sábado, junho 07, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA – 6

telégrafo



Por mais que lhes custe aceitar os respectivos fundamentos, por mais que pretendam negar a intenção de qualquer aproveitamento ou perturbação, os democratas apoiantes de H Clinton têm de compreender que Obama não pode aceitar a partilha da Casa Branca com a sua companheira de partido, sem risco de a sua candidatura se esvaziar e perder sentido. Ou, no mínimo, ficar tremendamente fragilizada.
Também entre nós, nos últimos dias, os jornalistas, politólogos e outros colunistas têm sustentado mais ou menos a mesma posição.
Não faço ideia do que terão negociado Barak e Hillary, em casa da senadora Dianne Feinstein, apoiante de H Clinton, que os deixou “sozinhos com algumas garrafas de água e dois sofás confortáveis”, mas, finalmente, um telegrama do Diário Digital/Lusa, desta tarde (18:25:00) informava que a candidata democrata suspendera a sua campanha, felicitando e dando todo o seu apoio a Obama. Mais afirmou a senadora candidata, que solicitara o encontro: «temos de colocar a nossa energia, a nossa paixão e as nossas forças para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para eleger Barack Obama, o futuro presidente dos EUA».

Mas, acerca dessa hipotética (e desejada por Clinton e seus apoiantes) vice-presidência, melhor é dar, de novo, a palavra ao nosso especial correspondente, Fernando, que há dias mandou uma mensagem versando essa matéria.
Hesitei em publicar o teor desse mail. Mas dado que o próprio Fernando, apesar de todas as reservas e cautelas que enumera, não receia expor-se (até porque é o que ele tem feito através das suas crónicas que sabe estarem cada vez mais no domínio público – ele próprio o referiu e aceitou), e decidiu deixar nas “Obama News” as sua reflexões de carácter mais pessoal, então achei oportuno (em concordância com um amigo comum, meu e do Fernando, através de quem recebo a informação que no n&r tenho deixado a partir de certa altura) deixar aqui a avaliação de uma pessoa que vive, in loco, este acontecimento de uma forma muito activa e participativa. Afinal o testemunho de um residente que se embrenhou, a fundo, nesta campanha, com empenho, com vigor, com garra e que nos conta a sua experiência, a sua opção e o porquê da mesma, os seus sonhos, a sua análise, a sua esperança, a sua ânsia apaixonada por uma nobre e digna causa.

Seguem, finalmente, os textos:


Obama News
- 20080602 –

Vice-Presidente?!...


Caros amigos,
Um de vós pediu-me para escrever sobre a hipótese Clinton a Vice-Presidente.
Não é solução que me agrade.
Mas não sou eu que decido.
Como não é fácil explicar, segue em anexo um texto com algumas considerações...
Um abraço,
Fernando




Clinton Vice-Presidente?


Caros amigos,

1

Há umas semanas atrás um de vós enviou-me um email com perguntas de carácter pessoal do tipo: Se, por alguma razão que não vem ao caso, a Clinton for nomeada pela Convenção como a candidata do Partido Democrático às eleições de Novembro, participarás na Campanha? Votarás nela?... E acrescentou, “certamente compreenderás porque te coloco estas (e outras) questões”.
Respondi-lhe, com a minha sinceridade de sempre. E disse-lhe que, daquela vez, não enviaria a resposta para o universo habitual das minhas Obama News. Eram opiniões muito pessoais, porventura carregadas com alguma imponderada subjectividade, emoção e, até, agressividade, que talvez não fosse correcto enviar para todos, pelo menos naquele momento.
A campanha das Primárias é longa e dura e o Obama tem sido vergastado, não só pelos meios mais conservadores e pelo Partido Republicano, o que era expectável, mas também, por vezes, dentro da própria candidatura dos Clinton (uso o plural por razões óbvias) pela candidata, ela própria, e, mais até, pelo marido que, em inúmeras ocasiões, mais parece estar a fazer a sua própria campanha eleitoral do que a participar na da sua mulher.
Desde o início da campanha que decidi tomar partido e participar num movimento que, penso, é necessário para os EUA e para o mundo. Não sou neutro. Nunca fui. Mas, simultaneamente, tenho sempre procurado ser objectivo e honesto nas informações que vos envio.
A razão fundamental porque não enviei a minha resposta para todos tinha a ver com as minhas emoções e com o receio de não ser compreendido a esse nível. Estava a falar de mim, de dentro de mim, não reflectindo a posição pública que poderia vir a tomar, mas apenas o meu instinto e a minha inteligência, as minhas forças e os meus desejos.
Na Política, como na vida, temos, por vezes, de ceder, de conceder, de decidir diferente do que queremos decidir. Principalmente quando o que interessa não é este, ou aquele, ou cada um de nós, ou a afirmação das nossas opiniões, mas os outros, uma nação, um país, ou o mundo. O que respondi ao meu amigo era o que me ia na alma…

2

Hoje recebi outro email, de outro amigo, a pedir-me que falasse da hipótese Clinton como Vice-Presidente do Obama.
Respondi pedindo uns dias para reflectir.
Para observarmos o que se irá passar amanhã, terminadas as Primárias, noite dentro, quando aí já o sol tiver nascido e aqui ainda se estiverem a contar votos e a arrumar bandeiras e cartazes. Não se esqueçam que Montana fica na costa oeste e South Dakota quase lá e que a diferença de horas para Portugal não é de 5, como daqui da Florida, mas de 8…
Para verificarmos as reacções, principalmente, dos candidatos, as suas atitudes e discursos, as suas eventuais propostas ou silêncios.
Para contarmos os super delegados que definirão a composição da Convenção e a respectiva correlação de forças e que, até agora, ainda não se definiram.
Mas também para “me defender”, para não arriscar prognósticos ou opiniões, porventura errados, ou que ferissem a sensibilidade “política” de cada um de vós.

3
Tenho andado todo o dia a magicar nisto.
Decidi enviar-vos, desde já algumas reflexões.

4

A candidatura dos Clinton começou mal porque foi mal preparada, mal dirigida, mal coordenada e mal programada.
Tudo isto tem a ver, não com incompetências ou falta de experiência política, mas com uma atitude, baseada em paradigmas, que lhes obliterou a visão e lhes fez perder a perspectiva de um país em sofrimento e a ansiar por uma mudança que eles não estavam capazes de oferecer.
O país do trabalho e da inteligência não queria mudar as moscas, não queria tirar um por ser vermelho e pôr lá uma que era azul, não queria a guerra em vez da diplomacia, não queria promessas sem mudar o poder dos lóbis, não queria as mesmas famílias de sempre e todo o seu poder e arrogância, não queria coroar uma presidente, queria eleger um Presidente. Desta vez iria ser diferente.
Os Clinton só perceberam isso muito tarde.
O discurso dela era centrado no “EU”. EU sou a melhor. EU é que tenho experiência. EU é que sei de saúde. EU é que tenho propostas e soluções. EU farei história porque EU sou mulher…
Foi assim que começou a perder.
O discurso dele começou de mansinho. “Toda a minha vida sonhei votar num Presidente que fosse mulher ou afro-americano. Agora estou nesta situação…” As pessoas até gostaram, até acharam bem; ele que até tinha sido chamado, um dia, graciosamente, num encontro com a comunidade afro-americana, “o primeiro presidente preto dos EUA”…
Obama falava de nós e para nós. Esperança Para Mudar… acabar com a guerra… Esperança Para Mudar… resolver os problemas da economia… Esperança Para Mudar… acabar com a crise da habitação… Esperança Para Mudar… cuidados de saúde para todos… Esperança Para Mudar… melhorar o ensino e a educação… Esperança Para Mudar… alterar a política externa, usar a diplomacia… Esperança Para Mudar… lutar contra o racismo e todas as formas de exclusão… Esperança Para Mudar… mudar Washington DC…
Quando Obama ganhou o primeiro acto eleitoral, no dia 3 de Janeiro, em Iwoa, um Estado de larga maioria branca, um Estado do centro do país, um Estado que oscila entre ter maioria republicana ou democrata (swing State), a comunidade afro-americana percebeu que Obama poderia ganhar. A América percebeu que poderia ganhar. Não era só discurso. Entrava dentro das pessoas, de qualquer raça, de qualquer idade. Falava de esperança e de mudança. Num país em que os sucessivos poderes têm querido que impere o medo e a guerra. A esperança contra o medo. A mudança contra a desgraça. A diplomacia contra a guerra.
No mês de Janeiro sucederam-se os desastres da candidatura Clinton. Depois da derrota em Iwoa (3 de Janeiro), um empate técnico em New Hampshire (8 de Janeiro) mas que deu mais delegados a Obama, uma vitória em Nevada (19 de Janeiro) que não deu para aquecer, porque, de seguida, sofreram uma profundíssima (e decisiva) derrota em South Carolina (26 de Janeiro).
Nada disto importava. Porque, dizia-se, depois da super terça-feira (a super Tuesday, em 5 de Fevereiro), a Clinton poderia cantar vitória. Seria a previsível nomeada! Poderia reforçar o sonho de vir a ser coroada!
Quando os resultados da super Tuesday começaram a chegar confirmou-se o terramoto eleitoral a deitar por terra ambições pessoais que não permitiram avaliar, previamente, a situação: Obama tinha mais delegados, mais vitórias eleitorais, mais Estados, mais votos… só não tinha mais super delegados (o aparelho ainda estava, aparentemente, sob controlo da família Clinton)…
O discurso do EU manteve-se, a agressividade relativamente a Obama aumentou, o Clinton começou por jogar a cartada da raça, a candidatura jogou a da igreja e do reverendo Wright. Finalmente a Clinton jogou com o medo. Havia eleições em Ohio. Dois dias antes, lançava um anúncio em que mostrava crianças a dormir e a brincar, uma explosão nuclear e uma voz a dizer que, para evitar isso, era preciso um presidente que tomasse a decisão certa quando recebesse uma chamada telefónica às 3 da manhã. Ficou conhecido como o telefonema das 3 da manhã, acerca do qual já se contaram as mais diversas histórias e anedotas.
Tudo isto acabou no dia 6 de Maio, em que a Clinton ganhou Indiana, com uma curtíssima margem, com o apoio e o voto de republicanos e perdeu rotundamente em North Carolina.
Aí perceberam que era tarde. De facto era.

