sexta-feira, setembro 14, 2007
incluí, hoje, para ser visto a qualquer hora de qualquer dia, o chamado RELÓGIO DO MUNDO
é o primeiro dos links permanentes do blogue, portanto, colocado na coluna da direita, em cima, com o título A ESTA HORA, ASSIM VAI O MUNDO
não sou masoquista, mas penso que não podemos esquecer certas REALIDADES
quinta-feira, setembro 06, 2007
“NO PASSADO 6 DE SETEMBRO DE 1968”
Há vilezas que nem a morte consegue branquear.
A um monstro ou a um tirano ou a um déspota ou a um ditador não pode bastar que se lhe lavem os pés para se colocar no altar dos bem-lembrados! Claro que não.
Quando, faz hoje 39 anos, Salazar foi operado na sequência da queda da mais badalada cadeira, em 03 de Agosto anterior, e ficou irremediavelmente perdido para a função que desempenhava, não se converteu num santo, nem passou a merecer a veneração que alguns, tanto ou mais que antes, lhe dispensavam. Tal como não passou a merecê-la 22 meses depois, ao sucumbir definitivamente (27JUL1970).
De forma nenhuma para muitos de nós.
A bicentenária tartaruga da historieta, afinal, sobreviveria mesmo. E longamente.
E ele, por mais eterno que, como qualquer ditador, se tenha imaginado, por mais benditamente imortal que alguns lhe tenham acenado ser a sua imagem e a sua memória, ele aí está, como todos, finito e pasto de vermes.
De nada serve, aos tiranos e ditadores, a vã glória de tanto terem despoticamente dominado. O sangue que fizeram correr, inocente e injustamente, o sofrimento que provocaram a tantas e tantas das suas vítimas, não lhes darão nunca o descanso que imaginaram ter garantido.
chocados e perplexos, os boys...
quarta-feira, setembro 05, 2007
VIAJANDO NO PORTUGAL PROFUNDO
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Em Catribana – localidade da freguesia de S. João das Lampas (concelho de Sintra) não muito longe da Cortesia e da Assafora (outras aldeias da mesma freguesia), existem dois vestígios de vias romanas: um resto de uma calçada e uma pequena ponte. Ambas do séc. III da nossa era.
Os três slides seguintes mostram duas perspectivas da ponte romana e uma da calçada.
A ponte atravessa a ribeira de Bolelas (que, segundo alguns, naquele ponto já se chama da Samarra, nome da praia que lhe serve de foz, um pouco adiante).
Catribana é povoação velha de séculos, como se calcula. Bastante provavelmente a palavra será de etimologia árabe, talvez significando ponte.
Nessa aldeia, melhor dito, no seu termo, ainda que um pouco afastado do povoado, consta terem sido realizadas sondagens arqueológicas que revelaram a existência de restos de pavimentos em mosaico e alguns fragmentos de cerâmica.
Até por se ter tratado de meras sondagens, nenhuma dessas preciosidades se encontra, por aí, patente ao público.
Não obstante as pesquisas arqueológicas, em meados do séc passado, e, mesmo, a classificação legal do conjunto (calçada-ponte) como imóveis de interesse público (IIP), já nos anos 90 do mesmo século, a verdade é que são património que continua ao mais completo abandono.
A calçada romana, a escassa centena de metros da povoação, quando muito, apresenta-se em fragmentos intermitentes por uma extensão máxima de cerca de uns 50 metros, se tanto. A sua identificação é óbvia para alguém minimamente sensibilizado para estas matérias.
Não se vislumbra porque motivo (embora seja imaginável), mas a calçada denomina-se, hoje, “caminho do castelo”. Na verdade, não se lobriga, por ali, qualquer vestígio de construção castrense.
A ponte encontra-se ao fundo de uma ladeira, em caminho estreito de terra batida, umas largas centenas de metros também fora da povoação. É de arco único e tem parapeito.
De salientar, ainda, que, pela mesma altura (em 1948), foram descobertos, muito próximo de Catribana, vestígios de materiais de um eventual povoado neolítico (Pedranta, aventam, alguns, a hipótese de que se tenha assim chamado), de cerca de 4 000 anos a. C. Tratava-se de recolhas feitas à superfície, mas também é referida a descoberta de uma jazida, no topo Norte da praia, com ossadas de mais de cem pessoas.
Mas, melhor que eu, fala disto tudo Carlos Pinheiro, no site Malha Atlântica. Assim, veja, deste autor: texto e fotos sobre os vestígios romanos; mais fotos sobre os mesmos vestígios.
De notar que hoje não se pode admirar uma tão grande extensão seguida de calçada, como a que se acaba de ver na foto anterior.
Ver ainda, no site do IPPAR/MC, a importante nota histórico-artística: calçada e ponte romanas e azenhas na Catribana.
Falamos de Catribana. E, como foi referido de raspão, ali, a dois passos, fica uma praia de pescadores, de muito difícil acesso por terra, já que a costa, de altas escarpas, só mesmo por tormentosos e íngremes carreiros permite chegar lá. É a praia da Samarra.
Vê-se, por vezes, uma ou outra pessoa – de certa idade, sobretudo – de cadeirinha de lona, fechada, na mão, a caminho desta zona, onde se sentam horas a fio em baldio sobranceiro ao mar, no alto das arribas alcantiladas, beneficiando de um rico ar iodado...
