sexta-feira, abril 15, 2005

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA


Foi há 536 anos (1469), um SB: nasceu Guru Nanak, fundador e primeiro dirigente da comunidade religiosa sik. Em Portugal reinava D. Afonso V (12º). Aos destinos da Igreja presidia o papa Paulo II (211º).
O templo Sik em Deli/Índia é um local de constante romaria, quer de crentes, quer de turistas. Estes, para terem acesso ao templo, têm de se descalçar e pôr um lenço na cabeça (calçando umas sapatilhas adequadas, postas aí, tal como o lenço, à disposição das pessoas). Os crentes já usam aquele turbante que os caracteriza.
O templo está em festa permanente: ouve-se, ininterruptamente, a sua música “sacra”. A maneira de estar no templo é a de sentado nos calcanhares. O templo têm ainda no seu interior um museu de símbolos e outros objectos ligados à sua fé. Não são apenas observados pelos turistas… Também os crentes por aí passam, mas com outro espírito e outra unção…
No exterior, e num anexo, existe um permanente apoio logístico ao templo, incluindo uma padaria, onde se coze, artesanalmente, o seu especial pão (para o arredondado, baixinho, um pouco para o mole).

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Foi há 489 anos (1516), uma TR: A rainha Isabel de Aragão, mulher de D. Dinis, foi beatificada, a instâncias de D.Manuel I, por breve de Leão X de 15ABR1516 “só para Coimbra e seu bispado”.
Por mera curiosidade, Leão X foi um dos papas da família Médicis (cfr esta rubrica no passado dia 9 deste mês).
A rainha Santa Isabel viria a ser canonizada por Urbano VIII (25MAI1625) no reinado de Filipe III (20º).

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Foi há 241 anos (1764), um DM: morreu Madame de Pompadour, amante do rei francês Luís XV. Em Portugal reinava D. José (25º). Pontificava Clemente XIII (248º).
Luís XV era neto do Rei-sol, Luís XIV, cujo reinado se prolongou por 72 anos, e a quem sucedeu (o único filho legítimo de Luís XIV, morreu jovem). Além do fausto da sua corte (mais tarde inspiradora do nosso D. João V), Luís XIV celebrizou-se, designadamente, pela sua famosa frase, “L’État c’est moi”, e pelo seu primeiro-ministro, o cardeal Richelieu.
Madame Pompadour exerceu decisiva influência na personalidade e na política de Luís XV. Por exemplo, a extravagante ideia de uma aliança entre a França e a Áustria (em 1756), o que contrariava a tradicional política entre as duas grandes rivais, ficou a dever-se, em grande medida, à sua poderosa influência junto do monarca.

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Foi há 159 anos (1846), uma QA: revolta popular da "Maria da Fonte". Reinava D. Maria II (30º). Pontificava Gregório XVI (254º).
A insurreição popular que ficaria conhecida pela revolta da Maria da Fonte, teve início no Minho e foi prelúdio da longa e sangrenta “guerra da patuleia” (contra o autoritarismo do governo do conde de Tomar, Costa Cabral). A agitação popular liderada pela aldeã Maria da Fonte (da Fonte, porque da Fonte Arcada, Póvoa de Lanhoso), “saiu do impulso espontâneo do povo, sem unidade de comando nem programa político, como simples protesto contra duas leis, se bem que lhe desse alentos a atmosfera de descontentamento contra o governo de Costa Cabral. O motivo próximo, imediato, dos levantes, foi a repugnância em obedecer a uma lei tributária e à que proibia os enterramentos nas igrejas, mandando sepultar os cadáveres em cemitérios longe dos templos, o que à credulidade popular parecia vexatório e ofensivo” (GEPB, vol XVI, pg 327). Na verdade, e relativamente, talvez, à referida lei tributária, um dos gritos de guerra, dirigido aos exactores do fisco, era “abaixo o cruzado para as estradas”.
Ao fim e ao cabo a revolta da Maria da Fonte (15ABR) foi o início uma guerra civil (referida guerra da patuleia) que duraria mais de um ano, até à Convenção de Gramido (30JUN1847).
Patuleias eram os seguidores da ala esquerda do liberalismo português – afinal, os “setembristas”, desde o momento em que a revolução de 09SET1836 os levou ao poder e cujo objectivo último era a adopção da Constituição de 1822 que apontava para “um trono rodeado de instituições republicanas”.
Patuleia era o nome por que era conhecido o partido democrático, popular, na revolução de 1846. “De pata ao léu suspeito que deriva o patuleia”, escrevia Camilo Castelo Branco na sua obra Maria da Fonte.

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Foi há 140 anos (1865), um SB: morreu, assassinado, em Washington, Abraham Lincoln, 16º presidente dos EUA. Em Portugal reinava D. Luís (32º). Pio IX (255º) era o Soberano Pontífice.
Lincoln nasceu no Estado de Kentucky, em 1809, de família modesta. “Recebeu fraquíssima educção escolar, mas leu muito”. Conheceu de perto, nas muitas “viagens que fez para ganhar a vida”, a magna questão que era a escravatura. Em 1834 é eleito deputado à assembleia de Illinois. Em 1837 já era advogado de causas cíveis, granjeando numerosa clientela. Membro do Congresso federal, em 1846, opôs-se vivamente à guerra do México e reclamou, a partir de 1849, a abolição da escravidão. Ganha grande popularidade quando empreende uma campanha abolicionista em diversos Estados. Muito elogiado e apontado como bom pretendente às presidenciais do seu país, autorizou, por fim, os seus amigos a proporem e a trabalharem pela sua candidatura. Indicado, sem qualquer contestação como candidato pelo partido republicano, foi eleito presidente em Novembro de 1860, aos 51 anos.
Entretanto, os Estados esclavagistas do Sul preparavam a secessão. Lincoln proclamou, então, que nenhum Estado tinha o direito de sair da União. Para o Norte, foi uma medida aplaudida; para o Sul, uma declaração de guerra. Menos de seis semanas depois, tinha início a guerra civil (guerra da secessão). A sua energia inquebrantável não evitou que, poucos anos volvidos, fosse alvo de um atentado que o vitimaria mortalmente.

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Foi há 93 anos (1912), uma SG: o Titanic, transatlântico britânico, naufraga ao colidir com um iceberg durante a sua viagem inaugural com destino aos EUA, provocando mais de 1500 vítimas. Isto quando em Portugal decorria a presidência de Manuel de Arriaga. Pontificava Pio X (257º).

