, 3 de Junho, último dia das Primárias, antes do Senador Barack Obama pronunciar o discurso de vitória (por ter conseguido o número de delegados à Convenção que lhe dava uma maioria absoluta), a Senadora Hillary Clinton foi apresentada pelo seu director de campanha como a “futura Presidente dos EUA”.

13
Ela tomou a palavra e não desmentiu. Também não confirmou, é certo. Até elogiou Barack Obama e a sua campanha. Mas sublinhou que nunca tinha havido um candidato em Primárias do Partido Democrático que tivesse alguma vez tido tantos votos como ela (afirmação só possível se, como afirmava a sua candidatura, não se contassem 13 Estados em que tinha havido caucuses e se contassem os votos de 2 em que não tinha havido campanha eleitoral, sendo que, num deles, nem o nome de Obama existia nos boletins de voto).

14
Aos gritos de alguns apoiantes que pediam que ela levasse o combate até à Convenção (“Denver! Denver! Denver!), não o negou, nem o confirmou. Deixou que os ecos continuassem a soar.

15
Quando um dos seus fervorosos apoiantes anunciou publicamente, nessa mesma noite, o lançamento de um abaixo-assinado para pressionar Obama a escolhê-la para Vice-Presidente, a sua resposta foi o silêncio, apenas interrompido, uns dias mais tarde, por um dos membros da sua campanha a desencorajar tal iniciativa, porque “era a Senadora que ditava os seus interesses e preferências e não qualquer dos seus apoiantes”.

16
Depois de uma conversa à porta fechada entre Hillary e Barack, na casa da primeira, nada se soube a não ser que ela faria uma comunicação na 6ª feira, dia 6 de Junho.

17
Mais tarde esta data foi mudada para a manhã do dia seguinte.

18
Mais tarde foi anunciado que o seu discurso seria feito no sábado às 12 horas.

19
A essa hora ainda ela estava em casa. E estaria. Chegou ao National Building Museum de Washington DC quase uma hora mais tarde. Onde começou, finalmente, o tão anunciado discurso.

20
Perante as habituais interrogações e especulações jornalísticas dos motivos de tal atraso, que chegou a ser intitulado por um jornalista da CNN de “a dramatic delay”, houve um comentador (da MSNBC) que, por fim, esclareceu: “No problem! She always run late!...”

21
Nós sabemos. As pessoas importantes e que têm muito que fazer chegam sempre tarde. Os que são pontuais, ou não são importantes, ou têm pouco que fazer, ou ambas as coisas.

22
O drama e a manipulação da emoção não são fruto do acaso ou de humores variáveis. São, pelo contrário, a permanente utilização de todos os meios possíveis que permitam atingir determinados fins em vista.

23
Por hoje não escrevo mais sobre este assunto. Se alguém me ler, ficará com matéria para reflectir. O que é sempre um exercício aconselhável e muito saudável.

24
Quando se vota para um Presidente dos EUA ou doutro qualquer país, há muitos factores que pesam. Um deles, sem dúvida, principalmente para as pessoas que pensam e se preocupam, tem a ver com o carácter de cada candidato.

25
Durante esta campanha, dramaticamente, mais de metade dos eleitores, incluindo os que votaram na Senadora, afirmaram que não a consideravam honesta. Até me arrepiei quando soube que esta questão tinha sido colocada numa das sondagens “à boca das urnas”. Sondagens são sondagens. Nunca lhes atribuí virtudes que outros, desmesuradamente, sublinham. Mas, terrivelmente, há muitos eleitores por esse mundo fora que preferem votar em quem não é sério, com o argumento que a “política” é um assunto “sujo” e que os “políticos” são todos iguais.

26
Felizmente não são!


*

- Crónica publicada em The New York Times, no dia 4 de Junho de 2008
Tradução da minha responsabilidade
Fernando

TEMPO PARA UM PRAGMATISMO RADICAL

Thomas L. Friedman
Ramallah, West Bank


Quando enviava reportagens de Israel nos meados dos anos 80, o principal debate que aqui se travava era se o programa israelita de construção em West Bank já tinha ultrapassado um ponto de não retorno – um ponto em que uma séria retirada se tornasse impossível de imaginar. A pergunta muitas vezes repetida era: “Faltam 5 minutos para a meia-noite, ou passaram já 5 minutos da meia-noite?” Ora bem, fazendo uma pequena viagem por West Bank, como sempre faço quando aqui venho, o que mais me preocupa é que não passam apenas cinco minutos da meia-noite, mas que para lá desses minutos há que somar uma semana mais.
O West Bank de hoje é uma manta feia de altas paredes, de pontos de controlo Israelitas, colónias judias “legais” e “ilegais”, aldeias árabes, estradas judias que só os habitantes de Israel podem usar, estradas árabes e estradas bloqueadas. Esta realidade dura e pesada que se constata no terreno não vai ser alterada por qualquer processo de paz convencional. “A solução dos dois Estados está a desaparecer”, disse Mansour Tahboub, editor sénior no jornal de West Bank chamado Al-Ayyam.
De facto, chegámos a um ponto em que a única coisa que poderá dar resultados é aquilo a que chamo “pragmatismo radical” – um pragmatismo que terá de ser tão radical e energético como os extremismos que pretende abolir. Sem isso, temo, Israel permanecerá permanentemente prenhe, com um eterno Estado Palestiniano por nascer dentro de si.
A razão pela qual precisamos de uma iniciativa radical é óbvia: as “negociações” “habituais” que Israelitas e Palestinianos estão a travar não têm, nem energia, nem autoridade suficientes para chegar a uma solução. Com o encorajamento da administração Bush, Israel e a Autoridade Palestiniana em West Bank estão a negociar um projecto de tratado de paz que, supostamente, será colocado numa prateleira, enquanto os Palestinianos não tiverem capacidade suficiente para o implementar. Eu, seriamente, duvido que as partes cheguem a concluir esse projecto, e que, por força de razão, tenham capacidade para o implementar.
A falta de energia Israelo-Palestiniana de hoje tem três diferentes níveis. O primeiro é o nível de esperança e confiança. Desde que falhou o acordo de Oslo (para quem não sabe: realizou-se em 1993 e nele, pela primeira vez foi reconhecida, mutuamente, a possibilidade de existirem dois Estados independentes na região – Israel e Palestina) o romance extravasou o processo de paz. Israelitas e Palestinianos fazem-me lembrar o casal que, depois de um atribulado namoro, casam finalmente mas que, um ano depois, continuam a utilizar as mesmas mentiras: os Israelitas continuam a instalar colónias nos territórios ocupados e os Palestinianos continuam a acumular ódios. Quando se mente e se faz a guerra depois da paz, a confiança desvanece-se por muito tempo.
O défice de confiança é exacerbado pelo facto dos Palestinianos, depois de Israel ter abandonado a faixa de Gaza em 2005, em vez de construírem uma Singapura nesse espaço, terem construído uma Somália e, em vez de se terem concentrado na produção de micro-chips, se terem preocupado em fazer rockets para atingir Israel.
A segunda razão para a falta de energia vem do facto de Israel, com o muro que construiu em redor de West Bank, ter conseguido anular de tal forma os bombistas suicidas que o público de Israel não sente qualquer sentido de urgência para a resolução do conflito, tanto mais quando a economia de Israel está florescente. Por detrás do muro, o West Bank poderá permanecer um Afeganistão.
“Hoje, você não constata, nem o romantismo do processo de paz anterior a Oslo, nem um previsível desastre que possa afectar as consciências de Israel”, fez notar o colunista Ari Shavit do jornal Haaretz (nota do tradutor: é um jornal diário israelita, fundado em 1919, publicado em hebreu, com uma versão condensada em inglês anexa à edição do International Herald Tribune distribuída em Israel e que tem, também, uma página na Internet, em hebreu e em inglês).
O terceiro nível tem a ver com o facto de ambos os sistemas políticos (em Israel e na Palestina) terem tantas divisões internas que nenhum deles está capaz de gerar a autoridade necessária para tomar grandes decisões.
Apenas os EUA poderão ultrapassar o cinzentismo desta diplomacia, oferecendo um pragmatismo radical em que a lógica seja a seguinte: Se o Presidente Mahmoud Abbas não conseguir controlar rapidamente pelo menos parte de West Bank, não terá autoridade para assinar qualquer projecto de paz com Israel. Ficará completamente desacreditado.
Mas, Israel não pode ceder o controlo de qualquer parte de West Bank sem que lhes seja assegurado algo de concreto em troca. Rockets dos territórios de Gaza na remota cidade Israelita de Sderot. Rockets do West Bank que poderão atingir e fazer encerrar o aeroporto internacional de Israel. Isso é um risco intolerável. Israel terá de ceder o controlo de parte do território de West Bank desde que essa decisão não os exponha a ter de fechar o seu aeroporto.
O pragmatismo radical dirá que a única maneira para conseguir um acordo equilibrado entre as necessidades actuais de soberania dos Palestinianos e a retirada, agora, de Israel, sem criar um vazio de segurança, é introduzir uma terceira parte em que haja confiança – a Jordânia – para ajudar os Palestinianos a controlar a parte de West Bank que lhes for confiada. A Jordânia não está interessada em controlar os Palestinianos, mas, por outro lado, tem um interesse vital em que o West Bank não caia nas mãos do Hamas.
Sem uma nova proposta radicalmente pragmática – uma que faça com que Israel saia de West Bank, dê aos Palestinianos controlo real e soberania, mas que, simultaneamente, faça com que, confiadamente, a Jordânia seja um parceiro da Palestina – qualquer projecto de acordo será morto à nascença.