5

Se conto isto é para que se perceba que durante estes 5 meses aconteceu, todos os dias, muita coisa.
Limitei-me a referir pormenores…

6

No campo do Partido Democrático há feridas por sarar. Não as provocadas pelo adversário político comum. As outras. As que mais doem. As que têm origem nos companheiros de jornada. Sabemos como custam.
Não há grandes diferenças entre os programas económicos das duas candidaturas. Embora a Clinton tenha votado de forma a permitir a Bush a invasão do Iraque e de Obama se ter oposto a essa guerra, desde a primeira hora, as propostas de retirada do Iraque não são muito diferentes. Em matéria de política externa há diferenças: as mesmas que têm a ver com a utilização da diplomacia para manter o policiamento do mundo, ou a de uma diplomacia activa para encontrar soluções políticas e não militares. Em matéria de programa de saúde há pequenas diferenças: um projecto mais realista por parte de Obama e outro mais despesista por parte da Clinton. etc.
A maior diferença está na personalidade dos dois candidatos e no seu projecto global. Obama tem uma visão universalista e defende uma mudança radical na forma de fazer política, não permitindo que os lóbis e grandes interesses continuem a dominar o poder político em Washington DC. Clinton tem uma visão mais agarrada à América tradicional e uma grande experiência com os lóbis e interesses. Obama fala de nós, Yes WE can! Clinton fala dela, I am the best!
Como conciliar, se necessário, estas duas figuras políticas? Como impedir que o ex-Presidente se instale nos corredores das imediações da Sala Oval que ele, aliás, tão bem conhece?
É um assunto que tem de ser analisado por cada uma das candidaturas mas que, decididamente, finalizadas as eleições e sabidos os resultados, tem de ser discutido entre os dois candidatos a candidato: Obama e Clinton.
Até lá é preciso saber se a Clinton aceita uma minoria e cumprimenta o presumível vencedor, ou se vai manter o combate até à Convenção. É preciso reconhecer que haverá pressões dentro do Partido, principalmente das figuras mais cotadas e dos voluntários das candidaturas que, durante estes meses, deram o corpo ao manifesto. É preciso avaliar outras hipóteses (a Clinton poderá não vir a ser a Vice-Presidente mas ser nomeada para o Supremo Tribunal, um dos problemas mais importantes, depois da guerra do Iraque e da crise económica; poderá continuar Senadora; poderá ser membro do Governo; Embaixadora; etc).


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Na minha opinião há dois dilemas.
A Clinton terá de decidir: 1) se quer optar por uma solução negociada com Obama, ou 2) se quer fazer tudo para cumprir o chamado Plano B (esperar por uma derrota eleitoral de Obama em Novembro próximo, para aparecer como a grande candidata do Partido Democrático daqui a 4 anos).
O Obama terá de decidir: 1) se convida Clinton para Vice-Presidente e em que condições (houve um conhecido comentador que afirmou que, nesse caso, o Obama precisava de contratar um “provador”, à boa maneira de tempos passados) e se mantem o seu programa de mudança, ou 2) se terá de fazer concessões nesta matéria em nome da unidade do Partido e da necessidade de derrotar McCain em Novembro.


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Se a Clinton decidir levar tudo isto até à Convenção e lutar por ser a nomeada, com o argumento de que teve mais votos populares (o que pode ser mentira ou verdade, conforme eles forem contados, como provarei no final das Primarias) e porque é “mais elegível” que Obama, tudo isto estará em causa.
Se a “guerra” for até à Convenção, como o Partido Republicano deseja, poderemos estar perante uma situação interessante e dramática: depois do pior Presidente dos EUA (popularidade pouco superior a 25%), de uma guerra não desejada (mais de 60% dos americanos contra), de uma sondagem (hoje divulgada) que mostra que 70% (!!!) dos americanos é por uma nova política externa que privilegie a diplomacia, de uma crise económica à beira da recessão, do maior desemprego das últimas décadas, de uma crise imobiliária sem memória, de uma situação desgraçada no sistema de ensino, de um aumento de 300% no preço da gasolina nos últimos 3 anos, depois disto e muito mais… as divisões dentro do Partido Democrático, mais o racismo e a intolerância, tudo somado à ignorância e à tradicional fraquíssima participação popular em todos os actos eleitorais nos EUA, poderão dar a vitória a McCain!


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Shame on us! Tenhamos vergonha!


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Boa noite e boa sorte!
fernando

PS: Aqui passa das 2 horas da manhã do dia 3 de Junho, dia em que terminam as Primárias; aí passa das 7 e, provavelmente, muitos de vós já estão a pé e a trabalhar…

Bom dia e boa sorte!
fernando

sexta-feira, junho 06, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA – 5

internet: visualização gráfica de várias rotas

Há dias, ao divulgar entre alguns amigos estes posts, referia-lhes a tragédia que repetidamente se vem anunciando como possível. A velha história dos fins e dos meios, afinal.
E acrescentava: Não estou precipitada e antecipadamente a ungir o candidato!... Mas há algo de diferente que está a acontecer. Ou prestes a acontecer.
Pode não ser ainda desta. Ou a ser, pode não corresponder, inteiramente, às expectativas...
Mas se não for desta... Algum dia terá de ser. É impossível que assim não seja.

Pois bem, as crónicas do nosso amigo e especial correspondente, Fernando – a de hoje, particularmente – são entusiastas, apaixonadas, de um optimismo contagiante, de uma felicidade de que não é possível duvidar.

Tudo muito mais susceptível de impressionar os generosos e enormes corações mais jovens.
Os mais velhos estamos mais reticentes, mais (ansiosamente) expectantes. Já somamos maior número de esperanças convertidas em desilusões. Achamos tudo demasiado bom para podermos acreditar. Mas queremos acreditar. Sabemos (esperamos, militantemente e com grande certeza de concretização) que um dia acontecerá.
Não tenho procuração dos mais idosos. Falo por mim, imaginando que o mesmo se passa com alguns outros rapazes e moças da minha idade.



Bom, mas importantes, mesmo, não são as minhas considerações. São as palavras do Fernando.
Essas, sim, merecem ser saboreadas, analisadas, pesadas.
Aí ficam:




Obama News - 20080606 -
No aniversário do assassinato de
Robert Kennedy



CHANGE
WE CAN BELIEVE IN
Caros amigos,
Recebi hoje um email de uma de vós.
...
VIVA O OBAMA!
Só hoje arranjei um bocadinho para ir ao correio electrónico. Estou tão feliz que nem caibo em mim. Imagino como tu estarás.
Ele escreve sempre e-mails para os seus apoiantes ?
...
Respondi assim.
...
Não te passa pela cabeça o que tem sido esta experiência.
Muitas pessoas não se aperceberam, nem se apercebem, da profundidade do movimento que a candidatura Obama criou e desenvolve.
...
A utilização da internet fez, desde o primeiro momento, parte desta revolução. O próprio Obama já confessou que os resultados excederam as expectativas. O site da candidatura é exemplar, um case-study que já está a ser estudado nas melhores universidades americanas. Toda a candidatura, desde que foi preparada e lançada, tem sido analisada e acompanhada por especialistas de gestão e motivação, sociólogos, professores universitários. Foram dos primeiros a aperceber-se que alguma coisa de novo estava a acontecer na vida política americana que se irá repercutir a nível mundial. Não mais haverá o mesmo tipo de campanhas, em Portugal, como no Japão, na África do Sul, como na Austrália, no Brasil, como no Canadá. Agora começa-se a falar disso nos media. As pessoas mais atentas ficam ainda mais atentas.
...
Para além disso, ele tem uma personalidade especial. É um tipo de líder diferente de outros, porventura, por ser o produto de uma mistura de raças e passados, por ter crescido de baixo para cima (à conta do seu próprio esforço e do apoio da mãe e dos avós maternos), por ter recebido lições de honestidade, amor e esperança da sua família, por ter sentido as dificuldades das classes médias-baixa da sociedade americana, por ter frequentado as melhores universidades com empréstimos do Estado e ter começado a sua carreira a pagar esses empréstimos, por ter conseguido alguma liberdade financeira apenas quando publicou os dois livros de sucesso sobre a sua experiência, por ter encontrado a fé (já adulto) quando trabalhava junto dos mais desfavorecidos numa Chicago de fome, desemprego, violência e drogas,...
...
Obama fala para as pessoas e por dentro das pessoas. Fala ao mesmo tempo de dentro de cada pessoa. Ele quer trabalhar para ajudar a realizar os sonhos de cada pessoa, não os seus próprios sonhos. Ele quer ser Presidente para ajudar a resolver os problemas das pessoas, não os seus próprios problemas. E a mensagem funciona porque as pessoas acreditam na sinceridade e honestidade do seu autor. Há uma partilha de responsabilidades, de poder, de decisão, de vontade, de conquista. Ele não ataca os seus adversários políticos pelo que são ou deixam de ser, mas pelas propostas que apresentam e pelas ideias que divulgam e, simultaneamente, é capaz de os elogiar como pessoas, como permanentemente faz com McCain e com Clinton.
...
A mensagem da candidatura de Hillary Clinton era HILLARY CLINTON (em letras muito grandes) for President (em letras muito pequenas). A mensagem de McCain era JOHN McCAIN (em letras grandes) for President. A mensagem de Obama era e é CHANGE - BELIEVE IN. Daí nasceu a canção que é um hino: YES, WE CAN!Agora, todos tentam copiá-lo... A Clinton tentou, Yes, We Will! (mas soava a falsete)... A última mensagem de McCain é A Leader We Can Believe In (foi lançada na noite de 3 de Junho numa sala em que, dos presentes, ele era um dos mais jovens)... Ao atravessar na diagonal a muito complexa sociedade americana, a candidatura de Obama atinge todos com a marca da qualidade, da inovação, da esperança. Os jovens percebem. Os mais cultos percebem. Os outros vão, crescentemente, percebendo.
...
Um dos aspectos que poderá contribuir para mudar o mapa eleitoral americano é o da participação nestas eleições de milhões de pessoas que nunca votaram. Aqui a inscrição nos cadernos eleitorais não é obrigatória. Tenho andado a tentar recolher dados. Não estou certo ainda. Mas talvez haja 50 milhões de pessoas (mais ou menos 10% ou 20%) que têm capacidade para votar e não estão inscritos nos cadernos eleitorais! Desde que as Primárias começaram as candidaturas da Clinton e do Obama conseguiram mais de 3 milhões e meio de novos eleitores com acções como as que descrevi e em que participei (e vou continuar a participar). Vamos para a rua em grupos de 3 ou 4 e falamos com as pessoas. Perguntamos se estão inscritos, se querem votar pela primeira vez, ajudamo-las a preencher a papelada, oferemos um pin ou um auto-colante, um sorriso. Recebemos negas e fugas, críticas e desesperanças, mas também apoio e sorrisos, largos sorrisos de pessoas que já estão connosco e de outras que prometem passar a estar. Há muita gente, mesmo aqui, que ainda não percebeu o que se está a passar. Em anteriores eleições, houve Estados em que a diferença de votos entre Republicanos e Democratas foi de 2 ou 3 pontos percentuais. Al Gore teve mais 500 mil votos que Bush e não ganhou. Mas nós vamos colocar no processo milhões de novos eleitores, enquanto falamos para dentro de cada um dos eleitores tradicionais. Água mole...
...
Tanta coisa há ainda por dizer... Este próximo sábado e o outro e o outro e outros lá andarei pelas esquinas destas cidades e campos a espalhar a mensagem de que falava Daniel Filipe!... Podem colar cartazes a dizer "Procura-se... Vivo ou morto..." Desta vez é o nosso tempo. It's our time!... como tem dito Obama, repetidamente, e como inicia o email que enviou para os seus apoiantes.
...
Um abração,
fernando
...
PS: Há uma permanente comunicação dentro da campanha. Os emails são dirigidos a cada pessoa com o seu nome e assinados pelo Obama, pela Michelle, ou por um dos seus colaboradores mais directos. Para além disso, dentro do site (www.barackobama.com) há um enorme conjunto de informação e portas abertas para a participação de quem quer que seja. Qualquer pessoa pode criar o seu próprio blog ou o seu próprio grupo. Cada pessoa (desde que devidamente inscrita) pode participar nos outros blogs, nos outros grupos. Telefonamos de Estado para Estado. Recebemos telefonemas. Pela primeira vez na vida política americana, uma candidatura publica a lista dos seus apoiantes e permite que interajam, que acrescentem valor ao valor que já existe!
...
fernando


terça-feira, junho 03, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 4

telefonia (1936)



Do nosso especial “correspondente”, Fernando, que vive no Estado da Florida, EU, veio hoje um novo mail.
Dele vos deixo aqui transcrição. Como do mail que lhe foi enviado pelo Director da Campanha Obama for America. Mas desta mensagem deixo apenas a parte noticiosa, que nos pode interessar, não transcrevendo alguns links que só têm um interesse local (relacionados com contributos monetários para a campanha – donations ).
Desta vez o assunto do mail não é o habitual (Obama News), mas um sintomático


Almost there


imagem Wikipedia

Caros amigos,
Está "todo o mundo" à espera do discurso desta noite do Senador Barack Obama em que ele anunciará que ultrapassou o número necessário de delegados (2118) que lhe permitirá ser nomeado pela Convenção de Agosto como o candidato do Partido Democrático às eleições presidenciais de 4 de Novembro.
Ele vai pronunciá-lo no mesmo local em que o Partido Republicano irá realizar a sua Convenção. É mais um acto carregado de simbolismo, para mostrar que no território dos EUA não há mais lugares a feudos. A sua campanha está a actuar nos 50 Estados e, em cada Estado, lutará, voto a voto, para eleger o maior número possível de representantes no Colégio Eleitoral que, finalmente, elegerá o futuro Presidente dos EUA.
Consta que a Senadora Hillary Clinton ainda não vai aceitar hoje a vitória de Obama. Fá-lo-á nas próximas horas ou dias (hipótese 1), ou anunciará a suspensão da sua campanha até à Convenção (hipótese 2) considerando que haverá delegados que entretanto podem mudar de opinião, ou aguardará conversações com Obama para posteriormente tomar uma decisão (hipótese 3), etc. Compreendemos. A família política a que pertence não está habituada a situações destas...
Como exemplo de como a candidatura Obama funciona, reenvio o email acabado de receber do seu Director da Campanha
Obama for America, David Plouffe.
E, como os números estão sempre a mudar (à medida que mais e mais super delegados apoiam Obama), neste momento, faltam-lhe apenas 30 delegados para conseguir a maioria absoluta...
São 14h22m na Florida, onde me encontro, menos 3 horas que em Montana, e mais cinco do que em Portugal.
Um abraço,
fernando



---------- Forwarded message ----------
From: David Plouffe
Date: Tue, Jun 3, 2008 at 1:51 PM


Fernando --
It's hard to believe, but the last two contests of the Democratic primary are happening right now.
Voters in Montana and South Dakota are heading to the polls and casting the final ballots in this long race.
There have also been some big developments over the past few days.
On Saturday, the Rules and Bylaws Committee of the Democratic National Committee agreed to a fair solution to allow Florida and Michigan to participate in the national convention in August. Barack gained a total of 68 delegates from Florida and Michigan combined.
We will need 2,118 delegates to secure the nomination, and we're closing in fast -- we're less than 40 delegates away. There are 31 total delegates at stake in today's contests, and a good showing in Montana and South Dakota should take us another big step closer to the magic number.
Make sure to tune in to watch Barack's speech tonight. The last polls will close at 8:00 p.m. MDT (10:00 p.m. EDT).
Thanks, and we'll keep you posted,
David
David Plouffe
Campaign Manager
Obama for America

P.S. -- Today is our last Election Day until November, and you can help Get Out The Vote by calling folks in South Dakota and reminding them to get to the polls.

segunda-feira, junho 02, 2008

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 3




Como referi antes, segue nova crónica do “nosso” enviado especial, “despachada” hoje mesmo.
Tinha de correr um de dois riscos: tornar a informação muito extensa ou deixá-la desactualizada.
Preferi correr o primeiro, deixando ao leitor a arte de o contornar. Mas, pelo menos, ficamos com a matéria em dia.
O nosso amigo Fernando achou mais sensato não revelar o nome do seu correspondente na troca de mails sobre o tenebroso assunto do ponto 3. KKK E OUTRAS NOTÍCIAS...
Igualmente eu achei que devia, acerca do nosso amigo deixar, apenas, isso mesmo: Fernando.
Só mais uma pequena nota: no (mail) original, e acerca do mesmo aludido ponto 3, há um link que não leva a lado nenhum: o servidor informa que a página procurada não foi encontrada. Deixei-o aqui assinalado com outra cor de letra.


Obama News - 20080602 -
1. Puerto Rico; 2. Ponto de situação;
3. Fox news guest calls for Obama assassination!!!!!!!!!!!