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Foi há 92 anos (1913), uma TR: nasceu Raul Rêgo, político e jornalista português. Em Portugal tínhamos na presidência Manuel de Arriaga. Pontificava Pio X (257º).
Nascido no concelho de Macedo de Cavaleiros, morreu em Lisboa, em 2002 com cerca de 90 anos.
Foi um republicano confesso e um destacado oposicionista ao regime do Estado Novo, colaborando, designadamente, na Seara Nova, e no Diário de Lisboa. Foi director do República, e, na sequência da ocupação deste jornal por forças da extrema-esquerda, esteve na origem da criação de A Luta, que dirigiu até 1979. Foi deputado à AR pelo partido socialista e foi também grão-mestre da Maçonaria Portuguesa (1989).
Ficou célebre o seu livro “Para um
Diálogo com o Sr Cardeal Patriarca”, de ABR1968. Ao tempo o patriarca de Lisboa era o cardeal Cerejeira.
Em Outubro de 1986 sai “o que deve ser o livro da su vida, pelo escrúpulo e paixão que nele tem posto” (segundo Mário Soares que o prefaciou): História da República, em 5 volumes.

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Foi há 86 anos (1919), um: nasceu, em Condeixa, Fernando Namora, escritor português. Era então PR Canto e Castro. Pontificava Bento XV (258º).
Formado em medicina pela Universidade de Coimbra, o seu pendor literário fê-lo aderir ao grupo dos jovens poetas do Novo Cancioneiro. “Tendo exercido medicina em ambientes rurais e citadinos, soube, a partir desta experiência, recriar os problemas fundamentais da actual sociedade portuguesa, em tonalidades neo-realistas, mas afastando-se do critério ideológico dominante naquela corrente” – A Enciclopédia, Público, vol 14, pg 5963.
Uma das aldeias em que foi médico foi Monsanto, freguesia do concelho de Idanha-a-Nova (Castelo Branco), onde, na casa que aí habitou, existe uma placa recordando o facto.
Morreu aos 70 anos, em 1989, em Lisboa.
Deixou vasta obra, por ex.: As Sete Partidas do Mundo (1938), Minas de S. Francisco (1946), A Noite e a Madrugada (1950), Domingo à Tarde (1961), Retalhos da Vida de um Médico (1949 e 1963), Deuses e Demónios da Medicina (biografias romanceadas, de 1952), e tantos, tantos mais.
Fernando Namora recebeu os prémios literários José Lins do Rego, Ricardo Malheiros, Fialho de Almeida e D. Dinis.

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Foi há 37 anos (1968) uma SG: nasceu Inês de Medeiros, actriz. Era PR Américo Tomás. No Vaticano pontificava o papa Paulo VI (262º).
Filha da muito conhecida figura pública que é o maestro António Vitorino de Almeida. E irmã de Maria de Medeiros (actriz de craveira internacional e relizadora de cinema, mais velha que Inês 3 anos).

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Foi há 25 anos (1980), uma TR: morreu Jean-Paul Sartre, filósofo e escritor (romancista e dramaturgo) francês. Em Portugal er PR o general Ramalho Eanes. O papa reinante era João Paulo II (264º).
No editorial do PÚBLICO, desta data (15ABR2005), o respectivo director traçava assim o perfil deste autor: «Em Sartre é necessário distinguir várias componentes - a do escritor e dramaturgo, cujo valor resiste ao tempo, a do filósofo, cuja influência se desvanece, e a do "intelectual militante" cuja memória assusta. E assusta não porque sejam hoje muitos os que defendem as "causas" em que Sartre, ainda apresentado como o "intelectual dos intelectuais", se empenhou, mas porque se procura recuperar a sua memória em nome de abstracções idealistas que as suas opções políticas contrariaram de forma repetida. (…)Impressiona que ainda hoje, talvez por um inultrapassável sentimento de orfandade, os nostálgicos da tribo que o venerava como um santo repitam que "mais valia estar errado com Sartre do que certo ao lado de Aron". Ora é exactamente essa a tragédia de muitos intelectuais, incapazes de entenderem quando as suas ideias têm consequências trágicas, que mais do que a retórica dos regimes importa julgar as suas práticas, intelectuais que possuem uma espécie de "doença ocupacional", como lhe chamara Aron, que é a de se oporem por sistema à ordem que lhes permite viverem e escreverem em liberdade. Uma tragédia persistente, pois a sua atracção pelos mundos perfeitos criados nas suas cabeças iluminadas, e que gostariam de impor a todos, é um mal duradouro que os impede de se confrontarem com as cruas realidades da natureza humana.»
Em 20JUN2005 celebrar-se-á o centenário do seu nascimento.

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Foi há 24 anos (1981), um: são transferidos para a Biblioteca Nacional os chamados “arquivos de Salazar” e de “Marcelo Caetano”. Ramalho Eanes era, na altura o PR. Pontificava João Paulo II.

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Foi há 18 anos (1987), uma QA: entrega dos Prémios Pen Clube a Maria Alzira Seixo (ensaio), David Mourão-Ferreira (narrativa), Nuno Júdice (poesia) e Luiza Neto Jorge (tradução literária). Era PR o Dr Mário Soares. Sumo pontífice era João Paulo II.
David Mourão-Ferreira, como escritor, distinguiu-se, sobretudo, no conto, na poesia e no ensaio. Em 1986 (um ano antes da atribuição do prémio) escreveu o seu único romance: Um Amor Feliz, logo premiado com o Grande Prémio do Romance da Associação Portuguesa de Escritores. Mourão-Ferreira nasceu em Lisboa em 1927, onde morreu em 1996.
Maria Alzira Seixo escreveu, por exemplo O Essencial sobre José Saramago (1987), Poéticas da Viagem na Literatura (1998) e teve a seu cargo a coordenação do texto do livro recente (2203) de António lobo Antunes, Boa Tarde às Coisas aqui em Baixo.
Nuno Júdice desde A Noção de Poema (1972) que revelou uma atenção particular à matéria do seu trabalho. “A sua poesia assenta numa «textualidade» discursiva que, por vezes, se confunde com a prosa ou que se expande mesmo na prosa (por exemplo, Plâncton, 1981; A Manta Religiosa, 1982; O Tesouro da Rainha do Sabá, 1984; Adágio, 1989…”. “A atmosfera da sua poesia é neo-romântica, por vezes simbólica, abstracta, mas embebida de elementos do real. (…) É um dos poetas mais significativos da poesia portuguesa contemporânea” – A Enciclopédia, Público, vol 12, pg 4910. Nasceu em 1949.
Luiza Neto Jorge foi essencialmente poetisa. Mas foi também uma excelente tradutora.
“Muito discreta, viveu sempre afastada da feira das vaidades literárias. A sua obra poética abrange, por exemplo, A Noite Vertebrada (1960). Nascida em Lisboa em 1939, aí morreu em 1989.
Foi co-tradutora do livro intitulado Leo Ferré, edição da Ulmeiro, de Mar1984.
Foi também tradutora de O Papalagui / Discursos de Tuiavii, chefe de tribo de Tiavea nos mares do Sul (livro interessantíssimo que põe a nu e a “ridículo” os “curiosos” hábitos e vida dos ocidentais – sempre na sua perspectiva), cuja 11ª edição, da Antígona, é de 1989.