*


Obama News - 20080610 -
Alguns dos vossos comentários e uma resposta...

Caros amigos,
A coisa mais reconfortante é receber os vossos comentários, críticas, sugestões.
Aqui vão uns exemplos e a resposta que enviei a um deles.
...
A
Li os dois anexos. O último é de capital importância neste calvário que já leva 60 anos de vida ao ainda não nascido Estado Palestino.
Mas nele, no 1.º § que se inicia na 2.ª pág., onde escreveste «O défice de confiança é exacerbado pelo facto dos Palestinianos, depois de Israel... em vez de construírem uma Singapura... terem construído...» devia ser «O défice de confiança é exacerbado pelo facto de os Palestinianos, depois de Israel...». Isto digo eu, já que a contracção da preposição com o artigo nem sempre é válida, no meu entender. Exemplos.: Eu apoio a causa dos (de+os) Palestinos; Eu oponho-me à filosofia dos (de+os) Israelitas, que conduz ao extermínio dos Palestinos; Eu oponho-me à filosofia de os Israelitas exterminarem o povo Palestino.
A contracção significa, de certo modo, posse, pertença de alguma coisa, de alguém (dos / deles). A preposição e o artigo separados significa que se lhe segue a enunciação de uma acção (de os... exterminarem).
Também, segundo creio «Palestinianos» deriva do francês: palestinians; Julgo que, em português, se deve dizer «Palestinos», derivado directamente de Palestina.
São duas achegas com as quais concordarás, ou não.
B
Estive a ouvir as palavras de Obama sobre Israel e Jerusalém, a qual "will remain capital of Israel and must remain undivided!".

http://www.youtube.com/watch?v=PYcAmBXtmdA

Não vejo como podes conciliar isso com as opiniões expressas pelo sr. Friedman, as quais pareces partilhar. Por acaso tenho um amigo árabe, já reformado, que foi um funcionário superior das Nações Unidas e cuja família reside desde há séculos em Jerusalém e conheço, com algum detalhe, como é que Israel tem vindo a conseguir a sua "capital undivided". O sr. Obama decepcionou-me muito, o que não é grave porque a música dele não se destina aos meus ouvidos. Afinal ele é apenas mais um dos que não quer ver que nunca haverá solução no Médio Oriente enquanto Israel puder fazer tudo o que quer com a cobertura do Ocidente e se esmerar em humilhar e roubar a esperança aos palestinianos.
B.1
Aqui vai a minha resposta a esta última.
1
Não somos obrigados a concordar com tudo quando queremos chegar a um acordo.
Nem concordo com tudo o que o Obama diz ou faz, nem estou de acordo a 100% com os muitos documentos de Thomas Friedman que já li.
2
Obama é um membro (embora um pouco atípico) do Partido Democrático. Está limitado, por isso, na sua acção. As políticas (principalmente a externa) dos dois Partidos que dominam a vida americana não se distinguem muito, como todos sabemos. Em matéria de política externa estão demasiado condicionados por paradigmas que têm a ver com a sua própria independência e poder. Para além disso, o complexo de super-potência não os deixa ver, muitas vezes, para lá das suas próprias fronteiras e dos seus próprios interesses.
3
Mas há outras limitações, para lá das que o próprio Partido impõe. Obama não é um social democrata "de esquerda", nem um comunista do velho ou novo tipo, nem um europeu. É um americano que traz no sangue experiências cruzadas de vários continentes e que estudou nalgumas das melhores escolas e universidades americanas, por entre elites sociais e bem pensantes.
4
Há limitações, também, porque, para se ganharem eleições são precisos votos. Não apenas dos fiéis apoiantes.
Se quer ser Presidente terá de saber ceder, negociar, procurar o melhor tempo. No que diz respeito ao Médio Oriente, se quer ganhar a Presidência e fazer "o que for possível" terá de contar com o apoio da comunidade judia nos EUA e em Israel. E, simultaneamente, procurar muito estreitos caminhos que permitam considerar, não apenas os Palestinianos, mas todos os países da região (Irão, Síria, Jordânia, Líbano, Iraque, Turquia, Egipto). Queres tarefa mais difícil, principalmente depois do legado de Bush?
5
Obama nunca ganhará as eleições nos EUA se não tocar no eleitorado do centro político, social e geográfico. Será possível?
6
Aqui tens parte do puzzle em que me movimento. O meu passado e a minha experiência pessoal têm permitido, penso eu, que, por vezes, consiga ver um pouco mais além. Mas não espero paraísos. Qualquer que seja o resultado destas eleições presidenciais, a situação é difícil e muitos terão de pagar pela falta de visão e estratégia que tem havido nos EUA e no mundo. Os tempos serão difíceis. Mas se Obama ganhar, talvez haja uma "coligação" de poderes, de pessoas, de interesses, de projectos, de sonhos e esperanças que tornem o caminho um pouco menos difícil e um pouco mais possível.
...
Um abraço,
fernando


sábado, junho 07, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA – 6

telégrafo



Por mais que lhes custe aceitar os respectivos fundamentos, por mais que pretendam negar a intenção de qualquer aproveitamento ou perturbação, os democratas apoiantes de H Clinton têm de compreender que Obama não pode aceitar a partilha da Casa Branca com a sua companheira de partido, sem risco de a sua candidatura se esvaziar e perder sentido. Ou, no mínimo, ficar tremendamente fragilizada.
Também entre nós, nos últimos dias, os jornalistas, politólogos e outros colunistas têm sustentado mais ou menos a mesma posição.
Não faço ideia do que terão negociado Barak e Hillary, em casa da senadora Dianne Feinstein, apoiante de H Clinton, que os deixou “sozinhos com algumas garrafas de água e dois sofás confortáveis”, mas, finalmente, um telegrama do Diário Digital/Lusa, desta tarde (18:25:00) informava que a candidata democrata suspendera a sua campanha, felicitando e dando todo o seu apoio a Obama. Mais afirmou a senadora candidata, que solicitara o encontro: «temos de colocar a nossa energia, a nossa paixão e as nossas forças para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para eleger Barack Obama, o futuro presidente dos EUA».

Mas, acerca dessa hipotética (e desejada por Clinton e seus apoiantes) vice-presidência, melhor é dar, de novo, a palavra ao nosso especial correspondente, Fernando, que há dias mandou uma mensagem versando essa matéria.
Hesitei em publicar o teor desse mail. Mas dado que o próprio Fernando, apesar de todas as reservas e cautelas que enumera, não receia expor-se (até porque é o que ele tem feito através das suas crónicas que sabe estarem cada vez mais no domínio público – ele próprio o referiu e aceitou), e decidiu deixar nas “Obama News” as sua reflexões de carácter mais pessoal, então achei oportuno (em concordância com um amigo comum, meu e do Fernando, através de quem recebo a informação que no n&r tenho deixado a partir de certa altura) deixar aqui a avaliação de uma pessoa que vive, in loco, este acontecimento de uma forma muito activa e participativa. Afinal o testemunho de um residente que se embrenhou, a fundo, nesta campanha, com empenho, com vigor, com garra e que nos conta a sua experiência, a sua opção e o porquê da mesma, os seus sonhos, a sua análise, a sua esperança, a sua ânsia apaixonada por uma nobre e digna causa.

Seguem, finalmente, os textos:


Obama News
- 20080602 –

Vice-Presidente?!...


Caros amigos,
Um de vós pediu-me para escrever sobre a hipótese Clinton a Vice-Presidente.
Não é solução que me agrade.
Mas não sou eu que decido.
Como não é fácil explicar, segue em anexo um texto com algumas considerações...
Um abraço,
Fernando




Clinton Vice-Presidente?