Caros amigos,
1. PUERTO RICO
1.a) Ontem realizaram-se as Primárias do Partido Democrático em Puerto Rico.
1.b) Como se previa a Clinton ganhou confortavelmente. Elegeu 38 delegados, enquanto Obama elegeu 17.
1.c) Previa-se que votasse perto de um milhão de pessoas. Votaram 384.578, o que foi uma surpresa e uma desilusão para a Clinton que queria conquistar uma vantagem decisiva para apresentar o único argumento: maioria dos chamados votos populares, assunto sobre o qual me pronunciarei quando acabarem as Primárias.
1.d) Ontem enviei-vos uma informação errada. Embora se confirme que Puerto Rico não pode votar nas eleições gerais de Novembro (por não serem um Estado dos EUA e, portanto, não elegerem qualquer membro para o Colégio Eleitoral que elegerá o futuro Presidente dos EUA) houve um acto eleitoral integrado nas primárias do Partido Republicano.
1.e) No dia 24 de Fevereiro realizou-se um caucus para eleger delegados deste Partido. Só para terem uma ideia da representatividade de certos delegados que irão decidir quem será o futuro Presidente dos EUA, aqui vão, sem comentários obviamente, os resultados desse acto eleitoral: John McCain: 188 votos, elegendo todos os 23 delegados; Mike Huckabee: 10 votos; Ron Paul: 9 votos!!!
...
2. PONTO DE SITUAÇÃO
Depois de contados os votos e delegados a situação, neste momento (14h00 do dia 2), é a seguinte: Obama precisa de 43 delegados para atingir a maioria absoluta; Clinton precisa de 202; falta eleger 31 (Montana e South Dakota); falta conhecer a decisão de 229 superdelegados.
...
3. KKK E OUTRAS NOTÍCIAS

Limito-me a reencaminhar um email recebido de um de vós (apaguei o nome) que é bastante claro. Já tinha referido este assunto. Já vos tinha dito que uma forma de proteger Obama é aumentar o número dos que o apoiam. Espero que não aconteça o que certas pessoas desejam. Se acontecer, nenhum de nós pode prever, neste momento, o que irá acontecer depois.
Há muita gente disposta a dar a vida por ideais. Alguns de vós, para quem envio estas Obama News, provaram-no...
...
Um abraço grande!
Bom dia e boa sorte!
fernando




---------- Forwarded message ----------
From: Date: Mon, Jun 2, 2008 at 1:38 PM
Subject: Fwd: Fw: Fox news guest calls for Obama assassination!!!!!!!!!!!
To: Fernando




Caro Amigo,
Um amigo português que reside em N.York, enviou-me este mail. Hesitei em to reenviar, calculando até que não seja novidade para ti, mas também pelo seu teor. Mas acabei por achar que era melhor envià-lo. Um abraço amigo.



Sent: Monday, June 02, 2008 2:07 PM
Subject: : Fox news guest calls for Obama assassination!!!!!!!!!!!



---------- Forwarded Message ----------


Hey "Double Zero"!
I just don't know why you continue to watch this station.
Sick bunch of …………………..

Fox News Guest Openly Calls For Obama Assassination
The Neo-Cons' sick obsession with assassinating Barack Obama took another bizarre turn yesterday when Fox News guest Liz Trotta openly expressed a desire to see someone "knock off" the Democratic candidate.

KKK Warns of Death Threat Against Obama
KKK Warns of Death Threat Against Obama...
Creating a plausible patsy? - M. R.

Huckabee quips about gun aimed at Obama (trata-se de um link, mas a página não é encontrada...)
Republican Mike Huckabee responded to an offstage noise during his speech to the National Rifle Association by suggesting it was Barack Obama diving to the floor because someone had aimed a gun at him.
We are not laughing, Mike. - M. R.

Stay safe, Obama
In April, former Minnesota Gov. Jesse Ventura telling radio talk show host Alex Jones that Obama was in danger, specifically saying, "Watch out, Barack Obama." And then there was British Nobel Prize winner Doris Lessing suggesting, "A black man in the position of president. They would kill him." Just witness the racism in West Virginia during this week's primary. Sadly, it's still alive and well, in a state where the senior senator, Robert Byrd, was a one-time member of the Ku Klux Klan.
And now, with it looking like Obama may indeed be the Democrat's choice to run against Sen. John McCain this fall, one wonders if the Clinton machine might not want to put a wrench in the works. Now, I'm not saying the Clinton machine would silence Obama or use violence, but there is an odd number of bodies six feet under in the wake of the Clinton machine. Ask Vince Foster or certain Arkansas state troopers. Oh wait, you can't.

PRESIDENCIAIS NOS EUA - 2




Dizia eu, esta madrugada, que amanhã seguiria novo bloco noticioso. Mas segue hoje mesmo e é datado pelo nosso “repórter” especial do dia de ontem.
E porque hoje veio novo newsmail, vou deixá-lo já a seguir para ficarmos com a matéria em dia.
Receio que a alguns não interesse muito a matéria. Mas se assim for, o remédio também é fácil de encontrar.
Aos outros, nem preciso de recomendar que não é para ler já, já... É para ir lendo, consoante a disponibilidade e a disposição, claro.
E não me vou alongar mais, para o lençol não ficar demasiado comprido.





Obama News - 20080601 -
1. REGRAS; 2. IGREJA...