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Foi há 15 anos (1990), um DM: morreu Greta Garbo (cujo verdadeiro nome era Greta Gustavson), actriz de cinema sueca, naturalizada americana, com cerca de 85 anos. Em Portugal decorria o mandato presidencial de Mário Soares. Em Roma prosseguia o pontificado de João Paulo II.
Nascida em Estocolmo em 1905, “mais que uma actriz, é um símbolo e um mito”. Estreou-se em 1923 num filme de Stilller, A Saga de Gosta Berling e em 1927 teve o seu primeiro sucesso com Flesh and the Devil, de Clarence Brown (realizador com quem trabalhou bastante). “A sua beleza, o sorriso enigmático, o gelo aparente sob o qual se adivinham as paixões, a sedução da voz, os papéis de “mulher fatal” fizeram dela a actriz mais célebre dos anos 30 e um dos mitos da história do cinema. Retirada no final da década de 1940, em 1955 foi distinguida pela Academia com um Óscar pelo conjunto da sua carreira” – A Enciclopédia, id, vol 10, pg 3988.

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Foi há 9 anos (1996), uma SG: Guterres, primeiro-ministro português, inicia uma visita ao Brasil, a fim de introduzir uma nova dinâmica nas relações entre os dois países. Era presidente da República o Dr Jorge Sampaio. Papa era então João Paulo II.

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Na mesma data (1996): o ensaísta português Eduardo Lourenço recebe o Prémio Pessoa.
Eduardo Lourenço nasceu em 1923. Perscrutador do destino português (com, por exemplo, O Labirinto da Saudade. Psicanálise Mítica do Destino Português, de 1978), “Eduardo Lourenço iniciou a sua obra ensaística sob o signo da Heterodoxia (1949-1967), o que lhe valeu a suspeição das ortodoxias instaladas , na “situação” e na “oposição”. Encontrou no exterior um lugar privilegiado de observação, simultaneamente próximo e distanciado, simultaneamente português e europeu (Nós e a Europa ou as Duas Razões, 1988; A Europa Desencantada, 1994). O seu ensaísmo abrange uma componente política e outra cultural e literária, na qual emergedistintamente como crítico subtil e agudíssimo observador. Renovador dos estudos pessoanos (Pessoa Revisitado, 1973; Fernando, Rei da Nossa Baviera, 1986), a sua capacidade crítica e preparação teórica permitem-lhe uma constante intervenção cultural e uma dimensão especulativa rara entre nós, também porque releva de um pensamento próprio que sabe fixar na escrita com elegância” – A Enciclopédia, id, vol 12, pg5251. Escreveu também: Tempo e Poesia (1974); Os Militares e o Poder (1975); O Fascismo Nunca Existiu (1976); o Complexo de Marx (1979) e Poesia e Metafísica (1983).

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Também na mesma data (1996) a actriz Beatriz Costa morre com 88 anos.
Quer se tenha gostado dela ou não, está na galeria das vedetas nacionais.

quinta-feira, abril 14, 2005

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA


Foi há 427 anos (1578), uma SG: nasce Filipe II (Felipe III de Espanha). Reinava D. Sebastião. Pontificava Gregório XIII (226º).
Filipe II foi rei de Portugal de 1598 a 1621

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Foi há 246 anos (1759), um SB: morre George Frederick Handel, compositor inglês. Em Portugal reinava D. José (25º). Pontificava Clemente XIII (248º).
A maior parte das obras de Handel foram escritas em Inglaterra, mas os seus primeiros sucessos aconteceram em Roma.
Quando o seu amigo, o inglês Charles Jennens escreveu o texto do Messias, em 1741, Handel sentiu-se de tal forma impressionado e inspirado que, numa rajada, compôs toda a sua enorme obra com o mesmo nome. A estreia do Messias aconteceu em Dublin, em 1742.
Um ano mais tarde, num concerto, em Londres, George II, que assistia, sentiu-se de tal maneira tocado com os compassos iniciais do Aleluia, que se pôs de pé. No que foi seguido por toda a assistência: donde o costume de ouvir de pé essa maravilhosa peça, enquanto o numeroso coro canta.

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Foi há 159 anos (1846), uma TR: em Portugal, início da revolta conhecida por Maria da Fonte. Reinava D. Maria II (30º). Pontificava Gregório XVI (254º).
A insurreição da “Maria da Fonte saiu do impulso espontâneo do povo, sem unidade de comando nem programa político, como simples protesto contra duas leis, se bem que lhe desse alentos a atmosfera de descontentamento contra o governo de Costa Cabral”. Em vários sítios do Minho ocorreram os motins, mas parece que o mais violento de todos aconteceu na freguesia de Fonte Arcada, Póvoa de Lanhoso, capitaneado por uma tal Maria dessa freguesia, daí: Maria da Fonte. Uma das leis de que se fala acima, era a “lei da saúde” (de 26.11.1845) que proibia os enterramentos nas igrejas. A outra seria do âmbito fiscal, donde um outro grito de guerra dessas rebeliões: “abaixo o cruzado para as estradas!”.

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Foi há 96 anos (1909), uma QA: nasce Joaquim Soeiro Pereira Gomes, escritor português. Reinava D. Manuel II (34º). Chefiava a Igreja Pio X (257º).
Pioneiro da literatura neo-realista no nosso país, o escritor vilafranquense deixou valiosa obra (“Esteiros”, por ex.) que veio a lume com o título genérico Obras Completas de Soeiro Pereira Gomes.

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Foi há 74 anos (1931), uma TR: Afonso XIII, rei de Espanha, foge do seu país após o triunfo republicano nas eleições. Era PR o general Carmona. Era romano pontífice Pio XI (259º).

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Foi há 71 anos (1934), um SB: em Lisboa, inauguração do monumento dedicado ao marquês de Pombal. Continuava a presidência de Carmona. Prosseguia o pontificado de Pio XI.