Caros amigos,

1

Há umas semanas atrás um de vós enviou-me um email com perguntas de carácter pessoal do tipo: Se, por alguma razão que não vem ao caso, a Clinton for nomeada pela Convenção como a candidata do Partido Democrático às eleições de Novembro, participarás na Campanha? Votarás nela?... E acrescentou, “certamente compreenderás porque te coloco estas (e outras) questões”.
Respondi-lhe, com a minha sinceridade de sempre. E disse-lhe que, daquela vez, não enviaria a resposta para o universo habitual das minhas Obama News. Eram opiniões muito pessoais, porventura carregadas com alguma imponderada subjectividade, emoção e, até, agressividade, que talvez não fosse correcto enviar para todos, pelo menos naquele momento.
A campanha das Primárias é longa e dura e o Obama tem sido vergastado, não só pelos meios mais conservadores e pelo Partido Republicano, o que era expectável, mas também, por vezes, dentro da própria candidatura dos Clinton (uso o plural por razões óbvias) pela candidata, ela própria, e, mais até, pelo marido que, em inúmeras ocasiões, mais parece estar a fazer a sua própria campanha eleitoral do que a participar na da sua mulher.
Desde o início da campanha que decidi tomar partido e participar num movimento que, penso, é necessário para os EUA e para o mundo. Não sou neutro. Nunca fui. Mas, simultaneamente, tenho sempre procurado ser objectivo e honesto nas informações que vos envio.
A razão fundamental porque não enviei a minha resposta para todos tinha a ver com as minhas emoções e com o receio de não ser compreendido a esse nível. Estava a falar de mim, de dentro de mim, não reflectindo a posição pública que poderia vir a tomar, mas apenas o meu instinto e a minha inteligência, as minhas forças e os meus desejos.
Na Política, como na vida, temos, por vezes, de ceder, de conceder, de decidir diferente do que queremos decidir. Principalmente quando o que interessa não é este, ou aquele, ou cada um de nós, ou a afirmação das nossas opiniões, mas os outros, uma nação, um país, ou o mundo. O que respondi ao meu amigo era o que me ia na alma…

2

Hoje recebi outro email, de outro amigo, a pedir-me que falasse da hipótese Clinton como Vice-Presidente do Obama.
Respondi pedindo uns dias para reflectir.
Para observarmos o que se irá passar amanhã, terminadas as Primárias, noite dentro, quando aí já o sol tiver nascido e aqui ainda se estiverem a contar votos e a arrumar bandeiras e cartazes. Não se esqueçam que Montana fica na costa oeste e South Dakota quase lá e que a diferença de horas para Portugal não é de 5, como daqui da Florida, mas de 8…
Para verificarmos as reacções, principalmente, dos candidatos, as suas atitudes e discursos, as suas eventuais propostas ou silêncios.
Para contarmos os super delegados que definirão a composição da Convenção e a respectiva correlação de forças e que, até agora, ainda não se definiram.
Mas também para “me defender”, para não arriscar prognósticos ou opiniões, porventura errados, ou que ferissem a sensibilidade “política” de cada um de vós.

3
Tenho andado todo o dia a magicar nisto.
Decidi enviar-vos, desde já algumas reflexões.

4

A candidatura dos Clinton começou mal porque foi mal preparada, mal dirigida, mal coordenada e mal programada.
Tudo isto tem a ver, não com incompetências ou falta de experiência política, mas com uma atitude, baseada em paradigmas, que lhes obliterou a visão e lhes fez perder a perspectiva de um país em sofrimento e a ansiar por uma mudança que eles não estavam capazes de oferecer.
O país do trabalho e da inteligência não queria mudar as moscas, não queria tirar um por ser vermelho e pôr lá uma que era azul, não queria a guerra em vez da diplomacia, não queria promessas sem mudar o poder dos lóbis, não queria as mesmas famílias de sempre e todo o seu poder e arrogância, não queria coroar uma presidente, queria eleger um Presidente. Desta vez iria ser diferente.
Os Clinton só perceberam isso muito tarde.
O discurso dela era centrado no “EU”. EU sou a melhor. EU é que tenho experiência. EU é que sei de saúde. EU é que tenho propostas e soluções. EU farei história porque EU sou mulher…
Foi assim que começou a perder.
O discurso dele começou de mansinho. “Toda a minha vida sonhei votar num Presidente que fosse mulher ou afro-americano. Agora estou nesta situação…” As pessoas até gostaram, até acharam bem; ele que até tinha sido chamado, um dia, graciosamente, num encontro com a comunidade afro-americana, “o primeiro presidente preto dos EUA”…
Obama falava de nós e para nós. Esperança Para Mudar… acabar com a guerra… Esperança Para Mudar… resolver os problemas da economia… Esperança Para Mudar… acabar com a crise da habitação… Esperança Para Mudar… cuidados de saúde para todos… Esperança Para Mudar… melhorar o ensino e a educação… Esperança Para Mudar… alterar a política externa, usar a diplomacia… Esperança Para Mudar… lutar contra o racismo e todas as formas de exclusão… Esperança Para Mudar… mudar Washington DC…
Quando Obama ganhou o primeiro acto eleitoral, no dia 3 de Janeiro, em Iwoa, um Estado de larga maioria branca, um Estado do centro do país, um Estado que oscila entre ter maioria republicana ou democrata (swing State), a comunidade afro-americana percebeu que Obama poderia ganhar. A América percebeu que poderia ganhar. Não era só discurso. Entrava dentro das pessoas, de qualquer raça, de qualquer idade. Falava de esperança e de mudança. Num país em que os sucessivos poderes têm querido que impere o medo e a guerra. A esperança contra o medo. A mudança contra a desgraça. A diplomacia contra a guerra.
No mês de Janeiro sucederam-se os desastres da candidatura Clinton. Depois da derrota em Iwoa (3 de Janeiro), um empate técnico em New Hampshire (8 de Janeiro) mas que deu mais delegados a Obama, uma vitória em Nevada (19 de Janeiro) que não deu para aquecer, porque, de seguida, sofreram uma profundíssima (e decisiva) derrota em South Carolina (26 de Janeiro).
Nada disto importava. Porque, dizia-se, depois da super terça-feira (a super Tuesday, em 5 de Fevereiro), a Clinton poderia cantar vitória. Seria a previsível nomeada! Poderia reforçar o sonho de vir a ser coroada!
Quando os resultados da super Tuesday começaram a chegar confirmou-se o terramoto eleitoral a deitar por terra ambições pessoais que não permitiram avaliar, previamente, a situação: Obama tinha mais delegados, mais vitórias eleitorais, mais Estados, mais votos… só não tinha mais super delegados (o aparelho ainda estava, aparentemente, sob controlo da família Clinton)…
O discurso do EU manteve-se, a agressividade relativamente a Obama aumentou, o Clinton começou por jogar a cartada da raça, a candidatura jogou a da igreja e do reverendo Wright. Finalmente a Clinton jogou com o medo. Havia eleições em Ohio. Dois dias antes, lançava um anúncio em que mostrava crianças a dormir e a brincar, uma explosão nuclear e uma voz a dizer que, para evitar isso, era preciso um presidente que tomasse a decisão certa quando recebesse uma chamada telefónica às 3 da manhã. Ficou conhecido como o telefonema das 3 da manhã, acerca do qual já se contaram as mais diversas histórias e anedotas.
Tudo isto acabou no dia 6 de Maio, em que a Clinton ganhou Indiana, com uma curtíssima margem, com o apoio e o voto de republicanos e perdeu rotundamente em North Carolina.
Aí perceberam que era tarde. De facto era.

5

Se conto isto é para que se perceba que durante estes 5 meses aconteceu, todos os dias, muita coisa.
Limitei-me a referir pormenores…

6

No campo do Partido Democrático há feridas por sarar. Não as provocadas pelo adversário político comum. As outras. As que mais doem. As que têm origem nos companheiros de jornada. Sabemos como custam.
Não há grandes diferenças entre os programas económicos das duas candidaturas. Embora a Clinton tenha votado de forma a permitir a Bush a invasão do Iraque e de Obama se ter oposto a essa guerra, desde a primeira hora, as propostas de retirada do Iraque não são muito diferentes. Em matéria de política externa há diferenças: as mesmas que têm a ver com a utilização da diplomacia para manter o policiamento do mundo, ou a de uma diplomacia activa para encontrar soluções políticas e não militares. Em matéria de programa de saúde há pequenas diferenças: um projecto mais realista por parte de Obama e outro mais despesista por parte da Clinton. etc.
A maior diferença está na personalidade dos dois candidatos e no seu projecto global. Obama tem uma visão universalista e defende uma mudança radical na forma de fazer política, não permitindo que os lóbis e grandes interesses continuem a dominar o poder político em Washington DC. Clinton tem uma visão mais agarrada à América tradicional e uma grande experiência com os lóbis e interesses. Obama fala de nós, Yes WE can! Clinton fala dela, I am the best!
Como conciliar, se necessário, estas duas figuras políticas? Como impedir que o ex-Presidente se instale nos corredores das imediações da Sala Oval que ele, aliás, tão bem conhece?
É um assunto que tem de ser analisado por cada uma das candidaturas mas que, decididamente, finalizadas as eleições e sabidos os resultados, tem de ser discutido entre os dois candidatos a candidato: Obama e Clinton.
Até lá é preciso saber se a Clinton aceita uma minoria e cumprimenta o presumível vencedor, ou se vai manter o combate até à Convenção. É preciso reconhecer que haverá pressões dentro do Partido, principalmente das figuras mais cotadas e dos voluntários das candidaturas que, durante estes meses, deram o corpo ao manifesto. É preciso avaliar outras hipóteses (a Clinton poderá não vir a ser a Vice-Presidente mas ser nomeada para o Supremo Tribunal, um dos problemas mais importantes, depois da guerra do Iraque e da crise económica; poderá continuar Senadora; poderá ser membro do Governo; Embaixadora; etc).


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Na minha opinião há dois dilemas.
A Clinton terá de decidir: 1) se quer optar por uma solução negociada com Obama, ou 2) se quer fazer tudo para cumprir o chamado Plano B (esperar por uma derrota eleitoral de Obama em Novembro próximo, para aparecer como a grande candidata do Partido Democrático daqui a 4 anos).
O Obama terá de decidir: 1) se convida Clinton para Vice-Presidente e em que condições (houve um conhecido comentador que afirmou que, nesse caso, o Obama precisava de contratar um “provador”, à boa maneira de tempos passados) e se mantem o seu programa de mudança, ou 2) se terá de fazer concessões nesta matéria em nome da unidade do Partido e da necessidade de derrotar McCain em Novembro.