Caros amigos,
Comecei por enviar estas News aos meus filhos e a amigos muito chegados.
A pouco e pouco este universo foi crescendo. Havia outros amigos que também as queriam receber.
Houve alguns que passaram a enviar para outros e outros que as começaram a publicar, algumas delas, em blogs (que eu saiba, são quatro).
No primeiro mês passei de meia dúzia para seis dezenas. E, agora, porque recebi endereços de antigos colegas, principalmente do IST, estou a enviá-las para perto de 80 pessoas. Continuo a insistir que me digam se não estão interessados em recebê-las (houve 2 amigos que o fizeram) porque a última coisa que pretendo é estar a "impôr" as minhas News!
Agradeço à web a oportunidade que me deu para reencontrar amigos e me voltar a aproximar deles!
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1. REGRAS
1.a) Realizou-se ontem uma reunião do Comité responsável pelo controlo das regras dentro do Partido Democrático (The DNC - Democratic National Committee - Rules and Bylaws Committe).
1.b) Tratava-se de rever a decisão tomada em 2007 que penalizava dois Estados (Florida e Michigan) por não cumprirem o calendário eleitoral. Segundo essa deliberação, esses Estados não elegeriam delegados para a Convenção.
1.c) Convem explicar isto para que percebamos o que se passou.
1.d) Por tradição, antes da chamada super tuesday (dia em que se realizam cerca de metade dos actos eleitorais das Primárias do Partido Democrático e do Partido Republicano e, que, este ano, foi no dia 6 de Fevereiro) realizam-se alguns actos eleitorais (primaries e caucuses) nalguns Estados de reduzida dimensão mas que são considerados exemplares. Começaram por ser Iwoa (caucus), no centro dos EUA, e New Hampshire (primary), na costa leste, ao norte de New York, por se considerar que os seus resultados correspondiam aproximadamente aos resultados da totalidade das Primárias. No ano passado foram acrescentados 2 Estados, para respeitar diversidades geográficas e rácicas: Nevada, junto à costa leste e à California, tendo em conta a população chamada "hispânica"; e South Carolina, na costa leste e a norte da Florida e Georgia, com uma grande população "afro-americana". Outros Estados pretendiam ser considerados (Michigan, Florida e outros) mas, o DNC decidiu que a excepção só seria aplicada a 4 Estados: Iwoa (3 de Janeiro, caucus), New Hampshire (8 de Janeiro, primary), Nevada (19 de Janeiro, caucus) e South Carolina (26 de Janeiro, primary).
1.e) A ideia é de, numa altura em que há vários candidatos (no Partido Democrático, 8, e no Partido Republicano, 7), e em que há uns muito conhecidos e outros não, permitir que, durante o mês de Janeiro, os eleitores os conheçam melhor e avaliem as suas possibilidades eleitorais.
1.f) Michigan e Florida insistiram em realizar os seus actos eleitorais antes da super tuesday, 6 de Fevereiro. O Estado de Michignan marcou primárias para o dia 15 de Janeiro. O Estado da Florida marcou-as para o dia 29 de Janeiro.
1.g) Em Michigan, o governador é do Partido Democrático e, apesar de saberem que seriam penalizados, insistiram em marcá-las para esse dia, por considerarem que Michigan deveria ter sido considerado pelo DNC como um dos Estados com primárias antes da super tuesday. É um problema interno do Partido Democrático. E, neste caso, um desrespeito por deliberações anteriormente tomadas. Por isso é que Michigan teve um tratamento diferente do da Florida na última reunião do DNC Rules and Bylaws Committee.
1.h) Na Florida o governador é do Partido Republicano. É da sua responsabilidade a marcação das primárias para o dia 29 de Janeiro (para ambos os Partidos). No entanto, o Partido Democrático da Florida poderia (e deveria) ter marcado outra data, ou para a realização de um caucus ou para a realização das primárias democráticas. Não o fez.
1.i) O DNC decidiu aplicar, em 2007, a pena máxima (não contariam as eleições e não haveria delegados dos 2 Estados na Convenção de Agosto). Fê-lo para mostrar aos 50 Estados que não poderia haver excepções e que as regras, quando aprovadas, deveriam aplicar-se a todos.
1.j) Estas eram as regras definidas antes das Primárias e aceites por todos os candidatos do Partido Democrático. A Clinton, numa intervenção que fez durante a campanha eleitoral em New Hampshire reconheceu que as "eleições em Michigan não vão contar".
1.k) Em Michigan, vários candidatos do Partido Democrático (5) respeitaram a decisão do DNC e, como o governador de Michigan é democrata, decidiram retirar os seus nomes dos boletins de voto. Pensaram que, futuramente, haveria condições para realizar um caucus ou umas primárias. Obama e Edwards aconselharam as pessoas que queriam votar nelas a votar na opção Uncommitted. 40% votaram uncommited e 5% anularam os votos ao escreverem o nome Obama nos boletins (não perceberam que ao escreverem nos boletins de votos os tornavam nulos). A Clinton não retirou o seu nome. Teve 328.151 votos (55%). Os Uncommitted tiveram 237.762 votos (40%), enquanto Kucinich teve 21.708 (4%) e Gravel teve 2.363 (0%). Aqui não se contam abstenções, brancos ou nulos! Só contam os votos expressos nos candidatos ou na opção Uncommitted!
1.l) Os americanos mais conscientes têm vergonha dos altos níveis de abstenção que, habitualmente, ultrapassam, por vezes, em muito, os 50%. Talvez por isso não se encontrem estatísticas, nem nos sites oficiais.
1.m) Na Florida não houve campanha, mas nenhum dos candidatos retirou o seu nome dos boletins. A responsabilidade pela marcação da data é do governador do Partido Republicano. Sabia-se (os mais informados) que as eleições do Partido Democrático não serviriam para eleger delegados. Mas, mesmo assim, muitas pessoas votaram. Clinton teve 857.208 votos. Obama teve 569.041 votos. Edwards teve 248.604 votos.
1.n) Ontem na reunião do DNC Rules and Bylaws Committee foram aprovadas duas moções.
1.o) Relativamente à Florida houve uma deliberação unânime, depois do Partido Democrático da Florida ter apresentado uma proposta que ambas as candidaturas apoiaram, mesmo que não concordassem inteiramente com elas. Essa deliberação deu a Clinton 105 delegados eleitos, a Obama 67 e a Edwards 13. Os 185 delegados eleitos e os 26 superdelegados estarão na Convenção mas com uma penalização de 50%: cada um deles terá direito a meio voto.
1.p) Em Michigan a situação foi mais complicada. As candidaturas não chegaram a qualquer consenso. Enquanto a candidatura Clinton pretendia ver os seus delegados eleitos proporcionalmente ao número de votos na "eleição" (!!!) e Obama com zero (porque não estava nos boletins de voto), elegendo uncommitted delegates proporcionalmente ao número de Uncommitted votes, a candidatura de Obama pretendia que o total de delegados eleitos fosse repartido igualmente por ambas as candidaturas. O Partido Democrático de Michigan apresentou uma proposta conciliatória: 69 delegados para Clinton e 59 para Obama que se juntarão, na Convenção, a 29 superdelegados, todos com direito a meio voto (penalização igual à da Florida).
1.q) Esta proposta serviu de base à moção que foi aprovada com 18 votos a favor e 9 contra. De salientar que, dos 30 membros do Comité, 3 não votaram: dois por estarem na Presidência e outro por ser parte interessada, na medida em que representava Michigan e não podia votar nesta matéria. Foi ele que apresentou a proposta que serviu de base à moção aprovada, portanto também estaria de acordo. Depreende-se que o Presidente e a Vice-Presidente do Comité também apoiavam a moção.
1.q) Houve tumulto na sala. Os apoiantes de Clinton não gostaram e manifestaram-se ruidosa e repetidamente. Um dos membros do Comité, apoiante ferrenho de Clinton, usou termos insultuosos e provocadores e acicatou ainda mais os ânimos. Por último informou, à laia de declaração de voto, que, por instruções recebidas directamente da Senadora Clinton, reservavam o direito de levar este assunto até à Convenção, podendo apresentá-lo no Credentials Committee que, habitualmente, reúne imediatamente antes do início da Convenção para reconhecer a legitimidade de todos os delegados.
1.r) O que se irá passar ainda é uma incógnita. No último email eu defendia a ideia que os Clinton levariam esta "guerra" até à Convenção. Neste momento não estou tão certo disso. Uma das razões tem a ver com o facto de haver seus apoiantes que no Comité votaram favoravelmente a moção sobre Michigan e, expressamente, explicaram que o faziam em nome da unidade do Partido e da necessidade de estarem unidos para vencer as eleições de Novembro.
1.s) Outra das razões é o argumento político que os Clinton vão utilizar intensamente, depois das eleições de Puerto Rico de que conseguiram mais votos populares. Segundo eles, não contam os 13 Estados em que houve caucuses e contam os votos de Michigan, sendo que Obama, porque não estava nos boletins de voto, terá zero! Aos Clinton não interessa o número de delegados. Há muito tempo que sabem que nunca poderiam eleger mais do que Obama. Só têm um argumento: mais votos populares, sendo que são eles que definem o que são votos populares e contam para isso com a ajuda sempre interessada de "jornalistas" diligentes que, como sabem o que tem "interesse jornalístico", estão sempre mais interessados em mostrar o sangue a correr na estrada do que em analisar a causa que o provocou...
1.t) A conclusão política foi tirada, ainda ontem, pelos mais conceituados comentadores: o desfecho da reunião do Comité foi mais uma vitória de Obama. Como um disse, ele já ganhou no exterior (mais delegados eleitos, mais superdelegados, mais Estados, mais vitórias eleitorais, mais dinheiro por ter construído uma rede de mais de um milhão e meio de dadores que se limitam a enviar para a sua candidatura 25 ou 50 dólares) e, agora, gaha no interior do Partido, terreno em que se pensava que os Clinton ainda tinham maioria. No início deste processo eram os Clinton que pareciam controlar o Partido (começaram com uma vantagem superior a 100 superdelegados, por exemplo). Agora, é claro que o Partido e as suas estruturas internas, o chamado "aparelho", estão mais interessados em apoiar outro tipo de liderança, estão conscientes que os Clinton representam o passado e Obama e os seus apoiantes representam o futuro, os jovens, as pessoas com mais estudos, homens e mulheres de todas as raças e religiões, uma nova coligação onde cabem independentes e republicanos.
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2. TRINITY UNITY CHURCH OF CHRIST
2.a) Na sexta-feira passada Obama enviou uma carta à sua igreja a informar que ele e Michelle deixariam de ser seus membros. O assunto manteve-se reservado até um comentador da CNN ter acesso ao documento. Ontem, em South Dakota, Obama interrompeu a sua campanha eleitoral para realizar uma conferência de imprensa em que respondeu a toda as perguntas dos jornalistas.
2.b) A Trinity Unity Church of Christ é uma igreja que, para além de seguir a tradição das igrejas negras americanas (muita paixão, muita música e espectáculo, muita intervenção, muita solidariedade, etc) entronca com o movimento, bem mais vasto, da Teologia da Libertação. Isto explica muito da crítica que se ouve em locais como este. Explica a forma como essa mensagem é expressa.
2.c) Tudo o que se passava na igreja, particularmente certos excertos de sermões, mais agressivos, com maior carga política ou racial, era utilizado para comprometer Obama e a sua candidatura que pretende ser de unidade, independentemente de raças ou religiões, de sexo ou de idade, de estatuto social ou profissional. Obama acabou por tomar a decisão certa. Em nome do projecto que diz defender e que, segundo muitos, nos quais me incluo, de facto, defende.
2.d) Para conhecer o passado de Obama, perceber o presente e prever, mesmo que com dificuldade, o futuro, penso que é necessário estudar a história dos EUA, ler alguns documentos e livros básicos, nos quais incluo os dois livros que ele próprio escreveu: Dreams from my Father e The Audacitiy of Hope (já traduzido para português, A Audácia da Esperança).
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É o segundo email que vos escrevo hoje.
O primeiro, muito mais completo e interessante, estava concluído quando o gmail "pifou" e eu perdi todo o trabalho.
Voltei a escrever o fundamental.
Mas já não consegui reproduzir algumas ideias e expressões que me agradavam particularmente.
Não faz mal.
Sei que sabem como o abraço que vos envio é saudoso e como é bom saber que me abrem a porta dos vossos corações quando um email chega à vossa inbox.
fernando
PS: Hoje houve eleições em Puerto Rico. A Clinton, como se previa, teve uma confortável vitória. Quando houver resultados finais enviarei novo email com um ponto de situação ácerca do número de delegados necessários para ganhar a nomeação. Obama está quase a atavessar a meta. Uma coisa que talvez não saibam é que, porque Puerto Rico não é um Estado dos EUA, não vota, nem nas Primárias Republicanas, nem nas eleições gerais de Novembro próximo para eleger o próximo Presidente dos EUA.

PRESIDENCIAIS DOS EUA - 1



Um amigo meu, Carlos P., tem um amigo que vive na Flórida, é apoiante confesso de Obama e resolveu acompanhar estas presidenciais dos States pari passu, enviando acerca da matéria news para os filhos e amigos mais próximos dele.
O Carlos, palpitando-lhe acertadamente (ou não me conhecesse bem desde os idos de 60 do século passado), tem-me mandado as reportagens do Fernando (que se é amigo dele – é por força meu amigo também).
Senti-me tentado, desde o primeiro bloco de notícias que recebi, a partilhá-la com outros amigos que têm a pachorra de me aturar (ler, que ainda é pior).
Mas senti em mim um certo engulho, achei que seria um certo atrevimento, sem cuidar de saber se o Carlos se não importava com a divulgação e, mais ainda, se o Fernando estaria com ela de acordo, sem me nomear “procurador” ou “porta-voz”...
Aquilo que, lateralmente, me poderia incomodar mais, resolvi não lhe dar importância: o acontecimento e a narração merecem muito maior divulgação do que aquela que os meus pobres blogues conseguem alcançar. Não é, por isso, a melhor montra para tão delicado e importante produto, a minha.
Mas ofereço o que tenho. E isso faz-me sentir bem comigo mesmo.
Acerca da (digamos) legitimidade ou, se se preferir, do melindre que atrás deixei entender, um dos mails do Fernando, de hoje (que sairá, aqui, amanhã), deixou a questão bem clara. E aí, atirei-me.