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Foi há 19 anos (1986), uma SG: morre Simone de Beauvoir, escritora feminista francesa. Em Portugal era PR o Dr Mário Soares. Em Roma pontificava João Paulo II (264º).
Simone Lucie Ernestine Marie Bertrand de Beauvoir nasceu em Paris em 09.01.1908. Formou-se em Filosofia na Sorbonne em 1929. Fundou a revista “Les Temps Modernes”, em 1945, com Jean-Paul Sartre, de quem foi companheira e com quem viria a casar à hora da morte dele.
É um dos mais representativos nomes da cultura francesa designadamente da corrente existencialista.
Da sua vasta obra destaca-se “Le Deuxième Sexe”, que foca a situação da mulher no mundo.

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Foi há 16 anos (1989), uma SX: em França, Eugénio de Andrade, poeta português, é agraciado com o Prémio de Poesia Jean Malrieu para literatura estrangeira, pelo seu livro Branco no Branco. Continuava o mandato presidencial de Mário Soares. Prosseguia o pontificado de João Paulo II.

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Foi há 10 anos (1995), uma SX: morre António Lopes Ribeiro, cineasta português. Era ainda presidente da República Mário Soares. Continuava o pontificado de João Paulo II.
Em 1941 criou as Produções António Lopes Ribeiro, de onde saíram, por ex., “O Pai Tirano” e o “Pátio das Cantigas” em 1941. A partir de 1957 apresentou na televisão o “Museu do Cinema”. Realizou algumas longas metragens, como, entre outras, “O Pai Tirano” (1941), “Amor de Perdição” (1943) e “Frei Luís de Sousa” (1950).

INTERMEZZO



Trata-se de uma das muitas histórias que circulam na NET. Esta recebi-a hoje, num mail. Claramente importada do Brasil. É interessante. É uma realidade traduzida em fábula dos nossos dias.

Aí vai.

Reeengenharia

Muitas empresas caíram e caem na armadilha das

mudanças drásticas de coisas que não precisam de

alteração, apenas aprimoramento. O que lembra a

história de duas pulgas.

Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou

com a Outra:

- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só

sabemos saltar. Daí, nossa chance de sobrevivência

quando somos percebidas pelo cachorro, é zero. É por

isso que existem muito mais moscas do que pulgas.

E elas contrataram uma mosca como consultora, entraram

num programa de reengenharia de voo e saíram voando.

Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a

outra:

- Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos

grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reacção

é bem menor do que a velocidade da coçadela dele. Temos

de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o

néctar e levantam voo rapidamente.

E elas contrataram o serviço de consultoria de uma

abelha, que lhes ensinou a técnica do chega-suga-voa. Funcionou,
mas não resolveu. A primeira pulga explicou por quê:

- Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por

isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a

gente até escapa, mas não estamos nos alimentando

direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem

para se alimentar com aquela rapidez.

E um pernilongo lhes prestou uma consultoria para

incrementar o tamanho do abdómen. Resolvido, mas por

poucos minutos. Como tinham ficado maiores, a

aproximação delas era facilmente percebida pelo

cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de

pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante

pulguinha:

- Uéh, vocês estão enormes! Fizeram plástica?

-Não, reengenharia. Agora somos pulgas adaptadas aos

desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos

armazenar mais alimento.

- E por que é que estão com cara de famintas?

- Isso é temporário. Já estamos fazendo consultoria

com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do

radar. E você?

- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.

Era verdade. A pulguinha estava viçosa e bem

alimentada. Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a

torcer:

- Mas você não está preocupada com o futuro? Não

pensou em uma reengenharia?

- Quem disse que não? Contratei uma lesma como

consultora.

- O que as lesmas têm a ver com pulgas?

- Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas,

em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei

que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor

solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só

observando o cachorro e então ela me deu o

diagnóstico.

- E o que a lesma sugeriu fazer?

- "Não mude nada. Apenas sente no cocuruto do

cachorro. É o único lugar que a pata dele não

alcança".

MORAL: Você não precisa de uma reengenharia radical

para ser mais eficiente.

Muitas vezes, a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão

de reposicionamento.

“DIZ-SE”

As costumadas citações do PÚBLICO. Da edição de hoje, destaco:

"Com o alargamento da União Europeia de 15 para 25, Portugal deixou de andar pelos 14º e 15º lugares nos indicadores de desenvolvimento. Agora, anda em geral para lá do 20º."
João Paulo Guerra
Diário Económico, 13-04-05
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"Portugal é um país mal-educado, carregado de maus hábitos, tacanho nas mentalidades, campeão do analfabetismo funcional, do abandono e do insucesso escolar e, por isso mesmo, atrasado económica e socialmente."
Idem, ibidem

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"PS e PSD são partidos irmãos. Dirigem o país à vez, mas não têm mostrado grande capacidade de realizar o salto modernizador que tanto clamam para a sociedade. Na oposição não têm tempo, no governo não têm paciência."
Leonel Moura
Jornal de Negócios, 13-04-05
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"O centro-direita está obrigado, sob pena de começar a desaparecer gradualmente - em quatro eleições só ganhou uma -, a assumir o que é, o que defende e o que preconiza para o futuro."
Luís Delgado
Diário de Notícias, 13-04-05

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"Se este congresso do PSD estivesse cotado numa qualquer Bolsa de Valores, seria de esperar que, no dia seguinte, assistíssemos a uma forte queda do valor das suas acções."
José Bartolomé Duarte
Focus, 13-04-05

A MINHA MINI-GLOBALIDADE


País e cidade onde eu tenha dado uma espreitadela (sobretudo os de que se fala menos), aí está no centro das minhas atenções relativamente a notícias trazidas pelos media.

Hoje o PÚBLICO trazia três “locais” sobre a Turquia

- Turcos vêem EUA como "maior inimigo"

- Turquia desafia Washington reforçando laços com a Síria

- Ancara propõe comissão conjunta para investigar genocídio arménio

E uma sobre o Japão: Japão e China mais perto de um conflito energético.

Li-as com a mesma atenção com que leio qualquer notícia referente a Lisboa, ao Porto, a Coimbra, à Inglaterra ou à França.

Sei que isso não acontece só comigo. Acontece com muitos. Certamente com quase todos.

É normal que tal suceda: conforme se alargam os nossos horizontes, assim vai crescendo o nosso “vivo” interesse pelo que se passa noutras paragens.

Refiro-me, claro, às pequenas notícias, lá perdidas nas menos atraentes colunas e páginas interiores dos periódicos.

Porque as grandes, as gordas – essas não escapam a ninguém.

É uma consequência – esta positiva – da globalização: sentimo-nos todos mais perto uns dos outros.