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Se a Clinton decidir levar tudo isto até à Convenção e lutar por ser a nomeada, com o argumento de que teve mais votos populares (o que pode ser mentira ou verdade, conforme eles forem contados, como provarei no final das Primarias) e porque é “mais elegível” que Obama, tudo isto estará em causa.
Se a “guerra” for até à Convenção, como o Partido Republicano deseja, poderemos estar perante uma situação interessante e dramática: depois do pior Presidente dos EUA (popularidade pouco superior a 25%), de uma guerra não desejada (mais de 60% dos americanos contra), de uma sondagem (hoje divulgada) que mostra que 70% (!!!) dos americanos é por uma nova política externa que privilegie a diplomacia, de uma crise económica à beira da recessão, do maior desemprego das últimas décadas, de uma crise imobiliária sem memória, de uma situação desgraçada no sistema de ensino, de um aumento de 300% no preço da gasolina nos últimos 3 anos, depois disto e muito mais… as divisões dentro do Partido Democrático, mais o racismo e a intolerância, tudo somado à ignorância e à tradicional fraquíssima participação popular em todos os actos eleitorais nos EUA, poderão dar a vitória a McCain!


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Shame on us! Tenhamos vergonha!


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Boa noite e boa sorte!
fernando

PS: Aqui passa das 2 horas da manhã do dia 3 de Junho, dia em que terminam as Primárias; aí passa das 7 e, provavelmente, muitos de vós já estão a pé e a trabalhar…

Bom dia e boa sorte!
fernando

sexta-feira, junho 06, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA – 5

internet: visualização gráfica de várias rotas

Há dias, ao divulgar entre alguns amigos estes posts, referia-lhes a tragédia que repetidamente se vem anunciando como possível. A velha história dos fins e dos meios, afinal.
E acrescentava: Não estou precipitada e antecipadamente a ungir o candidato!... Mas há algo de diferente que está a acontecer. Ou prestes a acontecer.
Pode não ser ainda desta. Ou a ser, pode não corresponder, inteiramente, às expectativas...
Mas se não for desta... Algum dia terá de ser. É impossível que assim não seja.

Pois bem, as crónicas do nosso amigo e especial correspondente, Fernando – a de hoje, particularmente – são entusiastas, apaixonadas, de um optimismo contagiante, de uma felicidade de que não é possível duvidar.

Tudo muito mais susceptível de impressionar os generosos e enormes corações mais jovens.
Os mais velhos estamos mais reticentes, mais (ansiosamente) expectantes. Já somamos maior número de esperanças convertidas em desilusões. Achamos tudo demasiado bom para podermos acreditar. Mas queremos acreditar. Sabemos (esperamos, militantemente e com grande certeza de concretização) que um dia acontecerá.
Não tenho procuração dos mais idosos. Falo por mim, imaginando que o mesmo se passa com alguns outros rapazes e moças da minha idade.



Bom, mas importantes, mesmo, não são as minhas considerações. São as palavras do Fernando.
Essas, sim, merecem ser saboreadas, analisadas, pesadas.
Aí ficam:




Obama News - 20080606 -
No aniversário do assassinato de
Robert Kennedy



CHANGE
WE CAN BELIEVE IN
Caros amigos,
Recebi hoje um email de uma de vós.
...
VIVA O OBAMA!
Só hoje arranjei um bocadinho para ir ao correio electrónico. Estou tão feliz que nem caibo em mim. Imagino como tu estarás.
Ele escreve sempre e-mails para os seus apoiantes ?
...
Respondi assim.
...
Não te passa pela cabeça o que tem sido esta experiência.
Muitas pessoas não se aperceberam, nem se apercebem, da profundidade do movimento que a candidatura Obama criou e desenvolve.
...
A utilização da internet fez, desde o primeiro momento, parte desta revolução. O próprio Obama já confessou que os resultados excederam as expectativas. O site da candidatura é exemplar, um case-study que já está a ser estudado nas melhores universidades americanas. Toda a candidatura, desde que foi preparada e lançada, tem sido analisada e acompanhada por especialistas de gestão e motivação, sociólogos, professores universitários. Foram dos primeiros a aperceber-se que alguma coisa de novo estava a acontecer na vida política americana que se irá repercutir a nível mundial. Não mais haverá o mesmo tipo de campanhas, em Portugal, como no Japão, na África do Sul, como na Austrália, no Brasil, como no Canadá. Agora começa-se a falar disso nos media. As pessoas mais atentas ficam ainda mais atentas.
...
Para além disso, ele tem uma personalidade especial. É um tipo de líder diferente de outros, porventura, por ser o produto de uma mistura de raças e passados, por ter crescido de baixo para cima (à conta do seu próprio esforço e do apoio da mãe e dos avós maternos), por ter recebido lições de honestidade, amor e esperança da sua família, por ter sentido as dificuldades das classes médias-baixa da sociedade americana, por ter frequentado as melhores universidades com empréstimos do Estado e ter começado a sua carreira a pagar esses empréstimos, por ter conseguido alguma liberdade financeira apenas quando publicou os dois livros de sucesso sobre a sua experiência, por ter encontrado a fé (já adulto) quando trabalhava junto dos mais desfavorecidos numa Chicago de fome, desemprego, violência e drogas,...
...
Obama fala para as pessoas e por dentro das pessoas. Fala ao mesmo tempo de dentro de cada pessoa. Ele quer trabalhar para ajudar a realizar os sonhos de cada pessoa, não os seus próprios sonhos. Ele quer ser Presidente para ajudar a resolver os problemas das pessoas, não os seus próprios problemas. E a mensagem funciona porque as pessoas acreditam na sinceridade e honestidade do seu autor. Há uma partilha de responsabilidades, de poder, de decisão, de vontade, de conquista. Ele não ataca os seus adversários políticos pelo que são ou deixam de ser, mas pelas propostas que apresentam e pelas ideias que divulgam e, simultaneamente, é capaz de os elogiar como pessoas, como permanentemente faz com McCain e com Clinton.
...
A mensagem da candidatura de Hillary Clinton era HILLARY CLINTON (em letras muito grandes) for President (em letras muito pequenas). A mensagem de McCain era JOHN McCAIN (em letras grandes) for President. A mensagem de Obama era e é CHANGE - BELIEVE IN. Daí nasceu a canção que é um hino: YES, WE CAN!Agora, todos tentam copiá-lo... A Clinton tentou, Yes, We Will! (mas soava a falsete)... A última mensagem de McCain é A Leader We Can Believe In (foi lançada na noite de 3 de Junho numa sala em que, dos presentes, ele era um dos mais jovens)... Ao atravessar na diagonal a muito complexa sociedade americana, a candidatura de Obama atinge todos com a marca da qualidade, da inovação, da esperança. Os jovens percebem. Os mais cultos percebem. Os outros vão, crescentemente, percebendo.
...
Um dos aspectos que poderá contribuir para mudar o mapa eleitoral americano é o da participação nestas eleições de milhões de pessoas que nunca votaram. Aqui a inscrição nos cadernos eleitorais não é obrigatória. Tenho andado a tentar recolher dados. Não estou certo ainda. Mas talvez haja 50 milhões de pessoas (mais ou menos 10% ou 20%) que têm capacidade para votar e não estão inscritos nos cadernos eleitorais! Desde que as Primárias começaram as candidaturas da Clinton e do Obama conseguiram mais de 3 milhões e meio de novos eleitores com acções como as que descrevi e em que participei (e vou continuar a participar). Vamos para a rua em grupos de 3 ou 4 e falamos com as pessoas. Perguntamos se estão inscritos, se querem votar pela primeira vez, ajudamo-las a preencher a papelada, oferemos um pin ou um auto-colante, um sorriso. Recebemos negas e fugas, críticas e desesperanças, mas também apoio e sorrisos, largos sorrisos de pessoas que já estão connosco e de outras que prometem passar a estar. Há muita gente, mesmo aqui, que ainda não percebeu o que se está a passar. Em anteriores eleições, houve Estados em que a diferença de votos entre Republicanos e Democratas foi de 2 ou 3 pontos percentuais. Al Gore teve mais 500 mil votos que Bush e não ganhou. Mas nós vamos colocar no processo milhões de novos eleitores, enquanto falamos para dentro de cada um dos eleitores tradicionais. Água mole...
...
Tanta coisa há ainda por dizer... Este próximo sábado e o outro e o outro e outros lá andarei pelas esquinas destas cidades e campos a espalhar a mensagem de que falava Daniel Filipe!... Podem colar cartazes a dizer "Procura-se... Vivo ou morto..." Desta vez é o nosso tempo. It's our time!... como tem dito Obama, repetidamente, e como inicia o email que enviou para os seus apoiantes.
...
Um abração,
fernando
...
PS: Há uma permanente comunicação dentro da campanha. Os emails são dirigidos a cada pessoa com o seu nome e assinados pelo Obama, pela Michelle, ou por um dos seus colaboradores mais directos. Para além disso, dentro do site (www.barackobama.com) há um enorme conjunto de informação e portas abertas para a participação de quem quer que seja. Qualquer pessoa pode criar o seu próprio blog ou o seu próprio grupo. Cada pessoa (desde que devidamente inscrita) pode participar nos outros blogs, nos outros grupos. Telefonamos de Estado para Estado. Recebemos telefonemas. Pela primeira vez na vida política americana, uma candidatura publica a lista dos seus apoiantes e permite que interajam, que acrescentem valor ao valor que já existe!
...
fernando


terça-feira, junho 03, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 4

telefonia (1936)