Para os interessados... Aí vai para o éter...

Três notas preliminares:
1. Mesmo os que acompanham, cá, esta matéria com algum interesse e atenção, ganham algo com esta informação, estou em crer.
2. O próprio Fernando reconhece que são um pouco longas as suas mensagens.
Mas só quem não mete as mãos em massa desta imagina ser possível ser mais breve e sintético.
3. Escolho o N&R para esta divulação por vários motivos: é o meu blogue mais visitado (e daí, talvez, o mais lido). Além de que se trata de um acontecimento importante, uma efeméride registável, num processo de grande importância para o mundo, uma nota e uma reflexão que me apraz registar com um especial relevo. Aquele que, em geral, caracteriza o N&R. Ou não será, mesmo, uma MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA?









Barack Obama



Obama News - 20080529 -

Faltam 5 dias para

acabarem as Primárias!?...



Caros amigos,
Faço questão de vos enviar esta mensagem (um pouco longa) de forma a que a possam receber na 6ª feira, dia 30 de Maio, um dia antes da reunião que decidirá o que fazer com os delegados de Michigan e da Florida, dois dias antes das eleições em Puerto Rico e quatro dias antes das últimas eleições das Primárias Democráticas 2008 (em Montana e South Dakota).Com base na informação que vos envio poderão ficar habilitados para melhor perceber as notícias que aí chegarão.
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1. QUANTO TEMPO FALTA PARA SE DECIDIR QUEM É O NOMEADO?
5 dias!?...
! quer dizer "enfim podemos concentrar-nos nas eleições de 4 de Novembro!"...
? quer dizer "talvez não seja desta, ou não é verdade que os Clinton nunca desistem?"...
... quer dizer "a realidade, como vos disse na última mensagem enviada (partidos políticos nos EUA), ultrapassa sempre a imaginação"...





Há quem diga que tudo isto estará terminado até meados de Junho, depois de se saber a posição de todos os superdelegados (que, por sua vez, estão à espera que se realizem as 3 eleições em falta e se decida o processo relativo às delegações de Michigan e Florida).




Há quem pense (é o meu caso) que, muito provavelmente, este processo será levado até à Convenção porque os Clinton dirão que, até lá, "pode acontecer qualquer coisa". Esta "qualquer coisa" pode incluir o fim físico de Obama (tal como aconteceu a Robert Kennedy), ou a mudança de opinião dos superdelegados por alguma razão (sondagens entretanto publicadas que suportem a tese da maior elegibilidade da Clinton, por exemplo). Poderei estar enganado. Só o futuro se encarregará de esclarecer quem tem razão.
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2. PRÓXIMOS ACTOS ELEITORAIS
No domingo, dia 1 de Junho, e na terça-feira, dia 3, realizam-se os últimos actos eleitorais das Primárias Democráticas 2008.
No dia 1 vota-se em Puerto Rico para eleger 55 delegados. Prevê-se uma vitória da Hillary Clinton.
No dia 3 vota-se em South Dakota (15 delegados) e Montana (16 delegados). Prevêem-se duas vitórias de Obama.
No conjunto dos 3 actos eleitorais serão eleitos 86 delegados. Prevejo que a Clinton possa eleger 44 a 46 e o Obama 42 a 40.
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3. OS CASOS DE MICHIGAN E DA FLORIDA
3.1.
No sábado, dia 31 de Maio, realiza-se uma reunião da Direcção do Partido Democrático (digo isto para facilitar porque, quem vai reunir, é o chamado The Rules and Bylaws Committee of the Democratic Party) para decidir (!?) como "sentar" as delegações da Florida e de Michigan na Convenção de Agosto. Como se sabe, por razões de calendário e de divergência com os governos de ambos os Estados (democrático em Michigan e republicano na Florida), não houve campanha eleitoral do Partido Democrático nestes 2 Estados e ficou decidido, como já aconteceu em Primárias anteriores, que estes Estados seriam penalizados: só contariam com metade dos delegados e estes seriam repartidos igualmente pelas candidaturas existentes à data da Convenção. Em Michigan (15 de Janeiro), os boletins de voto tinham a Clinton e não tinham qualquer dos outros candidatos do Partido Democrático. Na Florida (29 de Janeiro), os boletins de voto tinham a Clinton, o Obama e outros.

3.2.
As regras do Partido, aceites por todos os candidatos antes de se iniciarem as Primárias, foram as seguintes: cada delegação contaria com metade dos delegados inicialmente previstos, que seriam repartidos igualmente por ambas as candidaturas. Isto é, esta repartição de delegados não alteraria as maiorias de delegados eleitos e de superdelegados que Obama já tem e, portanto, ele poderia ser considerado, logo que terminassem as Primárias e logo que conseguisse uma maioria absoluta de delegados, o presumível nomeado pela Convenção.
3.3.
Esta solução não agrada aos Clinton (se ela tivesse maioria de delegados agradaria, claro!).
Eles propõem que:
a) as delegações dos 2 Estados contem com o número de delegados previsto: 185 da Florida e 128 de Michigan;
b) que a delegação da Florida seja repartida pelas 2 candidaturas de acordo com os votos que tiveram em 29 de Janeiro (cerca de 60% para a Clinton e 40% para o Obama);
c) que a delegação de Michigan só tenha delegados da Clinton, porque "não têm culpa que Obama tenha retirado o seu nome dos boletins de voto".
Se esta proposta fosse aprovada a Clinton teria os 128 delegados de Michigan e cerca de 111 da Florida (total: 239) e o Obama teria zero delegados de Michigan e cerca de 74 da Florida. Se isto acontecesse, a Clinton conseguiria uma vantagem de 165 delegados nestes 2 Estados. Esta proposta nunca poderá ser aceite na reunião de sábado, nem em qualquer outra reunião, por razões óbvias. Mas, mesmo que fosse, não daria à Clinton a maioria que tanto ambiciona. Pode perguntar-se, legitimamente, porquê tanta insistência, tanta teimosia em torno deste assunto. A verdadeira razão está no chamado Plano B da candidatura Clinton, de que falo mais abaixo.
3.4.

A candidatura de Obama tem reafirmado o seu respeito pelas regras previamente definidas. Estarão, no entanto, dispostos a aceitar que a Clinton possa ter mais delegados na Florida, enquanto os de Michigan serão repartidos por ambas as candidaturas.
3.5.
Ainda poderá dar-se o caso de haver uma nova votação nestes Estados ou, pelo menos, em Michigan. Parece que esta hipótese é pouco provável, pelo que significa de custo para ambas as candidaturas e para o Partido, porque só tem sido apoiada pela candidatura Clinton e porque, representando um desrespeito por regras anteriormente aceites, pode passar a ser um precedente que no futuro poderá vir a ser utilizado para descridibilizar completamente as Primárias do Partido Democrático.
3.6.
Face a tudo isto, prevejo que esta "guerra" entre as 2 candidaturas se mantenha até à Convenção. Para grande alívio e satisfação do Partido Republicano e de McCain. E cumprindo-se assim o chamado "Plano B" da candidatura Clinton: tudo fazer para enfraquecer Obama e permitir uma vitória de McCain em 2008; conseguindo criar condições para, em 2012, aparecer como "candidata para vencer", contrariamente a Obama (que terá sido o "candidato para perder"). Se algum de vós pensa que tudo isto é demasiado maquiavélico, leiam o próprio por favor e recordem-se de tantos casos a que assistimos em várias partes do mundo, nomeadamente no nosso país, nos nossos partidos, nas nossas empresas...
3.7.

Um dos problemas de Obama é conseguir manter o Partido unido em torno da sua candidatura para tentar vencer as eleições de 4 de Novembro. Se não o conseguir e se não mobilizar o voto de independentes e de republicanos descontentes, não vencerá. Embora seja difícil imaginar uma vitória "republicana" depois deste miserável reinado bushiano.
3.8.
Uma guerra com que a maioria (agora) discorda, uma crise económica gravíssima, o maior desemprego das últimas décadas, um fosso cada vez maior entre os mais poderosos e ricos e os mais desprotegidos e pobres (falando-se em 35 milhões a viver abaixo do limiar da pobreza), um sistema de saúde que deixa 40 milhões de fora e obriga os outros a pagar, dois sistemas de ensino que agravam as diferenças e promovem mais educação para quem tem dinheiro para isso, uma dependência do petróleo que a curto prazo não será possível reduzir, um crescente número de pessoas que não tem possibilidade de amortizar os empréstimos para compra de casa ou para os filhos estudarem e, ainda, suportar os aumentos do preço da gasolina e a inflacção a atingir, principalmente, os produtos alimentares.
3.9.