LIDO E DESTACADO


«Para as crianças, é a altura de sonhar alto e, por isso mesmo, de querer ser simultaneamente (ou diversamente) bombeiro, cientista, astronauta, jogador de futebol, mas "quase" sempre (simplesmente...) "o maior da minha rua"»
Pedro Strecht (PÚBLICO, QI 14 ABR 05)

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«Nós, portugueses, continuamos a delirar com o cortar das fitas. Até os antifascistas, que contavam anedotas sobre implacável tesoura de Américo Tomás, se converteram a este nosso costume típico. (…)
Não há senhor presidente da câmara (SPC) que resista a prometê-las, que não se esforce por dar à luz alguma obra, antes de arriscar a sua reeleição. (…)
As obras orgulham-nos e sentimo-las como um carinho que nos reconforta, mesmo que nos pareçam agressivas, feias, inúteis ou caras. (…)
Como a gratidão é uma qualidade, é normal que o SPC aproveite esta época para agradecer aos apoiantes, a que os jornalistas, essa corja, ousam chamar de clientelas. É natural, justo e desculpável que lhes aprove alguns mamarrachos. (…)Pior, só mesmo os tipos do Ippar que apareceram a chatear por o senhor abade ter mandado substituir os azulejos da igreja matriz. O que vale é que o SPC foi avisado e apressou-se a despachar os velhos para a lixeira. (…)
O que nós queremos e aplaudimos é muita obra e tudo novo, porque é isso o progresso, valha-nos Deus.»

Rui Moreira (id, id)

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«O último congresso do PSD demonstrou à saciedade todos os perigos de implosão do partido (…)
Luís Filipe Menezes representou a continuidade da experiência Santana Lopes, sem nenhuma mudança significativa. Os votos que recebeu e a recepção que o congresso lhe propiciou são um bom exemplo para a reflexão sobre o que está mal no PSD. (…)
Menezes, que como Santana Lopes é intuitivo, percebeu-o [“o país e os eleitores, a começar pelos eleitores do PSD, não valorizam por aí além os arroubos sentimentais desses dirigentes”] quando gastou todo o seu último discurso a falar da questão da "credibilidade". (…)
Marques Mendes foi censurado pelo único momento em que no congresso um candidato esteve coerente com a tradição de ruptura do passado, ou seja quando criticou o estado do partido e a responsabilidade primacial de Santana Lopes. (Deixou de lado a de Durão Barroso, cuja fuga a meio de mandato e condicionamento da sucessão o torna co-responsável.) Era isto que era habitual num partido que não costumava ter palavras mansas consigo próprio. Até agora. Aqui os media atacaram Marques Mendes por criticar Santana Lopes, porque, ao fazê-lo, "ia perdendo o congresso". Ainda bem que não perdeu, mas se o perdesse teria feito a sua obrigação. (…)
O papel de Santana Lopes só não foi absurdo porque é mais do que isso: reprovável até ao limite. Não assumiu uma única responsabilidade do que se passou, atirou as culpas para um título de jornal, (…)para um comentador de um programa de debate que passa à noite num canal de cabo, e para um ministro que se propôs como candidato, caso ele perdesse. (…)
Santana Lopes foi ao congresso para se vingar, para apoiar Menezes, para fazer chantagem sobre os que o queriam criticar e para, pela sua presença, condicionar o congresso e o partido. Não me surpreendeu, como não me surpreende nada, que force a candidatura de Lisboa, que force a candidatura presidencial, que faça tudo para que Cavaco perca e Marques Mendes falhe. É isto que significa o "vou andar por aí". (…)
Neste contexto, penso que se percebe as minhas objecções ao modo como actuou o "grupo" à volta de António Borges, cujo efeito prático foi bloquear a mais que necessária crítica ao passado imediato, favorecer Menezes e enfraquecer Marques Mendes. (…)
Se, e este "se" é importante, este "grupo" (e a verdade, minha querida Manuela, é que se actuou como grupo...) tivesse apresentado uma alternativa política ao programa de Marques Mendes, se contribuísse para identificar o que está mal no partido, não teriam qualquer estado de graça e isso talvez os levasse a compreender os problemas que Marques Mendes tem que defrontar quase sozinho e fragilizado pela sua actuação.»

José Pacheco Pereira (id, id)

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«O Presidente da República em França. (…)
[Os emigrantes] sentem-se orgulhosos, porque Jorge Sampaio está em França, porque se desloca a diversos lugares importantes, e porque as instituições francesas, a começar por Jacques Chirac, lhe dão a importância que eles acham que lhes é devida. Anos de humilhação enquanto país de porteiras, de motoristas de táxi, de operários da construção civil, são agora compensados porque um Presidente - um homem simples, simpático, emotivo, caloroso - está em terras francesas. Afinal eles existem e são tão europeus como os outros. (…)
O Presidente veio, falou em francês e em português, assumiu decididamente a causa europeia, foi aos liceus, conversou com professores, esteve com emigrantes. E a todos deu idêntica dignidade e importância. Soube evocar a memória francesa. nalgumas das suas maiores figuras progressistas. E soube sobretudo fazer com a maior elegância e diplomacia aquilo que era fundamental neste momento: libertar a imagem portuguesa do ónus de um presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, de quem os franceses gostam manifestamente pouco.»

Eduardo Prado Coelho (id, id)

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«Há dois dias, a França aprovou uma lei que abre as portas à eutanásia. A partir de agora, se uma pessoa estiver consciente, mas num estado terminal de uma doença incurável, pode decidir parar o tratamento. Nesses casos, os médicos têm a obrigação de respeitar o desejo do paciente. Em Portugal, a discussão não está agendada, mas é inevitável. Qual dos dois deve prevalecer? O direito à morte e liberdade individual ou o de viver até ao esgotar completo das nossas forças? Nesta edição lançamos a discussão e recordamos uma entrevista de Ramón Sampedro, o galego que lutou anos a fio pelo seu direito de morrer. Uma vida que foi imortalizada no premiado filme Mar adentro»
Chamada da primeira página de A Capital, numa edição em que o grande tema (editorial e vários artigos) é a eutanásia, QI 14 ABR 05

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«As pessoas podem e devem, não só nos casos de doenças terminais, mas também nos de sofrimento visível e continuado, querer morrer sem que o Estado as possa impedir de exercer a mais elementar de todas as faculdades: o direito de sermos nós a decidir se queremos ou não sofrer.
Se um dia estiver numa situação-limite, mesmo que não tenha uma doença incurável, não sei o que decidirei. A vontade de sobrevivência e o amor pelo olhar dos que amo podem ser determinantes para aceitar a dor mais profunda; mas quero poder decidir sobre isso e em consciência, se for essa a minha decisão, dizer ao Estado que o meu papel enquanto cidadão terminou por motivos de força maior.»