Do nosso especial “correspondente”, Fernando, que vive no Estado da Florida, EU, veio hoje um novo mail.
Dele vos deixo aqui transcrição. Como do mail que lhe foi enviado pelo Director da Campanha Obama for America. Mas desta mensagem deixo apenas a parte noticiosa, que nos pode interessar, não transcrevendo alguns links que só têm um interesse local (relacionados com contributos monetários para a campanha – donations ).
Desta vez o assunto do mail não é o habitual (Obama News), mas um sintomático


Almost there


imagem Wikipedia

Caros amigos,
Está "todo o mundo" à espera do discurso desta noite do Senador Barack Obama em que ele anunciará que ultrapassou o número necessário de delegados (2118) que lhe permitirá ser nomeado pela Convenção de Agosto como o candidato do Partido Democrático às eleições presidenciais de 4 de Novembro.
Ele vai pronunciá-lo no mesmo local em que o Partido Republicano irá realizar a sua Convenção. É mais um acto carregado de simbolismo, para mostrar que no território dos EUA não há mais lugares a feudos. A sua campanha está a actuar nos 50 Estados e, em cada Estado, lutará, voto a voto, para eleger o maior número possível de representantes no Colégio Eleitoral que, finalmente, elegerá o futuro Presidente dos EUA.
Consta que a Senadora Hillary Clinton ainda não vai aceitar hoje a vitória de Obama. Fá-lo-á nas próximas horas ou dias (hipótese 1), ou anunciará a suspensão da sua campanha até à Convenção (hipótese 2) considerando que haverá delegados que entretanto podem mudar de opinião, ou aguardará conversações com Obama para posteriormente tomar uma decisão (hipótese 3), etc. Compreendemos. A família política a que pertence não está habituada a situações destas...
Como exemplo de como a candidatura Obama funciona, reenvio o email acabado de receber do seu Director da Campanha
Obama for America, David Plouffe.
E, como os números estão sempre a mudar (à medida que mais e mais super delegados apoiam Obama), neste momento, faltam-lhe apenas 30 delegados para conseguir a maioria absoluta...
São 14h22m na Florida, onde me encontro, menos 3 horas que em Montana, e mais cinco do que em Portugal.
Um abraço,
fernando



---------- Forwarded message ----------
From: David Plouffe
Date: Tue, Jun 3, 2008 at 1:51 PM


Fernando --
It's hard to believe, but the last two contests of the Democratic primary are happening right now.
Voters in Montana and South Dakota are heading to the polls and casting the final ballots in this long race.
There have also been some big developments over the past few days.
On Saturday, the Rules and Bylaws Committee of the Democratic National Committee agreed to a fair solution to allow Florida and Michigan to participate in the national convention in August. Barack gained a total of 68 delegates from Florida and Michigan combined.
We will need 2,118 delegates to secure the nomination, and we're closing in fast -- we're less than 40 delegates away. There are 31 total delegates at stake in today's contests, and a good showing in Montana and South Dakota should take us another big step closer to the magic number.
Make sure to tune in to watch Barack's speech tonight. The last polls will close at 8:00 p.m. MDT (10:00 p.m. EDT).
Thanks, and we'll keep you posted,
David
David Plouffe
Campaign Manager
Obama for America

P.S. -- Today is our last Election Day until November, and you can help Get Out The Vote by calling folks in South Dakota and reminding them to get to the polls.

segunda-feira, junho 02, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 3




Como referi antes, segue nova crónica do “nosso” enviado especial, “despachada” hoje mesmo.
Tinha de correr um de dois riscos: tornar a informação muito extensa ou deixá-la desactualizada.
Preferi correr o primeiro, deixando ao leitor a arte de o contornar. Mas, pelo menos, ficamos com a matéria em dia.
O nosso amigo Fernando achou mais sensato não revelar o nome do seu correspondente na troca de mails sobre o tenebroso assunto do ponto 3. KKK E OUTRAS NOTÍCIAS...
Igualmente eu achei que devia, acerca do nosso amigo deixar, apenas, isso mesmo: Fernando.
Só mais uma pequena nota: no (mail) original, e acerca do mesmo aludido ponto 3, há um link que não leva a lado nenhum: o servidor informa que a página procurada não foi encontrada. Deixei-o aqui assinalado com outra cor de letra.


Obama News - 20080602 -
1. Puerto Rico; 2. Ponto de situação;
3. Fox news guest calls for Obama assassination!!!!!!!!!!!


Caros amigos,
1. PUERTO RICO
1.a) Ontem realizaram-se as Primárias do Partido Democrático em Puerto Rico.
1.b) Como se previa a Clinton ganhou confortavelmente. Elegeu 38 delegados, enquanto Obama elegeu 17.
1.c) Previa-se que votasse perto de um milhão de pessoas. Votaram 384.578, o que foi uma surpresa e uma desilusão para a Clinton que queria conquistar uma vantagem decisiva para apresentar o único argumento: maioria dos chamados votos populares, assunto sobre o qual me pronunciarei quando acabarem as Primárias.
1.d) Ontem enviei-vos uma informação errada. Embora se confirme que Puerto Rico não pode votar nas eleições gerais de Novembro (por não serem um Estado dos EUA e, portanto, não elegerem qualquer membro para o Colégio Eleitoral que elegerá o futuro Presidente dos EUA) houve um acto eleitoral integrado nas primárias do Partido Republicano.
1.e) No dia 24 de Fevereiro realizou-se um caucus para eleger delegados deste Partido. Só para terem uma ideia da representatividade de certos delegados que irão decidir quem será o futuro Presidente dos EUA, aqui vão, sem comentários obviamente, os resultados desse acto eleitoral: John McCain: 188 votos, elegendo todos os 23 delegados; Mike Huckabee: 10 votos; Ron Paul: 9 votos!!!
...
2. PONTO DE SITUAÇÃO
Depois de contados os votos e delegados a situação, neste momento (14h00 do dia 2), é a seguinte: Obama precisa de 43 delegados para atingir a maioria absoluta; Clinton precisa de 202; falta eleger 31 (Montana e South Dakota); falta conhecer a decisão de 229 superdelegados.
...
3. KKK E OUTRAS NOTÍCIAS

Limito-me a reencaminhar um email recebido de um de vós (apaguei o nome) que é bastante claro. Já tinha referido este assunto. Já vos tinha dito que uma forma de proteger Obama é aumentar o número dos que o apoiam. Espero que não aconteça o que certas pessoas desejam. Se acontecer, nenhum de nós pode prever, neste momento, o que irá acontecer depois.
Há muita gente disposta a dar a vida por ideais. Alguns de vós, para quem envio estas Obama News, provaram-no...
...
Um abraço grande!
Bom dia e boa sorte!
fernando




---------- Forwarded message ----------
From: Date: Mon, Jun 2, 2008 at 1:38 PM
Subject: Fwd: Fw: Fox news guest calls for Obama assassination!!!!!!!!!!!
To: Fernando




Caro Amigo,
Um amigo português que reside em N.York, enviou-me este mail. Hesitei em to reenviar, calculando até que não seja novidade para ti, mas também pelo seu teor. Mas acabei por achar que era melhor envià-lo. Um abraço amigo.



Sent: Monday, June 02, 2008 2:07 PM
Subject: : Fox news guest calls for Obama assassination!!!!!!!!!!!



---------- Forwarded Message ----------


Hey "Double Zero"!
I just don't know why you continue to watch this station.
Sick bunch of …………………..

Fox News Guest Openly Calls For Obama Assassination
The Neo-Cons' sick obsession with assassinating Barack Obama took another bizarre turn yesterday when Fox News guest Liz Trotta openly expressed a desire to see someone "knock off" the Democratic candidate.

KKK Warns of Death Threat Against Obama
KKK Warns of Death Threat Against Obama...
Creating a plausible patsy? - M. R.

Huckabee quips about gun aimed at Obama (trata-se de um link, mas a página não é encontrada...)
Republican Mike Huckabee responded to an offstage noise during his speech to the National Rifle Association by suggesting it was Barack Obama diving to the floor because someone had aimed a gun at him.
We are not laughing, Mike. - M. R.

Stay safe, Obama
In April, former Minnesota Gov. Jesse Ventura telling radio talk show host Alex Jones that Obama was in danger, specifically saying, "Watch out, Barack Obama." And then there was British Nobel Prize winner Doris Lessing suggesting, "A black man in the position of president. They would kill him." Just witness the racism in West Virginia during this week's primary. Sadly, it's still alive and well, in a state where the senior senator, Robert Byrd, was a one-time member of the Ku Klux Klan.
And now, with it looking like Obama may indeed be the Democrat's choice to run against Sen. John McCain this fall, one wonders if the Clinton machine might not want to put a wrench in the works. Now, I'm not saying the Clinton machine would silence Obama or use violence, but there is an odd number of bodies six feet under in the wake of the Clinton machine. Ask Vince Foster or certain Arkansas state troopers. Oh wait, you can't.