McCain conta com o argumento da guerra. E, principalmente, com o reinado do medo e da ignorância que, lamentavelmente, tem servido de suporte social à continuação do "sistema". Conta, também, com os complexos de quem não consegue criticar o que quer que seja que venha do poder, para não ser acusado de traidor ou anti-patriota. A "propaganda" da inevitabilidade de uma guerra "não necessária" começa a ser denunciada, inclusivamente por pessoas que estiveram dentro do processo, como é o caso do ex-Secretário de Imprensa da Casa Branca, McClellan, no livro que acaba de publicar (e que está a agitar os meios políticos cá do sítio) chamado "What Happened" (o que aconteceu). Até os "media" começam agora, timidamente, a reconhecer que "colaboraram" nas manobras que terminaram com a invasão do Iraque, por receio de serem confundidos com terroristas...
3.10.

A questão da unidade do Partido Democrático em torno de uma candidatura não existe, neste momento, para os Clinton. Sabem que não serão os nomeados. Por isso, não precisam de trabalhar ou se incomodar pela unidade em torno do nomeado. Dá-lhes jeito, até, um partido dividido que facilite a vitória de McCain. E terão tempo, pensam eles, para reparar os danos e conseguirem, dentro de 4 anos, uma nova unidade em torno da sua própria candidatura. Claro que não farão isto às claras. Em matéria de escuridão intelectual e política, desde que a política existe, sempre houve especialistas...
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4. PONTO DE SITUAÇÃO
Se considerarmos as regras aprovadas, Obama tem, neste momento, quase assegurada a maioria absoluta necessária para ser o nomeado na Convenção.
Conta com um total de 1983 delegados, contra 1784 (menos 199) da Clinton e 8 de Edwards.
Se não tiver o apoio expresso de mais superdelegados nos próximos dias (o que não é provável) e se eleger 42 delegados nas 3 eleições que faltam, passará a ter 2025 delegados (a maioria absoluta, de acordo com as regras aprovadas). Se as regras mudarem precisará de mais uns quantos.
Mas falta ainda conhecer a decisão de 188 superdelegados. Consta que, destes, uma larga maioria declarará o seu apoio a Obama depois do dia 3 de Junho, terminadas que estarão as Primárias. Em princípio o assunto ficaria arrumado e entrava-se a sério na campanha eleitoral que oporá Obama e McCain.
Na próxima semana saber-se-á com mais rigor o que se irá passar:
a) Poderá haver um presumível nomeado desde já, sem contestação.
b) Poderá haver um presumível nomeado, com a contestação dos Clinton e seus apoiantes mais inflamados.
c) Poderá haver recursos em tribunal, ameaças, sondagens, discursos, debates, acusações, insinuações, mentiras e outras coisas que façam eternizar a situação (até à Convenção), seja ela qual for.
Tudo isto com o Partido Republicano a tentar juntar forças (muito enfranquecidas, por sinal) em torno do seu candidato e os seus propagandistas (canais de televisão, rádios locais, profissionais da política, alguns jornalistas, comentadores encartados,...) a apoiarem (!!), cinicamente e sem escrúpulos, a senadora...
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Um abraço para todos.
Boa noite e boa sorte.
fernando
...
PS: Envio um link interessante. Foi divulgado hoje no site do Obama. Chama-se Movement Buttons for Obama.
http://my.barackobama.com/page/community/post/HQblog/gGB4qh



sábado, fevereiro 02, 2008

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA


(Recordo)
Este é o espaço em que,
habitualmente,
faço algumas incursões pelo mundo da História.
Recordo factos, revejo acontecimentos,
visito ou revisito lugares,
encontro ou reencontro personalidades.
Datas que são de boa recordação, umas;
outras, de má memória.
Mas é de todos estes eventos e personagens que a História é feita.
Aqui,
as datas são o pretexto para este mergulho no passado.
Que, por vezes,
ajudam a melhor entender o presente
e a prevenir o futuro.


CONJUGAÇÃO DO CALENDÁRIO GREGORIANO COM OUTROS
O ano 2008 [MMVIII] do calendário gregoriano corresponde ao:
. ano 2046 da era de César (ou hispânica), usada em Portugal até 1422.
. ano 1429/1430 dH do calendário islâmico (Hégira)
. ano 2761 Ab urbe condita (da fundação de Roma)
. ano 4645 da era chinesa (ano do rato), que começa no dia 07FEV
. ano 5768/5769 do calendário hebraico
. ano 7516/7517 da era bizantina
. ano 2668 da era japonesa
. ano 2319/2320 da era grega
. ano 1929/1930 da era Saka, do calendário indiano reformado



CALENDÁRIO DA ONU
2001/2010 - Década para Redução Gradual da Malária nos Países em Desenvolvimento, especialmente na África.
2001/2010 - Segunda Década Internacional para a Erradicação do Colonialismo.
2001/2010 - Década Internacional para a Cultura da Paz e não Violência para com as Crianças do Mundo.
2003/2012 - Década da Alfabetização: Educação para Todos.
2005/2014 - Década das Nações Unidas para a Educação do Desenvolvimento Sustentável.
2005/2015 - Década Internacional "Água para a Vida".
2008 Ano Internacional do Planeta Terra

Bertrand Russell

Decorreram 38 anos: foi na SG, 02.02.1970, que morreu, aos 98 (!) anos, o filósofo e matemático britânico Bertrand Russel.
Em Inglaterra reinava já, de há bastante, a actual monarca, Isabel II; liderando o seu governo Harold Wilson (seu primeiro mandato), do partido Trabalhista.
Em Portugal ainda estávamos sob a Ditadura do Estado Novo, na chamada Primavera (?) marcelista: o vitalício (pensavam eles) Américo Tomás na PR, Marcelo Caetano na condução do Governo.


1970 foi ainda o ano em que, designadamente
- em comunicado ao País, a CNSPP/Comissão Nacional de Socorro aos presos políticos (recentemente constituída – fins de 1969) denuncia graves violações dos direitos humanos nas prisões portuguesas (Jan).
- a UN, durante o V Congresso, passa a denominar-se ANP (Acção Nacional Popular), mantendo, no entanto, praticamente, as mesmas competências que tinha enquanto UN, que era o partido único do regime (21FEV).
- manifestação em Lisboa, em protesto contra a guerra colonial e contra a guerra no Vietname (Fev).
- movimentos grevistas exigem liberdade de organização sindical, aumentos salariais e melhor segurança social (Fev-Mar).
- alguns presos políticos são violentamente espancados, no forte de Peniche, após terem liderado um protesto contra as condições existentes na prisão (Mar).
- o fim da censura prévia está incluído no projecto de lei de Imprensa apresentado na Assembleia Nacional pelos deputados, da chamada “ala liberal”, Francisco Sá Carneiro e Francisco Pinto Balsemão (22ABR1970).
- numa clara “operação de charme”, o governo amnistia os estudantes da Universidade de Coimbra penalizados em 1969 (Abr).
- Ainda em ABR: um inquérito independente à morte de Humberto Delgado é o mobil de uma campanha de opinião promovida em Londres.
- morre o artista plástico e escritor Almada Negreiros (15JUN).
- morre o político e escritor Henrique Galvão (25JUN1970).
- 177 organizações de 64 países participam, em Roma, na Conferência Internacional de Solidariedade para com os Povos das Colónias Portuguesas (Jun-Jul).
- morre Salazar, com 81 anos (27JUL).
- contestação dos presos políticos em Caxias inclui greves de fome (Jul).
- pela primeira vez na história do Estado Novo, uma mulher ocupa um cargo no governo: Maria Teresa Lobo é nomeada subsecretária de Estado da Saúde e Assistência (21AGO).
- é criado, em Lisboa, o MRPP, movimento político de extrema-esquerda, maoísta (Set).
- é criada, clandestinamente, em Lisboa, a Comissão Organizadora Central da Intersindical (Out-Nov).
- morre o estadista francês general Charles de Gaulle (09NOV).

"Aquilo que os homens querem, de facto,
não é o conhecimento, mas a certeza."

- Bertrand Russel


Bertrand Arthur William Russell, em bom rigor, morreu a pouco mais de 3 meses de completar os 98 anos, já que nasceu em 18.05.1872.
Conquanto controverso, foi um respeitado filósofo, por muitos (milhões) considerado “uma espécie de profeta da vida racional e da criatividade”. Foi também um eminente matemático.
B. Russel, que “era inquieto", “impôs-se pela sua autoridade moral, tendo sido um aberto e influente crítico do armamento nuclear e da intervenção dos EU no Vietname” [Wikipédia].
Não admira, pois, que em 1950, Russell tenha recebido o Prémio Nobel da Literatura "em reconhecimento dos seus variados e significativos escritos, nos quais ele se bateu por ideais humanitários e pela liberdade do pensamento" [Idem].

Era oriundo de uma família aristocrática: seu avô paterno John Russell, 1.º conde Russell (1792-1878), liberal, foi primeiro-ministro de 1846 a 1852 e em 1865-66.

Órfão de mãe aos 2 anos e de pai, aos 4, Bertrand foi educado por esse avô.
Figura histórica, também, o filósofo utilitarista John Stuart Mill foi seu padrinho.

“Russell conheceu inicialmente a Quaker americana, Alys Pearsall Smith, quando tinha 17 anos de idade. Apaixonou-se pela sua personalidade puritana e inteligente, ligada a vários activistas educacionais e religiosos, tendo casado com ela em Dezembro de 1894” [ainda cit. encicl.].