Luís Osório (A Capital, QI 14 ABR 05)

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«A modernidade dos países faz-se de passos corajosos, passos que são inevitáveis no futuro. A eutanásia é uma prova de respeito por todos e não me suscita qualquer dúvida por mais metódica que seja. Ao contrário da interrupção voluntária da gravidez.»
Id (id, id)

«A questão fundamental: com um partido socialista que, afinal, é cada vez mais social-democrata, sabendo-se que o centro não é um espaço político de per si, mas um espaço onde, à direita e à esquerda, se vão buscar maiorias absolutas, que é que distingue, verdadeiramente, o PSD?»
Maria José Nogueira Pinto (id, id)

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«Se tudo correr como previsto, hoje vai fazer-se silêncio. Não para o fado, mas para toda a música. Abre a Casa da Música do Porto e começam as desfilar os elogios à monumental obra do arquitecto Rem Koolhaas, sem dúvida uma chave da modernidade que marcará a capital do Norte nos próximos anos. O caos que rodeia o edifício - das obras exteriores às "interiores" indefinições sobre financiamentos, administração e direcção artística - será abafado pelo som de Lou Reed. No entanto, o silêncio que hoje se fará, e a música que no seu lugar se ouvirá, não é de ouro. Nem fica bem. É um silêncio de culpa, um silêncio feito de negligência, demagogia, promessas e irresponsabilidades. Foram seis anos de "Portugal no seu pior" quatro datas de abertura prometidas e não cumpridas, uma brutal derrapagem nos custos (de 40 para 100 milhões de euros!), intrigas, polémicas, demissões, administrações sucessivas. Numa obra privada - ou numa obra pública de um país civilizado... - tinham rolado cabeças e tinham sido penalizados responsáveis. Na Casa da Música do Porto, os danos foram suaves demissões que resultaram em novos empregos, ou regressos a antigos empregos. Ou seja, não aconteceu nada àqueles que permitiram gastar três vezes mais do que o previsto e caucionaram um atraso na obra que poderia ter sido evitado se não se lançassem promessas gratuitas para conquistar apoios e simpatias.»
Pedro Rolo Duarte (DN, QI 14 ABR 05)

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«Seria irrealista esperar da nossa débil sociedade civil qualquer impulso significativo de modernização mental. Basta olhar para as universidades. Ou para as chamadas elites. E o Estado português não só é fraco, ineficiente e corrupto, como dá maus exemplos - vejam-se os atrasos nos seus pagamentos. Os partidos convivem bem com a degradação do Estado, porque esta lhes convém para darem empregos e negócios às clientelas. O apego ao populismo manifestado no último congresso do PSD tira, aliás, quaisquer ilusões sobre o papel modernizador dos partidos.»
Francisco Sarsfield Cabral (id, id)


VISTO, LIDO E OUVIDO - ANOTADO


A Casa da Música (CdM) é hoje inaugurada, no Porto, com 6 anos de atraso, relativamente à data inicialmente prevista, e com um custo final que é o sêxtuplo do previsto no início da obra: 100 milhões de €uros.

Assim, a CdM é, nesta Quinta-feira, a grande notícia, aquela que põe todas as outras na penumbra.

A ela dedicam os media, hoje, toda a sua atenção.

O Público traz, mesmo, como encarte, uma revista bem volumosa, de 128 páginas, inteiramente dedicada à CdM: “A casa abre-se à música” – é o seu título.

Do Sumário da revista, respigo:

- As origens. No âmbito do Porto – Capital da Cultura 2001, a CdM nasce e dá os primeiros passos.

- Os protagonistas. Nove nomes para ideias arrojadas, empenhos inquestionáveis, escolhas decisivas e, para alguns polémicas (quase) intermináveis. Quem foi quem no caminho da CdM. [Pedro Burmester; Artur Santos Silva; Manuel Maria Carrilho; Teresa Lago; Fernando Gomes; António Couto dos Santos; Manuel Alves Monteiro; Rui Amaral e Rui Rio]

- O concurso. Primeiro, os convites a grandes nomes da Arquitectura mundial [“os arquitectos portugueses puseram-se imediatamente de lado, tendo-se apresentado ao concurso apenas sete projectistas: o francês Dominique Perrault, o britânico Norman Foster, o suíço Peter Zumthor, o espanhol Rafael Moneo, o norte-americano Rafael Viñoly, o holandês Rem Koolhaas e o japonês Toyo Ito”]; depois, as três propostas que chegaram [Koolhaas, Viñoly e Perrault]. Caminho aberto para Rem Koolhaas.

- A escolha de Koolhaas.O que esteve na origem da escolha do júri? Obviamente, a ousadia do projecto e a sua capacidade de impressionar o Mundo.

- Perfil de Koolhaas. Nasceu na Holanda, estudou no Reino Unido, trabalha em todo o Mundo. Autor de obras emblemáticas da Arquitectura contemporânea e da célebre frase fuck the context.

- Da habitação à CdM. Ou a arte de transformar uma habitação unifamiliar num equipamento cultural para mais de mil pessoas.

- A engenharia. Na obra, sempre se fala da Arquitectura, mas, para que a ideia se consolidasse em milhares de toneladas de betão branco, foi necessário o génio de uma equipa internacional de engenheiros.

- O decorrer da obra. As dificuldades nas fundações, os cálculos que jamais acabavam: em suma, as derrapagens inevitáveis, no tempo e nos custos.

- Opinião de Jorge Figueira. O crítico de Arquitectura avisa-nos que, na Rotunda da Boavista, Marte ataca, mas, no caso, os marcianos são boa gente.

- Arquitectos em discurso directo. Alguns manifestam ligeiras dúvidas, outros nem tanto. No final, porém, parece que a solução de Koolhaas satisfaz a exigência de alguns dos mais prestigiados pares nacionais.

- A requalificação. A envolvente, o metro e a assinatura de Siza Vieira e de Souto Moura.

- Opinião de Rui Vieira Nery. O musicólogo lembra-nos os desafios que a CdM enfrenta para cumprir o seu papel de serviço público.

- Entrevista com Artur Santos Silva. Rosto emblemático do mecenato nacional, o banqueiro que presidiu à 1ª administração da Porto 2001 revela as suas expectativas para o futuro.

- Opinião de Augusto M. Seabra. O crítico do PÚBLICO reconstitui a memória do processo CdM e aponta caminhos para que se cumpra o seu desígnio.

Estes, alguns dos pontos do extenso Sumário da revista.

E do respectivo editorial (do Director Adjunto do PÚBLICO, Manuel Carvalho) destaco:

«Obra acabada, chega a hora de olhar para o futuro. Perfilam-se dúvidas e, também, muitas certezas. A primeira é que o Porto, uma cidade particularmente afectada pelo desemprego e fragilizada pela sua crescente perda de poder político e económico, ganhou um novo ex-libris: a CdM nunca terá o capital simbólico dos Clérigos, mas, à semelhança de Serralves, aponta para um conceito de cosmopolitismo e de modernidade que sempre lhe esteve nos genes. A segunda é que, apesar das dúvidas sobre o financiamento, a CdM reúne condições para se tornar um lugar de excelência para a criação e a divulgação da cultura.»