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 2




Dizia eu, esta madrugada, que amanhã seguiria novo bloco noticioso. Mas segue hoje mesmo e é datado pelo nosso “repórter” especial do dia de ontem.
E porque hoje veio novo newsmail, vou deixá-lo já a seguir para ficarmos com a matéria em dia.
Receio que a alguns não interesse muito a matéria. Mas se assim for, o remédio também é fácil de encontrar.
Aos outros, nem preciso de recomendar que não é para ler já, já... É para ir lendo, consoante a disponibilidade e a disposição, claro.
E não me vou alongar mais, para o lençol não ficar demasiado comprido.





Obama News - 20080601 -
1. REGRAS; 2. IGREJA...


Caros amigos,
Comecei por enviar estas News aos meus filhos e a amigos muito chegados.
A pouco e pouco este universo foi crescendo. Havia outros amigos que também as queriam receber.
Houve alguns que passaram a enviar para outros e outros que as começaram a publicar, algumas delas, em blogs (que eu saiba, são quatro).
No primeiro mês passei de meia dúzia para seis dezenas. E, agora, porque recebi endereços de antigos colegas, principalmente do IST, estou a enviá-las para perto de 80 pessoas. Continuo a insistir que me digam se não estão interessados em recebê-las (houve 2 amigos que o fizeram) porque a última coisa que pretendo é estar a "impôr" as minhas News!
Agradeço à web a oportunidade que me deu para reencontrar amigos e me voltar a aproximar deles!
...
1. REGRAS
1.a) Realizou-se ontem uma reunião do Comité responsável pelo controlo das regras dentro do Partido Democrático (The DNC - Democratic National Committee - Rules and Bylaws Committe).
1.b) Tratava-se de rever a decisão tomada em 2007 que penalizava dois Estados (Florida e Michigan) por não cumprirem o calendário eleitoral. Segundo essa deliberação, esses Estados não elegeriam delegados para a Convenção.
1.c) Convem explicar isto para que percebamos o que se passou.
1.d) Por tradição, antes da chamada super tuesday (dia em que se realizam cerca de metade dos actos eleitorais das Primárias do Partido Democrático e do Partido Republicano e, que, este ano, foi no dia 6 de Fevereiro) realizam-se alguns actos eleitorais (primaries e caucuses) nalguns Estados de reduzida dimensão mas que são considerados exemplares. Começaram por ser Iwoa (caucus), no centro dos EUA, e New Hampshire (primary), na costa leste, ao norte de New York, por se considerar que os seus resultados correspondiam aproximadamente aos resultados da totalidade das Primárias. No ano passado foram acrescentados 2 Estados, para respeitar diversidades geográficas e rácicas: Nevada, junto à costa leste e à California, tendo em conta a população chamada "hispânica"; e South Carolina, na costa leste e a norte da Florida e Georgia, com uma grande população "afro-americana". Outros Estados pretendiam ser considerados (Michigan, Florida e outros) mas, o DNC decidiu que a excepção só seria aplicada a 4 Estados: Iwoa (3 de Janeiro, caucus), New Hampshire (8 de Janeiro, primary), Nevada (19 de Janeiro, caucus) e South Carolina (26 de Janeiro, primary).
1.e) A ideia é de, numa altura em que há vários candidatos (no Partido Democrático, 8, e no Partido Republicano, 7), e em que há uns muito conhecidos e outros não, permitir que, durante o mês de Janeiro, os eleitores os conheçam melhor e avaliem as suas possibilidades eleitorais.
1.f) Michigan e Florida insistiram em realizar os seus actos eleitorais antes da super tuesday, 6 de Fevereiro. O Estado de Michignan marcou primárias para o dia 15 de Janeiro. O Estado da Florida marcou-as para o dia 29 de Janeiro.
1.g) Em Michigan, o governador é do Partido Democrático e, apesar de saberem que seriam penalizados, insistiram em marcá-las para esse dia, por considerarem que Michigan deveria ter sido considerado pelo DNC como um dos Estados com primárias antes da super tuesday. É um problema interno do Partido Democrático. E, neste caso, um desrespeito por deliberações anteriormente tomadas. Por isso é que Michigan teve um tratamento diferente do da Florida na última reunião do DNC Rules and Bylaws Committee.
1.h) Na Florida o governador é do Partido Republicano. É da sua responsabilidade a marcação das primárias para o dia 29 de Janeiro (para ambos os Partidos). No entanto, o Partido Democrático da Florida poderia (e deveria) ter marcado outra data, ou para a realização de um caucus ou para a realização das primárias democráticas. Não o fez.
1.i) O DNC decidiu aplicar, em 2007, a pena máxima (não contariam as eleições e não haveria delegados dos 2 Estados na Convenção de Agosto). Fê-lo para mostrar aos 50 Estados que não poderia haver excepções e que as regras, quando aprovadas, deveriam aplicar-se a todos.
1.j) Estas eram as regras definidas antes das Primárias e aceites por todos os candidatos do Partido Democrático. A Clinton, numa intervenção que fez durante a campanha eleitoral em New Hampshire reconheceu que as "eleições em Michigan não vão contar".
1.k) Em Michigan, vários candidatos do Partido Democrático (5) respeitaram a decisão do DNC e, como o governador de Michigan é democrata, decidiram retirar os seus nomes dos boletins de voto. Pensaram que, futuramente, haveria condições para realizar um caucus ou umas primárias. Obama e Edwards aconselharam as pessoas que queriam votar nelas a votar na opção Uncommitted. 40% votaram uncommited e 5% anularam os votos ao escreverem o nome Obama nos boletins (não perceberam que ao escreverem nos boletins de votos os tornavam nulos). A Clinton não retirou o seu nome. Teve 328.151 votos (55%). Os Uncommitted tiveram 237.762 votos (40%), enquanto Kucinich teve 21.708 (4%) e Gravel teve 2.363 (0%). Aqui não se contam abstenções, brancos ou nulos! Só contam os votos expressos nos candidatos ou na opção Uncommitted!
1.l) Os americanos mais conscientes têm vergonha dos altos níveis de abstenção que, habitualmente, ultrapassam, por vezes, em muito, os 50%. Talvez por isso não se encontrem estatísticas, nem nos sites oficiais.
1.m) Na Florida não houve campanha, mas nenhum dos candidatos retirou o seu nome dos boletins. A responsabilidade pela marcação da data é do governador do Partido Republicano. Sabia-se (os mais informados) que as eleições do Partido Democrático não serviriam para eleger delegados. Mas, mesmo assim, muitas pessoas votaram. Clinton teve 857.208 votos. Obama teve 569.041 votos. Edwards teve 248.604 votos.
1.n) Ontem na reunião do DNC Rules and Bylaws Committee foram aprovadas duas moções.
1.o) Relativamente à Florida houve uma deliberação unânime, depois do Partido Democrático da Florida ter apresentado uma proposta que ambas as candidaturas apoiaram, mesmo que não concordassem inteiramente com elas. Essa deliberação deu a Clinton 105 delegados eleitos, a Obama 67 e a Edwards 13. Os 185 delegados eleitos e os 26 superdelegados estarão na Convenção mas com uma penalização de 50%: cada um deles terá direito a meio voto.
1.p) Em Michigan a situação foi mais complicada. As candidaturas não chegaram a qualquer consenso. Enquanto a candidatura Clinton pretendia ver os seus delegados eleitos proporcionalmente ao número de votos na "eleição" (!!!) e Obama com zero (porque não estava nos boletins de voto), elegendo uncommitted delegates proporcionalmente ao número de Uncommitted votes, a candidatura de Obama pretendia que o total de delegados eleitos fosse repartido igualmente por ambas as candidaturas. O Partido Democrático de Michigan apresentou uma proposta conciliatória: 69 delegados para Clinton e 59 para Obama que se juntarão, na Convenção, a 29 superdelegados, todos com direito a meio voto (penalização igual à da Florida).
1.q) Esta proposta serviu de base à moção que foi aprovada com 18 votos a favor e 9 contra. De salientar que, dos 30 membros do Comité, 3 não votaram: dois por estarem na Presidência e outro por ser parte interessada, na medida em que representava Michigan e não podia votar nesta matéria. Foi ele que apresentou a proposta que serviu de base à moção aprovada, portanto também estaria de acordo. Depreende-se que o Presidente e a Vice-Presidente do Comité também apoiavam a moção.
1.q) Houve tumulto na sala. Os apoiantes de Clinton não gostaram e manifestaram-se ruidosa e repetidamente. Um dos membros do Comité, apoiante ferrenho de Clinton, usou termos insultuosos e provocadores e acicatou ainda mais os ânimos. Por último informou, à laia de declaração de voto, que, por instruções recebidas directamente da Senadora Clinton, reservavam o direito de levar este assunto até à Convenção, podendo apresentá-lo no Credentials Committee que, habitualmente, reúne imediatamente antes do início da Convenção para reconhecer a legitimidade de todos os delegados.
1.r) O que se irá passar ainda é uma incógnita. No último email eu defendia a ideia que os Clinton levariam esta "guerra" até à Convenção. Neste momento não estou tão certo disso. Uma das razões tem a ver com o facto de haver seus apoiantes que no Comité votaram favoravelmente a moção sobre Michigan e, expressamente, explicaram que o faziam em nome da unidade do Partido e da necessidade de estarem unidos para vencer as eleições de Novembro.
1.s) Outra das razões é o argumento político que os Clinton vão utilizar intensamente, depois das eleições de Puerto Rico de que conseguiram mais votos populares. Segundo eles, não contam os 13 Estados em que houve caucuses e contam os votos de Michigan, sendo que Obama, porque não estava nos boletins de voto, terá zero! Aos Clinton não interessa o número de delegados. Há muito tempo que sabem que nunca poderiam eleger mais do que Obama. Só têm um argumento: mais votos populares, sendo que são eles que definem o que são votos populares e contam para isso com a ajuda sempre interessada de "jornalistas" diligentes que, como sabem o que tem "interesse jornalístico", estão sempre mais interessados em mostrar o sangue a correr na estrada do que em analisar a causa que o provocou...
1.t) A conclusão política foi tirada, ainda ontem, pelos mais conceituados comentadores: o desfecho da reunião do Comité foi mais uma vitória de Obama. Como um disse, ele já ganhou no exterior (mais delegados eleitos, mais superdelegados, mais Estados, mais vitórias eleitorais, mais dinheiro por ter construído uma rede de mais de um milhão e meio de dadores que se limitam a enviar para a sua candidatura 25 ou 50 dólares) e, agora, gaha no interior do Partido, terreno em que se pensava que os Clinton ainda tinham maioria. No início deste processo eram os Clinton que pareciam controlar o Partido (começaram com uma vantagem superior a 100 superdelegados, por exemplo). Agora, é claro que o Partido e as suas estruturas internas, o chamado "aparelho", estão mais interessados em apoiar outro tipo de liderança, estão conscientes que os Clinton representam o passado e Obama e os seus apoiantes representam o futuro, os jovens, as pessoas com mais estudos, homens e mulheres de todas as raças e religiões, uma nova coligação onde cabem independentes e republicanos.
...
2. TRINITY UNITY CHURCH OF CHRIST
2.a) Na sexta-feira passada Obama enviou uma carta à sua igreja a informar que ele e Michelle deixariam de ser seus membros. O assunto manteve-se reservado até um comentador da CNN ter acesso ao documento. Ontem, em South Dakota, Obama interrompeu a sua campanha eleitoral para realizar uma conferência de imprensa em que respondeu a toda as perguntas dos jornalistas.
2.b) A Trinity Unity Church of Christ é uma igreja que, para além de seguir a tradição das igrejas negras americanas (muita paixão, muita música e espectáculo, muita intervenção, muita solidariedade, etc) entronca com o movimento, bem mais vasto, da Teologia da Libertação. Isto explica muito da crítica que se ouve em locais como este. Explica a forma como essa mensagem é expressa.
2.c) Tudo o que se passava na igreja, particularmente certos excertos de sermões, mais agressivos, com maior carga política ou racial, era utilizado para comprometer Obama e a sua candidatura que pretende ser de unidade, independentemente de raças ou religiões, de sexo ou de idade, de estatuto social ou profissional. Obama acabou por tomar a decisão certa. Em nome do projecto que diz defender e que, segundo muitos, nos quais me incluo, de facto, defende.
2.d) Para conhecer o passado de Obama, perceber o presente e prever, mesmo que com dificuldade, o futuro, penso que é necessário estudar a história dos EUA, ler alguns documentos e livros básicos, nos quais incluo os dois livros que ele próprio escreveu: Dreams from my Father e The Audacitiy of Hope (já traduzido para português, A Audácia da Esperança).
...