Ultimamente vêem-se, também, muitos jovens demandando esta praia levados, inclusive, pelo exercício propiciado pelo respectivo acesso.
Veja-se esta sequência de slides sobre a praia da Samarra.
A praia, em si, é uma pequena enseada, de areal pouco extenso, não muito abrigada e com aspecto pouco acolhedor, em virtude do “corredor” aberto pelo sulco da antiga ribeira, na convergência dos dois cabeços que se elevam de cada lado. De todo o modo, de ares muito saudáveis, já que rica em iodo e despoluída...
Mas, e chegar lá por terra?!...
Há tanto mundo para ver!
Até mesmo aqui dentro dos nossos muros...
Quase à nossa porta!
quarta-feira, agosto 01, 2007
OUTRO MONSTRO DO CINEMA EUROPEU QUE DESAPARECE: ANTONIONI (1912-2007)
Antonioni, é quanto basta para o identificar.
E vejam-se os tantos pontos comuns que existiam entre estas duas figuras maiores do cinema, antes d’ontem desaparecidas do mundo dos vivos.
Antonioni e Bergman – dois gigantes, duas figuras ímpares do cinema.
Já, desde há bastante, dois mitos da Sétima Arte.
É o que muito adequadamente se poderá chamar o crepúsculo dos deuses.
Nem mais.
Não será o apocalipse, mas é uma perda irreparável no cinema mundial. Particularmente no europeu. Duas das suas maiores referências apagam-se, no mesmo dia, com escassas horas de intervalo uma da outra.
Hoje, o corpo de Antonioni está em câmara ardente na Câmara Municipal de Roma, realizando-se, amanhã, o seu funeral na cidade que o viu nascer, Ferrara.
«Com Antonioni morre não só um dos maiores realizadores, mas também um mestre da modernidade», declarava ontem Walter Veltroni, exactamente o presidente do município de Roma, num comunicado.
O primeiro nome (de filme) que logo me assalta, ao falar de Antonioni, é O Deserto Vermelho, porque ele me traz à memória um outro talento, o de Mónica Vitti.
O autor de alguns dos mais influentes filmes do neo-realismo italiano, e da estética do cinema, em geral, nasceu em Ferrara, aos 29 de Setembro de 1912. Ou seja, Antonioni deixou-nos aos 94 anos, a cerca de dois meses de completar os 95.
Foi em Roma que viveu o seu ocaso.
Provavelmente porque, nesses idos, a actividade cinematográfica não era considerada uma actividade tão nobre, ou porque a família o influenciasse noutro sentido, ou porque ele próprio sentisse maior segurança com essa opção, fez uma licenciatura em economia na Universidade de Bolonha.
Pouco se sabe da sua actividade na área da profissão que primeiro escolhera. O que se sabe é que, poucos anos depois, em 1940, ele estudava cinema na Cinecittà, onde conheceu e conviveu com conhecidas personagens do mundo do cinema, artistas – que mais tarde viriam a integrar os seus castings – e realizadores, como Roberto Rossellini, outro monstro cinema europeu, como ele neo-realista, também já desaparecido.
«Cineasta da incomunicabilidade ou da dificuldade de viver e amar, dirigiu duas dezenas de filmes, entre os quais «Escândalo de Amor» (1950) e «O Grito» (1957), a trilogia constituída por «A Aventura» (1960), «A Noite» (1961) e «O Eclipse» (1962), e ainda «O Grito» (1957), «O Deserto Vermelho» (1964), «Blow-up» (1966), ou «Identificação de uma Mulher» (1982).
Consagrado internacionalmente, ganhou o Leão de Ouro da Bienal de Veneza em 1964, com «O Deserto Vermelho», a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1967 com «Blow-up», o Prémio Especial do Júri de Cannes com «Identificação de uma Mulher» em 1982, um Óscar de Hollywood pelo conjunto da sua carreira em 1955 e também um Leão de Ouro pela carreira em Veneza, em 1997.
Tinha dificuldade em deslocar-se e em falar devido a um acidente vascular cerebral que sofreu em 1985» - informava, ontem, um comunicado Diário Digital / Lusa
Foi na década de 60 – sem dúvida a década de ouro, a era esplendorosa do séc. XX (salvo, em muitos aspectos, para Portugal), que Antonioni ganhou maior prestígio e consagração.
A sua consagração, como nome maior do cinema, começou logo no ano de 1961, quando, com o filme A NOITE, ganhou o Urso de Ouro do Festival de Berlim. E em 1967, no Festival de Cannes, o seu primeiro filme em língua inglesa, BLOW-UP, foi premiado com a Palma de Ouro.
Outro dos seus “monumentos” – para muitos o maior – foi O DESERTO VERMELHO, filme que, designadamente, costuma ser especialmente mencionado por nele Antonioni ter utilizado, originalmente e com artístico intento, a cor.
Mas a sua projecção começou antes: em 1955 tem o seu primeiro sucesso com LE AMICHE. E em 1959 realizou a sua primeira obra-prima: L’ AVVENTURA (apresentado em 1960), que seria o primeiro da sua conhecida "trilogia da incomunicabilidade".
A NOITE (1961), que é igualmente por muitos considerado um dos marcos do cinema moderno, foi a segunda obra daquela trilogia, sendo a terceira O ECLIPSE.