Os meus votos dos maiores sucessos à Casa da Música e a todos os que nela trabalham.

A FRASE DO DIA


«Construir uma casa para a música

é juntar os pontos da matemática,

os pontos da música, os pontos da

metafísica

e rasgar pedras com sonhos e vontades

acordadas.

Construir uma casa para a música é abrir

janelas de luz para o cosmos, esse reino

incontingente da harmonia perfeita.

Construir uma casa para a música é criar

uma espiral de sinais particulares

que nos conduzem ao encontro

da alma original com a matéria.

Construir uma casa para a música

é submeter a pedra à ordem da beleza

e fazer da substância arte total.»

Que maravilha!
Que combinação mais bem conseguida do verbo com a arte.
Texto bem concebido, despretensioso (veja-se a sua localização: no escaninho interior da capa da revista – desdobrável - que celebra a inauguração do monumento, hoje, no Porto), brilhante na forma, rico no conteúdo.
Não assinado.

Até pode ser uma frase com intuitos publicitários,
o que me parece provável

(depois de uma fotografia do moderno edifício, lê-se:
Juntos construímos a Casa da Música
Com muito orgulho.
E segue-se a referência a duas empresas interventoras na sua construção)

mas feliz, não obstante esse eventual objectivo.

Aqui fica o registo.

quarta-feira, abril 13, 2005

MEMÓRIA DO TEMPO QUE PASSA

Foi há 486 anos (1519), também, como hoje, uma QA: nasceu, em Florença/Itália, Catarina de Médicis, que viria a ser rainha de França, mulher de Henrique II. Reinava, a esse tempo, em Portugal, D. Manuel I (14º). Chefiava a Igreja Leão X (217º), precisamente um Médicis, filho de Lourenço, o Magnífico.
Catarina era filha de Lourenço de Médicis (não o Magnífico, mas um seu neto), duque de Urbino, e de Madalena de La Tour de Auvergne, condessa de Bolonha.
Catarina era, pois, neta de Pedro de Médicis (1471-1503) que por sua vez era filho de Lourenço, o Magnífico, a quem sucedeu. (Lourenço, o Magnífico, recordo, era neto de Cósimo de Médici – Cosme de Médicis – um dos dois filhos do iniciador da dinastia: João de Médicis).
O consulado de Pedro (1492-1503) foi de má memória. Pedro “não revelou capacidade nem prudência”, sucedendo-se os desastres e os insucessos da sua governação.
Catarina – repito – era neta de Pedro, e a seu pedido foi mandada para um convento, para aí ser educada. Casou, com apenas 14 anos (1533), em Marselha, com o rei de França, Henrique II, filho de Francisco I, a quem sucedeu em 1547. Foi mãe de Francisco II, de Carlos IX (em cuja menoridade foi regente do reino) e de Henrique III.
Mas dos Médicis, nomeadamente de Catarina, já se falou nesta coluna, no dia 9 de Abril; por isso, e a tão curta distância, não me vou repetir.

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Foi há 407 anos (1598), uma SG: Henrique IV, de França, emite o Édito de Nantes, dando liberdade religiosa aos huguenotes (como se sabe, expressão – pejorativa, mas comum – com que os católicos franceses antigamente se referiam aos calvinistas). Reinava em Portugal Filipe I (18º). A Igreja era dirigida pelo papa Clemente VIII (231º).

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Foi há 310 anos (1695), igualmente, como hoje, uma QA: morreu Jean de La Fontaine, escritor francês, celebrizado pelas suas fábulas “escritas num estilo simultaneamente simples e subtil, constituindo um conjunto harmonioso e sensível, cujo brilho se mantém intacto até hoje. Reinava, em Portugal – aquando do nascimento de La Fontaine - D. Pedro II (23º). Pontificava Inocêncio XII (242º).
“Publica sucessivas recolhas de Contos e, em 1668, aparecem os seis primeiros volumes de
Fables Choisies Mise en Vers que atingirão em 1694 o décimo segundo volume”.

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Foi há 262 anos (1743), um SB: nasceu Thomas Jefferson, 3.o presidente dos EUA. Em Portugal reinava D. João V (24º). Em Roma pontificava Bento XIV (247º).
O primeiro acontecimento que o tornaria célebre, foi a Declaração de Independência (1776), da sua autoria. Foi governador do estado da Virgínia (donde era natural e onde morreu em 1826) – cuja Universidade fundou. Fundou, também, o Partido Federalista, que está na génese do actual Partido Republicano.
Antes de se tornar no terceiro presidente dos EUA, foi embaixador do seu país em França e foi o primeiro secretário de Estado dum governo americano.
Foi presidente de 1801 a 1809. “Reclamou o direito de voto para todos os cidadãos americanos, criando assim a «tradição jeffersoniana», orgulho da democracia americana.”
Facto hoje surpreendente, mas, na altura nada estranho: comprou a Louisiana à França.
A este propósito, recordo que anos mais tarde, em 1867, os EUA também compraram, agora à Rússia, o Alasca (separado desta uns 80 Km – pelo estreito de Bering), pelo preço de 7 200 000 dólares.

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Foi há 159 anos (1846), uma SG: em Lisboa é inaugurado o Teatro Nacional D. Maria II. Reinava, precisamente, D. Maria II (30º). Soberano Pontífice era Gregório XVI (254º).

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Foi há 99 anos (1906), uma SX: nasce Samuel Beckett, escritor e dramaturgo irlandês. Em Portugal reinava D. Carlos (33º). No Vaticano pontificava o papa Pio X (257º).
Nasceu em Dublin e morreu em Paris, em 1989. Fixou-se em Paris em 1938, e a partir de 1947 escreve quase só em francês. Na sua obra, mormente na dramática, em que sobretudo se distinguiu, “espelha-se o absurdo de uma condição humana sem valores e sem Deus, abandonada a si própria à espera de algo que não virá nunca (En Attendant Godot, 1953).
Foi Prémio Nobel da Literatura em 1969.

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Foi há 68 anos (1937), uma TR: nasceu Carlos Avilez, encenador e actor português. Era Carmona ainda o PR. Pontificava Pio XI (259º).
Carlos Avilez começou no Teatro Universitário, passou pelo Teatro Experimental de Lisboa e pelo Teatro Nacional (onde se estreou como profissional em 1956). Foi co-fundador, em 1965, do Teatro Experimental de Cascais de que foi director e “onde apresentou muitas das suas encenações, sempre interpelantes e algumas vezes polémicas”. Foi director do Teatro Nacional de 1993 a 2000.