É o segundo email que vos escrevo hoje.
O primeiro, muito mais completo e interessante, estava concluído quando o gmail "pifou" e eu perdi todo o trabalho.
Voltei a escrever o fundamental.
Mas já não consegui reproduzir algumas ideias e expressões que me agradavam particularmente.
Não faz mal.
Sei que sabem como o abraço que vos envio é saudoso e como é bom saber que me abrem a porta dos vossos corações quando um email chega à vossa inbox.
fernando
PS: Hoje houve eleições em Puerto Rico. A Clinton, como se previa, teve uma confortável vitória. Quando houver resultados finais enviarei novo email com um ponto de situação ácerca do número de delegados necessários para ganhar a nomeação. Obama está quase a atavessar a meta. Uma coisa que talvez não saibam é que, porque Puerto Rico não é um Estado dos EUA, não vota, nem nas Primárias Republicanas, nem nas eleições gerais de Novembro próximo para eleger o próximo Presidente dos EUA.

PRESIDENCIAIS DOS EUA - 1



Um amigo meu, Carlos P., tem um amigo que vive na Flórida, é apoiante confesso de Obama e resolveu acompanhar estas presidenciais dos States pari passu, enviando acerca da matéria news para os filhos e amigos mais próximos dele.
O Carlos, palpitando-lhe acertadamente (ou não me conhecesse bem desde os idos de 60 do século passado), tem-me mandado as reportagens do Fernando (que se é amigo dele – é por força meu amigo também).
Senti-me tentado, desde o primeiro bloco de notícias que recebi, a partilhá-la com outros amigos que têm a pachorra de me aturar (ler, que ainda é pior).
Mas senti em mim um certo engulho, achei que seria um certo atrevimento, sem cuidar de saber se o Carlos se não importava com a divulgação e, mais ainda, se o Fernando estaria com ela de acordo, sem me nomear “procurador” ou “porta-voz”...
Aquilo que, lateralmente, me poderia incomodar mais, resolvi não lhe dar importância: o acontecimento e a narração merecem muito maior divulgação do que aquela que os meus pobres blogues conseguem alcançar. Não é, por isso, a melhor montra para tão delicado e importante produto, a minha.
Mas ofereço o que tenho. E isso faz-me sentir bem comigo mesmo.
Acerca da (digamos) legitimidade ou, se se preferir, do melindre que atrás deixei entender, um dos mails do Fernando, de hoje (que sairá, aqui, amanhã), deixou a questão bem clara. E aí, atirei-me.

Para os interessados... Aí vai para o éter...

Três notas preliminares:
1. Mesmo os que acompanham, cá, esta matéria com algum interesse e atenção, ganham algo com esta informação, estou em crer.
2. O próprio Fernando reconhece que são um pouco longas as suas mensagens.
Mas só quem não mete as mãos em massa desta imagina ser possível ser mais breve e sintético.
3. Escolho o N&R para esta divulação por vários motivos: é o meu blogue mais visitado (e daí, talvez, o mais lido). Além de que se trata de um acontecimento importante, uma efeméride registável, num processo de grande importância para o mundo, uma nota e uma reflexão que me apraz registar com um especial relevo. Aquele que, em geral, caracteriza o N&R. Ou não será, mesmo, uma MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA?









Barack Obama



Obama News - 20080529 -

Faltam 5 dias para

acabarem as Primárias!?...



Caros amigos,
Faço questão de vos enviar esta mensagem (um pouco longa) de forma a que a possam receber na 6ª feira, dia 30 de Maio, um dia antes da reunião que decidirá o que fazer com os delegados de Michigan e da Florida, dois dias antes das eleições em Puerto Rico e quatro dias antes das últimas eleições das Primárias Democráticas 2008 (em Montana e South Dakota).Com base na informação que vos envio poderão ficar habilitados para melhor perceber as notícias que aí chegarão.
...


1. QUANTO TEMPO FALTA PARA SE DECIDIR QUEM É O NOMEADO?
5 dias!?...
! quer dizer "enfim podemos concentrar-nos nas eleições de 4 de Novembro!"...
? quer dizer "talvez não seja desta, ou não é verdade que os Clinton nunca desistem?"...
... quer dizer "a realidade, como vos disse na última mensagem enviada (partidos políticos nos EUA), ultrapassa sempre a imaginação"...





Há quem diga que tudo isto estará terminado até meados de Junho, depois de se saber a posição de todos os superdelegados (que, por sua vez, estão à espera que se realizem as 3 eleições em falta e se decida o processo relativo às delegações de Michigan e Florida).