Destaca o blogger Bruno Sá, um entendido na matéria, ao que me parece: “um pormenor marcante é o de que em praticamente todas as sequências, se não todas, de L’avventura, estas demoram no filme exactamente o mesmo tempo que demorariam na realidade o que, em conjunto com o uso de uma focagem profunda, de modo a ligar as personagens ao opressivo meio ambiente, fazem com que facilmente nos identifiquemos nas situações apresentadas”.
Entre suas estrelas e seus estros inspiradores, destaca-se Mónica Vitti (Maria Luísa Ceciarelli, de seu nome verdadeiro), "mocinha" que anda hoje nos 75 anos (76 em 3NOV) e que nessa época rondava os trinta, trinta e poucos anos. Um dos ídolos da moçarada do meu tempo, a par de outras nada menos sensuais e brilhantes constelações que nos empolgavam.
Foram, sobretudo, exactamente os filmes de Antonioni que lhe valeram os seus tempos de justo glamour.
Mónica Vitti fez parte do elenco de “A AVENTURA” (1960), “A NOITE” (1961) e “O ECLIPSE” (1962) e O DESERTO VERMELHO” (1964) – a tetralogia da alienação de que alguns também falam.
A artista entrou em cerca de 55 produções, incluindo aquela por ela própria escrita e dirigida, em 1989 (perto dos 60 anos): “Scandalo Segreto”
Voltemos a Antonioni.
No seu período americano, depois de “BLOW UP”, (1966), Antonioni fez ZABRISKIE POINT (1970), de cuja banda sonora fazem parte, entre outros, os Pink Floyd; e ainda “PROFISSÃO: REPÓRTER” (1974).
De realçar que BLOW UP “trouxe ao mundo a primeira cena de nudez frontal feminina (Jane Birkin) num filme não-erótico e dirigido ao grande público.”
Uma das principais características das realizações do “poeta do tédio” – como alguém lhe chamou - é a frequente utilização de planos muito longos e fixos. O que se pode constatar neste plano-sequência, de 6 minutos, tirado de “Profissão: Repórter”
Acerca deste filme, e de outros de Antonioni, é de grande proveito a leitura dos comentários de Luiz Carlos Oliveira Jr, aqui
“O cineasta, que descobriu a incomunicabilidade e influenciou toda uma geração”, foi crítico, assistente de realização de Carné e Enrico Fulchignoni e guionista de Fellini.
Porque de índole anticomercial, teve um começo difícil. Porém, claro que Antonioni acabou por ser alvo de muitas homenagens e de muitos troféus.
Recebeu, entre outros prémios, o Leão de Prata em Veneza, com ''Amigas''; o dos críticos em Locarno, com ''O Grito''; especial do júri em Cannes, com ''Aventura''; Urso de Ouro em Berlim, com ''Noite''; especial do júri em Cannes, com ''Eclipse''; Leão de Ouro em Veneza, com ''Deserto Vermelho''; Palma de Ouro em Cannes, com ''Blow-up''.
Morreram os homens (Bergman e Antonioni). Ficaram os nomes, as obras e as respectivas memórias. Que durarão o tempo que o mundo durar, estou em crer.
segunda-feira, julho 30, 2007
O PASSAMENTO DE INGMAR BERGMAN (1918-2007)
- Bergman
Com 89 anos, feitos há dias – 14 deste mês – faleceu hoje, no país que o viu nascer, um mago e um guru do cinema: Ingmar Bergman.
Não há ninguém da minha geração – e próximas – de mediana cultura, que não se recorde de Bergman.
Nos anos 50/60 ia-se ver um filme de Ingmar Bergman como quem ia a uma conferência, a uma aula, a uma sessão cultural cujo tema fosse A Infância, A Morte, A Vida, O Amor, O Insondável, A Religião, Deus, A Alegria, A Solidão, A Dor…
Na verdade, os seus filmes abordam geralmente questões existenciais, como a mortalidade e a solidão, e esotéricas, como a fé.
Não se tratava, pois, de um momento de lazer aquele que se passava (sempre, ou quase) no Estúdio do Império (para falar no meu caso, no meu tempo) ou noutra qualquer sala de cinema para ver um filme do cineasta sueco.
Aliás, Bergman não era um realizador. Era um mestre.
Não era um homem de espectáculo, era um didacta muito respeitado
Julgo que muito longe de qualquer ousada classificação, muitos viram em Bergman o maior realizador da história do cinema.
Como não sou expert na matéria, nem sobre ela tenho bagagem suficiente para entrar em comparações, direi que sim, que dos que me é dado conhecer (e enquanto fui frequentador assíduo das manifestações da sétima arte), ele, se não for o maior, será dos maiores.
(Claro que para os versados, dizer que Bergman foi um dos maiores realizadores de todos os tempos – dentro da ainda curta história do cinema – soa a expressão meio lapalisseana… Não obstante isso - e o lugar comum – essa é a verdade)
Bergman foi distinguido com os mais diversos e valiosos prémios que são atribuídos ao cinema.
E não era apenas o trabalho de rara qualidade do realizador que nos atraía, era também o desempenho extraordinário do elenco, de superior craveira, que reunia para interpretar as suas obras.
Por todos, bastará recordar a brilhante performance de uma Liv Ullmann, que o cineasta dirigiu em 10 filmes, e com quem teve um romance, de que nasceu uma filha.
Kathleen Gomes (PÚBLICO) escreveu um dia: “escolham um rosto de entre os muitos rostos que povoaram o cinema de Ingmar Bergman - o de Liv Ullmann estará sempre no alto, acima de todos”.