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Foi há 44 anos (1961), uma QI: desencadeia-se e é imediatamente sufocada uma tentativa de golpe militar que visava derrubar o governo de Salazar. Esta sublevação fez-se de conluio com elementos das forças armadas, entre os quais se encontrava o ministro da Defesa, general Júlio Botelho Moniz, que intentou, junto do Presidente da República, a demissão de Salazar. Américo Tomás era então o PR. Em Roma pontificava o “Bom Papa João”, João XXIII (261º).

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Foi há 42 anos (1963), um SB: nasceu Gary Kasparov, jogador de xadrez russo. Em Portugal continuava Américo Tomás a ser o PR. Em Roma, aproximava-se do fim o pontificado do “Bom Papa João”, João XXIII.

Foi há 30 anos (1975), um DM: começa a guerra civil libanesa que duraria 15 anos e causou mais de 150 mil mortos.
A efeméride é recordada hoje, no Público, por Alexandra Prado Coelho, num artigo intitulado: «Gloria Gaynor cantava I will survive no meio das bombas». Em jeito de introdução, escreve: «Checkpoints, carros armadilhados, raptos de ocidentais, assaltos a bancos e massacres, guerrilheiros palestinianos, milicianos cristãos e muçulmanos, ingerências da Síria e de Israel - o conflito libanês teve de tudo.»
Depois regista, designadamente: «A guerra civil libanesa durou 15 anos e causou mais de 150 mil mortos. Mas tem, como tudo, o seu momento fundador, o incidente que fez explodir as tensões há muito existentes entre os vários grupos étnicos, religiosos, clãs e famílias políticas: o assassínio de 27 palestinianos que viajavam num autocarro no dia 13 de Abril de 1975.
O autocarro atravessava o bairro de Ain al-Rumaneh, um subúrbio de Beirute, quando milicianos falangistas cristãos abriram fogo e mataram todos os ocupantes. Nos três dias seguintes, os confrontos entre cristãos maronitas, por um lado, e os palestinianos aliados a grupos muçulmanos e da esquerda libanesa (a coligação islamo-progressista), por outro, provocam 300 mortos.»

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Foi há 18 anos (1987), uma SG: Portugal e China assinam o acordo de transferência da administração de Macau, a realizar em 20.12.1999. O acordo, por parte de Portugal, foi assinado pelo primeiro-ministro de então, Aníbal Cavaco Silva. Era PR o Dr Mário Soares. Pontificava, ainda, João Paulo II (264º).

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Foi há 16 anos (1989), morreu D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto. Decorria o mandato presidencial do Dr Mário Soares. Pontificava João Paulo II.
Nasceu em 1906. Doutorou-se em Roma, na Universidade Gregoriana, em filosofia e em teologia, no ano de 1928. Designado bispo do Porto em 1952. Em 1954 promove, no Porto, uma marcha de silêncio contra a opressão da Igreja nos países de Leste.
“Em 1958 teve lugar um incidente relacionado com as eleições para a presidência da República, explorado tanto pela oposição como pelo regime salazarista e que teve como consequência confundir a sua acção pastoral com um facto muito mal esclarecido. D. António Ferreira Gomes foi aconselhado a sair do país.”
O que se acaba de relatar, talvez seja uma forma soft de dizer aquilo que então correu mundo: aproximavam-se as eleições em que a UN (Salazar, é evidente, toda a gente sabia) propunha a candidatura do “frouxo e inábil” almirante Américo Tomás (mas feroz defensor da situação, do seu tutor: Salazar). Pela oposição dava brado a candidatura do General Humberto Delgado que - não sendo de forma nenhuma um esquerdista, muito ao contrário – teve no entanto a ousadia de se opor a Salazar (acerca de quem disse a frase que ficou célebre: “obviamente, demito-o”). Rezam as crónicas que Delgado só não ganhou as eleições devido à “costumadas” manobras de bastidores, no manuseamento dos cadernos eleitorais e das urnas… Ora foi neste ambiente escaldante que o bispo do Porto terá escrito uma carta a Salazar, em termos muito contundentes, o que levou o ditador a desterrá-lo.
D. António participou no Concílio Vaticano II e voltou ao Porto em 1969, retomando as suas funções, a “convite”, disse-se, de Marcelo Caetano.
D. António Ferreira Gomes deixou instruções testamentárias para a criação de uma fundação – SPES – instituída com os seus bens e destinada a fins de beneficência, educação e cultura.

"DIZ-SE"

Das citações de hoje do público, transcrevo as seguintes:

"Um estudo internacional prova que Portugal tem os custos laborais mais baixos da Europa a Quinze. Nada de surpreendente, se tivermos em conta que o patrão português, em 90 por cento dos casos, quer que os seus empregados trabalhem mas não gosta de lhes pagar."
Paulo Narigão Reis
A Capital, 12-04-05


"A tradição em Portugal é cada empresário apostar quase tudo nos corredores do poder e quase nada do seu dinheiro."
Pedro Marques Pereira
Diário Económico, 12-04-05

"Portugal precisa de políticos de risco: Sá Carneiros, Eanes e alguns Soares. Os que perdem e ganham. Temos cada vez mais políticos de máquina calculadora em punho e alguns deles encarnam o espírito de Pilatos."
Adelino Maltez
O Diabo, 12-04-05


"Com ímpeto reformista, dava-se a volta ao país numa semana. O que é preciso é coragem para enfrentar os interesses e as corporações."
Idem, ibidem

«PATRIARCA DIZ QUE DEUS "JÁ ESCOLHEU" FUTURO PAPA»

Excerto da reportagem de António Marujo, no Público de hoje:

«O cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, diz que "certamente, Deus já escolheu" quem será o novo Papa. "Aqui estamos nós, 115 homens [cardeais eleitores] que Deus há muito chamou e consagrou para o serviço do seu povo, a preparar na simplicidade da fé, um acto profundamente humano: votar para escolher aquele que, certamente, Deus já escolheu", escreve, numa carta à diocese de Lisboa.
Na "densidade" destes dias em Roma, os cardeais experimentam a "humanidade da Igreja, através da qual Deus continua a agir na história". Mas os eleitores do futuro Papa, escreve D. José, não estão "à espera que Deus mande um anjo a anunciar a sua escolha": "Ele quer que a sua escolha se exprima na nossa. É tudo tão simples e tão sereno. Temos apenas de fazer o que nos é pedido, na simplicidade da nossa consciência, acreditando profundamente que é o Senhor quem conduz o seu Povo."»

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