Há quem pense (é o meu caso) que, muito provavelmente, este processo será levado até à Convenção porque os Clinton dirão que, até lá, "pode acontecer qualquer coisa". Esta "qualquer coisa" pode incluir o fim físico de Obama (tal como aconteceu a Robert Kennedy), ou a mudança de opinião dos superdelegados por alguma razão (sondagens entretanto publicadas que suportem a tese da maior elegibilidade da Clinton, por exemplo). Poderei estar enganado. Só o futuro se encarregará de esclarecer quem tem razão.
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2. PRÓXIMOS ACTOS ELEITORAIS
No domingo, dia 1 de Junho, e na terça-feira, dia 3, realizam-se os últimos actos eleitorais das Primárias Democráticas 2008.
No dia 1 vota-se em Puerto Rico para eleger 55 delegados. Prevê-se uma vitória da Hillary Clinton.
No dia 3 vota-se em South Dakota (15 delegados) e Montana (16 delegados). Prevêem-se duas vitórias de Obama.
No conjunto dos 3 actos eleitorais serão eleitos 86 delegados. Prevejo que a Clinton possa eleger 44 a 46 e o Obama 42 a 40.
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3. OS CASOS DE MICHIGAN E DA FLORIDA
3.1.
No sábado, dia 31 de Maio, realiza-se uma reunião da Direcção do Partido Democrático (digo isto para facilitar porque, quem vai reunir, é o chamado The Rules and Bylaws Committee of the Democratic Party) para decidir (!?) como "sentar" as delegações da Florida e de Michigan na Convenção de Agosto. Como se sabe, por razões de calendário e de divergência com os governos de ambos os Estados (democrático em Michigan e republicano na Florida), não houve campanha eleitoral do Partido Democrático nestes 2 Estados e ficou decidido, como já aconteceu em Primárias anteriores, que estes Estados seriam penalizados: só contariam com metade dos delegados e estes seriam repartidos igualmente pelas candidaturas existentes à data da Convenção. Em Michigan (15 de Janeiro), os boletins de voto tinham a Clinton e não tinham qualquer dos outros candidatos do Partido Democrático. Na Florida (29 de Janeiro), os boletins de voto tinham a Clinton, o Obama e outros.

3.2.
As regras do Partido, aceites por todos os candidatos antes de se iniciarem as Primárias, foram as seguintes: cada delegação contaria com metade dos delegados inicialmente previstos, que seriam repartidos igualmente por ambas as candidaturas. Isto é, esta repartição de delegados não alteraria as maiorias de delegados eleitos e de superdelegados que Obama já tem e, portanto, ele poderia ser considerado, logo que terminassem as Primárias e logo que conseguisse uma maioria absoluta de delegados, o presumível nomeado pela Convenção.
3.3.
Esta solução não agrada aos Clinton (se ela tivesse maioria de delegados agradaria, claro!).
Eles propõem que:
a) as delegações dos 2 Estados contem com o número de delegados previsto: 185 da Florida e 128 de Michigan;
b) que a delegação da Florida seja repartida pelas 2 candidaturas de acordo com os votos que tiveram em 29 de Janeiro (cerca de 60% para a Clinton e 40% para o Obama);
c) que a delegação de Michigan só tenha delegados da Clinton, porque "não têm culpa que Obama tenha retirado o seu nome dos boletins de voto".
Se esta proposta fosse aprovada a Clinton teria os 128 delegados de Michigan e cerca de 111 da Florida (total: 239) e o Obama teria zero delegados de Michigan e cerca de 74 da Florida. Se isto acontecesse, a Clinton conseguiria uma vantagem de 165 delegados nestes 2 Estados. Esta proposta nunca poderá ser aceite na reunião de sábado, nem em qualquer outra reunião, por razões óbvias. Mas, mesmo que fosse, não daria à Clinton a maioria que tanto ambiciona. Pode perguntar-se, legitimamente, porquê tanta insistência, tanta teimosia em torno deste assunto. A verdadeira razão está no chamado Plano B da candidatura Clinton, de que falo mais abaixo.
3.4.

A candidatura de Obama tem reafirmado o seu respeito pelas regras previamente definidas. Estarão, no entanto, dispostos a aceitar que a Clinton possa ter mais delegados na Florida, enquanto os de Michigan serão repartidos por ambas as candidaturas.
3.5.
Ainda poderá dar-se o caso de haver uma nova votação nestes Estados ou, pelo menos, em Michigan. Parece que esta hipótese é pouco provável, pelo que significa de custo para ambas as candidaturas e para o Partido, porque só tem sido apoiada pela candidatura Clinton e porque, representando um desrespeito por regras anteriormente aceites, pode passar a ser um precedente que no futuro poderá vir a ser utilizado para descridibilizar completamente as Primárias do Partido Democrático.
3.6.
Face a tudo isto, prevejo que esta "guerra" entre as 2 candidaturas se mantenha até à Convenção. Para grande alívio e satisfação do Partido Republicano e de McCain. E cumprindo-se assim o chamado "Plano B" da candidatura Clinton: tudo fazer para enfraquecer Obama e permitir uma vitória de McCain em 2008; conseguindo criar condições para, em 2012, aparecer como "candidata para vencer", contrariamente a Obama (que terá sido o "candidato para perder"). Se algum de vós pensa que tudo isto é demasiado maquiavélico, leiam o próprio por favor e recordem-se de tantos casos a que assistimos em várias partes do mundo, nomeadamente no nosso país, nos nossos partidos, nas nossas empresas...
3.7.

Um dos problemas de Obama é conseguir manter o Partido unido em torno da sua candidatura para tentar vencer as eleições de 4 de Novembro. Se não o conseguir e se não mobilizar o voto de independentes e de republicanos descontentes, não vencerá. Embora seja difícil imaginar uma vitória "republicana" depois deste miserável reinado bushiano.
3.8.
Uma guerra com que a maioria (agora) discorda, uma crise económica gravíssima, o maior desemprego das últimas décadas, um fosso cada vez maior entre os mais poderosos e ricos e os mais desprotegidos e pobres (falando-se em 35 milhões a viver abaixo do limiar da pobreza), um sistema de saúde que deixa 40 milhões de fora e obriga os outros a pagar, dois sistemas de ensino que agravam as diferenças e promovem mais educação para quem tem dinheiro para isso, uma dependência do petróleo que a curto prazo não será possível reduzir, um crescente número de pessoas que não tem possibilidade de amortizar os empréstimos para compra de casa ou para os filhos estudarem e, ainda, suportar os aumentos do preço da gasolina e a inflacção a atingir, principalmente, os produtos alimentares.
3.9.

McCain conta com o argumento da guerra. E, principalmente, com o reinado do medo e da ignorância que, lamentavelmente, tem servido de suporte social à continuação do "sistema". Conta, também, com os complexos de quem não consegue criticar o que quer que seja que venha do poder, para não ser acusado de traidor ou anti-patriota. A "propaganda" da inevitabilidade de uma guerra "não necessária" começa a ser denunciada, inclusivamente por pessoas que estiveram dentro do processo, como é o caso do ex-Secretário de Imprensa da Casa Branca, McClellan, no livro que acaba de publicar (e que está a agitar os meios políticos cá do sítio) chamado "What Happened" (o que aconteceu). Até os "media" começam agora, timidamente, a reconhecer que "colaboraram" nas manobras que terminaram com a invasão do Iraque, por receio de serem confundidos com terroristas...
3.10.

A questão da unidade do Partido Democrático em torno de uma candidatura não existe, neste momento, para os Clinton. Sabem que não serão os nomeados. Por isso, não precisam de trabalhar ou se incomodar pela unidade em torno do nomeado. Dá-lhes jeito, até, um partido dividido que facilite a vitória de McCain. E terão tempo, pensam eles, para reparar os danos e conseguirem, dentro de 4 anos, uma nova unidade em torno da sua própria candidatura. Claro que não farão isto às claras. Em matéria de escuridão intelectual e política, desde que a política existe, sempre houve especialistas...
...
4. PONTO DE SITUAÇÃO
Se considerarmos as regras aprovadas, Obama tem, neste momento, quase assegurada a maioria absoluta necessária para ser o nomeado na Convenção.
Conta com um total de 1983 delegados, contra 1784 (menos 199) da Clinton e 8 de Edwards.
Se não tiver o apoio expresso de mais superdelegados nos próximos dias (o que não é provável) e se eleger 42 delegados nas 3 eleições que faltam, passará a ter 2025 delegados (a maioria absoluta, de acordo com as regras aprovadas). Se as regras mudarem precisará de mais uns quantos.
Mas falta ainda conhecer a decisão de 188 superdelegados. Consta que, destes, uma larga maioria declarará o seu apoio a Obama depois do dia 3 de Junho, terminadas que estarão as Primárias. Em princípio o assunto ficaria arrumado e entrava-se a sério na campanha eleitoral que oporá Obama e McCain.
Na próxima semana saber-se-á com mais rigor o que se irá passar:
a) Poderá haver um presumível nomeado desde já, sem contestação.
b) Poderá haver um presumível nomeado, com a contestação dos Clinton e seus apoiantes mais inflamados.
c) Poderá haver recursos em tribunal, ameaças, sondagens, discursos, debates, acusações, insinuações, mentiras e outras coisas que façam eternizar a situação (até à Convenção), seja ela qual for.
Tudo isto com o Partido Republicano a tentar juntar forças (muito enfranquecidas, por sinal) em torno do seu candidato e os seus propagandistas (canais de televisão, rádios locais, profissionais da política, alguns jornalistas, comentadores encartados,...) a apoiarem (!!), cinicamente e sem escrúpulos, a senadora...
...
Um abraço para todos.
Boa noite e boa sorte.
fernando
...
PS: Envio um link interessante. Foi divulgado hoje no site do Obama. Chama-se Movement Buttons for Obama.
http://my.barackobama.com/page/community/post/HQblog/gGB4qh



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