Ernst Ingmar Bergman, que nasceu em Uppsala, Suécia, na referida data, em 1918, fez a sua iniciação profissional com “um dos patriarcas do cinema sueco, Victor Sjostrom, homenageado em Morangos Silvestres, em que Sjostrom interpreta o protagonista que perde a noção da memória face à iminência da morte” – pode ler-se em ZAZ, no site brasileiro terra.
Conquanto o mundo o reconheça melhor como cineasta de renome e consagração internacional, foi ainda dramaturgo e argumentista de mérito.
Filho de um espartano pastor sectário de Lutero, teve uma infância muito difícil, vivida com uma rígida disciplina, marcada por coacções psicológicas e castigos corporais, temas frequentes na sua obra.
Bergman fez mais de 50 filmes, e mais de 150 produções teatrais (incluindo guiões), “onde seus temas principais eram Deus, a morte, a vida, o amor, a solidão, o universo feminino e a incomunicabilidade entre casais, tema onde foi pioneiro no cinema. Tornou-se autor completo de seus filmes e renovou a linguagem cinematográfica. Seus primeiros filmes trazem com frequência influências do naturalismo e do romantismo do cinema francês dos anos 30. Alguns chegaram a ser repelidos por causa do erotismo e expressionismo” – descreve Cibele Carvalho Quinelo, da Universidade Federal de São Carlos, Estado de S. Paulo, Brasil.
Da sua filmografia destacam-se, entre vários, «O Sétimo Selo» (de 1956), «Morangos Silvestres» (de 1957) e, o mais recente, «Saraband», (de 2003), em versão digital.
Morangos Silvestres, de que se falou já mais acima, é uma das suas obras máximas, uma homenagem, como se disse, ao seu mestre Victor Sjöstrom, onde este interpreta a figura do Prof de medicina Isak Borg, aposentado, que relembra as passagens mais marcantes da sua vida, numa dramática perspectiva de morte iminente.
O momento alto do filme é o pesadelo do professor na noite que antecede a sua deslocação a Lund, para aí ser homenageado.
A sequência da correria veloz de uma carruagem que transporta um caixão, pelas ruas desertas e vazias da cidade, a perda de uma roda da carruagem, a consequente queda do caixão e o respectivo estrondo, o braço e a mão que dele emergem (e que Borg reconhecem serem dele mesmo), além do enorme relógio sem ponteiros… Tudo são as alegorias bergmanianas duma memória que se esgotou, dum fim que se aproxima, dum tempo incomensurável.
Creio ser esta a passagem mais impressiva, cujo registo se manterá na memória de todos quantos viram o filme. Filme este, aliás, que parece sintetizar toda a “problemática bergmaniana. Desde o problema da infância, do amor e da história, até o de Deus” – comenta Lincoln Secco.
Aliás, este mesmo historiador sustenta: “A filmografia de Ingmar Bergman pode ser vista a partir de três dilemas: a infância, o amor e a história. Dos três elementos, o terceiro é o menos visível. O primeiro foi o mais explorado de maneira consciente. O segundo poderia ser definido mais como a falta de amor ou as sucessivas tentativas de conquistá-lo” (site mnemocine).
“O Sétimo Selo” foi o filme que projectou I. Bergaman internacionalmente. O filme ”foi dedicado a Bibi Andersson e ela, assim como Max Von Sydon, Erland Josephson, Ingrid Thulin, Liv Ullman, Harriet Anderson e Gunnar Bjosrnstrand, que começaram com ele no teatro, se tornaram para sempre "atores Bergmanianos" e seguiram carreiras internacionais” – (cit Cibele Carvalho Quinelo, id).
“O título é uma referência ao capítulo oito do livro das revelações”, explica, ainda, a mesma citada autora. Trata-se de uma história simples, mas carregada daquele esoterismo que caracteriza não só brasileiros como outros povos. E o próprio Bergman, com logo se deixa ver. Um cavaleiro e seu escudeiro voltam das Cruzadas e encontram o seu país, a Suécia, assolado pela peste. Eles encontram-se com a morte e o cavaleiro faz um acordo com ela: só por ela serão arrastados (ele e o seu povo) se, num jogo de xadrez que lhe propôs jogar, ela o vencesse.
“Acredito que Bergman está presente no filme na angústia do cavaleiro que vê sua vida destituída de sentido, e também no ateísmo de seu fiel amigo Escudeiro”, acrescenta a mesma autora. ”O Filme, assim como toda a obra do director no seu início, é considerado neo-expressionista. Os cenários são muito rústicos e simples, a maquiagem é impressionante, e muitas vezes os actores aparecem machucados, ou com dentes podres, desprovidos de qualquer regra de higiene actuais, o que dá mais realismo ao filme” – são ainda palavras de Cibele Quinelo.
(…) “Em matéria de fé, o filme articulou perguntas que [Bergman] não se atrevia fazer: quais eram os sinais verdadeiros de que existia um Deus? Onde estava o testemunho coerente de qualquer benevolência divina? Qual era o propósito da oração? (…)"
“A natureza religiosa da obra de Bergman se manifesta de imediato no filme. Em uma entrevista declarou que utilizava seus filmes para encarar seus temores pessoais. Disse ele: "Tenho medo da maior parte das coisas dessa vida" e "Depois daquele filme ainda penso na morte, mas não é mais uma obsessão", e em O Sétimo Selo ele enfrentou o seu medo da morte. "A Morte está presente todo o tempo, e cada um reage de maneira diferente a ela. Deus e a Morte são os grandes pilares do filme, e em grau menor, mas essencial, mostra seus sentimentos sobre o Amor e a Arte” – escreve ainda, e uma vez mais Cibele C. Quinelo.