«Quaker é o nome dado a um membro de um grupo religioso
de tradição protestante,
chamado Sociedade dos Amigos.
Criada em 1652, pelo inglês George Fox,
a Sociedade dos Amigos reagiu contra os abusos da Igreja Anglicana, colocando-se sob a inspiração directa do Espírito Santo.
Os membros desta sociedade,
ridicularizados com o nome de quakers, ou tremedores,
rejeitam qualquer organização clerical, para viver no recolhimento,
na pureza moral e na prática activa do pacifismo,
da solidariedade e da filantropia.
Perseguidos na Inglaterra por Carlos II,
os quakers emigraram em massa para a América,
onde, em 1681,
criaram sob a égide de William Penn a colónia da Pensilvânia.
Em 1947, os comités ingleses e americanos do
Auxílio Quaker Internacional receberam o Prémio Nobel da Paz. (...) Organizações como o Greenpeace e a Anistia Internacional
foram fundadas pelos quaker
e são influenciadas pela ideologia da Sociedade dos Amigos».

Entre personalidades históricas conhecidas que eram quakers contam-se: Elizabeth Margaret Chandler (1807-1834),
uma escritora e poetisa dos Estados Unidos,
que se tornou a primeira mulher a abraçar publicamente
a causa da abolição da escravatura por meio de seus escritos,
antes de falecer aos vinte e seis anos de idade
(feminista americana, escritora e poeta abolicionista).
Também Lucretia Mott (1793–1880),
que foi a primeira activista americana do século XVII
e considerada a primeira feminista.
Igualmente Richard Nixon (1913-1994)
o 37° presidente dos Estados Unidos da América (1969-1974).
Por outro lado filho de quakers foi Walt Whitman (1819–1892),
poeta norte-americano autor de Leaves of Grass (1855)
– que teve 10 edições, a última delas póstuma.
Mais: "Introduziu uma nova subjectividade na concepção poética
e fez da sua poesia um hino à vida.
A técnica inovadora dos seus poemas,
nos quais a ideia de totalidade se traduziu no verso livre,
influenciou não apenas a literatura americana posterior,
mas todo o lirismo moderno,
incluindo o poeta e ensaísta português Fernando Pessoa."
Todos devem estar recordados das
muitas citações que dele eram feitas
nesse extraordinário filme que foi o
CLUBE DOS POETAS MORTOS (Dead Poets Society)
de Peter Weir, com inesquecíveis desempenhos, entre eles de Robin Williams.
[Uma vez mais Wikipédia, a enciclopédia livre]

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imagem NGeographic
África,
o Continente onde não se conjuga o verbo no futuro (de esperança)

Há quatro anos, na SG 02.02.2004, morreu o general Kaúlza de Arriaga, com 89 anos.
Kaúlza de Arriaga foi um “ultra” da ditadura do Estado Novo, comandante das Forças Terrestres em Moçambique, responsável pela operação Nó Górdio e criador dos Grupos Especiais (onde havia muitos elementos da PIDE) que levaram aos massacres no Norte da colónia, em 1971-1973.



Não é verdade
que a morte transforme “todo o mundo” em boa gente.
Decidida e comprovadamente.



Decorre o segundo mandato presidencial de Jorge Sampaio. Durão Barroso ainda não tinha trocado a liderança do governo por um lugar ao sol, na UE. Continua o longo – e agora dramático – pontificado do polémico papa João Paulo II.

Esse ano do passamento de KA foi o ano em que, nomeadamente
- morreu repentinamente, em fim de campanha eleitoral para as Europeias, o Prof Sousa Franco, candidato pelo PS a deputado europeu, como cabeça de lista desse partido (JUN)
- morreu o deputado comunista Lino de Carvalho (JUN)
- morreu em Lisboa, com 84 anos, a escritora e poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (nascida no Porto a 06.11.1919) (02JUL2004)
- morreu a Engª Maria de Lurdes Pintasilgo, primeira (e única, até agora) mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro no nosso País (V Governo Constitucional, que vigorou de 31JUL1979 a 03JAN1980). (10JUL)
- tomou posse o XVI governo Constitucional, constituído e liderado por Santana Lopes, depois de indigitado (como nº 2 do respectivo partido) por Durão Barroso que, a meio da legislatura, se demite para exercer o cargo de presidente da comissão europeia, e depois de o Presidente da República, Jorge Sampaio, que tinha como alternativa dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas, ter aceite essa indigitação. (17JUL)
- morreu, com 79 anos, Carlos Paredes, o grande virtuoso e mestre da guitarra portuguesa, que dedilhava como nenhum outro. (23JUL)
- o PR, Jorge Sampaio, dissolveu a AR, “por incapacidade de gerar novos governos”. Como reflexo dessa decisão, o 16º Governo Constitucional, dirigido por Pedro Santana Lopes, desde há quatro meses a atrás, ficará com a sua política diminuída. Aliás, foi a falta de competência e a falta de credibilidade demonstradas pelo referido governo que o levaram a tal decisão. (10DEZ2004)
- o PM, Santana Lopes, apresentou a demissão do 16º Governo Constitucional. (11DEZ) (Disse que ia “andar por aí...”)



De tão conhecida e recente, não é figura que exija grandes apresentações.
Veja-se o seguinte texto, da autoria de José Pedro Castanheira, na revista Única do semanário Expresso, de 07.02.2004, em que o autor traça, em síntese, a trajectória político-militar e o ideário racista do general que planeou e executou a célebre operação Nó Górdio e se tornou célebre com o massacre de Wiriamu. Massacre que trouxe amargos de boca a Marcelo Caetano, aquando da sua visita oficial a Londres, no dia imediato ao da denúncia da carnificina de Wiriamu no jornal Times de 10.07.1973.

Transcrevo algumas das suas passagens, com a devida consideração quer pelo semanário quer pelo seu autor, dado não ser livre o seu acesso.


«Kaúlza de Arriaga foi comandante militar em Moçambique, defendeu teses racistas e quis derrubar Marcelo Caetano, que via como “traidor”»
(...)

«O seu nome fica associado ao massacre de Wiriamu, ocorrido em 16 de Dezembro de 1972, quando era comandante-chefe das Forças Armadas de Moçambique. Considerado o maior crime de guerra cometido nas antigas colónias, Wiriamu foi denunciado pelo jornal «Times», na véspera da visita de Marcelo Caetano a Londres»
(...)
«No rescaldo de Wiriamu, Caetano perdeu a confiança em Kaúlza, que, assim, terminou a sua carreira.»
(...)
Na verdade, «a 9 de Julho de 1973, Caetano escreveu-lhe a carta fatal: «Reconheço a vantagem, para si, para Moçambique, para todos nós, em outra pessoa rever os conceitos e as tácticas da acção anti-subversiva em Moçambique». Contrafeito, e sempre acompanhado da mulher, regressou à metrópole no mês seguinte. Na sua página na Internet lê-se que «a partir do final do ano de 1973, deixou de crer nas possibilidades em decréscimo do Presidente Caetano, procurando a sua substituição». Com efeito, Kaúlza passou a liderar o que António de Spínola designa (em País sem Rumo) «a revolta dos generais», em ruptura à direita com a política de Caetano.»


Montagem copiada do Blog Arrastão

Marcelo "conversa em família"

Abortado um golpe de Estado que preparara, «Kaúlza, no entanto, não era homem para desistir e passou a assediar o próprio Presidente da República, Américo Thomaz, com a cumplicidade do cunhado, general Luz Cunha, novo chefe do Estado Maior General das Forças Armadas. Nas suas memórias, Últimas Décadas de Portugal, Thomaz transcreve uma última carta de Kaúlza, exortando-o a que tomasse «em tempo útil, as grandes medidas» capazes de «sustar a evolução no sentido do abismo». Certamente informado do golpe [o 25 de Abril] em curso, Kaúlza fazia notar que «os prazos de acção são curtos».
(...)

«Hesitante e sem poder, Thomaz nada fez. A 25 de Abril de 1974, os capitães puseram termo à ditadura. Três semanas depois, Kaúlza foi passado à reserva. Acabou por ser preso na crise de 28 Setembro, ficando detido 16 meses. Sem culpa formada, foi libertado incondicionalmente em Janeiro de 1976 e processou o Estado português. Em 1977, lançou o Movimento para a Independência e Reconstrução Nacional (MIRN), uma pequeníssima formação de extrema-direita, a que presidiu.»

ARQUIVO EXPRESSO
O MIRN foi um dos movimentos
mais à direita de que há memória ("Expresso")

(EDIÇÃO 1632 do semanário EXPRESSO, SB 07.02.2004 / revista ÚNICA)


«Jaime Nogueira Pinto, que não poupa elogios à inteligência política do general, lamenta ainda que também ele tenha cometido a ingenuidade de conspirar com Thomaz para derrubar Caetano, nas vésperas do 25 de Abril, em vez de liderar o golpe que restituísse o regime à pureza do salazarismo.

«Já todos tínhamos percebido que o trunfo era espadas e que quem tomasse o poder ficava lá», observa o professor universitário.

Em seu entender, se tivesse actuado pela via armada, em vez de fazer lóbi e acreditar num certo legalismo, Kaúlza de Arriaga «poderia ter sido, num dado momento, a alternativa a Spínola» na conspiração que conduziu ao derrube de Marcello Caetano e à vitória do 25 de Abril» (lê-se no 1º caderno do mesmo número do Expresso, ainda a propósito da comemoração do “Nó Górdio”).

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