Saraband. Depois do seu filme "Cenas da Vida Conjugal", (1973) Ingmar Bergman volta a encontrar as personagens que Liv Ullman e Erland Josephson então personificaram, num filme que ele descreve como "um concerto para uma orquestra sinfónica, com quatro solistas". Trinta anos passaram desde que Marianne e Johan se separaram. Marianne pressente que Johan precisa dela, e não resiste ao impulso de o visitar na sua velha casa de campo.
Relembram, então, a sua vida conjugal, o amor que os uniu, as memórias do que os afastou.
Apesar de todos estes anos sem se verem, é bem patente que a cumplicidade que os caracterizou não havia esmorecido. Marianne conhece, nessa altura, o filho de Johan, Henrik, e a filha deste, Karin. E muito rapidamente compreende que Henrik tem um amor possessivo pela filha e que Johan só sente ódio e desprezo pelo filho. É aí que Marianne se interroga sobre se a sua presença poderá, ou não, atenuar a ansiedade que atormenta Johan.
Trata-se, a um tempo, do filme mais intenso e mais suave, de que falou essa grande surpresa do filme que foi Julia Dufvenius (Karin).
Após uma despedida várias vezes anunciada, este foi, de facto, o último trabalho de Bergman, quando ele já contava 85 primaveras.
Mas doutros filmes temos (os do meu tempo) memória. Todos nos recordamos de “A Fonte da Virgem” (1959), de “Mónica e o Desejo” (1952). Mais recentemente, de “Fanny e Alexandre” (1982).
Quanto à “Fonte da Virgem”, a história desenrola-se na Idade Média. Um casal profundamente religioso tem uma filha (Karin) que encanta toda a gente “com o seu cabelo dourado, olhos azuis e pureza de alma”. Na época era costume as velas serem transportadas para a igreja por uma virgem. Daí que, num Domingo, na sua aldeia, de tal tarefa tenha sido incumbida Karin. Só que, no caminho, ela é assaltada e violada por três homens que ela, à partida, pensara tratar-se de pastores.
A trama desenvolve-se com a tentativa de venda, por parte dos meliantes, das roupas da pobre moça, por acaso e terrível coincidência, aos seus próprios pais. Desencantado e incrédulo com o que Deus lhe reservara para a filha, o pai jurou vingança e não descansou enquanto não a encontrou. E ao consegui-lo presenciou um milagre.
Esta lacónica descrição não permite bem avaliar toda a qualidade técnica do realizador e dos actores. Na verdade, o filme foi o vencedor do melhor filme estrangeiro, ganhando o respectivo Óscar em 1961. Além de ter sido também um dos vencedores do Festival de Cannes, com menção honrosa, no ano anterior.
De “Mónica e o Desejo” escreveu um crítico brasileiro: “onde o verão inunda a trama de sensualidade”.
É a história de uma garota sexy e do seu desejo de evasão. Desejo de uma vida diferente. E com a inevitável moralidade contemporânea: o preço a pagar pelas ilusões…
“Fanny e Alexandre” é a narração da saga de uma família sueca no virar do séc. XIX para o séc. XX.
Segundo os críticos, este trabalho é como que uma síntese de toda a grande obra de Bergman, que lhe valeu, entre outras distinções, três Óscares.
E aí temos a temática habitual de Bergman: a alegria, a dor, a vida, a religião, o sobrenatural…
sexta-feira, julho 27, 2007
RETRATO
Tem sido objecto de muitas citações. Como tem sido transcrito em muitos posts e mails.
É, de facto, um texto paradigmático quanto a um sentir, na época que vivemos.
Daí o merecer integrar o APOSTILA.
É um artigo de António Barreto, na sua coluna periódica do Público, em matéria de opinião, “Retrato da Semana”, na edição de 27 de Maio do ano que corre, intitulado Enfim, só!
É uma análise serena, tão mordaz como impiedosa e tão impiedosa como merecida.
É o indivíduo e o político por uma pena. Um retrato soberbo pela grande qualidade do observador-autor.
A objectiva foca o engº Pinto de Sousa, que o vulgo conhece por José Sócrates.
Não sabemos ao certo é se a imagem respeita a um objecto ou à sua sombra.
Serão uma realidade o engº, o Pinto de Sousa, o José?
Sócrates, não é.
O engº, será, parece, uma excrescência, um arremedo, uma pluma inventada. Uma ênfase imaginada.
Pinto de Sousa, este, creio tratar-se de um mito, a representação tardia de algo que se pretende esquecer.
José?
Josés são tantos como as Marias: comuns. São tão reais como banais. De entre eles, só alguns são eleitos pelo vulgo, porque, este, a memória lhes quer perpetuar.
Não é o caso do presente… Que o povo quer esquecer.
De Cavaco adquiriu a maneira autoritária e o espírito distante. A indiferença e a “soberana” superioridade relativamente aos partidos. Começando por aquele que o acolheu e alcandorou.
De Guterres copiou o jeito de um “socialista” bem heterodoxo.
De Soares, a empáfia, o discurso fácil adequado à circunstância e ao opositor.
De Salazar herdou o militante desprezo pela democracia, o modo de pactuar com a delação, o autismo perante o país real, a postura do político para quem, quem não é por ele, é antipatriota, herege, “comunista”, objecto de perseguição, merecedor de todos os anátemas.
Leia, no APOSTILA, Enfim, só!
segunda-feira, julho 09, 2007
HÁ ALGUM PS NO GOVERNO?

“Há pouco PS no governo”, desabafou Manuel Alegre.
(Estranho, até, que ainda lá consiga vislumbrar algum...)
Não é, porém, e por enquanto, o grito de guerra que se aguarda. Esse... Não se sabe para quando.
O editorial do director adjunto do Público, na edição de ontem, é um texto exemplar, revelador como outros recentes, do estado d’alma dos portugueses, da sanha persecutória de um governo que se diz do PS. Dos tempos complicados que se vivem neste cantinho da Europa, e dos mais difíceis, ainda, que se adivinham.
São palavras necessárias. Uma tempestiva chamada de atenção.
URGENTE.
A “poluição” política DESTE PS abafa-nos as consciências. Impede-nos a “respiração”.
Quando será que os velhos bombeiros DO PS (Alegre, Sampaio, Cravinho, entre outros) lançam o alarme e põem termo ao contumaz uso e abuso da designação?
Transcrevi o aludido editorial no Apostila. Não resisti, mesmo a, para além do destaque feito pela edição, fazer os meus próprios sublinhados.
Leia, pois OS BUFOS E O APARELHO DOS PARTIDOS.
domingo, julho 08, 2007
PARTIDO SOCIALISTA? ISTO?
A desconfiança está instalada.
Nalguns sectores, o medo é uma realidade. Que coíbe, efectivamente.
A coacção, não é, já, uma mera ameaça. É uma prática. Não, meramente, tacteada. Antes em franca expansão. Quase generalizada.
Das (sempre) ultra-secretas reuniões do grupo Bilderberg têm emergido as mais ignoradas e desconhecidas figuras que, num repente, se transformaram em mediáticas e, ultimamente, dominadoras figuras dos palcos da política, tais como, desde uma Angela Merkl ou um Nicolas Sarkozy a um Durão Barroso, um Santana Lopes ou um José Sócrates.
Eles aí estão, os grandes patrões do mundo dos negócios - o tal grupo que secretamente se reúne, de quando em quando, para avaliar o “trabalho” dos seus peões e para lhes ditar novas regras – a manusear os seus robertos.
Os portugueses, aparvalhados, nem acreditam que, neste limiar do séc XXI, estejam a ser governados por um partido socialista.
O corrupio e o desaforo são tamanhos, que a repugnância, de tanta que é, nem admite atender ao pudor. Miríades e miríades de bytes – os antes designados “rios de tinta” – têm sido usados pelas mais variadas vias dos media, numa atitude de repulsa e de frontal condenação pelo que se está a passar.
E o que mais nos assusta, a alguns, e o que mais nos pesa, é que nos vemos a integrar um coro que não é o nosso... Nem por sombras!
Dramático!
Porque se trata de um texto exemplar, que define e descreve a situação actual, é que recomendo a leitura da coluna A Semana Política, da jornalista São José Almeida, da edição de ontem do Público, que transcrevo no Apostila: Um Sono Profundo
segunda-feira, julho 02, 2007
AINDA À VOLTA DA FLEXIBILIDADE - 2
Um exemplo de equipa de lil’ flexibilizadores
«A protecção social tem que ser compatibilizada com a precariedade gerada pelas tecnologias e pela globalização»
Não inventei a frase. Que não é de nenhum perigoso esquerdista. Nem de nenhum ousado anti-capitalista.
É o destaque de um artigo de Sarsfield Cabral, hoje, no Público. A propósito da flexi-segurança. Verdade que a frase nem sai, em absoluto rigor, contrariamente ao que geralmente acontece, do texto do autor. É antes uma síntese de uma das suas passagens.
Verdade, também, que a frase em destaque (que eu não sei se é “arranjada” pelo autor do artigo, se pela redacção do jornal) é um dos tais casos em que a letra nem sequer diz bem com a careta...
Não estarei em absoluto acordo com Sarsfield Cabral na análise desta questão, em particular, mas estou em total consonância com o espírito que – quer se goste ou não, parafraseando o autor – da referida frase ressalta à mais clara evidência.
Acontece: às vezes a língua foge...
domingo, julho 01, 2007
REINO DE DEUS. OU: “REINO DE DEUS”
Gazing intently: by Katosu
“Portugal é um país maioritariamente católico” – rezam as crónicas.
Mas, claro que é um rumor.
Segundo o censo de 2001, na verdade, 84% da população total “inscreve-se numa tradição católica”. Porém, segundo um estudo da própria Igreja Católica (também de 2001) são católicos praticantes apenas 1.933.677 portugueses (18.7% da população total), sendo que o número de mais efectivos participantes (“comungantes”) é de 1.065.036 (10.3% da população total).
(Fonte: wikipédia)
A realidade é diferente do rumor.
Mas aceitemos os números como verdadeiros.
Sempre nos poderemos questionar acerca do seguinte: pegando nas palavras, de hoje (*), de Frei Bento Domingues, quantos se sentirão atraídos e constituindo um reino de Deus, “onde não há separação entre judeu e grego, escravo e livre, homem e mulher”? Mais: quem se sentirá imerso n’”o movimento de Jesus” (que ) só conhece uma categoria de seres humanos: a categoria de irmão, que inclui os próprios inimigos”? – para utilizar ainda as prudentes palavras do dominicano.
Não aponto para o julgamento de ninguém. Tão, apenas, para uma reflexão de todos. E quanto a uma maneira de estar, sendo-se crente ou não crente. Constituindo o “reino de Deus” uma realidade como tal, para os crentes, ou uma miragem, um mundo virtual de paz e justiça, um mundo ideal, (talvez) relizável (mas por que valerá a pena lutar), para os mais.
Porque, quanto ao resto – guerra de religiões –, o próprio frade nos recorda a velha anedota: “Qual a diferença entre um liturgista e um terrorista? Com um terrorista, é possível negociar...”
(*) DM 01.07.07, PÚBLICO/OPINIÃO/PRECISAMOS DE CONVERSAR (III)
sábado, junho 30, 2007
AINDA À VOLTA DA FLEXIBILIDADE
Um flexibilizado
1. No Fio do Horizonte de ontem, o Prof E Prado Coelho escrevia sobre flexissegurança.
Já vi registos de flexi-segurança, flexissegurança e até de flexisegurança. O Prof opta (e talvez bem) por flexissegurança. Tudo sintetizado (?) no neologismo flexigurança.
No tratamento da matéria, porém, deixa-me algumas dúvidas quanto ao seu pendor.
Num ponto está nitidamente com Carrapatoso, mas sobre as tomadas de posição de “Jerónimo de Sousa e os seus acompanhantes” lança o mais que politicamente correcto anátema: “o problema do PCP é que se repete tanto que se torna inaudível”.
De pessoa tão sensata e inteligente, esperava argumento mais substancial, mais consistente, não tão plebeísticamente sonoro, mas vazio.
Bom, mas dá voz a João Proença e a Carvalho da Silva, para os quais a segurança fica reduzida a zero. Aliás, e bem explicitamente, é o que afirma o dirigente da CGTP-IN, que o Prof cita: "em Portugal, só há uma discussão: a flexibilidade, porque a segurança é coisa nenhuma". O que não é propriamente uma tomada de posição amarela.
Depois o Prof alude Antonio Negri, que apresenta como radical de extrema-esquerda (meu Deus! Radical, e ainda por cima da EXTREMA-esquerda, o sujeito deve estar a meio centímetro do “nazofascismo”) para quem – não esquecendo que “entre esquerda e direita nem tudo é linear”, lembra, no seu alto voo filosófico, EPC – “a esquerda tradicional está presa a uma visão do século passado e apenas se interessa pelos trabalhadores que têm trabalho”.
“E acaba por ser uma força retrógada” – aqui, fica-se na dúvida se o afirma o felino e feroz radical extremo-esquerdista AN ou o centro-esquerdista PC... Ou (quem sabe!) o “comprometido lusitano” Carrapatoso...
Como também não é fácil apurar se o remate da coluna é da responsabilidade do ultra AN ou do avisado Prof, quando a propósito dos neo-tecnólogos e dos arrasantes e erosivos efeitos da globalização se recomenda que eles aceitem a flexibilidade para atingir a segurança!
Mas não deve ser de EPC o conselho, pois que, ao confrontar flexissegurança e flexigurança, conclui: «mais "segurança" ou mais "gurança", no fundo tanto faz».
Aí, e finalmente, estamos de acordo.
2. Do editorial de ontem do subdirector do Público, Paulo Ferreira, que intitulou APLAUSOS E AVISOS DO FMI A UM ANO E MEIO DE ELEIÇÕES, transcrevo:
« Não admira que o FMI goste do que vai vendo
Tudo isto junto, não admira que quem se preocupa com essas classificações tenha muita dificuldade em colocar este Governo na gaveta da esquerda.»
Claro que não vou estragar a transcrição com nenhum comentário.
Fica aí para reflexão.
terça-feira, junho 26, 2007
FLEXIgurança É MAIS CONDIZENTE...
Não diria como Manuel Carvalho, no seu editorial do PÚBLICO, de hoje, que “a palavra é feia e o seu significado confuso”.
Ele fala da flexi-segurança.
Mas num telegrama da Lusa acabo de ler flexigurança. Creio ser mais aceitável, assim, a proposta de Bruxelas: a segurança não existe mesmo ou é coisa encapotada, a fazer de conta. Como não é coisa que dê dividendos, corta-se o mal pela raiz. Ou seja, corta-se o SE de segurança, e fica destacada uma mais rentável flexi.
Mas voltando àquele texto (aqui, à introdução) do director adjunto do diário, a flexi-segurança, parece-me, mais, uma panaceia, qual droga paliativa de uma morte anunciada, mas lenta.
Enquanto não for feito o diagnóstico exaustivo (noutro laboratório que não apenas no do capitalista) da situação, em todas as suas vertentes...
Enquanto a farmacologia social não descobrir mezinha que substitua o unguento e um tratamento eficaz...
Mal acomparado, é como se, para uma família pobre, sem recursos nem pão, a solução fosse assegurar o inevitável aumento de preço de quaisquer bens (essenciais, incluídos), pôr uma assistente social a fazer entender que a situação dessa família é irreversível e irremediável, uma freira a incutir-lhe espírito de santa resignação e (hélas!) ao mesmo tempo garantir-lhe a inevitável protecção no seu processo irresolúvel...
Nem mais: eutanásia TAMBÉM social.
domingo, junho 24, 2007
HOW CAN THIS BE? THIS CAN’T BE TRUE!
Como é que vou dizer?
Como é qu'hei-de explicar?
Não sei bem.
É assim uma coisa que incomoda!
Muito.
Digamos: que esmaga!...
É um nó! Terrível!
Um murro duríssimo no estômago!
É preciso ver.
(Para isso é preciso ser forte)
Não, não é só na Holanda...
Nem, apenas, respeita às poucas crianças de que aqui se fala.
É em todo o mundo.
A muitas centenas de milhares...
É preciso divulgar.
Tem que ser.
É urgente...
Urge!
URGE!
URRRRRGEEE!
Filme trazido do PEDECABRA.
Obrigado Rui L.
sábado, junho 09, 2007
MUNDO CÃO? LÁ POSSÍVEL!!!... É A NOSSA IMAGINAÇÃO!
China Polícia resgata 31 trabalhadores escravos de uma fábrica
09.06.2007
Estes são apenas oito dos 31 chineses que durante um ano foram escravos de uma fábrica no Norte da província de Shanxi. Foram agora resgatados, após meses de trabalhos forçados não remunerados, maus tratos e uma alimentação à base de pão e água. Segundo o jornal local Shanxi Evening Post, citado pela Reuters, oito dos resgatados estavam tão traumatizados que apenas eram capazes de recordar os seus nomes. Um trabalhador foi espancado com um martelo até à morte, por supostamente não se ter esforçado o suficiente. Os restantes apareceram com diversas feridas, hematomas e queimaduras por todo o corpo. "A sujidade nos seus corpos era tão profunda que podia ser raspada com uma faca", acrescentava o jornal. Os operários continuam no local, à espera que o governo da província consiga pagar os seus salários. A fábrica pertencia ao filho de um responsável do Partido Comunista local e isso explica, segundo o jornal chinês, que tenha conseguido manter os trabalhadores naquelas condições durante tanto tempo. Segundo a BBC, Wang Binbin já foi preso e o pai, Dongji, está a ser investigado.
A China é hoje uma das maiores economias mundiais, em grande parte devido a ordenados na ordem dos 2 euros ou menos por dia, notava ontem a Reuters.
(Público impresso, hoje)
Ainda acerca da matéria,
08-06-2007 - 11:34
Salvo da escravidão
Um dos trabalhadores chineses salvos pela polícia que estavam sujeitos a um regime de escravatura
Tudo isto é triste. Mas tudo isto é só farsa.
Tudo forjado pela sensacionalista “imprensa de sarjeta”.
Porque a realidade que conta é bem outra: os jogos florais com que os senhores do mundo se vão entretendo, sempre em bem rentáveis shows, em que os beneméritos mecenas vão apurando seus chorudos dividendos e deixando umas côdeas a tão prestáveis e zelosos actores...
Não chego mais longe. (Aliás, pois se nem longe chego!...)
A cerca de meia dúzia de amigos, talvez mais um ou outro conhecido e algum distraído mirone, que deparam nestas páginas, e quejandas, com estes meus dolorosos espasmos, esses já conhecem o motivo da fúria de hoje, pois já passaram pela fonte de que me socorri.
Só porque se trata de um espaço público me permito (me obrigo!) a insistência no mote.
Pois: certo que não vou longe. Mas deixo o meu público protesto. E solidariedade.
Não me basta porque tudo continua na mesma... Mas faço o que posso.
Para o alarme e o apelo.
A revolta, o cansaço, o desespero... estão quase redondos.
(Cuidado: cansaço não é permitido. Nem conveniente.
Isso é o que “eles” querem...)
Quem irá pôr ponto final neste degredo?
Quando?
Como?
A que preço? (O sangue terá voltado a ter preço?)
Fiquei entupido. E parvo, de espanto. E roxo de indignação.
quarta-feira, junho 06, 2007
DISCURSO DO EMBAIXADOR
Recebi dum amigo, Carlos P, o seguinte mail a seguir em destaque, onde mantenho a grafia original das transcrições.
Não sei se já extractado do Jornal do Comércio - Recife/PE, abaixo referido, se de outra autoria, o preâmbulo é o seguinte:
”Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência [creio que se quereria dizer de ascendência] indígena, defendendo o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Européia. A conferência dos chefes de Estado da União Européia, Mercosul e Caribe, em maio de 2002 em Madri, viveu um momento revelador e surpreendente: os chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irônico, cáustico e de exatidão histórica que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc.
Eis o discurso:”
«Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país- ,com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos
seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no "Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo
e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos
Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros , seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América.
Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica...»
E agora, creio que, seguramente ele, prossegue o dito Jornal do Comércio - Recife/Estado de Pernambuco:
“Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, o Cacique Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a Verdadeira Dívida Externa.
Agora resta que algum Governo Latino-Americano tenha a dignidade e coragem suficiente para impor seus direitos perante os Tribunais Internacionais.
Os europeus teriam que pagar por toda a espoliação que aplicaram aos povos que aqui habitavam, com juros civilizados.”
(Publicado no Jornal do Comércio - Recife/PE).
Segundo consta, não se sabe ao certo se é o discurso feito se o que falta fazer...
Um ou outro, está aí!

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